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Vidas ao Vento, ou Kaze Tachinu, é um filme do Studio Ghibli lançado em 2013. É um filme com tema histórico, de drama e romance, dirigido pelo grande Hayao Miyazaki. Ele tem, no total, 2 horas e 6 minutos. O filme é conhecido como “The Wind Rises” em inglês.

Miyazaki também escreveu e desenhou um mangá de volume único, de 9 capítulos, sobre essa mesma história, que foi publicado em 2009. O nome ficou “Kaze Tachinu: Miyazaki Hayao no Mousou Comeback”, ou em inglês “The Wind Rises, The Wind Has Risen”. A serialização ficou por conta da Model Graphix, que já havia publicado outros mangás do diretor.

Inspiradas em uma história real

Ambas as adaptações foram inspiradas na história real de Horikoshi Jirou, um engenheiro aeronáutico japonês. Ele foi projetista-chefe da equipe que criou caças para auxiliar o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho mais conhecido foi o avião “Mitsubishi A6M Zero” que, inclusive, esteve à frente no ataque à Pearl Harbor, nos Estados Unidos.

De acordo com o próprio Miyazaki, esse filme era para ser o último que dirigiria, porém já foi anunciado um filme em que ele tomará as rédeas da direção. Mas ainda não se sabe muito sobre ele, nem a data de estreia.

Vidas ao Vento então segue o crescimento de Horikoshi Jirou, mostrando sua paixão por aviões desde criança. Ao crescer, decidiu estudar para se tornar engenheiro aeronáutico.

A maior inspiração de Jirou era o designer aeronáutico italiano Giovanni Caproni. Durante o longa, os dois se encontram várias vezes nos sonhos de Jirou. É a parte mais “fantasiosa do filme”, já que as Leis da Física, por exemplo, não se aplicam nos sonhos.

Em uma de suas viagens de trem quando era mais novo, Jirou passa por um dos piores terremotos de Kanto da época. Nessa confusão, ele conhece Satomi Naoko, ao ajudá-la com a sua empregada, que havia se machucado. Ele salva as duas da confusão ao levá-las até a família de Naoko.

Quando adulto, Jirou entra para uma empresa de engenharia, onde começa a fazer vários projetos que seriam utilizados na guerra. O filme nos mostra que ele não era pró-guerra, e só queria criar belos aviões, sua maior paixão. Isso sempre ao lado de seu amigo de trabalho, o Honjou Kirou. Ele era tão bom no que fazia, que se tornou um dos engenheiros mais famosos do país, ao trazer grandes inovações para a aviação.

Anos depois do terremoto, Jirou reencontra Naoko e logo eles se apaixonam. A segunda parte do filme mostra, além do trabalho de Jirou, o romance dos dois. O relacionamento é uma das partes mais lindas do filme, emocionando em vários momentos.

O menos fantasioso da carreira de Miyazaki

Esse é o filme menos fantasioso da carreira de Miyazaki, já que foi baseado em uma história real. Por mais que nem tudo retratado tenha realmente acontecido, o filme traz muito esse realismo, podendo até ser estranho para aqueles que estão acostumados à fantasia.

Apesar do tema envolver uma catástrofe, que foi a Segunda Guerra, ele é muito lindo, pois o foco é muito maior no amor que Jirou tinha pelos aviões e no romance dele com Naoko. Mas há vários momentos tensos e tristes no longa, afinal, o período da história e a realidade têm um peso muito grande.

Os personagens são bem construídos ao longo do filme, e há um bom destaque para todos, inclusive os coadjuvantes. É impossível não se apegar até mesmo àqueles que pouco aparecem. Além do protagonista, que é muito carismático, podemos citar outros que roubaram a cena várias vezes, como a própria Naoko, o colega Honjou, o superior Kurokawa e até o Caproni, que aparece apenas nos sonhos de Jirou.

Vale citar que, quem dá a voz ao protagonista é o grande diretor Hideaki Anno, conhecido por ser o cabeça das animações de Evangelion, trabalhando tanto com a direção, quanto com animação e roteiro.

Quanto a trilha sonora, contamos novamente com o trabalho de Hisaishi Joe, já conhecido entre os fãs de Ghibli. A trilha é impecável, como era de se esperar, dando o tom certo ao longa. Ao final do filme toca a linda música “Hikouki Gumo” de Matsutoya Yumi, que fecha bem a obra.

O único defeito do filme é não indicar bem a cronologia. Eu não reparei durante o filme letreiros indicando o ano ou o local em que os personagens estão, mas pode ter tido e eu que não vi. Deduzi em alguns momentos o período por conta da fisiologia do personagem principal, mas realmente senti falta de uma indicação. Eu me senti perdida em alguns momentos em relação a isso.

A importância do filme na indústria da animação

O filme concorreu ao Oscar em 2014 como “Melhor longa de animação”, porém perdeu o prêmio para Frozen. Obviamente não foi bem visto fora do Japão, já que trabalhava o criador do avião que bombardeou Pearl Harbor como um grande homem. Mas isso não tira o mérito do filme de ser indicado, sendo uma grande conquista por si só.

Esse é um dos melhores trabalhos tanto de Miyazaki quanto do Studio Ghibli, apesar de não ser um dos meus favoritos. Mas é notável a importância dele, principalmente para o Japão. O país utilizou muitas das descobertas de Jirou para outros projetos, como o próprio trem-bala.

Indico muito Vidas ao Vento para quem ainda não assistiu. É o mais recente de Miyazaki, então é ótimo para comparar como era o trabalho dele antes e agora. Fora a animação e o roteiro que são excepcionais. O filme mostrar um outro lado da história, que não é muito falado (o período pré-Pearl Harbor e as bombas atômicas), então, para quem gosta de história, pode ser um bom ponto de partida.

O filme estreou na Netflix no dia 1 de abril, junto com outras obras do estúdio, terminando as estreias da lista de filmes do Ghibli no streaming.

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REVIEW
Vidas ao Vento
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Nana
Graduada em Publicidade, com especialização em Produção de Conteúdo. Sou escritora, mas não termino nenhuma história. Adoro videogames, mas sou ruim em todos. Devo ter mais horas assistindo anime do que dormindo. Viciada em música, principalmente daquelas bandas que ninguém conhece. A esquisitona do rolê.