Se você acha que o The Weeknd só vive no dark pop, talvez esteja perdendo metade da história. Ao longo dos anos, o cantor já flertou, e muito, com referências da cultura asiática, indo do anime ao city pop japonês, passando até pelo K-pop (ou quase isso). A gente reuniu alguns momentos que provam que o Abel tá mais conectado com esse universo do que parece.
Estética anime em “Snowchild”
Quando os artistas precisaram reinventar a forma de lançar clipes durante a pandemia, The Weeknd apostou na animação como o diferencial.
O clipe de “Snowchild” foi dirigido por Arthell Isom, que já trabalhou em produções como Gintama: The Movie, Uma Carta para Momo e séries recentes de Lupin the Third. Ele também fez história ao fundar o estúdio D’ART Shtajio no Japão.
O resultado? Um clipe totalmente animado, com estética de anime e produção feita por artistas japoneses, mostrando o cantor caminhando por um futuro meio distópico, cheio de referências à própria carreira. Um verdadeiro crossover entre pop ocidental e animação japonesa.
O mergulho no city pop
Se tem uma prova forte de que Abel é obcecado por referências asiáticas, ela atende pelo nome de “Out of Time“. A faixa, do álbum Dawn FM, sampleia o single “Midnight Pretenders“, da cantora japonesa Tomoko Aran, um clássico do city pop, gênero que surgiu no Japão e dominou o país entre os anos 70 e 80. Veja só se você reconhece esse ritmo:
E não para por aí, pois o clipe ainda traz participação de Jung Ho-yeon (sim, a estrela de Round 6) e referências visuais ao filme Encontros e Desencontros, dirigido por Sofia Coppola, que usa muitas referências da cultura asiática e estilo de vida de seu povo, como o costume de ir a karaokês como forma de se divertir entre amigos e casais.
E se você já se pegou ouvindo a música Plastic Love, da cantora Mariya Takeuchi, no Youtube, saiba que não está sozinho. O ressurgimento do city pop, que não fazia tanto sucesso desde os anos 80, foi impulsionado por algoritmos e a internet ajudou a colocar esse som novamente nas paradas por volta de 2019, e artistas como o The Weeknd souberam aproveitar muito bem essa estética em seus videoclipes.
‘K-Pop”… mas calma lá!
Sim, o The Weeknd faz parte de uma música chamada “K-Pop“. E não, não é exatamente o que você está pensando! A faixa, em parceria com Travis Scott e Bad Bunny, faz parte do álbum Utopia, do Travis, e mistura afrobeats com um toque de, ao contrário do que todos imaginam de primeira, funk brasileiro.
O plot twist? O “K-Pop” do título não tem nada a ver com música sul-coreana. Na verdade, é uma gíria para “ketamine lollipop”, usada na letra como um duplo sentido provocativo, fazendo referência aberta ao uso de drogas recreativas. Ou seja, aqui Scott reuniu um time de peso da música pop atual para brincar com a globalização do gênero musical e com as expectativas do público, no que podemos chamar de um bait cultural.
Do falso K-Pop à parceria real com Jennie
Mas nem só de trocadilhos vive o homem. The Weeknd também já se aproximou de verdade do universo do K-pop.
Na série “The Idol“, criada e roteiriziada por ele próprio e lançada em 2023, ele contracenou com Jennie, integrante do girlgroup fenômeno global BLACKPINK, que interpretou a personagem Dyanne. Os dois, junto com a atriz Lily-Rose Depp, que interpretou a protagonista Jocelyn, lançaram a música “One of the Girls“, que mergulha em uma vibe bem mais sombria. A faixa explora relações intensas e desequilibradas, com temas pesados e uma estética que combina perfeitamente com o universo mais provocador da série.
Um popstar global de verdade
No fim das contas, The Weeknd prova que ser um artista global vai muito além de fazer sucesso no mundo todo. Ele literalmente bebe de diferentes culturas, seja no som, na estética ou nas colaborações. Anime, city pop, K-Pop ou referências cinematográficas … Ele pode até não ser um “otaku” assumido, mas que ele flerta com esse universo com frequência, isso é impossível negar.


