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Hisense leva monitores e TVs para o estande de Phantom Blade Zero na gamescom latam 2026

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Foto: @sucodm / @fotobelga

A Hisense participou da gamescom latam 2026 em parceria com o jogo Phantom Blade Zero, disponibilizando equipamentos diretamente nas estações de gameplay do estande do título. A presença reforça a aproximação da marca com o universo gamer e sua atuação em eventos voltados ao público de jogos na região. Confira AQUI nossa cobertura do jogo.

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Foto: @sucodm / @fotobelga

O evento aconteceu de 30 de abril a 3 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo. Durante os dias de programação, a Hisense disponibilizou 50 monitores e duas TVs para uso nas áreas de demonstração, com Phantom Blade Zero sendo executado nos dispositivos da marca ao longo das sessões de teste.

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Foto: @sucodm / @fotobelga

Sobre Phantom Blade Zero

Desenvolvido pela S-Game, Phantom Blade Zero é um RPG de ação ambientado em um universo inspirado no wuxia, com combate rápido em terceira pessoa e foco em narrativa cinematográfica. O título está previsto para PlayStation 5 e PC.

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Foto: @sucodm / @fotobelga

Mercado gamer em expansão

A iniciativa acompanha o crescimento do setor. Segundo a consultoria Newzoo, a indústria global de games deve atingir US$ 188,8 bilhões em receita em 2025. No Brasil, o mercado foi avaliado em US$ 5,64 bilhões no mesmo ano, com projeção de chegar a US$ 11,08 bilhões até 2034.

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Foto: @sucodm / @fotobelga

Para Matheus, Diretor de Marketing e Produtos da Hisense no Brasil, a parceria mostra na prática o que a marca oferece ao público gamer. “O público gamer busca desempenho consistente, baixa latência e qualidade de imagem capaz de acompanhar cenas rápidas e detalhadas”, afirma. “Ao integrar nossos produtos ao estande de Phantom Blade Zero, mostramos como a tecnologia contribui para uma experiência mais responsiva e envolvente.”

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Foto: @sucodm / @fotobelga

A participação na gamescom latam integra a estratégia da Hisense de ampliar sua presença no segmento, com foco em soluções de alto desempenho para entretenimento interativo.

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Phantom Blade Zero | jogamos na Gamescom Latam 2026 e o action RPG souls-like promete muito

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Imagem divulgação.

A desenvolvedora chinesa S-Game chegou com tudo na gamescom latam 2026 para apresentar seu novo jogo, um action RPG com aquela pitada hack n’ slash e um sabor souls-like, Phantom Blade Zero. O Suco teve a oportunidade de testar e vamos trazer nossas impressões sobre esse jogo que durante o evento foi um assunto unanime.

O Estande Escarlate

Você sempre espera algo diferente numa feira de jogos e tecnologia, e foi exatamente isso com o estande do Phantom Blade Zero, os barbantes vermelhos entrelaçados trazendo a essência e a energia do jogo para o público, as estações viradas para as laterais permitindo que a fila pudesse absorver o jogo aos poucos até a sua vez. Além de uma exposição com réplicas de armas do jogo centralizada entre as estações de jogos e ao fundo um dragão chinês simbolizando a força da equipe da S-Game em atrair o público latino-americano.

Na frente e, ao mesmo tempo, parte final das ativações do estande, uma foto oficial tirada pela equipe da produção. Toda a exposição foi chamada de “Kung Fu Punk: Proximidade do Distante“, já que o jogo tem lançamento para o dia 8 de setembro de 2026, mas também quer mostrar a relação Brasil e China na cultura, como a vinda do Kung Fu para cá e a influência da arte da Capoeira para lá, que serviram de inspiração para gerações e motivação para manter esses elos culturais. Não é à toa que, no domingo, dia 3 de maio, teve apresentações de Dragão Chinês no estande que encantaram o público.

Claro que boa parte quer saber: e o jogo, como está? Como foi a jogatina? O que esperar dele? É aí que, quando você chegava próximo da sua vez no jogo, você recebia um caderno de “manual do jogo”. Ele traz a informação da exposição, mapa do evento e, principalmente, o que você teria que encarar na demo, que eu tive a oportunidade de jogar por 1 hora. O objetivo para todos era derrotar os chefes presentes para ganhar ainda mais brindes, como cartões especiais, um leque entre outros.

Não perca tempo e contra-ataque!

Trazendo a essência wuxia, a dança de espadas e tempestades sangrentas, Phantom Blade Zero traz uma mecânica de combate que é rápida, porém requer detalhes de execução. Para trazer a essência das artes marciais, então você deve ficar atento às ações da Alma, o protagonista, pois você pode ficar sem energia para contra-atacar ou efetuar um ataque na hora exata.

O cenário da demo traz um pouco de tudo que o jogo vai oferecer, desde sessões abertas com vários inimigos, lugares mais fechados, nos quais você poderá se mover agachado e executar o inimigo em modo sorrateiro, até ter que correr e desviar em sessões verticalizadas com arqueiros te mirando e bloqueando sua evolução. Além disso, os coletáveis estavam presentes desde documentos e textos contando mais da história de Phantom Blade Zero, e itens para aumentar suas habilidades, como a Flor da Memória, onde é possível relembrar segredos e fortalecer você.

Para mim que sou um jogador mediano desse tipo de jogo, eu encontrei uma certa facilidade em pegar o ritmo proposto dos inimigos, mas não houve tempo suficiente para eu chegar no chefe final. Você tinha a opção de jogar no controle ou no teclado e mouse, testando em ambos, e por estar mais acostumado no dia a dia, o combate saiu mais fluido para mim no teclado. Além disso, meu instinto procurava dar uns pulos para acessar uns itens de forma inesperada, porém o que ocasionou umas mortes extras no fim do dia.

Mecanicamente, Alma carrega as armas da série Sanguine, que são três: a Sanguine, uma espada única de ataques rápidos; a Sanguine Longa, uma espada longa de ataques moderados e pesados, mas um pouco mais lenta; e, por último, e não menos letal, a Sanguine Dupla, duas katanas para golpes rápidos e velocidade para quebrar as defesas inimigas.

