Sim, podem me apedrejar! Sou um otaku fajuto que nunca assistiu Fullmetal Alchemist e/ou nem mesmo chegou perto dos mangás de Hiromu Arakawa.

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Entretanto, fui ver o live-action que estreou no catálogo da Netflix e resolvi passar minhas impressões de uma pessoa que nunca se envolveu com a franquia. Temos o #REVIEW da Megu também, e que reflete a posição de alguém já acompanha a série – AQUI!

Fullmetal Alchemist live action
Ryousuke Yamada como Edward e Atom Mizuishi como Alphonse no live-action de Fullmetal Alchemist (Imagem Divulgação)

Adaptação Nipônica

Antes de assistir qualquer filme que não seja do eixo hollywoodiano, é preciso estar atento aos aspectos técnicos e culturais.

Quando os longas de Rurouni Kenshin (Samurai X) agradou e animou uma legão de fãs pelo mundo, parece que a indústria japonesa de cinema começou a dar alguns toques “ocidentais” em seus filmes, aproximando a atuação mais padronizada – e menos overreacting –  do que estamos acostumados a ver na grande mídia.

Fullmetal Alchemist trabalha com este aspecto mais vendável e passa uma linguagem bem mais homogênea, o que facilitará que mesmo quem nunca teve contato com a franquia ou cinema oriental, sinta-se confortável ao assisti-lo.

Fullmetal Alchemist live action
Prontos para a alquimia? Cena do live-action de Fullmetal Alchemist (Imagem Divulgação)

Atuações e Emoções

Como não tive contato com os animes, não posso fazer um paralelo as ações das personagens e seus comportamentos, mas começando com o protagonista Edward Elric (Ryosuke Yamada), é o que demonstra o ímpeto da jogada e a impulsividade que gira as engrenagens da trama.

Desde criança, quando quis salvar sua mãe ao lado de seu irmão Alphonse (Atom Mizuishi), mostra seu lado imperativo, enquanto o outro dá margem para a ingenuidade e calmaria – o que acaba contrastando com seu visual armaduresco.

Na questão de atuação, também destaco os papeis de Tsubasa Honda como Winry – bem carismática, por sinal – e no papel mais complexo do longa, Roy Mustang, interpretado por Dean Fujioka.

Voltando a Ed, Fullmetal gira em torno da motivação do jovem em tentar trazer o corpo do irmão de volta – ou pelo menos transferir a alma que está na armadura, para seu antigo corpo. É com isso que entra a busca da Pedra Filosofal e os vilões…

Fullmetal Alchemist live action
Tsubasa Honda como Winry e Atom Mizuishi como Alphonse no live-action de Fullmetal Alchemist (Imagem Divulgação)

A Vilania

Até é possível entender bem os objetivos dos vilões, eles são claros – principalmente no final. O que faltou em seus 135 minutos (veja bem, mais de duas horas), foi o trabalho mais completo de cada um dos homúnculos: Luxúria, Gula e Inveja.

Com um tratamento superficial e climão thriller, o trio é marcado por motivações fracas, que remetem ao “monstro do dia dos Power Rangers”. Se por um lado temos os “bonzinhos” bem trabalhados, n’outro não.

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Yasuku Matsuyuki como Lust no live-action de Fullmetal Alchemist (Imagem Divulgação)

Visual Simbólico

O diretor Fumihiko Sori, que já comandou o live-action de Appleseed, manteve o bom trabalho e comandou cenas belíssimas, cenários bem produzidos e um design característico do Steampunk somado ao período de Primeiro Guerra Mundial.

A trilha sonora empolga, emociona e dá margem para uma ou duas cenas emblemáticas no filme – principalmente no primeiro e segundo ato.

Na questão mais técnica dos efeitos, eles são bem produzidos, nada que cause um agravante, como no caso do figurino, este que pode deixar a desejar em alguns personagens – alguns são muito fantasiosos e com cara de “cosplay”. Parece que não houve um trabalho minucioso de pesquisa e vestimentas da época.

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Dean Fujioka como Roy Mustang e mais atrás, Misako Renbutsu como Riza Hawkeye no live-action de Fullmetal Alchemist (Imagem Divulgação)

A Alquimia Fragilizada

Se o grupo “dos amigos” funciona bem, o mundo no filme não. A trama não passou muito bem o que a Alquimia significa para a população e mais: cadê as pessoas? Repare no início do filme, no momento de perseguição, como tudo é vazio e sem vida.

Um trabalho de mais imersividade e naturalidade seria mais interessante, principalmente para dar o peso necessário, e valor da Alquimia.

Flertando com o “cinema daqui” e com os toques do “cinema de lá”, Fullmetal Alchemist é um filme fácil de se ver – mesmo com suas duas horas e quinze minutos – e conta com um dinamismo até que surpreendente, para o que o filme se propõe.

Se você é fã da franquia, acho plausível dar uma chance ao longa, mesmo com as prováveis mudanças e enxugamentos da história, que por sinal, funcionou bem, com início, meio e fim. Vale – e fácil – uma continuação.

Caso tenha acompanhado o anime com a dublagem da época, fique feliz! Marcelo Campos e companhia voltaram para dublar os personagens (veja mais AQUI); e mandaram muito bem.

Queremos mais aventuras do Alquimista de Aço!

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