Chamando todas as netas das bruxas que eles não puderam queimar, essa temporada é de vocês! Herdeira temática de Little Witch Academia, The Journey of Elaina (Majo no Tabitabi) é um desses animes de fantasia que brotam de tempos em tempos e enchem nossa vidinha mundana de ares mágicos, assim como The Ancient Magus Bride fez outrora conosco. Confira um pouco aqui neste Primeiro Gole!
MENINA PRODÍGIO
Aqui vemos a história de Elaine, uma garota de nome inusitadamente bem brasileiro que se encanta com as histórias de uma bruxa que viaja pelo mundo inteiro. Cheio de brilho nos olhos, ela ainda bem pequena pergunta aos pais se eles a deixariam viajar tal como a bruxa de seu livro. Pensando ser mais o caso de um gosto passageiro de criança, os pais da Elaine aceitam o pedido.
O que eles não esperavam é que a menina levaria a promessa a sério. Beeeeem a sério. Devorando livros e mais livros, Elaine bate um recorde na prova para aprendiz de bruxa, gabaritando os exames com meros 14 anos. O passo seguinte é que se mostra dificultoso, pois ela precisa de uma bruxa formada que a tutele e que a reconheça como uma bruxa depois de um período de treinamento. E ninguém quer aceitar uma garota que conseguiu tanto tão rápido.
TODO MUNDO É IGUAL A TODO MUNDO
Depois de muita porta batida na cara, Elaine encontra Fran, a Bruxa da Poeira Estelar. Esta dama lindíssima e de espírito leve como o jeito que dançava com as borboletas resolve aceitar Elaine como sua aprendiz. Não sem antes fazê-la passar por poucas e boas, virando quase que uma empregada doméstica por um mês inteiro, fazendo jantar, arrumando a casa, comprando coisas na rua, tirando aranha do banheiro e tudo o que a fizesse desanimar de se tornar uma bruxa.
Todo esse plano de frustrar Elaine de se tornar uma Bruxa vem da preocupação de seus pais de que sua filha viesse a se deixar levar pela própria capacidade e começasse a diminuir as outras pessoas que não tivessem chegado no seu patamar. Fran resolve mostrar a ela que existem outras pessoas no mundo melhores que a gente e que no fundo, ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Lição essa que sua mãe se preocupava em passar.
A JORNADA DA BRUXA DAS CINZAS
Apesar da humilhação que levou Elaine às lágrimas, Fran se mostra compassiva à determinação que a jovem aprendiz demonstrava. Mesmo sendo um pouco arrogante no começo, ela se mostrava trabalhadora, diligente e disposta a tudo para se tornar uma Bruxa completa.
Assim, depois de 4 anos de estudos intensos, a Bruxa da Poeira Estrelar encerra seus ensinamentos e batiza sua nova semelhante como a Bruxa das Cinzas. Não por algum motivo épico ou profundo, mas simplesmente porque Elaine tem cabelos acinzentados. Despedindo-se de seus pais e disposta a cumprir algumas promessas com eles antes de partir, Elaine termina sua formação com 18 anos e enfim resolve realizar seu sonho de infância de viajar ao redor do mundo.
9 Monkeys of Shaolin tem a essência do filmes de kung-fu antigos para um beat–up nunca visto antes. Você é WeiCheng, um pescador que viu o massacre de seus amigos e familiares durante um ataque pirata. Dessa forma você começa sua jornada shaolin para se vingar com muita ação e golpes fatais.
Para você que procura algo retro e estilo arcade, o game promete essa atmosfera recheada de opções. Você pode optar por 3 estilos de luta enquanto acompanha uma narrativa heroica. Além disso você vai conferir uma imersão histórica da China Medieval durante as fases enquanto testa os caminhos e habilidades marciais na progressão.
Com várias fases e abraçando o modo cooperativo, o jogo está com uma demo disponível e tem lançamento previsto para o dia 16 de outubro de 2020. Teste seu potencial e seja um verdadeiro shaolin dos filmes. Desenvolvido pela SobakaStudio, 9 Monkeys of Shaolin chega para PlayStation 4, Xbox One e One X, Nintendo Switch e PC (Steam).
Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba) foi considerado o melhor anime do ano e segue sendo o queridinho de muitos fãs. Uma das coisas mais emblemáticas no anime é o estilo de respiração usado para matar demônios e as empolgantes técnicas com espadas dos espadachins. Agora, a Tamashii Nations lançou um item que vale ouro para os colecionadores: uma réplica em tamanho real da espada do nosso querido Tanjiro Kamado.
