vhs cesar bravo darkside

Em novembro de 2019 eu tive o prazer de ser convidada, em nome do Suco de Mangá, para estar no lançamento de VHS (Verdadeiras Histórias de Sangue) do autor César Bravo pela Darkside.

Naquela noite, onde o mundo acabava em mais uma “chuvinha” no centro de São Paulo, em uma locadora (elas ainda existem!) fui agraciada com um exemplar do título, além de brindes incríveis e toda a simpatia do autor e da equipe, que me prometeram histórias de arrepiar os cabelos. Exatos cinco meses após o lançamento, eu escrevo essa Review.

Antes de tudo eu gostaria de me desculpar pela demora, com pilhas de quadrinhos na frente, acabei deixando os livros para depois. Porém, com a quarentena a toda – em plena pandemia – finalmente voltei aos tesouros que eu havia ganhado e estavam esperando ser apreciados, e comecei logo com VHS, que desde o início havia me encantado pelo primor da edição.

Entre lendas urbanas e fitas cassetes

VHS, ou Verdadeiras Histórias de Sangue, é uma brincadeira que remete algumas das (não tão) lendas urbanas da década de 90, quando a pirataria começou a crescer entre as fitas cassetes, e o advento de poder realizar as suas próprias gravações, gerou várias histórias de como filmes snuffs acabavam “sem querer” em videolocadoras após serem devolvidos por engano.

Se você já tem lá seus quase 30 anos, já deve saber dessa história: O cara da locadora recebe uma devolução e acaba não chegando o seu conteúdo. De volta as prateleiras, algum usuário acaba pegando o filme, e quando chega em casa para ver, presencia uma fita caseira de atrocidades, assassinatos, crimes hediondos, e as coisas mais bizarras possíveis.

VHS tem como premissa inicial algo semelhante. Os donos da Firestar videolocadora começam um negócio de venda de filmes caseiros, populares entre malucos e pessoas solitárias. A fim de arranjarem mais material, eles promovem uma promoção na loja: doe seus filmes caseiros e ganhe descontos nos próximos empréstimos! O que eles não esperavam é que, algum desconhecido, doa-se 17 vídeos horripilantes com histórias sombrias, sinistras, misteriosas e sobrenaturais.

Em ritmo de antologia

O livro, em formato de antologia, se passa no município fictício de Três Rios no interior de São Paulo, assim como das cidadezinhas ao seu redor, que acabaram se tornando um anexo do cenário macabro. Como o próprio nome já diz, a cidade é cortada por três diferentes rios, dando ao local um formato curioso de tridente, o mesmo podendo ser do próprio coisa ruim, que já foi visto uma ou duas vezes pelas redondezas.

O grande problema das antologias, é que em geral sempre há altos e baixos, e muitas vezes as histórias não se conversam. Apesar de aqui eu também possuir minhas preferidas, César Bravo fez um trabalho de maestro, criando todo um fundo para os contos, costurando cada um deles de uma maneira que – lendo um mais a frente – nós conseguimos compreender melhor o anterior.

Trabalho Primoroso

A darkside, editora que já vem há um tempo dando um show com suas edições, também não fica para trás. Eu, como bibliotecária (e colecionadora), sou bem chata quando o negócio é edição (ossos do ofício), e o coração sempre fica quentinho quando pega um tesouro desses. Não só pelo cuidado técnico, que vai ser muito importante na preservação e conservação do exemplar ao longo dos anos, mas do cuidado em adicionar itens, ilustrações, e pequenos elementos que auxiliam o leitor a submergir na trama.

Aliás, falando em ilustrações, não podemos deixar de citar o talentosíssimo Micah Ulrich, responsável pelas imagens capitulares que dão um show a parte!

Eu gostaria de agradecer especialmente a editora por acreditar nos autores brasileiros de horror, pois o gênero é constantemente marginalizado, ainda mais quando vindo de autoria nacional, e todos esses preconceitos têm sido quebrados com o olhar atento da editora a nossas joias nacionais da literatura, como é o caso de Bravo.

vhs cesar bravo darkside

Para adquirir o título, e de quebra um marcado exclusivo, você pode realizar a compra diretamente pelo site da caveira, AQUI.