Would you like to be a family? | Review

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Would you like to be a family?, ou Kazoku ni Nattemimasen ka? no japonês, é um mangá de volume único publicado pela Tokyopop. Possui três histórias curtas, que abordam temas semelhantes. 

O mangá foi escrito e ilustrado por Koyama, e é o único da carreira do autor até o momento. Seu lançamento original foi em janeiro de 2017 e saiu em setembro de 2021 pela Tokyopop. Já está disponível tanto a versão física, quanto a digital. 

Histórias curtas, romances fofos e representatividade LGBTQIA+

Como foi dito antes, é uma pequena coletânea com três histórias. A primeira é a principal, pois, além de dar o nome ao mangá, também recebe um capítulo bônus ao final, para dar uma conclusão. 

Por serem histórias bastante curtas, é natural que o desenvolvimento seja mais rápido do que o normal. Então, alguns conflitos são resolvidos sem muita demora, para a história se desenrolar. Considerando o formato, é até ideal que seja assim para mostrar uma conclusão melhor trabalhada e não corrida. 

Não são histórias que vão aprofundar muito sobre a questão de ser homossexual, como preconceito, questões com a família, amigos. É para ser bem mais leve nesse quesito, o que é ótimo, pois é como uma história de romance como vemos em shoujos. 

Há outras obras que vão trabalhar isso mais a fundo, mas aqui não é o caso, ainda mais por ser ter apenas um volume. 

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A primeira história recebe o título de “Would you like to be a family”, a segunda de “Kuma’s feeling” e a última “The first love psychology”. Todas abordam a relação entre dois jovens/adultos da descoberta até ficarem juntos. Vamos falar melhor sobre cada uma a seguir. 

Would you like to be a family?
Foto: Suco de Mangá

Would you like to be a family? 

Em Would you like to be a family?, conhecemos Takemura. Por conta do bullying que sofreu na infância por ser gay, ele agora prefere ficar sozinho, sem se expor muito. Mas um dia encontra Natsui, seu colega de trabalho, e seu filho pequeno. 

Natsui o convida para jantar e ele acaba aceitando por educação. Depois disso, os dois vão se conhecendo e se aproximando, conforme o tempo passa. Ambos tentando entender os sentimentos que sentem pelo outro.

Uma história de aquecer o coração

O interessante nessa história é que temos três visões diferentes, apesar de focar em Takemura. Mas, pelas conversas, é possível entender aos poucos o que os outros personagens sentem. 

Takemura tem receio de se aproximar muito de Natsui por conta de seu passado, mas, ao mesmo tempo, podemos vê-lo realmente gostando de ter alguém por perto. Aos poucos a barreira que ele colocou entre as pessoas vai caindo. É um personagem bastante fofo à sua maneira e fácil de se identificar. 

Já Natsui, mesmo sendo bem mais sociável, ainda sente que falta algo em sua vida. Tem sido pai solteiro de uma criança por muito tempo, sem ter um adulto para realmente conversar sobre assuntos da vida, desabafar. Então, também tem esse lado solitário. É aquele personagem que te abraça, te apoia e vai estar do seu lado para o que precisar. 

Mori, que é o filho de Natsui, é uma criança bastante apegada ao pai, ciumenta e até possessiva em alguns momentos. Ele também só tem Natsui em sua vida, então ele é tudo para Mori. Talvez este personagem seja o que tenha melhor evolução na história, tanto por seu background, quanto pelas suas ações ao longo do mangá. Quando conhecemos melhor sobre Mori e sua história, conseguimos entender porque ele age dessa maneira. 

A relação dos três é bem legal de ver, principalmente a do Take com Mori. Ambos ficam brigando por Natsui e são as cenas mais engraçadas. Os três são totalmente diferentes um do outro, apesar de quererem a mesma coisa: uma família feliz e unida. É impossível não se apegar aos personagens logo de cara, todos são muito cativantes. 

Gostinho de “quero mais”

Essa história, por ter mais destaque, acaba sendo a melhor do mangá, com melhor desenvolvimento de personagem e trama. Daria para ler uma série inteira sobre os três, de tão divertidos que são. 

E, ao final do volume, temos um capítulo bônus contando o que acontece depois que acaba a história no início. Mesmo não sendo necessário, pois dá para subentender o que iria acontecer, fecha bem tanto essa história quanto o mangá em si. Foi uma ótima adição para a obra e deixa aquele quentinho no coração.  

Kuma’s feeling

Em Kuma’s feeling, conhecemos nosso protagonista Sakuma, um garoto que vive carrancudo, assustando as pessoas que não o conhecem. Às vezes é confundido com delinquentes, principalmente por estudar em uma escola que tem má reputação por isso.

Um dia, seu amigo Usami o convida para ir jogar Smoosh Bros, jogo do seu irmão mais velho. Quando chegam à casa, presenciam o namorado do irmão de Usami, o Yagi, sair chorando. Então descobrem que tinham terminado naquele momento. 