Confira o vídeo promocional:
https://youtu.be/p94Cs-S7u9A
A espada de 88 centímetros será lançada no Japão em fevereiro de 2021 e a venda para outros países ainda está sendo estudada. O item irá custar 7,700 ienes (cerca de 410 reais).
A réplica da espada irá reproduzir falas icônicas de Tanjiro, gravadas por Natsuki Hanae, o dublador do protagonista. Com mais de 70 frases disponíveis, algumas delas serão dos momentos de batalha contra demônios e outras dos momentos de reflexão de Tanjiro. Além disso, a espada também irá tocar Gurenge, a música tema do anime.
Sinopse:
Japão, era Taisho. Tanjiro, um bondoso jovem que ganha a vida vendendo carvão, descobre que sua família foi massacrada por um demônio. E pra piorar, Nezuko, sua irmã mais nova e única sobrevivente, também foi transformada num demônio. Arrasado com esta sombria realidade, Tanjiro decide se tornar um matador de demônios para fazer sua irmã voltar a ser humana, e para matar o demônio que matou sua família. Um triste conto sobre dois irmãos, onde os destinos dos humanos e dos demônios se entrelaçam, começa agora.
Toda temporada sempre tem um anime que eu jamais saberia da existência e alguém acaba me recomendando porque é “a minha cara”, e o da Temporada de Verão 2020 foi Mr. Love Queen’s Choice. Inspirado em uma Visual Novel Mobile do tipo harém invertido, a animação tentou recriar os primeiros episódios do jogo que é um sucesso em diversos países.
Por ser uma jogadora ativa de Visual Novels, principalmente desse tipo especifico, eu fiquei bastante animada com os primeiros trailers. E após o primeiro episódio do anime, eu fui correndo adquirir o game (que é gratuito) para ter minha própria experiência. Agora, após o fim da temporada, eu me pergunto o quanto isso me influenciou ao tecer essa opinião.
Se você está perdido sobre o que é Mr. Love, eu explico: a trama gira em torno de uma produtora de televisão que está encerrando seu programa após a baixa audiência. O programa em questão é um show que aborda eventos “paranormais” ou ainda “milagrosos” que a ciência não pode explicar. Enquanto ela busca ajuda para fazer um último episódio sensacional, ela acaba esbarrando com pessoas que tem poderes especiais, aqui chamados de “Evols”, humanos que evoluíram além do esperado.
Se você for nos comentários do trailer do anime você verá várias pessoas que jogaram o game falando que todos iriam se surpreender com a trama, isso é, porque apesar de aparentar ser uma história fofa e simples, há vários momentos dramáticos e sanguinolentos no game. Entretanto, o estúdio responsável (Mappa) optou por uma abordagem menos tensa, e – apesar de haver alguns momentos mais dramáticos – o anime em si não contém nenhum conteúdo adulto.
Quanto ao design, animação e trilha sonora eu tenho ótimos elogios ao estúdio. Apesar da abertura e encerramento serem facilmente esquecíveis, a produção é bonita e os efeitos audiovisuais estão no ponto, mais uma vez a Mappa conseguiu entregar um material de qualidade. Quando falamos de roteiro, a história não é a mesma.
Com 12 episódios, Mr. Love optou por adaptar os primeiros 16-17 capítulos do game, excluindo alguns, e adicionando histórias extras, já que o jogo ainda não acabou, eles criaram o próprio final para o anime que é fraquíssimo.
Houve uma preocupação em adicionar os diversos personagens do jogo, e até mesmo adaptar de forma quase fiel o roteiro do game para episódios de anime, e é ai que fica o perigo. Por serem dois suportes completamente diferentes, o ritmo não funciona, e a animação de Mr. Love acaba ficando apressada, confusa e desinteressante.
Apesar de eu ter gostado bastante dos primeiros episódios, o último terço do anime é MUITO fraco, tendo vários momentos que eu terminei de assistir movida apenas pela força do ódio. Os interesses amorosos da protagonista são cativantes, mas várias adaptações deram mais o ar de vergonha alheia do que de romance.
Sinceramente? Anime esquecível, que não assistira novamente e tampouco recomendaria. Aliás, se alguém se interessasse pelo enredo, eu fortemente falaria sobre abandonar a animação e correr para o jogo, que é centenas de vezes mais interessante.
Sem necessidade de uma segunda temporada, Mr. Love Queen’s Choice é um anime que é ótimo se você assiste sem áudio, assim você pode apreciar a beleza da animação sem se frustrar com os problemas de roteiro.