Acompanhadas por armas secundárias que eram compostas pelo Coruja Noturna, um arco longo; a Lâmina Ceifadora, um machado potente para cortar correntes; e, após o primeiro chefe, a Marreta Colossal, um martelo grande e poderoso para quebrar o chão e revelar passagens. Essas Armas das Sombras dão apoio à evolução do jogo e em combos durante os golpes.

A principal mecânica é o bloqueio; você vai aprender o tempo entre ataques dos inimigos e ver se eles darão a chance de você contra-atacar com uma arte poderosa. Se o brilho é azul, uma esquiva e ataque leve no momento certo causam um dano eficaz. Se a arte é mortal e o brilho carmesim acende, é hora de contra-atacar com a arte de Alma, o Sha-Chi, para silenciar ou quebrar seu inimigo.

Com a ambientação oriental feudal, você terá que mergulhar na História de Alma e seu desafio de 66 dias para provar que a morte de seu mestre não foi culpa sua. Em quem você pode confiar? Ou quem ainda confia em você? Colete as Phantom Edges, as armas que Alma pode usar, mais suas habilidades de kung-fu. Fique atento para não perder a chance quando Phantom Blade Zero, que terá localização de legendas e interface em Português Brasileiro,irá começar, sendo ela no PlayStation 5 ou no PC.

ADICIONE NA SUA LISTA DE DESEJOS


GALERIA PHANTOM BLADE ZERO NA GAMESCOM LATAM

Fotos por @fotobelga

 

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Xbox Game Pass: Forza Horizon 6 e mais jogos chegam ao catálogo em maio

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Imagem Divulgação

O Xbox Game Pass recebe uma nova leva de jogos em maio de 2026, com destaque para a chegada de Forza Horizon 6 no dia 19 do mês. O título é o grande nome desta primeira wave, mas outros lançamentos também integram o catálogo ao longo das próximas semanas.

Jogos disponíveis desde o primeiro dia

Todos os títulos abaixo chegam ao Xbox Game Pass Ultimate e ao PC Game Pass a partir do primeiro dia de lançamento:

  • Mixtape – 7 de maio
  • Outbound – 11 de maio
  • Call of the Elder Gods – 12 de maio
  • Black Jacket – 12 de maio
  • Subnautica 2 (Game Preview) – 14 de maio
  • Forza Horizon 6 – 19 de maio

Novidades para assinantes Premium

Assinantes do Xbox Game Pass Premium também têm novidades previstas para maio. Os detalhes completos estão disponíveis no post oficial do Xbox Wire.

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Nintendo na gamescom latam 2026 | “Yoshi and the Mysterious Book” e maiores destaques

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Foto: @sucodm / @fotobelga

A Nintendo marcou presença na terceira edição da gamescom latam, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo, com um estande recheado de títulos para o Nintendo Switch 2 e Nintendo Switch. Nossa equipe esteve no local, registrou tudo em fotos (@fotobelga) e ainda colocou as mãos em “Yoshi and the Mysterious Book” — a matéria completa já está disponível AQUI.

Nintendo Switch 2 em destaque

Os visitantes puderam testar alguns dos principais lançamentos do novo console. Entre os destaques estavam Mario Kart World, Donkey Kong Bananza, Mario Tennis Fever e Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel — todos localizados em português do Brasil.

O clássico Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2 também estava disponível na versão Switch, assim como Pokémon Pokopia, EA SPORTS FC 26 e Just Dance 2026 Edition.

Jogos da América Latina no estande

Um dos pontos mais relevantes da participação da Nintendo foi o espaço dedicado a desenvolvedores da região. A empresa apresentou títulos produzidos no Brasil e em outros países latino-americanos:

  • Mullet Madjack (Hammer95 e Epopeia Games, Brasil)
  • PancitoMerge (Fáyer, México)
  • Nicktoons & The Dice of Destiny (Petit Fabrik e GameMill, Brasil)
  • Hot Wheels Let’s Race: Ultimate Speed (Bamtang Games e GameMill, Peru)

A iniciativa reforça o compromisso da Nintendo com o ecossistema de desenvolvedores independentes da América Latina.

Meet & greet e benefícios para membros My Nintendo

Quem esteve na gamescom latam também pôde participar de sessões diárias de meet & greet com Mario, Luigi e Donkey Kong, além de outras atividades no palco do estande.

Membros do My Nintendo tiveram direito a uma sacola exclusiva com o logo do Nintendo Switch 2, disponível gratuitamente mediante apresentação de QR Code no balcão de check-in — enquanto duraram os estoques.

Para mais detalhes, siga os canais da Nintendo Brasil no FacebookInstagram e X.

GALERIA NINTENDO NA GAMESCOM LATAM

Fotos: @fotobelga

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Yoshi and the Mysterious Book | jogamos na gamescom latam e ele é encantador

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Imagem Divulgação / Nintendo

Olá Sucolinos como vocês estão? A história vira mais um capítulo aonde Yoshi novamente é o protagonista da vez: Yoshi and the Mysterious Book chega para Nintendo Switch 2 no dia 21 de Maio e o SUCO teve a oportunidade de saborear um pouco durante a gamescom latam 2026.

O que é Yoshi and the Mysterious Book?

Um livro misterioso cai na ilha dos Yoshi, auto proclamado Professor N. Igma, ele consegue sentir em suas páginas criaturas misteriosas e gostaria lembrar delas. Então os Yoshi vão para mais uma aventura de descoberta e mistérios ao entrar nas páginas de N.Igma.

Então você terá que explorar os diferentes ecossistemas e descobrir o que as criaturas presentes em cada página pode fazer com aquele local. Com a ajuda do Yoshi você terá que descobrir cada interação possível para completar todas as informações da enciclopédia N.Igma, mas um antigo conhecido está pelas páginas então será que o motivo do livro cair na ilha é mais uma das brincadeiras de Bowser Jr. ?

Experiência na gamescom latam

Agora trazendo a experiência que tive durante a gamescom latam 2026, Yoshi and the Mysterious Book vai ser um belo título do Nintendo Switch 2. Dentro do estande, o público poderia ver um belo cartaz do novo jogo e conseguiam o pôster e os adesivos. A jogatina foi de 45 minutos e explorou o inicio do jogo no capitulo 1.

