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A Ordem de Diablo III | Um livro que vale mais pela lore do que pela narrativa

Demorou mais de dez anos para eu finalmente sentar e ler A Ordem. Sempre tive curiosidade, especialmente por saber que o livro se passa dez anos após os eventos de Diablo II, da destruição da Pedra do Mundo, e funciona como ponte direta para o terceiro jogo da franquia. A curiosidade venceu. O resultado foi… misto.

O que o livro entrega

O foco da história é Deckard Cain em sua busca pelos últimos remanescentes da Ordem Horádrica, enquanto tenta decifrar uma profecia que aponta para o fim dos tempos. É, na essência, uma jornada do herói, mostrando a evolução de Cain desde um jovem rebelde e descrente até o último dos Horadrim. Para quem só conhece o velho sábio dos jogos, isso é bastante satisfatório.

O livro também explica como Cain e Leah se encontraram e por que ele se torna seu guardião. Sempre tive curiosidade sobre a infância dela, e o livro entrega: Leah cresceu sendo pária em Caldeum, sofrendo bullying por ser vista como forasteira de uma cidade amaldiçoada: Tristram. A xenofobia do lugar dá contexto para quem vai jogar o terceiro jogo e entende a personagem de forma bem diferente depois.

Quando Gillian enlouquece, vítima dos efeitos dos Males Supremos, Leah ficaria sozinha e órfã. Cain vira seu tio e os dois partem juntos para uma aventura que passa por Caldeum, regiões de Kurast e chega até Gea Kul, lugar que conhecemos melhor em Diablo IV.

O problema com o pacing

Aqui mora a grande dificuldade do livro. O ritmo é lento, as descrições se alongam além do necessário e os flashbacks interrompem o fluxo da narrativa em momentos ruins. A insistência de Cain em reclamar da própria velhice e limitações físicas, que no começo tem charme, começa a cansar com o tempo.

Até a metade do livro, grande parte das informações já é conhecida por quem jogou Diablo III, o que esvaziava a surpresa para quem lê agora. A obra claramente foi pensada para ser lida antes do jogo, e esse contexto faz diferença.

Para quem vale a leitura

Nos últimos capítulos, o livro se recupera. Há revelações importantes e algumas que só encontramos em Diablo IV e, mais especificamente, na expansão Lord of Hatred. É exatamente aí que A Ordem justifica sua existência.

Standalone, ele não funciona bem. A narrativa não se sustenta sozinha, e os personagens às vezes parecem apresentados de forma apressada, dificultando a conexão emocional. Mas como peça de lore, é um aprofundamento no universo de Santuário para quem já é fã e ele cumpre o papel com competência.

Se você nunca jogou a franquia, talvez consiga acompanhar a história, mas vai perder boa parte do que torna o livro especial. Se você é veterano e quer detalhes íntimos da mitologia, vai encontrar aqui exatamente o que procura.

a ordem diablo livro capa
Capa Divulgação

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SINOPSE

"Diablo III: A Ordem", de Nate Kenyon, é um romance prelúdio que segue Deckard Cain em uma missão desesperada antes dos eventos de Diablo III. Enquanto o mal cresce, Cain busca outros integrantes da lendária ordem dos Horadrim, acompanhado pela pequena Leah, forjando alianças para impedir uma invasão demoníaca.
BELLAN
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O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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"Diablo III: A Ordem", de Nate Kenyon, é um romance prelúdio que segue Deckard Cain em uma missão desesperada antes dos eventos de Diablo III. Enquanto o mal cresce, Cain busca outros integrantes da lendária ordem dos Horadrim, acompanhado pela pequena Leah, forjando alianças para impedir uma invasão demoníaca.A Ordem de Diablo III | Um livro que vale mais pela lore do que pela narrativa