Existe uma ilusão que muitos amantes do esporte vivem, principalmente nós brasileiros, a ideia que a vinda de um jogador ou um novo técnico para um time já é argumento de grandes mudanças e que muito títulos virão na temporada, até esse time perder dez ou onze jogos e nada mais prestar, muda tudo porque não deu certo. Esse imediatismo é o que mancha todo trabalho que poderia funcionar no futuro. Imagina em Ahiru no Sora, onde não existe jogadores, um objetivo ou sequer vontade o suficiente para montar um time, e quando se aparece uma luz, é ofuscada por uma grande fumaça de problemas, e mesmo assim foi ignorado só porque as partidas não soltam laser dos olhos como efeitos de velocidade, uma pena para todos esses otakus, pois perdem o segundo maior anime de basquete de todos os tempos.
O primeiro ponto a se destacar têm que ser a briga virtual entre o autor Takeshi Hinata e os estúdio Diomedea, envolvendo a animação que apelou para um visual ao estilo Kuroko no Basket, ao qual “ofendeu” o autor e com razão; a linguagem de Ahiru no Sora é diferente de uma forma gritante, não é cheio de ação ou um atropelo de trama, aliás é totalmente o contrário. Argumento esse que vale o questionamento, o jeito de como a trama do anime caminha, junto com seus elementos que constroem cada personagem, do mais ao menos importante, não faz dele uma obra mais direcionada para o público seinen do que shounen?
Um anime adaptado de um mangá seinen, como o próprio termo diz, é direcionado para o público adulto, não necessariamente precisa ter sexo ou violência, mas a linguagem dele ser muito arrastada, junto com o desenvolvimento de personagem e plots de fortes emoções que não relacionada a ação não me pareceu algo tão shounen assim, e como todos sabem, o “jovem” não gosta de coisas demoradas ou arrastadas, é oito ou oitenta. Isso é apenas uma opinião baseada no “achismo”, mas esse anime pode ter sido vendido errado, e mais, muitos preferem defender esses elementos na trama quando se trata do gênero isekai.
A desistência de alguns otakus pra esse anime é plausível, como dito antes, esse anime é tão cirurgicamente amarrado e trabalhado em cada ponto que dificilmente a trama não vai ser aquele caminhar lento de uma tartaruga. Em um momento, este aspecto chega a ser exagerado, mas justificável, no momento em que uma das partidas de basquete duram cerca de dez episódios, regado de flashbacks, plot twists, lances e jogadas do basquete, além da construção de literalmente os cinco jogadores de cada time e alguns reservas, argumento suficiente para entender o porquê muitos desistiram da animação.
Junto com Slam Dunk e talvez superando Haikyuu, o modo como Ahiru no Sora apresenta o que significa um trabalho árduo de alguém que segue um sonho, mesmo ele sendo impossível é algo que já é maravilhoso, e a cada fracasso, sempre vai ter um ser humano a mais na sua vida para te questionar: sério que você ainda acredita nisso? Pra que tentar tanto? Aceita, isso não vai dar certo, é burrice! E sempre alguém do seu lado, seja amigo ou família, que vai te jogar para baixo, te deixando aquela dúvida: Será que realmente estou sendo teimoso com algo que já está fadado ao fracasso? Um pensamento que poucos absorveram em Ahiru no Sora, por causa do grande centro do anime, o time Kuzu, todos eles.
O protagonista Sora chega em uma escola e entra para o time de basquete, time esse que não passa de um bando de moleque que senta no fundão da sala e só quer briga com outras escolas, tudo para dar errado, o que não é imaginado é a dimensão do quanto problemático foi esse bando de delinquente tentar jogar basquete e achar que vão chegar em algum lugar, mesmo com suas ambições construídas e defeitos, seja ele habilidade ou algo mais pessoal apresentados, nada parece servir de combustível para superar as próprias expectativas. Cada momento do anime, um novo fundo é cavado para esse poço e ali se vê o que é a morte da esperança, que para muitos é justificável para fazer com que alguém seja amargurado para o resto da vida por sonhos mortos, em Ahiru no Sora há essa divisão, e te traz a incerteza daquilo que muito pensaram quando chegaram no limite e fracassaram, e agora? Só que para todo problema há uma solução, seja ela grandiosa ou minúscula, independente se você acredita ou não, esperança e sonhos é o que fazem muitos continuar, essa esperança está no protagonista Kurumatani Sora. Você termina de assistir os cinquenta episódios e a única coisa que você quer fazer é abraça-lo e dizer que ele merece o mundo.