E no instante que comecei a controlar o Yoshi e ver um pequeno tutorial bem simples e livre, eu me senti na juventude quando a minha mãe não deixou eu continuar jogando Super Mario World 2: Yoshi’s Island pelo choro do Baby Mario. A movimentação, o pulinho batendo as pernas para chegar mais ao alto, engolir as criaturas e transformar em ovos para atirar no cenário e liberar recompensas, e os controles são simples e diretos e rapidinho estava pegando o jeito.

Cada capitulo vai trazer uma criatura para a página ela poderá ter várias interações com o ambiente ou outras criaturas conforme você vai jogando, o melhor exemplo é a Azaleleia, uma flor que está feliz andando por ai. O Yoshi consegue carregar ela e assim que passa por arbustos elas florescem na mesma cor, dizem que essas Azaleleia gostam de comer frutas e até mesmo pimentas, dessa forma conseguindo interagir com elementos dos cenários de forma para você fazer uma nova descoberta para o livro ou mesmo alcançar uma nova área ou descobrir um segredo. Porém eu disse Azaleleia né? Mas você poderá dar os nomes as criaturas do jogo! Então fique a vontade para apelidar essa criaturinhas.

Então explorar e interagir será sua missão, qual segredos cada página reserva? Para você retornar, você deve encontrar a grande descoberta da página, que pode ser literalmente qualquer coisa. Mas durante suas interações algumas dicas podem levar ao objetivo final! E claro depois você pode voltar para terminar de descobrir o que faltou então o quebra-cabeças vem a tona!

Graficamente é uma obra de arte uma mistura de pintura de giz de cera e aquarela com muitos efeitos nos ambiente que são de deleitar os olhos, algo que é bem marcante e uma das características dos jogos do Yoshi. Sem contar que a música trabalha junto com os ambientes.

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Foto: @sucodm / @fotobelga

Um jogo para todos!

Eu nem percebi que os 45 minutos de teste estavam passando rápido e claro que tive o suporte da equipe de apoio do estande para alguns momentos para descobrir muito mais do jogo nesse tempo que parece bastante, mas foi como uma folha caindo e que o Yoshi precisa levar para outra criatura que vai permitir o fluxo musical atingir seu ápice desse titulo sensacional.

Yoshi and the Mysterious Book será lançado com localização brasileira, exatamente como eu joguei e me diverti muito! Agradecer desde já todo o estande da Nintendo durante a gamescom latam 2026 e ao Gabriel Bonafé pela oportunidade. Não importa a idade esse é um jogo para todos, jogue sozinho, jogue com os primos e os filhos, ou até com seus pais, porque é aquele jogo que todos vão assistir e se divertir.

Yoshi and the Mysterious Book está disponível para pré-venda na Nintendo E-shop de forma digital por R$ 329,90. Conta com interação com Amiibo e totalmente localizado para você não ficar quebrando a cabeça traduzindo o que o Professor N.igma quer saber das criatura em suas páginas. E no fim do capitulo, o que Kamek e Bowser Jr. estão aprontando?

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Bangers Open Air 2026 | Nevermore de Volta, Sharon den Adel Impecável e uma Grade Histórica

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Foto: @brunobellan / @sucodm

Se o sábado foi dominado pela agressividade do Arch Enemy e pelo equilíbrio do In Flames, o domingo do Bangers Open Air 2026 teve uma identidade própria: retornos que emocionaram, bandas que surpreenderam e uma presença feminina no palco que dominou o dia de ponta a ponta.

Fotos por: @brunobellan

Nevermore: Energia Renovada, Legado Respeitado

Mais de vinte anos atrás, vi o Nevermore no Live N’ Louder e não esperava rever a banda com tamanha energia em 2026. A morte de Warrel Dane em 2017 parecia ter encerrado o capítulo. Mas o retorno aconteceu, e com uma proposta honesta.

O novo vocalista, o turco Berzan Önen, não tentou imitar Dane e fez bem. Capturou a dramaticidade das composições com respeito e entrega, entregando uma performance que convenceu. O setlist priorizou o peso de Dead Heart in a Dead World (2000), com faixas como “Narcosynthesis” e “Enemies of Reality” em destaque. Jeff Loomis e Van Williams, membros originais, garantiram que a espinha dorsal da banda continuasse intacta. Muito bacana resgatar essa energia e ver que ela chegou renovada.

Primal Fear: De Volta ao Sol, de Volta ao Poder

Outro reencontro de mais de duas décadas. No Live N’ Louder, o Primal Fear era uma das apostas do power metal europeu. No Bangers, abriram o Hot Stage sob sol escaldante e entregaram uma aula do gênero.

O grande destaque foi a guitarrista Thalìa Bellazecca, técnica impecável, carisma natural e uma presença de palco que roubou a cena em vários momentos. Ralf Scheepers segue como um dos melhores vocalistas do power metal, com agudos cristalinos e total sintonia com o público. Clássicos como “Chainbreaker” e o encerramento com “Metal Is Forever” fecharam o set com chave de ouro.

Visions of Atlantis: A Banda Que Cresceu

Lembro do Visions of Atlantis como aquela banda sinfônica que circulava nas playlists com Cast Away, mais contida, mais romântica. O que encontrei no Bangers foi outra coisa: uma banda reformulada, mais pesada, com a temática pirata assumida como identidade. O equilíbrio entre Clémentine Delauney e Michele Guaitoli nos vocais funcionou bem, e o show foi consistente do início ao fim. Uma evolução clara e bem-vinda.

Within Temptation: Raridades e Sharon den Adel no Comando

Sharon den Adel entrou com máscara espinhada e vestido branco e não precisou fazer mais nada para dominar o palco, mas fez muito mais. O setlist foi generoso com as raridades: “The Howling” (ausente desde 2016) e “Forsaken” (que não era tocada ao vivo desde 2008) foram presentes para os fãs de longa data.

O dueto virtual com Tarja Turunen em “Paradise (What About Us?)” nos telões foi um dos momentos mais celebrados da noite pela galera. MAS, ainda sonho com uma turnê comemorativa dos primeiros álbuns… 

Amaranthe e Smith/Kotzen: Dois Extremos que Funcionaram

O Amaranthe transformou o Memorial numa pista de dança metálica. O trio vocal com Elize Ryd, Nils Molin e Mikael Sehlin é uma máquina bem azeitada, bases pré-gravadas e tudo. Funcionou e divertiu quem estava por lá.

