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“Flauta de Bambu”: novo romance infantojuvenil cruza cultura japonesa e amazônica em história de identidade e pertencimento

Publicado pela Editora Rocco, o livro de Giu Yukari Murakami usa a pororoca como símbolo do encontro entre duas ancestralidades

A Editora Rocco lança Flauta de Bambu, novo romance infantojuvenil de fantasia da escritora paraense Giu Yukari Murakami. Com 328 páginas, o livro acompanha Aiko, uma menina de 13 anos que vive em Belém do Pará e precisa encontrar a amiga perdida de sua avó japonesa — uma missão que a leva a descobrir suas próprias raízes e seu lugar no mundo.

A história: entre Belém e o Japão, uma busca pela amiga perdida

Aiko é uma adolescente comum: enfrenta bullying na escola ao lado do amigo Nilo e convive com as brigas constantes dos pais. Tudo muda quando sua avó Masumi, exímia contadora de histórias, pede que ela encontre Kimiko — uma amiga perdida décadas atrás durante a travessia de navio do Japão para o Brasil, em meio aos horrores da guerra.

Já idosa e com a saúde fragilizada, Masumi volta a sentir a presença da amiga por meio da música de uma flauta de bambu, instrumento que ambas tocavam quando crianças. Movida pelo amor à avó, Aiko aceita a missão e embarca em uma jornada que mistura tradições japonesas, cultura amazônica, criaturas sobrenaturais e a magia do Akai Ito — o fio vermelho do destino que, na tradição japonesa, conecta pessoas destinadas a se encontrar.

O símbolo da pororoca e o “encontro das águas”

A pororoca — o encontro entre o rio amazônico e o mar — é a imagem central que estrutura o livro. A própria autora explica que a estética da obra é baseada nesse fenômeno, representando o cruzamento entre a ancestralidade japonesa dos personagens e a vida nortista que os cerca.

O livro traz referências a youkais, espíritos e criaturas sobrenaturais da tradição japonesa, ao lado de criaturas da mitologia amazônica, criando uma dualidade cultural que percorre toda a narrativa.

Representatividade amarela na ficção infantojuvenil brasileira

Para Giu Yukari Murakami, escrever sobre uma protagonista nipo-brasileira é tanto uma escolha criativa quanto uma necessidade. “Trabalhar esses temas não é apenas uma vontade, mas uma necessidade de trazer maior representatividade amarela para obras de ficção”, afirma a autora. “Somos brasileiros e protagonistas de histórias incríveis como outras pessoas.”

Paraense de 29 anos com ascendência japonesa, Giu transferiu para Aiko sentimentos vividos na própria pele: a dupla identidade, a autocobrança, o calor de Belém, a vontade de comer karê em dias quentes e a sensação de não se encaixar. “Eu adoraria ter lido uma história como essa quando tinha 13 anos”, diz.

Fantasia como espaço de pertencimento

A fantasia, gênero central do livro, é descrito pela autora como um espaço de refúgio e liberdade criativa. Fã de sagas como Percy Jackson e Desventuras em Série, e de animações como filmes do Studio Ghibli e Little Witch Academy, Giu canalizou essas referências para criar um livro ambientado na Amazônia com elementos sobrenaturais das duas culturas que formam sua protagonista.

A mensagem central de Flauta de Bambu é a de que o pertencimento pode ser construído, não apenas herdado. “Não importa se esse lugar já veio definido, você é capaz de construir um para si também”, resume a autora.

Sobre a autora

Giu Yukari Murakami publicou seu primeiro livro em 2017 e desde então colabora com revistas literárias e coletâneas no Brasil, nos Estados Unidos e no Japão. É vencedora do Prêmio Fox-Empíreo de Literatura e semifinalista do Prêmio LOBA Festival 2025.

Adquira “Flauta de Bambu” no site da editora.

Redação
Redaçãohttps://sucodemanga.com.br/
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