A caracterização para cada personagem é algo que desconstrói todo anime de esporte moderno, os conflitos gerados pelo passado moldaram cada um deles para que chegassem ao final dessa temporada de uma maneira bem extrema, confiança na base do fracasso conjunto, alguns com a cabeça avoada quanto a trabalho de equipe e achar que resolveriam tudo sozinho. Entretanto, outros entendem o basquete na prática, reconhecendo a própria limitação e até errando de forma grotesca no meio da partida, o início te joga no pessimismo de um bando de garotos que se intitulam “time”, e no fim chegam com novos problemas e limitações, mas que mentalmente se mostram um grupo mais maduro, ainda engatinhando como um time, foi preciso cada porrada na boca do estômago e catástrofes para que nós terminássemos o último episódio com uma única frase: “Eu acredito!”
Julgar aqueles que desistiram é errado, realmente não é um anime tão fácil, chamá-lo de ruim é ignorância, trama arrastada não é sinônimo de inferioridade. Ahiru no Sora dividiu o público por não ser um Kuroko no Basket, mas acertou em cheio no nível Slam Dunk de profundidade. Vale a experiência!
Organizado pela hamburgueria MR GEEKS, o campeonato de FIFA será realizado neste final de semana, no dias 03 e 04 de outubro, a partir das 14h, e tem como objetivo trazer vários gamers para duelarem entre si e que o melhor vença o jogo.
O evento será 100% presencial, onde será cumprida todas as regras da OMS (máscara, álcool em gel e distanciamento social) em um Playstation 4 e 2 telas simultâneas. Cada participante que comprar o ingresso (R$ 70,00 individual e R$ 130,00 em dupla) vai ter direito a um combo personalizado (Burguer, batata, refrigerante e Milk Shake).
O campeonato terá início às 14h e deve seguir até às 21h. Também haverá premiação para os vencedores. A Mr Geeks fica localizada no centro do Tatuapé. Na R. Azevedo Soares, 1126, em São Paulo.
A Ice Cream Roll, maior franquia de sorvete tailandês no Brasil, inaugura, nesta sexta-feira (2), mais uma unidade na cidade de São Paulo. Desta vez, o quiosque será no Shopping Center Norte, Zona Norte da capital paulista.
A rede, que chega a 23 lojas no país – sendo a 5ª na maior cidade do Brasil -, mantém os planos de expansão mesmo com a pandemia e deve inaugurar, até o final do ano, mais cinco unidades.
“Entendemos que este pode ser um momento importante para quem quer empreender e que deve ser aproveitado. Muitos shoppings estão com espaços disponíveis e em busca de novos negócios”, explica Roger Rodrigues, CEO da Ice Cream Roll.
O sorvete tailandês é o famoso “sorvete de rolinho”: é feito na hora e os clientes podem escolher entre 1,6 mil combinações de sabores, incluindo linha diet e 100% cacau, sabores de massa, cobertura e toppings. Além do sorvete, a Ice Cream Roll também oferece cinco diferentes sabores do Sundae Roll.
Ice Cream Roll Shopping Center Norte
Inauguração: 2 de outubro, sexta-feira. Endereço: Shopping Center Norte (Tv. Casalbuono, 120, Vila Guilherme, São Paulo – SP) Horário de funcionamento: das 12h às 20h. Pedidos: no balcão e via delivery pelo Uber Eats e iFood.
Agora em outubro estreará a terceira temporada de Golden Kamuy. Aproveitei a oportunidade para finalmente botar aquele Plan to Watch para andar, já que não foram poucas as vezes que ouvi bem sobre o anime e não foram poucas as recomendações para este historiador de formação. E como ficções históricas são um ponto fraco deste redator, não havia hora melhor para botar tudo em dia e deixar uma palinha para quem ou nunca viu nada sobre o anime ou para quem viu já há muito tempo e não se lembra mais de nada.
Como eu mesmo sendo outra pessoa dotada da memória de um peixinho-dourado, não surpreende que os detalhes sobre a história de Golden Kamuy fujam depois de um tempo. A trama é emaranhada como uma complexa teia de aranha e qualquer fio que escape à atenção pode lançar quem assiste à confusão. E no decorrer dessa trama, personagens os mais diversos são desenvolvidos ao longo de duas temporadas.
Pois esta é a minha proposta para esse texto: apresentar os principais temas de Golden Kamuy para você, tudo numa boa sem spoilers. Depois dessa apresentação, aí sim entraremos numa zona de spoilers para resumir o que foi que aconteceu até a segunda temporada e o que poderemos esperar da terceira temporada (salvo quem lê o mangá; estes já viram o futuro).
Então sem mais delongas…
DO QUE TRATA GOLDEN KAMUY?