Já o Smith/Kotzen (foto de Capa) foi o contraponto perfeito: hard rock e blues ao vivo, sem artifícios, com o bônus dos brasileiros Bruno Valverde na bateria e Julia Lage no baixo. A versão de “Wasted Years” para fechar o set foi um dos momentos mais bonitos do festival.

E também tem as meninas da Malvada. Já é o segundo show que vejo e estão cada vez melhores e fiz alguns registros que vocês podem ver mais abaixo! Ainda para o domingo farei uma matéria especial para o Angra e para o Trovão, fiquem ligados!

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In Flames no Bangers Open Air 2026: Uma Aula de Como Fazer História ao Vivo

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Foto: @brunobellan / @sucodm

Tem shows que você espera por anos. O In Flames no Bangers Open Air era um desses. Ver ao vivo uma banda que ajudou a moldar o metal melódico das últimas três décadas é uma experiência que vai além da música — é história acontecendo na sua frente.

Quarta Vez no Brasil, Primeira Vez Sem Desculpas

Esta foi a quarta visita da banda ao país, após passagens em 2009, 2017 e 2023. E chegou dentro de uma mini-turnê brasileira que incluiu um side show na Audio (SP) no dia 23 e uma data em Curitiba no dia 26. No Bangers, foram 75 minutos que muita gente considerou o melhor show do dia — com status de headliner, mesmo não sendo o cabeça de cartaz.

Anders Fridén conduziu tudo com carisma e segurança. Voz potente, bom humor, e aquela capacidade rara de tratar o público como parceiro. Os coros de “Olê, olê, olê… In Flames!” foram constantes e genuínos.

Os Momentos Que Ficam

Três músicas dominaram a noite. “Only for the Weak” abriu uma ferida boa em quem cresceu ouvindo Clayman, daquelas faixas que não precisam de contexto pra funcionar. “Meet Your Maker” mostrou o In Flames moderno no seu melhor: pesado, melódico, eficiente. E “Pinball Map” foi o presente para os fãs de longa data, uma das escolhas mais celebradas da noite e que foi colocada como abertura!

A dupla de guitarras com Björn Gelotte e Chris Broderick (sem comentários, né) entregou harmonias marcantes durante todo o show. Broderick é cirúrgico nos solos, embora em alguns momentos parecesse subaproveitado dentro do arranjo. A cozinha com Liam Wilson no baixo e Jon Rice na bateria foi precisa e cadenciada, sem exibicionismo, só serviço.

O Que Divide Opiniões

Para os puristas da fase Gothenburg — The Jester Race, Whoracle, Colony — o show vai frustrar. A banda ignorou quase completamente esse período, focando no material pós-Come Clarity e especialmente no Foregone. Quem esperava ouvir “Gyroscope” ou “Embody the Invisible” voltou para casa em branco. Por sinal, queria ter ouvido Dead End.

Com a ausência do tecladista Niels Nielsen na turnê, os elementos de teclado vieram de bases pré-gravadas, o que funcionou tecnicamente mas tirou um pouco da espontaneidade.

Veredicto

O In Flames de 2026 não é o In Flames de 1999 e claramente não quer ser. O que eles são hoje é uma banda de metal melódico de altíssimo nível, com uma sonoridade consolidada e um domínio de palco que poucos têm. Ver isso ao vivo, depois de tanto tempo esperando, é exatamente tão bom quanto parece.

O debate sobre raízes perde força quando a banda está tocando na sua frente. Naquele momento, só importa o show. E o show foi muito bom.

Fotos: @brunobellan

In Flames no Bangers Open Air 2026:

  1. Pinball Map
  2. The Great Deceiver
  3. Deliver Us
    (In the Dark)
  4. The Quiet Place
  5. Voices
  6. Cloud Connected
  7. Trigger
  8. Only for the Weak
  9. Meet Your Maker
  10. State of Slow Decay
  11. Alias
  12. The Mirror’s Truth
  13. I Am Above
  14. Take This Life
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Nier e a reencarnação da Torre de Babel

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Imagem Divulgação

O debate sobre a pirataria voltou com tudo há poucos dias. O que começou como uma discussão interessante para várias das partes envolvidas, logo decaiu naquilo que as redes sociais fazem de melhor: briga, contenda e trocação de farpa. Nisso, estamos com Kei Urana, autora de Gachiakuta: entendo o lado de vocês, mas por favor entenda o nosso também.

Para começarmos a entender o lado da autora, que também não deixa de ser o lado japonês, é preciso mergulhar nos diferentes entendimentos sobre lei, arte e cultura que são historicamente desenvolvidos de forma distinta em cada canto do mundo, por mais globalizados que sejamos. O assunto não é fácil, é impossível cobrir tudo num texto só, tem material relevante que acaba sendo deixado de fora durante a escrita, mas o esforço de construir pontes de entendimento é preciso. 

Se me sinto à vontade para tentar o esforço, o mérito não é meu, mas dos anos que passei estudando e promovendo a cultura japonesa nas Academias Nipo-Brasileiras do ICBJ e nas atividades culturais encabeçadas pelo Grupo de Estudos Japoneses da UFF desde 2015. Mas ainda que o mérito não seja meu, meu será todo e qualquer equívoco eventual daqui pra frente.

Então senta que lá vem história…

O GERME DO CAOS

Tudo começou com um anúncio inocente. Como o jogo mobile, NieR Reincarnation, havia encerrado suas atividades em 2024, um grupo de fãs criou um servidor offline para que o jogo não se perdesse. Na mesma linha da cultura das fansubs dos anos 2000 que disponibilizou horas e horas de animação para um público estrangeiro sem acesso à custo zero, apenas pelo amor à coisa, os arquitetos dessa versão offline de NieR tinham tão somente o desejo de preservação de uma mídia digital que, por não ser física, não está efetivamente na mão de ninguém senão da Square Enix, que fechou as portas a sete chaves.

Nada de novo sob o fronte. Seria apenas mais um dia rotineira na prática corriqueira de preservação digital, se o Twitter não tivesse implementado há uns dias antes uma hábil reencarnação da Torre de Babel no começo de abril que uniu lusófonos, hispanófonos, russos, coreanos, taiwaneses, indonésios entre outros, mas, principalmente, japoneses. A lua de mel global foi linda, mas a lua de mel com os japoneses durou pouco. A réplica de NieR Reincarnation, anunciada em público, foi um escândalo! Os estrangeiros estão roubando uma propriedade intelectual pertencente à Square Enix!

