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Já publicamos o Primeiro Gole de Manga of the Dead com nossas primeiras impressões, porém, o foco agora é um pouquinho diferente.

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Vamos conhecer melhor, as oito histórias que acompanham a antologia lançada pela Editora JBC.

Dissecando Manga of the Dead

And I Love Her / E eu a amo – Katsuya Terada

Zumbis e família são duas coisas que não se misturam. Como agir quando seus entes queridos estão em perigo? E o principal, como agir quando ELES são o perigo?!!

A antologia até que começa bem. Por aqui, temos uma jovem que mora com seus pais e com sua vovó zumbi. A coitada da senhorinha vive trancafiada no porão e a família espera –  de alguma forma – que ela volte ao normal um dia. O one-shot abusa de um cotidiano surreal, onde a problemática da condição zumbi é comparada a uma doença, algo como o câncer.

Katsuya Terada (Neo Devilman) dá uma abordagem bacana num roteiro certeiro. Em poucas páginas é possível notar a evolução da personagem e o seu jeito de lidar com um mundo pré-apocalíptico. O quanto você deixaria um ente querido viver como zumbi num cômodo de sua casa? E algemado? Você daria o que para ele comer?

Dead and Fail to Die / Morto que falhou em morrer – Kino Hitoshi

Para todos os lados que se olha, a morte parece a barreira final. Mas e se ela for somente mais uma etapa?! E se, a partir da morte, a verdadeira batalha comece? Dois irmãos perderam tudo, mas ganharam a oportunidade de combater os mortos-vivos que assolam o mundo.

Aqui, conta a vida de um garoto que supostamente, perdeu a irmã num ataque de zumbis. Inexplicavelmente ela acaba pausando os efeitos de “zumbificação” e se torna uma garota que não envelhece. Com isso, o casal de irmãos passa a trabalhar para a polícia, aniquilando as criaturas vis da cidade.

Kino Hitoshi começa muito bem nesta trama, que por sinal é bem emocional. Porém, na segunda metade o autor parece se perder um pouco na roteirização de ação. Nada que possa sacrificar sua leitura, mas o potencial fica um pouquinho morno do meio para o fim.

Shitai to Kurasu na Kodomotachi / Crianças! Não vivam com cadáveres! – Sachiko Uguisu

O papel dos pais é educar os filhos e protegê-los do mal. Por outro lado, quando os próprios pais sucumbem ao vírus dos mortos-vivos cabe a um casal de pequenos irmãos enfrentar um mundo repleto de sombras e escuridão.

Na história, conta como um casal de crianças – irmãos – vivem com seus pais transformados em zumbis e dentro da própria casa. O interessante é mostrar como duas crianças tentam se virar sozinhas, sacrificando até mesmo aquilo que mais gostam

Esta é a história com carga emocional mais pesada da antologia e não me lembro de ler ou ver algo do gênero, no que diz a respeito de crianças num apocalipse zumbi. Sachiko Uguisu constrói uma historia fechadinha – com potencial de continuidade – e sua arte impressiona quando trabalha no “gore” e na carnificina.

Zombie / Zumbi – Toranosuke Shimada

Uma reunião de formandos sempre é repleta de notícias e fofocas sobre os ex-colegas. Alguns casaram, tiveram filhos, trocaram de emprego. Outros, por outro lado, não tiveram tanta sorte. O destino de alguns sempre pode ser um tanto mais, macabro.

Esta é uma trama de mistério onde envolve o personagem central num reencontro com seus parceiros de escola. Segredos serão revelados ou não? Vai depender de sua compreensão e atenção para descobrir!

Das oito obras, esta é a que aborda uma maneira de contar mais diferente, trabalhando mais com quadros do que com falas. A temática sobre o destino de uma pessoa e sobre ter sorte ou não em certas situações, são abordados.