Golden Kamuy, baseado no mangá de mesmo nome em publicação desde 2014, conta a história de Saichi Sugimoto, um ex-veterano da Guerra Russo-Japonesa que ficou conhecido como “Sugimoto O Imortal” por ter sobrevivido ao Cerco de Port Arthur ao mesmo tempo em que lançou uma violenta ofensiva contra os russos.
Com o fim da guerra, Sugimoto seguiu perambulando pela parte norte do Japão, na região de Hokkaido. Lá ele ouve falar de uma grande quantidade de ouro escondida por um prisioneiro, num lugar onde só é possível de ser encontrado decifrando várias tatuagens espalhadas nos corpos de vários outros detentos.
Pouco após ouvir sobre esse boato, Sugimoto é atacado por um urso (dos mais mal feitos na história da animação, bom frisar) e socorrido por uma garota nativa da região. Seu nome é Asirpa, uma Ainu. Com o urso derrotado, ambos percebem ter objetivos semelhantes, ainda que pelos motivos diferentes, resolvendo então caminhar juntos em busca da fonte desse ouro.
Golden Kamuy num grande resumão é isso: um veterano de guerra e uma menina ainu procurando juntos por um tesouro escondido nas terras gélidas de Hokkaido. Mas essa explicação limitada não existe só porque eu quero prevenir spoilers mas porque é preciso entender vários contextos para entender e aproveitar bem a excelente história deste anime.
E isso passa pelo entendimento de algumas coisas básicas para os japoneses, mas não tão básicas para nós brasileiros que ainda engatinhamos nos estudos da história do Japão. Como assim Guerra Russo-Japonesa? Como assim ainus? Bom, é aqui que as coisas ficam interessantes.
Senta que lá vem história.
AINUS E “NATIVOS”
Já é meio batido ficar dizendo isso, mas é sabido que nenhum país é uno e homogêneo em seus habitantes. Seja em um país de proporções continentais como o Brasil ou mesmo em um diminuto arquipélago como no Japão você tem várias diferenças regionais, de norte a sul. É natural que elas existam, porque nenhuma comunidade está 100% em interação com seus vizinhos distantes. Apesar de sermos todos brasileiros, apenas alguns poucos de nós saímos para fora de nossos estados e é possível contar nos dedos quem conheçamos que já tenha viajado para todas as cinco regiões. Se isso é verdade para nós em 2020, mesmo com toda a tecnologia de transporte existente, isso é ainda mais verdadeiro para a vida comum japonesa há mais de 100 anos atrás. Tamanho de país aí pouco faz diferença.
E por séculos, norte e sul do Japão foram dois mundos distantes. Se há alguma semelhança gritante entre Brasil e a Terra do Sol Nascente é que ambos desconhecem o seu Norte. A vida brasileira tem sua história e sua identidade quase que completamente montada sobre o seu litoral, de nordeste a sudeste, assim como o Japão tem o bojo de sua história contada de Kyoto até Tokyo. E mesmo assim Tokyo só virou um centro histórico há “apenas” 400 anos, com o shogunato Tokugawa. Bem antes disso, a história do império do crisântemo é escrita e contada na capital imperial, Kyoto. Para os yamato-jin, os descendentes do império de Yamato, as terras gélidas do norte eram fontes de mistérios, como o jogo Ookami mostra muito bem. Eles chamavam essa terra de “Ezochi” e já desde os tempos da corte Heian habitavam os ainus, um dos povos originários do Japão.
Já pincelei um pouco sobre os ainus no meu texto sobre Princesa Mononoke. Exemplos desse povo na cultura pop já existem há um tempo, com Shaman King e com a Nakoruru, de Samurai Shodown. Geralmente existe uma pressa em chamar os ainus de “índios japoneses”, por causa de sua condição minoritária no país e pelas perseguições sofridas desde o shogunato dos Minamoto, na Era Kamakura. Mas prefiro chamar os ainu simplesmente de… ainu. Pois nativo por nativo, os yamato-jin (povos originários da região de Kyoto e entornos onde surgiu o primeiro imperador japonês, Jinmu-tennô) são tão indígenas quanto os ainu; não houve no Japão algo semelhante a uma invasão colonial como o que houve aqui nas Américas. E se vocês prestarem atenção, o modo como os ainu descrevem seu mundo e seus fenômenos lembram um tanto o próprio shintô.
