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O Palma de Ouro foi para o filme Parasita, não foi dessa vez que o Brasil levou, mas o filme sul-coreano é merecedor, pois esse prêmio foi um dos mais disputados, além de Bacurau e Parasita, a França se fez presente na premiação como sempre, Os Miseráveis explora a periferia, a classe baixa envolvendo policiais corruptos, civis se rebelando e líderes de comunidade em conflito, uma bela trama que rendeu duas indicações para o Oscar 2020, um possível azarão nas premiações que entrega uma maravilhosa obra já explorada em muitos outros países.

Ladj Li, conhecido como o Spike Lee francês, aposta em uma versão atual do livro Os Miseráveis de Victor Hugo, mas adaptado de uma forma bem mais realista, a visão do diretor conseguiu trabalhar uma trama bem nível policial, beirando um Cidade de Deus com toques de Tropa de Elite, em tom cult que europeu que sabe fazer bem, ou que não consegue desvincular de tal perfil. Uma história que consegue trabalhar todos os elementos do gênero policial, consegue te divertir e arrancar suspiros de um bom roteiro, porém não é nada inovador, logo seu marco é estampar a periferia e desmentir o quão glamuroso é a França.

Tentar impressionar o mundo com o perigo que é a periferia da França é uma missão fracassada para nós brasileiros, pois o maior exemplo é o quanto o Rio de Janeiro é idolatrado como cidade maravilhosa, é lógico que as praias e toda beleza do estado carioca é de causar inveja a muitos outros lugares do mundo e atrai muitos turistas de fora do país, porque os turistas daqui de dentro passam longe do quanto perigoso e sem controle se tornou o estado do Rio,a muito tempo é o principal foco de muitos filmes e séries nacionais devido sua violência e terra sem lei que se tornou, ou seja, Os Miseráveis é um filme fantástico, mas não consegue superar as produções brasileiras no quesito de estampar a realidade de um lugar glamourizado, ou pode até chamar de cópia, mas seria um rótulo injusto, pois não foi a primeira e nem será a última vez que essa realidade será estampada nas grandes telas.

A Academia e boa parte da crítica defende esse tipo de cenário, e aliás vale a pena ser explorado, a tempos que o cinema de cada lugar explora a classe baixa de seu respectivo país, como já dito, é o caso do Cidade de Deus, contudo por se tratar de várias culturas diferentes, pode-se esperar qualquer coisa do filme, seja ela boa ou ruim. Em Os Miseráveis os moradores caem para barbárie após tanto abuso de poder dos policiais, tanto que sobra até para o líder da comunidade, mas por outro lado o policial novato tem um ataque de impulsão e iniciativa que ele não têm no início do filme, mas porque o próprio também não aguenta esse tipo de abuso de poder, em paralelo, o abuso de poder dos policiais é justificável, por mais errado que seja, ele têm um motivo, cada detalhe é bem amarrado e explicado, sem parecer algo muito mastigado e longe de apresentar grandes furos de roteiro, mesmo esses sendo notado, não atrapalha a experiência que esse filme nos trás para quem estiver assistindo.

É mais um filme como muitos outros sobre periferia e seus vários conflitos bairristas, não é ruim, mas não impacta, principalmente para os brasileiros, que estão acostumados a problemas maiores que são sempre explorados em filmes nacionais, ainda sim, não apaga o brilhantismo e a bela narrativa de Os Miseráveis, que pode ser uma grande obra de Ladj Li, mas passará desapercebido nas premiações.

REVIEW
Os Miseráveis
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.