Desse fato, seguiu-se uma longa discussão, que começaria produtiva para logo em seguida cair na hidrofobia, sobre direitos autorais, uso justo e os limites da reprodução digital. A nível da superfície foi o que aconteceu. Algumas camadas abaixo do aparente, algo ainda mais fascinante acontecia diante dos olhos reais e automatizados e milhões de contas ao redor do mundo: a nova Torre de Babel muskeana uniu as línguas, apenas para escancarar severas discordâncias de visões. Sejam elas sobre o valor da arte, o direito de quem a detém, ética de uso, e a relação de confiança ou hostilidade entre empresa e público.

O que visualizo nessa situação pode ser enxergado com os olhos da geografia. A unificação das línguas sob o Grok formou a confluência de vários rios distintos, com nascentes diferentes e percursos diferentes. São diferenças históricas, econômicas e – dessa vez sem medo de soar genérico – culturais em jogo.

É preciso entrar nesse confluente com calma. De baixo pra cima. A origem da tensão toda é que de um lado, não se admitia que um objeto, retirado de circulação, fosse posto em circulação novamente sem a permissão de seus donos; e de outro, não se compreendia o dano de disponibilizar um produto já fora de circulação. Uma parte da discussão entendia que esse ato ilegal come os lucros de seus produtores; outra parte julga impossível perder lucro sobre algo que sequer está em circulação.

De primeira, temos um desentendimento de uso. Você só pode usar algo se esse algo for devidamente adquirido pelos seus meios legais, sem mas nem poréns. Isto é a norma sobre pirataria, um crime. Este colunista não pretende ser um especialista de nada, mas é muito oportuno apontar o legado valiosíssimo de um pensador como Miguel Reale, referência mundial pela sua versão da teoria tridimensional do Direito. Porque além da norma e do fato (a lei e a infração factual), o Direito também lida com a dimensão do valor, ou nesse caso, o valor atribuído ao fato da pirataria. É aqui onde começam algumas zonas cinzentas. Pois o valor que boa parte do mundo imputa à norma da pirataria é bipartite, dividido entre o malandro, que transgride e ao mesmo não transgride, e o infrator confesso, que transgride e se orgulha de sua transgressão. O último é criminoso e ponto final. Pouco discutível e bastante rechaçado tanto por japoneses quanto não-japoneses. Já o primeiro, condiciona um valor justo ao fato da infração da norma: o trabalho voluntário (pois não pretende lucrar em cima do trabalho de outrem) e a preservação do patrimônio artístico (visto como um bem público a partir do momento que a obra vem ao mundo)

E disso vem outra questão altamente divisiva: de quem é esse patrimônio? Do artista e da empresa produtora (eles se confundem?!) ou do mundo? Calma que a gente chega lá.

CRIME E PECADO, A REALIDADE DE UM SINÔNIMO

Antes que possamos tatear a superfície desse poço, é interessante observar que a média das respostas japonesas sobre o que acabou-se de escrever é bem mais retilínea, como se a noção popular de Direito por aquelas bandas fossem mais bidimensionais: há a norma e o fato. O valor se confunde com o primeiro, porque só pode infringir a norma, aquele que é mau. O raciocínio simplista é o berço das comparações um tanto bizarras com roubo de bicicletas, dessacração de cadáveres, violação sexual ou ainda o ápice da viajação na maionese, que é imputar a ilegalidade a um Outro imaginário, chineses e coreanos hipotéticos, que convenientemente dispõe dos mesmos olhinhos puxados de seus acusadores.

Mas é verdade, o legalismo é uma realidade social forte. E não pensem que não a conhecemos! Temos aqui no Brasil o Sr. Tanaley, moço tão nobre quanto ingênuo, que é incapaz de discutir o valor da lei porque já confundiu a lei como um valor em si mesma com o seu previsível “Tá na lei!”. O legalismo não é uma excentricidade japonesa, assim como a maioria das supostas excentricidades que achamos que o Japão possui.

Tá, talvez o roubo de calcinhas, mas-

A situação da lei versus moral, um tanto rara no Japão, é observável até na linguagem. No universo histórico cristão (ainda que contemporaneamente laico, mas ainda influente por vários de seus preceitos históricos) Jesus nos convida a dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus, ou ainda, com Santo Agostinho, visualiza-se a realidade pública na distinção entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens. A moral pode ser refletida pelas leis, como bem também as leis eventualmente entram em choque com o que se entende como justo, a exemplo de quando Francisco de Vitória, séculos antes dos movimentos abolicionistas, prega contra a dominação dos indígenas. Legal e justo aparentam ser sinônimos, mas não faltam situações da vida imprevistas por lei mas deploráveis pela moral pública.

Mas quando tanto o criminoso quanto o pecador, aquele que infringe respectivamente a lei e o mandamento moral são atendidos pelo mesmo zainin (罪人), estamos diante de um horizonte linguístico mais propenso a tratar lei e justiça como sinônimos, como sugeriu por séculos um neoconfucionismo que moldou a espinha da ética pública japonesa desde, pelo menos, os anos do shogunato Tokugawa. Antes que dedos sejam apontados a uma suposta sugestão de generalização do pensamento japonês, insisto na ênfase à palavra “propenso”. Porque é claro que na história japonesa há exemplos de transgressões, seja no caso famoso do MangaMura, seja na genialidade com que o povo comum driblava algumas leis ridículas de uma classe samurai ávida em manter seu prestígio em declínio.

A questão aqui não se trata sequer de sugerir que uma mentalidade seja menos transgressora que a outra, ainda que, de certa maneira, seja perfeitamente possível afirmar e se surpreender com a segurança de um lugar onde é possível perder suas coisas e encontrá-las intactas no mesmo lugar onde as deixou (se esse “algo” não for um guarda-chuva, claro). O que importa é prestar atenção nas atitudes diante da infração. Como dito há pouco, no Japão há uma propensão a confundir a lei com moral. E isso tem até o mérito de criar uma chamada high-trust society, ainda que ao custo do conformismo social.