Shiryou no Mori / O campo das almas mortas – Masaya Hokazono

Aceitar que aqueles que amamos se foram para sempre é, muitas vezes, doloroso. Alguns preferem procurar meios alternativos de lidar com a perda e, ainda, existem aqueles que farão de tudo para rever seus entes queridos. Porém, aquilo que está morto, não pode voltar a vida. Ou será que pode?!

Este conto de Masaya Hokazono (Inugami) parte do princípio de que é possível manter/reviver uma pessoa se você enterrar um pertence ou pedaço da mesma, em um campo/cemitério mágico. Segundo a trama, é baseado numa antiga lenda e talvez o ponto focal aqui, é quanto ao egoísmo e de que a pessoa nós amamos não tem o direito de morrer. E nós, temos o direito de reviver alguém?

Shonen Zombie – Shinichi Hiromoto

O humor também é um velho amigo dos zumbis. Em meio a várias histórias de tensão e medo, por que não relaxar e aproveitar uma boa piada recheada de tiros, explosões e, claro, um pouco de sangue?

Este é para a galera que curte ecchis de ação, e no caso com um protagonista caçando zumbis por aí e desejando o corpo nu de sua líder! Com todos os clichês do gênero embutidos, o final pode ter uma surpresa bem bacana, mas na questão técnica e de roteiro, esta aqui fica um pouquinho a desejar – principalmente nas doses de humor.

Fight of the Living Dead / Luta dos Mortos-vivos – Tomohiro Koizumi

Vencer no MMA era o sonho de sua vida e um bom lutador não desiste de seus objetivos por nada! Acompanhe a hilária trajetória de um sonhador e o dia mais importante da sua (não) vida.

E se um lutador de MMA estivesse contaminado e virasse zumbi no meio de uma luta? É mais ou menos o que ocorre aqui, porém há mais pontos negativos que positivos. Sei que é difícil analisar o traço de um autor, mas Tomohiro Koizumi parece não segurar as pontas aqui não, principalmente na questão de anatomia e expressão facial. Esta é de longe, a história mais fraca do volume.

Yuki Youkai Ningen Organogel / Homem solvente orgânico: Organogel – Atsushi Fukao

Uma jovem caçadora de zumbis perdida em uma jornada sangrenta em busca de seu avô. Zumbis, mortes e momentos de tensão nesta história graficamente carregada e completamente surreal.

Esta aqui é a cereja de bolo de Manga of the Dead. A técnica de Atsushi Fukao é surpreendentemente sombria, lembrando um pouco de Yukito Kishiro (Battle Angel Alita) e a trama cumpre muito bem o seu papel. Outra referência que posso citar por aqui, é Blood: The Last Vampire!

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Público Alvo

A JBC fez um bom trabalho com este título, numa capa com laminação fosca e com orelhas que normalmente vemos em livros. Se entre as oito obras, puder indicar as três melhores, seriam: Homem solvente orgânico: Organogel, Crianças! Não vivam com cadáveres e o Campo das almas mortas, o que já valem todo o compilado de Manga of the Dead.

É bacana destacar o texto de Yoshizaku Ito, crítico de cinema, gerente da livraria Takoshe e autor de diversos livros relacionados, como Zombie Eiga Dajiten e Paul Naschy Yoropa Akushumi Eiga no Oga, onde passa um panorama histórico da criação do conceito zumbi junto aos monstros da Universal Studios no começo do século passado até o mais recente e estrondoso sucesso The Walking Dead.

Na questão da arte, as três ilustrações dos mangakásHiroaki Samura (Blade of the Immortal), Hiroe Rei (Black Lagoon),  Matsumoto Jiro (Freesia) e mais a capa de Tajima Shou (MPD Psycho), não tem muito o que falar, onde mandam muito bem e agregam um valor de ambientação para o volume.

Para a galera que curte colecionar coisas de zumbis e principalmente mangás e quadrinhos, tem que ter este volume na sua estante. Para quem procura um título de horror mais rebuscado e uma história mais pomposa, não dá pra recomendar Manga of the Dead, por questões óbvias: São oito one-shots!

manga of the dead
Manga of the Dead pela Editora JBC (Capa Divulgação)