reiwa nova era japão
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Com o nome de 令和 (reiwa), a nova era do Japão foi anunciada no dia 1º de abril, mas só começará dia 1º de maio com a abdicação do imperador Akihito, para ceder lugar ao seu filho mais novo, Naruhito.

A origem da palavra que descreve a nova era vem de um antigo poema da antologia Manyoushu:

于時、初春令月、氣淑風和、梅披鏡前之粉、蘭薫珮後之香。

Tradução:

Durante o mês da Beleza (Rei), o ar é mais promissor, os ventos são mais harmoniosa (Wa), as ameixeiras florescem como uma camada de beleza resplendorosa diante de um espelho e as orquídeas se vestem com seus perfumes.

Resumindo, Rei é a energia da boa sorte e beleza que provém do florescer das ameixeiras (flor sagrada que representa a harmonia) com o vento, enquanto Wa significa paz, tranquilidade e harmonia.

Além disso, a nova era também marca a primeira vez em que o nome provém da literatura clássica japonesa em vez da chinesa.

Mas como funciona a nomenclatura das eras?

Com raízes na China antiga, na Dinastia Han do Imperador Wu, durante os séculos II e I A.C., o Gengo (era imperial japonesa) foi criado como um símbolo importante do poder do imperador. Com o tempo, os países asiáticos que usavam os caracteres chineses acabaram incorporando esse costume.

O nome da primeira era do Japão, Taika, foi adotado em 645. Nos últimos anos, um nome diferente para cada era é usado de acordo com o a troca dos imperadores, mas antigamente os nomes mudavam com mais frequência, como logo após um desastre natural. Tanto que até mesmo um só imperador passou por oito eras diferentes.

A regra de ter um Gengo por imperador foi adotada no início da Era Meiji, em 1868. Mas logo após a Segunda Guerra Mundial, a legislação foi revisada e o Gengo perdeu seu poder legal, restando apenas o costume.

Já na década de 70, um movimento se formou para pressionar o governo a tornar o ato legal novamente. Durante uma votação na época, quase 80% das pessoas apoiaram a existência dos nomes das eras, o que levou à lei atual sobre o Gengo, o Ato de Nomeação de Eras, que foi adotado em 1979.

A legislação só tem duas cláusulas: que o nome deve ser decidido por uma ordem de gabinete e o nome deve ser mudado somente quando um novo imperador subir ao poder.