E quando a atitude é oposta? E quando é o caso de uma sociedade ser mais receptiva às nuances, ao caso a caso, ou mesmo a elevar a suspeição como base de conduta diante das normas estabelecidas?  A atitude não é particularmente nova, sendo tão antiga quanto a lenda de Robin Hood. Um olhar cuidadoso sobre a literatura ocidental verá nas obras de Victor Hugo (Os Miseráveis, O Conde de Monte Cristo), Franz Kafka (O Processo) ou, historicamente mais recente, Albert Camus (O Estrangeiro, A Queda) várias histórias que exploraram a natureza vacilante do poder estabelecido e das instituições de justiça e que ajudaram a semear uma atitude cínica diante destas. A época dessa literatura do século XIX é paralela ao surgimento dos três mestres da suspeita: Marx, Freud e Nietzsche, cuja influência nas letras filosóficas seria tamanha, a ponto do cinismo filosófico virar uma espécie de atitude padrão esperada de qualquer um que se engaje com as humanidades. No limite, o século XX chegaria a conhecer o niilismo de cátedra, limite extremo da desconfiança institucionalizada. E na raíz de tudo isso, possivelmente, está o legado socrático da kritike (Κριτική) grega. Criticamos porque desconfiamos e desconfiamos porque somos historicamente críticos. Sim, a crítica não é um fato biológico dado, mas uma benesse/maldição histórica.

A LEI E A MALANDRAGEM

Essa atitude varia de lugar para lugar, mas tomemos o caso mais extremo e familiar para todos nós: o Brasil, terra da malandragem. Se no Japão nos surpreendemos com um lugar onde as coisas tendem a permanecer no lugar onde elas são deixadas, nada poderia ser mais distante de nossa realidade.

Não é que o roubo em si seja glorificado na terra do malandro. No mais extremo dos limites ele até o é, afinal, se for só pra uma cervejinha, que mal tem? Só que a própria sabedoria popular sabe que malandro é uma coisa e vagabundo é outra. Ou por outra, “malandro demais vira bicho”, diria a canção. A questão maior aqui que vinga no imaginário brasileiro é se dar bem, levar vantagem. O que alguns leitores podem interpretar, raivosos, como um menosprezo da brasilidade ou uma nova faceta da Síndrome de Vira-Lata (assim chamado todo acesso de pensamento crítico sobre seu próprio país), a malandragem é um conceito consagrado nas nossas ciências sociais a partir da antropologia de Roberto DaMatta, onde seu “Carnavais, Malandros e Heróis” continua uma leitura mais que recomendada para qualquer masoquista que tenha interesse em entender o Brasil. O malandro é aquele que olha a norma e calcula se aquela norma é justa ou não. Se ela deve ser cumprida ou driblada. O ethos dessa malandragem é chancelado pela famosa Lei de Gerson e por outros tantos ditados populares presentes na cultura popular: alguns mais novos e jocosos como o “hihi levei vantagem”, outros mais antigos como “achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado” (curiosamente, catar coisa jogada no lixo é considerado roubo no Japão) e, ainda mais significante, “todo dia sai de casa um malandro e um otário; quando eles se encontram, sai negócio”.

E por que esse último dito é tão significante? Porque na sua raiz revela um entendimento bastante peculiar sobre a natureza de um empreendimento: se alguém faz negócio, alguém está querendo se dar bem em cima de otário, de mané. A ideia de negócio justo é ridicularizada como uma ingenuidade, no mínimo e má-fé no máximo. Se existe uma empresa, ela se sustenta pela exploração e não pelo seu trabalho. Se uma editora vende mangás ou livros em geral, isso quer dizer que ela se dá bem às custas do mangaka e do autor. E não há zona cinzenta nessa espécie de marxismo de boteco. Lógico que essa dramatização sobre o mundo dos negócios está longe de ser um consenso global.

DO ARTISTA OU DO MUNDO: DE QUEM É A OBRA?

Recapitulando até aqui: tentei esboçar alguns abismos de entendimento entre o Japão e o mundo. O primeiro deles foi sobre o entendimento da lei e seu cumprimento. No final, apontamos para uma consequência no mundo dos negócios. Isso servirá de ponte para outro assunto muito importante e muito discrepante: o papel do artista na sociedade e a valorização da arte.

Parte do apego coletivo aos direitos autorais por parte dos japoneses, mais que a média mundial de certa maneira, vem de uma noção popular que é o inverso da morte do autor. Se no nosso mundo antropofágico, a obra lançada ao mundo deixa de pertencer ao autor e passa a pertencer ao mundo que o lê, interpreta e reinterpreta (onde, no limite, pouco importa o que é a história contada e a interpretação vigente), no Japão o autor é absoluto. A palavra original usada, zettai (絶対), indica isso: a palavra do autor é a palavra final. Dono ou dona do mundo fictício criado, o autor é, em outras palavras, soberano.

É importante que essa noção não seja levada de forma levianamente cínica como “mero discurso”, porque ela chega a ditar as formas como adaptações e suas conduções são levadas no entretenimento japonês. Se tomarmos uma obra como Oshi no Ko de exemplo, existe um arco inteiro dedicado a usar das tensões envolvidas nessas negociações como ponto de enredo, como o Arco do Teatro. Como já tive a oportunidade de expor numa das edições do Anime Friends, Oshi no Ko tem o mérito de inserir nos entremeios de sua ficção, uma interessantíssima radiografia do entretenimento japonês. Tanto é que, no pior dos casos, o destrato de uma obra pode custar a vida de seu criador.

Se a reprodução indireta de obras no mercado interno japonês já é motivo de contenda entre os japoneses, pior ainda quando essa reprodução escapa ao mercado formal japonês e entra, de um jeito ou de outro, no mercado informal global e seus gargalos de demanda. Sim, gargalos estes provocados, sem sombra de dúvida, pela própria deficiência dos modelos de negócio japoneses em exportar seus produtos de forma eficiente para o exterior. Mas para muita gente isso não importa: o autor é soberano e, dessa vez, quem morre não é o autor, mas o leitor. Se não está disponível, é porque não é para ser visto, então shouganai (しょうがない). Essa última palavra é uma das mais repetidas atualmente na vida pública japonesa, que demonstra ao mesmo tempo o vício do conformismo e a virtude da resiliência.

