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Pra quem não conhece a série, Dialovers é basicamente o que você esperaria de um mix japonês de Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza na forma de um anime “shoujo de harém”.

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Tem uma protagonista muito confusa, muitos relacionamentos abusivos, e certamente faria muito sucesso no mercado ocidental se não fosse uma animação com personagens com olhos grandes. Mas meu objetivo aqui é ser mais séria e imparcial do que isso, então vamos falar por partes do que se trata Diabolik Lovers.

Em 2012, a empresa Otomate, uma subsidiária da Idea Factory muito popular pelos seus otome games – Kamigami no Asobi, Hakuouki e Amnesia, para citar alguns dos mais mundialmente famosos – resolve lançar um otome game envolvendo vampiros.

Quem tem um mínimo conhecimento da temática “vampiros” sabe que vampiro chique e sentimental é um negócio já há muito tempo – culpem Anne Rice – mas em anos recentes teve um novo boom da temática em histórias para garotas adolescentes, como Crepúsculo e Vampire Knight, então que oportunidade melhor para um otome game de vampiros?

Eu nunca joguei o jogo para saber o quão diferente ele é do anime, então para fins dessa resenha, posso afirmar apenas que o jogo foi popular o bastante pra render um anime. E o anime da continuação. E mais três outras continuações, que podem ou não ganharem versões animadas no futuro.

Diabolik Lovers
Diabolik Lovers (Imagem Divulgação)

Laços de Sangue

A protagonista do anime – ou, a garota do harém reverso de vampiros – é Yui, uma garota que é abandonada por seu pai, um padre, em um caso típico de abandono parental em ficção, e por isso tem que passar a viver em uma casa aleatória pra estudar em uma outra escola – nada faz muito sentido.

Ela entra nessa casa, e tem um garoto bem estranho dormindo num sofá. Ruim, certo? De repente, aparecem mais garotos estranhos. Para piorar um pouco sua situação, os garotos são vampiros. Ah, e eles querem desesperadamente o sangue dela. O que ela faz, sai correndo?

Não, ela decide que resta a ela ficar ali naquela casa, tentando evitar que os vampiros bebam o sangue dela ao mesmo tempo em que tenta entendê-los, entender seus passados, suas histórias, seus sentimentos… …

Por algum motivo, ela começa até a gostar da ideia. Que mal há em morar com um monte de vampiros que querem desesperadamente seu sangue, não é mesmo?

Claramente ela é a versão feminina daquele tipo de protagonista de harém que pega todas e não tem vergonha disso.

Nunca é explicado muito bem por que ela decide ficar lá, fica naquela coisa de “meu pai me mandou pra cá, é o que tem pra hoje e eu sou uma boa menina que vou salvar os vampiros tristes da dor”, e ela se compadece com a história triste deles – aparentemente todos são irmãos, mas de três mães diferentes? – e fica por lá mesmo, vivendo altas aventuras com os vampiros. Que, a propósito, são extremamente dramáticos e sofredores. Ex tre ma men te.

Diabolik Lovers
Diabolik Lovers (Imagem Divulgação)

Reencarnações e Emoções

Depois, em “mais uma temporada de ‘vampiros fazendo bullying com uma garota meio-normal'” – que se passa depois que Yui já está vivendo há um mês com os vampiros – as coisas pioram um pouco, porque de repente acontece um acidente, surgem mais vampiros, ela é a reencarnação de Eva (é, aquela da Bíblia. Aquela.) e tudo é muito estranho.

A impressão inicial que eu tenho de Diabolik Lovers – e isso nunca é subvertido, então posso dizer que é a impressão final também? – é de que tudo é muito emo. Tudo é jogado lá (história? Que história?) de modo a dar vazão para uma estética gótica suave, mas sem necessariamente fazer muito sentido.

O importante não é o sentido ou o carisma dos personagens nem nada do tipo, o importante é que eles são vampiros, tudo é darkzinho e vai ter pegação sim. Não que exista um problema inato nessa descrição, mas a coisa é que não faz meu tipo. Se você gosta de shoujo de harém: pode fazer seu tipo.

Se você gosta de vampiros bishounen, ou uma coisa de “estética trevosa”: pode fazer seu tipo. Mas isso é praticamente o contrário do meu tipo (eu gosto de coisas fofas e não gosto de anime de harém TT) então eu tenho dificuldade até para ser imparcial aqui.

Ainda assim, eu assisti Dialovers. Eu assisti as duas temporadas, coisa que eu não teria feito se achasse lixo completo. Então vamos falar aqui do que eu acho bom também?

Diabolik Lovers
Diabolik Lovers (Imagem Divulgação)

Goticalizando

Primeiramente: o estilo visual. Se o foco é a estética, penso que seja importante, naturalmente, que o estilo visual seja muito bonito, e isso Dialovers tem de sobra. Eu pessoalmente gosto do character design, mas o forte mesmo é o estilo da pintura dos personagens. Os cenários do anime, confesso, também me inspiram bastante, e eu gosto dos gradientes nos cabelos e das cores em geral.

O fato é que tudo tem um aspecto bem… trevas clássico? Sóbrio? Algo de diferente do que normalmente vemos nos animes de material fetichista voltado pra garotas, como yaoi e shoujo de harém, em que tudo tem que ser extremamente rosa e purpurinado. Podem notar, isso acontece em 90% dos casos.

Quando não acontece, é tipo Togainu no Chi ou Ai no Kusabi [comentários], que eu tenho a impressão de que só eu no planeta Terra gosto, então claramente eu tenho um viés por essa estética e isso é algo que consigo apreciar bastante em Dialovers.

Eu posso não entender a história (que história?) nunca, mas assistir não é torturante porque o visual é bonito. A animação do estúdio Zexcs (Chu Bra, Shounen Hollywood [resenha], Suki-tte ii na yo. [resenha]) não é a melhor, mas é consistente e aceitável, então também não chega a agredir.

Depois, a parte sonora. Eu diria que as músicas de Dialovers são boas. Não apenas as músicas de abertura e encerramento – eu pessoalmente acho a abertura da primeira temporada bem grudenta, e o encerramento da segunda definitivamente merecia um anime melhor – mas também as músicas da trilha sonora, em geral, são agradáveis. A escolha dos dubladores também é boa, mas eu imagino que sejam os mesmos do jogo e, nesse caso, normal escolherem dubladores proficientes nesse tipo de série. Então, diria que é boa-mediana, e que também não é o problema aqui.

O problema é que Dialovers é porcaria fetichista, pura e simples, o que pode ser algo bom ou ruim dependendo da sua perspectiva.

O anime também parece ser em grande parte apenas divulgação para o jogo – até pelo seu formato curto e etc. – então se você não gosta da execução mas gosta da ideia, não significa que você automaticamente não gostaria do jogo.

Você provavelmente até gostaria. Mas é aquilo: se o objetivo é propaganda, não espere nada muito além de um comercial. No mais, a que vos escreve esta resenha provavelmente está velha demais pra esse tipo de série, então realmente não curto.

Quem curte está com mais sorte do que eu, pelo que parece, porque a série anda bem popular. Então: seja feliz!

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