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A esperança é a última que morre, celebre frase que ecoa toda vez que tudo está dando errado, o que sobra é continuar acreditando que tudo vai dar certo, ou no caso, que bons filmes de terror serão feitos. Pois bem, a frase faz jus ao que se diz e o gênero terror ganha uma obra impressionante no quesito agonia e pavor que vai te conquistar, com um trailer bem enganoso, O Homem Invisível trabalha todas as emoções vividas no gênero em decorrer a uma história bem mais reflexiva do que se mostra e uma mensagem forte quanto ao terror invisível.

O filme é vendido como terror sobrenatural e o pôster que lembra a famosa cena do banheiro de Psicose. Todos enganados! O terror vem de fins tecnológicos e futuristas, não saindo da suspensão de descrença, pois tudo é bem amarrado e firme ao desenvolver do roteiro, aliás vale um adendo: caso você tenha tripofobia (medo de buracos pequenos agrupados de forma irregular), não assista esse filme, será uma agonia maior ainda.

O roteiro trabalha vários tipos de medo, junto com aquele sentimento de pena pelas pessoas que sofrem de forma injusta, o quão é desejado que essa pessoa dê a volta por cima, por bons ou maus meios, eis que o roteiro vira a mesa e todo o desejo de vingança se torna torna uma grande dúvida e beira a culpa por desejar algo ruim, caso isso não aconteça com você, melhor buscar tratamento.

Todos os plots, cenas de suspense e “destruição” da protagonista enriquecem a trama e eleva para algo sensacional de se assistir, cenas de susto, sombras estranhas, diálogos fortes, objetos flutuando e até sanidade perdida que é absorvida por todos que querem aquele filme a níveis sinistros de medo, tudo tão bem feito e trabalhado que até pequenos furos de roteiro conseguem ser ofuscados pela perfeição da história, graças a Leigh Whannell, o diretor que perdeu a mão da franquia Jogos Mortais, a qual ele mesmo é criador; aqui se provou não estar ultrapassado, soube mexer com o que já e conhece do gênero terror e conseguiu entregar um dos melhores filmes desse primeiro semestre de 2020.

Por mais que toda a produção têm que ser sempre destacada, lógico que não se pode esquecer do elenco, mas dessa vez os olhos e holofotes só foram direcionados para uma mulher, Elisabeth Moss não atuou, ela deu um show! Uma personagem que passa por todo o tipo de sentimento ruim que o mínimo de coisa boa não passa de um respiro, até ela se afundar por completo na loucura e agonia de uma ameaça a qual ninguém vê e não se é explicado porque o tal terror é invisível, ou seja, aos olhos dos outros, com uma cara desgastada de quem não dorme e olhos inchados de quem estava chorando muito, não passa de uma maluca, possivelmente usuária de drogas aos olhos dos outros. Esse é um julgamento pejorativo porém comum, qualquer um com uma aparência desgastada e cansada é rotulada de forma negativa, infelizmente.

Ainda no personagem da protagonista, que seja reafirmado o termo dito antes, não é uma construção, é extremamente o contrário, se faz uma destruição do personagem do início ao fim, um pouco parecido com personagens que beiram a loucura, ela já começa vivendo um trauma, em um momento de pico na sua vida não passa da certeza de queda livre que ela passará ao decorrer do filme, e não se sabe como cada um saberia lidar com esses tipos de traumas, principalmente o que ela se envolve em cena, resultando em uma nova pessoa, sendo a mesma em carne e osso, o fracasso e a derrota molda as pessoas, para o bem ou para o mal, e diria um meme surgido em 2019: é assim que nasce o Coringa.

Um respiro entre tantas produções duvidosas, uma esperança entre tantos fracassos, O Homem Invisível cala a boca dos outros que não acreditavam mais no gênero terror, inclusive de quem vos fala, prova que pode-se fazer grandes produções que podem ser excelentes e levar grande público para os cinemas, se isso é uma maré de boa sorte para o gênero, não se sabe, a única certeza é que você deve assistir O Homem Invisível e se arrepiar de medo com um excelente filme e um dos melhores do gênero na década.