Antes de podermos criticar, é preciso estar atento à chance nada desprezível de que por trás dessa defesa intransigente da vontade do artista, não mora apenas um legalismo cego às nuances, mas a própria defesa de um aparato legal que garante a proteção e, acima de tudo, a valorização do fazer artístico. Se isso parece absurdo ou mera desculpa esfarrapada, vale a pena refletir sobre algumas provocações bem pertinentes que apontam para o seguinte: nos países onde mais se declama pela pirataria, onde mais se exalta sua suposta virtude de ser um veículo de marketing, é justamente nesses mesmos países onde, por um curioso acesso de coincidência, menos se criam obras de relevância e demanda internacional para o pirateio. Dito de forma mais franca e bruta: a cultura da pirataria tende mais ao parasitismo do que a uma suposta antropofagia cultural. Não à toa “consumimos mídia”, ao invés de assistir, ler e escutar. Pior para nossos artistas locais, que acabam, na prática, desvalorizados.

Isto posto, o público que contesta a rigidez legal dos japoneses levanta uma objeção bastante válida: é justo que a obra simplesmente suma? Ao passo que somos obrigados a lidar com outra questão: será que essa preocupação nossa chega perto de ser universal?

ENTRE A CONSERVAÇÃO E A EXPERIÊNCIA OU, A QUERELA SASORI-DEIDARA

Nosso entendimento é de que uma obra de arte merece ser preservada como um patrimônio cultural humano. E de patrimônio, entendemos! Somos obcecados sobre. Tudo deve ser preservado. Museus são erigidos há mais de dois séculos para que nada se perca. No limite, essa preocupação se confunde com o próprio legado de uma civilização que herda o legado grego. Heródoto, quando funda a História, é categórico nas suas primeiríssimas linhas:

Esta é a exposição dos resultados das investigações de Heródoto de Halicarnasso. Seu propósito é prevenir que os vestígios dos eventos humanos sejam apagados pelo tempo e preservar a fama dos grandes feitos produzidos tanto por gregos como bárbaros; entre as questões abordadas está, em particular, a causa da hostilidade entre os gregos e persas.” (tradução livre)

Daí que pelo menos desde a ascensão do Renascimento e a produção artística que sobreviva seu autor pelos tempos, até a formação dos Estados-nacionais que farão dos museus, entre outras coisas, peças de identidade nacional, popularizou-se historicamente a ideia de que os feitos humanos devem ser preservados. Por uma série de motivos que não cabem aqui, porque isso implicaria em começar a discutir o porquê de estudarmos História. E é claro, existem museus no Japão também. Mas até aí o Japão é um Estado-moderno globalizado como qualquer outro, que joga as “mesmas” regras do jogo internacional. Há alguma gradação por lá que evite o sentimento de tragédia que sentimos quando visualizamos vestígios do passado sendo destruídos? Quem nos dá essa pista é o historiador François Hartog, que em um texto primoroso sobre a mania de conservação e patrimonialização a partir da queda do Muro de Berlim, notou o seguinte detalhe na terra de Amaterasu:

Está prevista a reconstrução periódica de certos edifícios religiosos. O fato de que eles são edificados em madeira não explica tudo, pois a reconstrução é idêntica e se faz segundo um calendário fixado antecipadamente. É em particular o caso do grande santuário d´Ise. O templo da deusa Amaterasu, ancestral mítica da casa imperial, é reconstruído de forma idêntica em madeira de cipreste do Japão a cada 20 anos. Instaurada no século VII, o rito continuou até hoje (sem dúvida, com períodos de interrupção). A próxima reconstrução está prevista para 2013. Conta sobretudo a permanência da forma. O dilema ocidental “conservar ou restaurar” não existe. Em compensação, um japonês que visita Paris será (mais exatamente teria sido outrora) chocado pelo esforço desenvolvido para conservar os objetos e os monumentos históricos contra o desgaste do tempo. De fato, a política cultural japonesa não tinha por primeira preocupação nem a visibilidade dos objetos nem a manutenção desta visibilidade. Ela repousava sobre uma outra lógica que era a da atualização. (HARTOG, François. Tempo e Patrimônio. VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 22, nº 36: p.261-273, Jul/Dez 2006)

O longo trecho escancara que, no fazer artístico japonês, a ideia de “conservar” é um estrangeirismo recente. Sim, os templos, as cerâmicas e as pinturas conservam em si uma forma, com seus próprios desenvolvimentos ao longo do tempo, em tema e em estilo. Mas, por mais paradoxal que isso seja, o horizonte estético da arte de uma nação permeada por preceitos budistas é o da impermanência. Tudo aquilo que É, eventualmente deixará de Ser. Os versos que abrem o clássico da literatura japonesa, Heike Monogatari, não deixam sombra de dúvida:

祇園精舎の鐘の聲、諸行無常の響き有り / Os sinos do Templo de Gion declaram a impermanência de todas as coisas

Dois conceitos traduzem esse horizonte estético na experiência japonesa com a arte: wabi-sabi e mono-no-aware. Os dois conceitos são mais vividos no lençol freático do cotidiano do que minuciosamente explicados, traduzidos na sensação de impermanência inerente a todas as coisas e a necessidade de viver aquele instante que jamais voltará, o que a cerimônia do chá de Sen no Rikyu entronizou no conceito de Ichigo Ichie. Cada encontro é único, cada experiência é única. Por isso “a arte é uma explosão”, no famoso dizer de Deidara. O ápice da arte mora no momento fugaz e único da explosão, ou, de modo mais geral, da experiência estética vivenciada. Isso está em um patamar completamente distante à lógica industrial do “consumo”.

Por isso faz todo o sentido quando François Hartog afirma que a lógica da política cultural japonesa seja a da atualização. Não se preserva os objetos em si, mas sim a forma estética que as possibilita em primeiro lugar. Assim como você não conserva a “flor de fogo” (花火) dos fogos de artifício, mas sim o modo de manejar a pólvora e tudo o mais envolvido em sua confecção, para que explosões atualizadas sejam possíveis no futuro, a cada ano novo ou a cada matsuri.

E se essa lógica da atualização também serve às histórias contadas? Há pouco líamos aqui neste site que a inspiração para Ise Katsura escrever Onani Master Kurosawa veio de uma história de amadurecimento chamada Gummy Chocolate Pine, do músico Ohtsuki Kenji. História essa que não li, você provavelmente não leu, mas que qualquer um que leu o mangá sobre Kurosawa e seu processo de amadurecimento, teve contato com um espírito narrativo semelhante ao de Gummy Chocolate Pine, ainda que nenhum de nós o tenha lido. Logo, conservar tanto faz.