Sem explicação nenhuma, Kuma — apelido de Sakuma —, fica intrigado por aquele garoto que saiu chorando. Quem nunca viu alguém na rua e teve aquele interesse instantâneo e inexplicável, não é? 

Após encontrar Yagi no mercado, começa a tentar se aproximar dele de todas as formas possíveis, mesmo que de início o garoto tente manter distância. O que é compreensível, afinal Kuma é um completo desconhecido para ele. 

Relação conturbada e cheia de descobertas

A história aborda bastante a descoberta de Kuma sobre sua sexualidade. Ao que parece, até então ele não tinha questionado isso. Depois de conhecer Yagi, sentimentos estranhos começam a aflorar e ele fica curioso sobre isso, tentando entender.

Isso o torna bastante incisivo e insistente, assustando Yagi em alguns momentos. Mas, aos poucos, Yagi vai se acostumando com Kuma, criando um laço com ele também. Ao conhecermos melhor esse personagem, também vamos criando simpatia por ele. 

Ambos são meio desajeitados com essa relação, sem saber direito como agir. Mas, mesmo sendo uma história curta, conseguimos acompanhar um desenvolvimento bem feito entre os dois personagens e individualmente também. 

Os personagens têm idades diferentes e é possível perceber por suas atitudes. Kuma tem vários momentos em que age como uma criança que não ganhou o que queria. Mas Yagi, mesmo sendo mais velho, não é tão maduro assim. 

Essa abordagem é ótima para mostrar que todos nós temos nossas inseguranças, dúvidas, e até ficamos sem saber o que fazer em certos momentos, independentemente da nossa idade. 

O final da história é bastante aberto, deixando para algumas possíveis interpretações, e acaba de forma meio brusca. Talvez se tivesse trabalhado um pouco melhor a finalização, a história teria sido um pouco melhor. 

The first love psychology 

A última história, The first love psychology, apresenta Kodama, um estudante de psicologia. Um dia, acaba passando mal na estação e é surpreendido por Harada, um jovem de idade semelhante, perguntando se ele estava bem. 

No dia seguinte, Kodama descobre que Harada estuda na mesma Universidade que ele. Após conversarem um pouco, o protagonista descobre que Harada já tinha o visto antes e que queria ser seu amigo. 

Harada acaba dizendo que gosta de Kodama, o que o faz questionar até que ponto uma relação entre homens é só amizade ou é algo a mais. Conforme vai se apegando à Harada, Kodama também se vê em um dilema se seu amigo o trata bem assim como as outras pessoas ou se ele realmente é especial para Harada.

Reflexão sobre relacionamentos 

Novamente é uma história de descobertas, sentimentos, reflexões sobre a vida e relacionamentos. O que faz ser fácil de se identificar, principalmente para pessoas que também estão nessa fase da faculdade. É uma situação totalmente diferente do que já viveu antes, com pessoas de lugares diferentes, com outras vivências, etc. 

Mesmo que Harada e Kodama tenham personalidades bem distintas, se complementam e se dão muito bem. É uma relação gostosa de acompanhar, que tem tudo para ser leve e simples no bom sentido. Obviamente há um conflito entre eles, mas é rapidamente resolvido, não se prolongando desnecessariamente. 

De todas, essa é a história com menor desenvolvimento e talvez a mais rápida. Como se, ao longo do mangá, as tramas fossem ficando mais simples. Não que seja ruim, ainda mais pelo seu tamanho, mas as outras, mesmo curtas, tiveram desenvolvimento melhor de personagem e história. 

Concluindo…

Seria interessante se, no capítulo bônus, as três histórias se interligassem de alguma forma. Mesmo que seja apenas os casais se trombando na rua, no mercado. Não que seja realmente necessário, mas seria legal ver como andam os outros casais — isso se ficaram juntos mesmo — e não só o primeiro casal. 

Falando sobre eles, os personagens são muito interessantes, bem trabalhados e fáceis de se apegar, principalmente na primeira trama. Além disso, as histórias focam bastante na descoberta, na experimentação, na reflexão dos sentimentos, e podem ajudar muitas pessoas que estão nessa fase ou situação também. 

Vale a pena ler Would you like to be a family?

Se você gosta de boys love, slice of life, histórias curtas, então vai gostar dessa obra. Mostra relacionamentos de pessoas de diferentes idades, situações e propostas, o que é bem divertido de acompanhar. Até nos faz lembrar de como eram nossas relações amorosas e descobertas quando tínhamos as idades dos personagens. 

Então, no fim, vale a pena ler Would you like to be a family. É um mangá curto, rápido de ler, leve e muito divertido. Vai acabar se apaixonando por esses personagens fofos, e talvez até se identificar com eles. 

Would you like to be a family?
Imagem Divulgação

ACESSE NO SITE DA TOKYOPOP

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