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Mostra online da artista sul-coreana Ayoung Kim, um dos nomes mais importantes da cena artística da Coreia do Sul, acontece no Brasil através da plataforma online “Videobrasil“. Com curadoria de Solange Farkas, é possível conferir a exposição da artista que reúne obras inéditas e recentes até o dia 28 de fevereiro.

Tendo como fio condurtor o conceito de Antropoceno, termo proposto pelo químico holandês Paul Crutzen, que sugere a ideia de um mundo em que humanos substituíram a natureza como força ambiental dominante na Terra, a artista sul coreana sintetiza em obras de formalização rigorosa sua pesquisa em torno da biopolítica e controle de fronteiras, a inteligência artificial, a origem ancestral e o futuro iminente.

Nas obras de Ayoung Kim, entram em pauta a reflexão da artista a respeito da história moderna sul-coreana, a degradação do meio ambiente, migração e outras questões em alta da contemporaneidade. 

Um recorte inédito e recente do trabalho da artista é exibido na mostra “Oxbow Lake Time“, que é a segunda exposição do projeto “Anthropocene: Korea x Brazil 2019 – 2021“, fruto da parceria entre a “Associação Cultural Videobrasil” e o “Ilmin Museum of Art“, com apoio do “Arts Council of Korea (Arko Fund)“.

A parceria celebra seis décadas de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul, e acontece em consonância com o enfoque dado há mais de 30 anos pela Associação Cultural Videobrasil à produção artística do chamado Sul Global, termo referente a países ou grupos marginalizados no quadro geopolítico global.

O projeto fez sua estreia em 2019, com a mostra “Dear Amazone, the Anthropocene: Brazil x Korea“, organizada no Ilmin por Juhyun Cho, curadora-chefe do museu, com a colaboração de Solange Farkas, e obras de artistas brasileiros como Jonathas de Andrade, Cinthia Marcelle, Mabe Bethonico, Lucas Bambozzi, João GG, Thiago Martins de Mello e Alexandre Brandão. A segunda exposição deste projeto, estava prevista para ser realizada presencialmente em 2020 aqui, no Brasil, entretanto, teve que ser adaptada para o formato online em função da pandemia de covid-19.

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Oxbow Lake Time” significa, em português, “Lago da Ferradura“, que indica um trecho sinuoso de rio que, por causas naturais, se separa do curso principal e forma um corpo de água isolado. A artista usa este acidente geográfico, que é comum no Brasil, como uma metáfora do estado atual que atravessamos.

“Os lagos em ferradura são como uma parte seccionada de um corpo. Representam uma condição de restrição e de isolamento, mas, ao mesmo tempo, algo em potencial”, explica a artista em depoimento para a plataforma de vídeo que exibe sua mostra. “Isso pode ser relacionado ao estranhamento existencial que vivemos na pandemia, um tempo descontínuo e isolado. Tanto na separação física quanto na cronologia da descontinuidade, o ‘tempo do lago em ferradura’ sugere o próprio mundo de hoje”, completa.

Imagem Divulgação

 

O QUE ESPERAR DA MOSTRA? 

O recorte curatorial das produções da artista, realizado entre 2010 e 2021, são obras em vídeo, de qualidade cinematográfica, nas quais são mesclados ficção e realidade. Como exemplo, temos “At the Surisol Underwater Lab” de 2020; “Porosity Valley 2: Trickster Plot”, de 2020 e “Petrogenesis, Petra Genetrix”, de 2019.

Em “At the Surisol Underwater Lab“, o filme se passa em um futuro próximo, cerca de uma década depois da pandemia global do Covid-19, e traz um mundo tomado pelo esgotamento de recursos naturais, onde os biocombustíveis verdes tornaram-se a principal fonte de energia das sociedades.

Já em relação a “Porosity Valley 2: Tricksters Plot“, a artista sugere um mundo e uma mitologia alternativa para as migrações de refugiados e digitais, ambas características do mundo contemporâneo, e questiona as formas de existir e as formas de representar dos refugiados iemenitas, que chegaram recentemente à Coreia do Sul. A artista abre uma reflexão sobre a forma em que os refugiados são tratados; Como uma espécie de disfunção ou vírus que ameaça o estado-nação.

Por fim, em “Petrogenesis, Petra Genetrix“, a artista explora a crença difundida na Mongólia, na qual, há a convicção de que pedras e minerais, assim como outros elementos naturais, estão vivos, criando então sua própria mitologia. A obra reúne entrevistas com um historiador, um geólogo, o diretor de um museu de geologia e habitantes locais da Mongólia, país do qual, Ayoung Kim visitou para pesquisar o amplo sistema de crenças animistas do país, que envolve a Terra, a mãe-pedra, rochas e cavernas sagradas que, segundo a crença, purificam as culpas humanas.

“De grande potência visual, sonora e cênica, os vídeos, performances e projetos teatrais de Ayoung Kim, artista com passagem marcante pela 56ª Bienal de Veneza e mostras individuais no Festival de Melbourne e no Palais de Tokyo, articulam elementos de tempos, espaços e sintaxes diversos, enxertando o ficcional na história e distorcendo a realidade para fazê-los colidir. Feitas para incitar formas pouco familiares de leitura, escuta e pensamento, atravessam mitos de origem e distopia futuristas, catástrofes reais e mitológicas, marés e minerais, nações e gêneros”, afirma Solange Farkas, diretora da Associação Cultural Videobrasil e curadora da exposição.

A exibição já está acontecendo e continuará em cartaz até o dia 28 de fevereiro na plataforma Videobrasil Online.

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