É por isso que no final das contas sou tentado a comparar toda a discussão envolvendo preservação ou não da cultura pop com uma discussão entre Sasori e Deidara, a dupla artística da Akatsuki que se bicava por causa de seus ideais do que seria a meta da arte. Dadas as devidas proporções, é claro. Se a perspectiva de Sasori nos parece mais familiar, pelo seu apego à ideia de criar artes eternas, entender a arte explosiva, a arte do instante de Deidara vira um enigma a princípio. Mas um pouco de familiaridade com alguns conceitos artísticos japoneses e o suposto enigma vira uma faceta da arte humana bem mais reconhecível. Não só isso, ela vira fonte de aprendizado. Pois no mesmo texto de François Hartog, ele repara num paradoxo desconcertante sobre o anseio de colecionar patrimônios públicos:

O século XX é o que mais invocou o futuro, o que mais construiu e massacrou em seu nome, o que levou mais longe a produção de uma história escrita do ponto de vista do futuro, conforme aos postulados do regime moderno de historicidade. Mas, ele é também o século que, sobretudo no seu último terço, deu extensão maior à categoria do presente: um presente massivo, invasor, onipresente, que não tem outro horizonte além dele mesmo, fabricando cotidianamente o passado e o futuro do qual ele tem necessidade. Um presente já passado antes de ter completamente chegado. Mas, desde o fim dos anos 1960, este presente se descobriu inquieto, em busca de raízes, obcecado com a memória. À confiança no progresso se substituiu a preocupação de guardar e preservar: preservar o quê e quem? Este mundo, o nosso, as gerações futuras, nós mesmos. (HARTOG, ibid.)

Quanto mais nos apegamos no patrimônio, mas estendemos um presente redundante em si mesmo, que finge preservar em nome de um passado que na prática nos é indiferente e em vista de um futuro que nunca chega. Preservamos e guardamos visando apenas a nós mesmos. O sintoma prático dessa nossa condição histórica são as pilhas de livros que se amontoam, jamais sequer folheados. Ou a listagem de filmes, séries e animes que são assistidos mais para marcar presença no nosso perfil no MyAnimeList ou sites congêneres. Sobra performance, falta experiência. Experiência essa que pode ser resgatada por uma mudança de ponto de vista sobre a arte. Nisso, a experiência japonesa pode ser (e pessoalmente tem sido) fonte de aprendizados originais.

Fechando essa seção, basta apontar, portanto, que essa lógica da atualização, que opera no lugar da nossa lógica de conservação, permite ao público receber de forma mais coesa a soberania do autor. Perder uma obra para o esquecimento pode ser triste, mas a vida continua, pois nada permanece e tudo é efêmero.

MAS E AÍ, O QUE FAZER?

A conversa toda ficou abstrata demais, mas é impossível ser diferente. Antes que se tente fazer algo a respeito sobre a pirataria no futuro, de um jeito mutuamente sustentável, é preciso entender a fundo as distintas realidades históricas que foram costuradas do dia para a noite em dois níveis. O primeiro deles, na globalização. O segundo, com a internet e a digitalização da sociabilidade humana. Pode-se escolher ignorar o problema, mas o problema se faz presente quer queira ou não.

Afinal de contas, a parte pé-no-chão da discussão é unânime: pirataria é um crime. O ideal é não ter. Mas o próprio Japão reconhece que seus efeitos são heterogêneos. Se um estudo profissional chega a essas conclusões, o que dizer do autor dessas linhas que sequer sistematizou sua escrita.

Ao invés de largarmos de mão e cair num lamentável “cada um no seu canto”, o que essa situação toda causada pela união das línguas e a desunião dos conceitos nos mostra é que estamos diante de um cenário de oportunidades. Há demanda! As pessoas querem apoiar seus criadores favoritos para além do mero tapinha nas costas. Mas é preciso um esforço mútuo. É preciso que o modelo de negócios japonês acorde para sua realidade globalizada e tente sair de sua teimosia provinciana e é preciso que não japoneses ao menos comecem a entender que a arte tem um valor não só simbólico, mas material também. Que entenda de uma vez por todas que lucro e faturamento são coisas diferentes e editoras também são parte fundamental do esfoço para que ideias criativas ganhem forma e circulação material, o que implica em riscos. Enxergar os negócios como mera movimentação de explorador malandro para cima de otário explorado, é uma simplificação grosseira de sonhos, ambições, trabalho e muita manga arregaçada.

Outra coisa, bastante importante, é que seja qual solução vier para a informalidade, é importante que ela respeite a cultura com a qual ela trabalha, ao invés de desdenhar. A briga entre japoneses e não-japoneses cessou tão logo uma agência internacional que há muito protesta contra a cultura do mangá de repente começou a promover ela própria um mangá, baseando-se em mentiras sobre a participação feminina na indústria, que desde o início foi tudo menos marginal. Caso esse respeito não for mantido, caso a insistência na localização como maquiador cultural persista, não haverá distribuição oficial que seduza os fãs daquilo que é genuíno. Não dá para tapar o Sol com a peneira e fingir que as pessoas são incapazes de distinguir o autêntico do inautêntico.

Do lado de cá, é preciso que as conversas sejam francas e diretas. O Brasil é um país pobre, apesar do seu PIB sugerir o oposto. Além de pobre, é caro, então as preocupações econômicas giram muito mais em torno do essencial (comida, medicação, vestimenta) do que o não-essencial do ponto de vista da sobrevivência (livros, eletrônicos, assinaturas digitais, etc). Há muita boa vontade no exterior para entender essa realidade econômica que nos empurra a pirataria. Diante disso, é importante que sejamos compreendidos sem maiores romantizações. Não há um Robin Hood hipotético em cena. Se tentarmos justificar a pirataria, no final estaremos dando razão à malandragem nociva que, de desculpa em desculpa, nos joga para o oposto daquela segurança generalizada que tanto se admira no Japão, em oposição às demais low-trust societies.

E por último, mais importante ainda, é a boa-vontade. Se nos pautarmos pelo ruído provocado pelas redes sociais, pelos escandalosos de cá e de lá, cairemos na mesma posição patética da mariposa que acha que a lâmpada é a lua. Nossa realidade não se resume às telas.

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