Cinco anos após o lançamento de God of War: Ascension a Santa Monica retorna a saga apresentando um Kratos envelhecido em um dinâmica muito conhecida. Uma pessoa mais velha e a figura de um jovem em contraste. Essa figura jovem, Atreus, renova a história e mostra que o estúdio soube se reinventar e apresentar um Kratos que já não é mais o mesmo.

A série sempre se moldou ao protagonista e na trilogia original o que o impulsionava era a vingança que alcançaria todo o Olimpo jogando o mundo em caos, mas nada importava ao personagem que havia perdido tudo.

Violência constante, sangue, velocidade frenética e raiva eram a marca da franquia, mas oito anos depois não faria mais sentido manter a mesma jogabilidade e, talvez, esse foi o maior acerto no game dirigido por Cory Barlog.

Um mortal longe da Grécia

No novo jogo, muito bem nomeado “God of War” sem o numero 4 na frente, Kratos vive como um mortal longe da Grécia e escondendo-se para não mostrar sua real identidade. O enredo não perde tempo e começa de uma maneira sutil, porém forte, onde aprende-se que não há mais proteção ao redor da casa de ambos.

O combate corpo-a-corpo, mais íntimo devido a câmera em terceira pessoa, mostra um Kratos longe do seu auge e com algo a perder. O combate da trilogia original mudou de um caos sangrento a algo mais visceral e um pouco estratégico. Jogando em dificuldades mais altas o player terá um grande desafio, porém mais satisfatório.

É possível alternar em uma gameplay mais agressiva com ataques curtos com o machado e desvios rápidos, necessitando de um timing mais preciso, ou mais segura atirando seu machado inutilizando um adversário por um breve período e fazendo rolamentos para desviar de ataques.

Enredo assume a posição central

O jogo também utiliza cutscenes rápidas e desapega de tantos combates em momentos desnecessários, colocando no lugar desses o enredo, alimentando a relação de pai e filho. Seja por fábulas contadas de uma forma um tanto quanto sem vida por Kratos ou broncas por Atreus ser indisciplinado.

Como em qualquer produção há pontos que tiram um pouco o player do jogo como uma mecânica de RPG que poderia não existir e side quests fracas que não agregam tanto a história, mas próximo dos pontos positivos que o jogo têm esses problemas, que pode ser uma questão pessoal de cada player, são pequenos e não atrapalham a diversão.

Um novo respiro

God of War é uma experiência refrescante com um combate brutal e movimentos satisfatórios entrelaçado a um enredo conhecido e que aqui funciona muito bem graças a um excelente trabalho dos roteiristas e uma trilha sonora ameaçadora comandada por Bear McCreary.

Um grande concorrente ao principal prêmio da noite no The Game Awards 2018.