Em várias passagens de Golden Kamuy, a Asirpa chama os espíritos que tudo habitam e regem a vida e a natureza de “kamui”. Kamui que tem pronúncia parecida com “kami”, com descrições bem semelhantes às da religião shintô (ou xintoísmo, como é mais conhecido por aí). De espíritos que habitam os céus aos espíritos que habitam animais e se corrompem quando matam humanos, o mundo espiritual dos ainu tem um caráter animistico que muito lembra a espiritualidade original do arquipélago japonês antes da chegada do budismo. As semelhanças, lógico, param por aí. Pois fisicamente, os ainu são bem distintos, com vestimentas apropriadas para o clima severo da região japonesa mais próxima da Sibéria. Os homens são barbudos e robustos e as mulheres têm o hábito de tatuar os lábios após o casamento, sendo a tatuagem mais larga quanto maior o status social do marido com quem esta ainu se casou.
Um tabu ainu com relação à natureza em particular explica um dos plot centrais de Golden Kamuy, que é a presença do ouro. O trato com os rios proíbe a violação destes; neles não se fazem as necessidades, pois é importante manter a água pura. Esses leitos intocáveis por tanto tempo acabaram por preservar não só a água para o consumo, como várias reservas de ouro desconhecidas aos não-familiares com a região.
Eventualmente, com o passar das eras e o ingresso do Japão na era moderna, novas circunstâncias levaram velhos tabus a serem revistos e profanados juntar e esconder esta quantia inimaginável de ouro. Com que propósito? E quais são as partes interessadas nessa caça ao tesouro? Essa é a parte de nossa próxima seção.
A CORRIDA PELO OURO (ZONA DE SPOILERS)
A partir daqui, já não posso garantir uma descrição livre de spoilers. Cada personagem revelado pode ser visto como um spoiler menor; descrevê-los por aqui mais ainda, já que a narração de Golden Kamuy é um espetáculo imperdível à parte. Então, quem ainda não assistiu, que prossiga por sua própria conta e risco.
Como dito anteriormente, a corrida do ouro de Golden Kamuy é o motor de todo o plot do anime; e ela pode ser dividida em basicamente três partes interessadas: Sugimoto e Asirpa, a facção do exército comandada pelo Primeiro Tenente Tsurumi e os membros remanescentes do Shinsegumi, Hijikata Toshizou e Shinpachi Nagakura.
O anime não é tão explícito nos motivos de Sugimoto dessa procura quanto no mangá. A coisa toda é resumida numa promessa a um amigo próximo que foi morto na guerra e deixou sua esposa viúva, dando a entender que ele quer dar uma vida melhor para ela. Asirpa quer acima de tudo saber do paradeiro de seu pai e acredita que o caminho do ouro levará até ele. Durante o caminho, eles conseguem aliados, seja por conveniência, seja por simpatia, como Kiroranke, amigo do pai de Asirpa, Inkarmat, um ainu que lê a sorte das pessoas e o atrapalhado Shiraishi, um dos 24 detentos tatuados, autoproclamado Rei das Fugas e uma clara homenagem a um clássico dos animes, Lupin III.
Na facção do exército é bom entender que aqueles não são oficiais em si, mas uma dissidência que sentiu-se descartada pelo governo japonês após o fim da guerra com os russos. Por isso Tsurumi, que ficou com parte do cérebro exposto após uma explosão, tem o sonho de refazer um Japão que valorize o seu exército e que se torne uma gigante potência militar; para isso ele precisa do ouro escondido por Nopperabou.
É importante frisar que os soldados que se filiam a ele não necessariamente o fazem por simpatia ao Tsurumi, que é visivelmente pirado das ideias. À primeira vista, os soldados, igualmente uniformizados, dão a impressão de serem meros npc’s; daí, quando você menos percebe, aqueles soldados ganham vida, personalidade e identidade próprias. De um modo geral, todos os ex-combatentes da Guerra Russo Japonese que aparecem em Golden Kamuy tem uma experiência traumática em comum: o Cerco de Port Arthur. Uma das primeiras cenas do anime se passa justamente durante o clímax da batalha, com o russos entrincheirados em artilharia pesada e hordas de soldados japoneses correndo para as suas mortes. É naquele banho de sangue que Fujimoto entra em um frenesi pela sobrevivência, onde ele ganha o apelido de “O Imortal”. Tsurumi, comandante da batalha, também ficou impactado pela tática dos oficiais maiores de enviar homens atrás de homens para morrer até que a força numérica tomasse o inimigo pelo cansaço. Tanigaki Genjirou, outro soldado sobrevivente, também lutou no cerco e foi fortemente impactado pelo evento, mas por razões pessoais (um dos personagens mais bem desenvolvidos de todo o anime, eu diria).
