O Arch Enemy pode ter dominado a noite, mas o sábado do Bangers Open Air 2026 foi muito mais do que um show. Ao longo do dia, o Memorial da América Latina recebeu uma grade variada que testou resistência física — o sol foi inclemente — e recompensou quem ficou.
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Evergrey: Reencontro Emocionante, Som Que Traiu
Mais de vinte anos depois — a última vez foi em 2005, junto ao Pain of Salvation em Limeira — reencontrar o Evergrey ao vivo foi uma experiência genuinamente especial. A banda sueca continua impecável na execução: os solos carregam aquela fusão rara de técnica e sentimento, e os telões com iluminação sincronizada criaram uma atmosfera envolvente mesmo sob o sol da tarde.
O problema foi o som. Os instrumentos estavam extremamente baixos, tirando força de uma banda que vive da densidade. Outro ponto agridoce: o setlist focou bastante no novo álbum Architects of a New Weave — que já saiu nas plataformas — e deixou pouca coisa das fases antigas. Para quem foi atrás dos clássicos, a sensação foi de querer mais.
Jinjer: Som Perfeito, Show Plástico
O Jinjer foi o oposto técnico do Evergrey: o som estava excelente, bem regulado, com cada instrumento no lugar. Tatiana Shmayluk mais uma vez impressionou pela transição natural entre vocais limpos e guturais — o tipo de coisa que deixa até a equipe de segurança boquiaberta.
Mas faltou dinâmica. O show soou preciso demais, quase cirúrgico, o que é ótimo para o metal moderno, mas deixa pouco espaço para respirar ou para aquele momento de catarse coletiva. Entregaram muito, sem dúvida.
Black Label Society e Tankard: Passagens que Valem a Menção
Dois momentos mais curtos merecem registro. O Black Label Society mostrou por que Zakk Wylde ainda é uma força da natureza — pesado, direto, sem firulas. Já o Tankard cumpriu exatamente o que prometeu: thrash metal de boteco, sem compromisso com sofisticação, só com energia. Bandas assim são o sal do festival.
Feuerschwanz: A Surpresa do Dia
Com a saída do Fear Factory da grade, o Feuerschwanz migrou do Sun Stage para o Ice Stage — e foi um acerto. O palco maior expôs mais gente ao folk metal festivo da banda alemã, com trocas de figurino, adereços medievais e um carisma que transforma qualquer apresentação numa festa. Quem não conhecia, saiu fã.
Lucifer: Meio-Dia, Sol a Pino e Presença de Palco Inegável
Subir ao palco ao meio-dia num festival ao ar livre já é em si um ato de coragem. O Lucifer aceitou o desafio com uma formação quase inteiramente renovada. Johanna Platow comandou o palco com presença arrebatadora, mesmo sob condições adversas. A ausência de “Maculate Heart” no setlist me frustrou, mas o show se sustentou.
Uma nota à parte: o Seven Spires merece matéria própria. O que aconteceu naquele palco foi singular demais para caber num parágrafo e fica para a próxima. E claro, In Flames, que também terá meu depoimento exclusivo, de uma das bandas que eu mais queria ver na vida!




