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In Flames no Bangers Open Air 2026: Uma Aula de Como Fazer História ao Vivo

Pela quarta vez no Brasil, a banda sueca provou que o debate sobre "voltar às raízes" importa menos do que a experiência de vê-los no palco

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Tem shows que você espera por anos. O In Flames no Bangers Open Air era um desses. Ver ao vivo uma banda que ajudou a moldar o metal melódico das últimas três décadas é uma experiência que vai além da música — é história acontecendo na sua frente.

Quarta Vez no Brasil, Primeira Vez Sem Desculpas

Esta foi a quarta visita da banda ao país, após passagens em 2009, 2017 e 2023. E chegou dentro de uma mini-turnê brasileira que incluiu um side show na Audio (SP) no dia 23 e uma data em Curitiba no dia 26. No Bangers, foram 75 minutos que muita gente considerou o melhor show do dia — com status de headliner, mesmo não sendo o cabeça de cartaz.

Anders Fridén conduziu tudo com carisma e segurança. Voz potente, bom humor, e aquela capacidade rara de tratar o público como parceiro. Os coros de “Olê, olê, olê… In Flames!” foram constantes e genuínos.

Os Momentos Que Ficam

Três músicas dominaram a noite. “Only for the Weak” abriu uma ferida boa em quem cresceu ouvindo Clayman, daquelas faixas que não precisam de contexto pra funcionar. “Meet Your Maker” mostrou o In Flames moderno no seu melhor: pesado, melódico, eficiente. E “Pinball Map” foi o presente para os fãs de longa data, uma das escolhas mais celebradas da noite e que foi colocada como abertura!

A dupla de guitarras com Björn Gelotte e Chris Broderick (sem comentários, né) entregou harmonias marcantes durante todo o show. Broderick é cirúrgico nos solos, embora em alguns momentos parecesse subaproveitado dentro do arranjo. A cozinha com Liam Wilson no baixo e Jon Rice na bateria foi precisa e cadenciada, sem exibicionismo, só serviço.

O Que Divide Opiniões

Para os puristas da fase Gothenburg — The Jester Race, Whoracle, Colony — o show vai frustrar. A banda ignorou quase completamente esse período, focando no material pós-Come Clarity e especialmente no Foregone. Quem esperava ouvir “Gyroscope” ou “Embody the Invisible” voltou para casa em branco. Por sinal, queria ter ouvido Dead End.

Com a ausência do tecladista Niels Nielsen na turnê, os elementos de teclado vieram de bases pré-gravadas, o que funcionou tecnicamente mas tirou um pouco da espontaneidade.

Veredicto

O In Flames de 2026 não é o In Flames de 1999 e claramente não quer ser. O que eles são hoje é uma banda de metal melódico de altíssimo nível, com uma sonoridade consolidada e um domínio de palco que poucos têm. Ver isso ao vivo, depois de tanto tempo esperando, é exatamente tão bom quanto parece.

O debate sobre raízes perde força quando a banda está tocando na sua frente. Naquele momento, só importa o show. E o show foi muito bom.

Fotos: @brunobellan

In Flames no Bangers Open Air 2026:

  1. Pinball Map
  2. The Great Deceiver
  3. Deliver Us
    (In the Dark)
  4. The Quiet Place
  5. Voices
  6. Cloud Connected
  7. Trigger
  8. Only for the Weak
  9. Meet Your Maker
  10. State of Slow Decay
  11. Alias
  12. The Mirror’s Truth
  13. I Am Above
  14. Take This Life
BELLAN
BELLAN
O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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