Por isso que importa um pouco conhecer os bastidores dessa guerra que foi uma das mais sangrentas do último século. Os horrores da Segunda Guerra Mundial mascaram outros banhos de sangue que avermelharam o século 20; a Guerra Russo-Japonesa introduziu várias novidades que se tornariam uso comum quarenta anos mais tarde, como minas marítimas, comunicação por rádio frequência, cercas elétricas e metralhadoras pesadas (elas já eram usadas pelo exército japonês, como bem mostrado em O Último Samurai, mas nunca haviam sido usadas numa guerra como em 1904). Tanta novidade bélica tornou a morte muito mais eficiente; além disso, como os russos já sabiam da facilidade com que os japoneses tomaram Port Arthur na Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894, eles se fortificaram à altura, fazendo com que o cerco se estendesse de agosto de 1904 até janeiro de 1905. Seis meses de batalha, simplesmente. É de deixar um impacto na cabeça de quem passa por aquilo (e sai vivo).
Além de Asirpa e Sugimoto e o comando do Primeiro Tenente Tsurumi, temos também… Shinsengumi? Em tese não deveríamos ter, pois os partidários do shogunato Tokugawa já haviam sido desmantelados há quase 40 anos com a Restauração Meiji. Mas a imaginação histórica e a astúcia narrativa do autor de Golden Kamuy lhe permitiu um cenário hipotético onde Hijikata Toshizou, um dos maiores comandantes do grupo, não morreu como deveria em 1869 e aparece como um senhor astuto e tão perigoso quanto décadas antes. Ao lado dele acompanha um senhor, Shinpachi Nagakura, tido como o melhor espadachim de todo o Shinsengumi; o que não é pouca coisa quando se está no mesmo grupo de Okita Souji (olá fãs de Fate) e Saitou Hajime (olá fãs de Rurounin Kenshin).
O contra-factual morre um pouco aí, pois Shinpachi Nagakura, assim como Saitou, também conseguiu a proeza de sobreviver aos tempos do Bakumatsu e, findo o conflito com os monarquistas, se mudou para Hokkaido, na cidade de Otaro, onde morreu em 1915 (mesmo ano da morte de Saitou). Seu design no anime é curiosamente fiel a um retrato sobrevivente de sua velhice, onde virou instrutor de kendo para os carcereiros de uma prisão na região. Em Golden Kamuy, mesmo na velhice, Hijikata vê no ouro dos ainu uma oportunidade de reviver em outras terras um Japão que morreu depois da Restauração Meiji. Além de Shinpachi, Hijikata também consegue a adesão de alguns ex-detentos da prisão de Ashibara, bem como um dos soldados de Tsurumi, Hyakunosuke Ogata, um sniper que se alia onde bem entender.
E se tem uma coisa que Golden Kamuy constrói bem, são essas alianças de ocasião; que pelos sabores e dissabores do momento, podem acabar em traição ou deserção. Estamos nos aproximando agora da terceira temporada, após do caos que foi o término da segunda. Antes de partirmos para as conclusões, vejamos como se encontra o estado calamitoso dessa caça ao tesouro. É agora que os spoilers vêm pesado:
O QUE ROLOU ATÉ AGORA
A primeira temporada inteira serviu para apresentar alguns personagens e dar o panorama geral dessas facções interessadas que eu descrevi há pouco. Até o início da segunda temporada, a coleção das tatuagens estava um tanto bem distribuída. O primeiro-tenente Tsurumi resolve deixar Sugimoto colecionar as tatuagens com a ainu, para que ele próprio pudesse manter um perfil modesto dentro do exército. Já Hijikata consegue fazer com que Shiraishi vire um informante, cambaleando na linha tênue entre um chantageado e um traidor. Na segunda temporada, Tsurumi consegue sair da defensiva e vira a corrida de cabeça para baixo após conhecer um taxidermista (profissionais que empalham animais) chamado Yasaku Edogai. Edogai é um excêntrico amante de peles, tão excêntrico que passa a roubar cadáveres para empalhá-los e fazer sua própria família. Como maluco atrai maluco, Tsurumi consegue conquistar a afeição/obsessão de Edogai, que passa a criar réplicas de todas as tatuagens que ele possui. Essa jogada coloca todas as outras partes num visível estado de confusão; sem poder mais saber o que é autêntico e o que é falso, tanto o grupo da Asirpa quanto Hijikata concluem que o melhor a ser feito é ir até a prisão de Ashibara perguntar o paradeiro do ouro ao próprio Nopperabou, o tatuador dos prisioneiros.
Como invadir uma prisão de segurança máxima não é uma tarefa nada simples, a segunda temporada lida com os preparativos para essa invasão. Nesse meio tempo, histórias de personagens são contadas e mais detalhes sobre o pai da Asirpa entram em cena, que suspeita que Nopperabou seja o seu verdadeiro pai. O que se confirma, ele tem os mesmos olhos azul-esverdeados de sua filha. Mas antes mesmo que algo pudesse ser revelado, Ogata, o sniper aliado de Hijikata desfaz a trégua, matando Nopperabou e ferindo gravemente Sugimoto na cabeça. Kiroranke também comete traição e é revelado que ele possuía diferenças fundamentais com seu amigo, mas, por acidente, esfaqueia Inkarmat e é flagrado logo em seguida.
Então a situação às vésperas da terceira temporada é esta: Sugimoto está separado de Asirpa e lívido de raiva contra Ogata e Kiroranke. Tsurumi fez uma esplêndida mostra de poder no presídio de Ashibari com seu couraçado e seu exército particular. Hijikata acertou as contas contra seu carcereiro, o diretor do presídio e desde então seu paradeiro bem como suas intenções daqui pra frente estão para ser detalhadas na temporada a seguir. Era de se esperar que algum ponto maior do plot fosse revelado com a reunião de Asirpa com seu pai; por que ele juntou todo aquele ouro? Quais eram suas as intenções para com o povo ainu? Por que ele acabou deformado daquele jeito? Nada disso pôde ser respondido e terminamos a segunda temporada completamente confusos, mas muito empolgado com o que virá pela frente.
CONCLUSÃO: UMA HISTÓRIA SOBRE SOBREVIVENTES
Este texto já está enorme, então façamos um comentário final sobre o que afinal resume Golden Kamuy. Trata-se de uma obra ampla, com muitos personagens e backgrounds diferentes. Ora ele é violentíssimo, ora ele é bizarramente bem humorado (quem é capaz de imaginar que é possível cair na gargalhada em plena invasão do presídio no final da segunda temporada?!), ora ele é… nichado? Fujoshis geralmente são tudo sobre rapazinhos bonitos, bishonen pra lá e pra cá, mas quem gosta de grandalhões musculosos vão achar ótimos momentos de fanservice (“ótimo”, obviamente, pra quem curte). É possível ter um fio condutor pra uma história dessas? Uma cabeça de polvo que junte tantos tentáculos diferenciados?
Sim, é possível. Em uma palavra, Golden Kamuy é sobre sobrevivência. O grito de guerra de Sugimoto, “Eu sou Sugimoto, O Imortal!” diz menos de um excesso de autoconfiança e mais sobre sua determinação em sobreviver, não importa de qual situação e por mais certa que seja a morte. Asirpa é uma “nova mulher ainu para uma nova era” que está disposta a sobreviver a tudo para descobrir a verdade de suas origens. Durante os dias que se passam, Golden Kamuy dá bastante tempo de tela a uma das coisas mais básicas e mais fundamentais que fazemos para sobreviver: se alimentar. É confuso que a segunda abertura dê tanta atenção a isso que faça parecer uma abertura de Shokugeki no Souma? Demais. Mas a caça é um elemento fundamental para vários personagens, seja por motivos pessoais ou pela razão fundamental de que muitas vezes a sua sobrevivência significa a morte de outra vida. Essa é uma verdade que o nosso mundo urbanizado muitas vezes perde de vista, mas que nunca deixou de sê-la.
Quando percebemos esse detalhe fundamental, nos damos conta que estamos diante de uma obra-prima; porque por mais variado que sejam seus elementos narrativos, tudo em Golden Kamuy converge muito bem para a questão da sobrevivência, seja em histórias de veteranos de guerra ou de aldeias marginalizadas ou daqueles que ficaram do lado errado da História (com H maiúsculo, o curso do tempo, não a estória).
Por isso, se você nunca assistiu Golden Kamuy, a hora ideal é agora. Estamos às vésperas da terceira temporada, com muitas questões a serem tratadas e, sabendo da capacidade fenomenal do anime em saber contar uma boa história, é quase certo que não sairemos decepcionados. E quem já assistiu tem agora este texto para dar uma refrescada na memória. Não com toooodos os detalhes de tudo o que aconteceu, porque aí teríamos umas vinte páginas. Mas temos esse resumão pra ficarmos todos prontos para outubro.
Então é isso meus bons. Este foi mais um Suco Apresenta e um dos que mais gostei de escrever; nem eu mesmo sabia o quanto esta crônica de finais da Era Meiji seria tão interessante assim. Devemos muita gratidão a Gibiate por deixar a gente imunizado contra CGI ruim! Até a próxima!