Yngwie Malmsteen foi, sem dúvida, o artista mais deslocado do Monsters of Rock 2026. Gosto bastante e sei reconhecer o gênio que ele é, principalmente nos três primeiros discos. Mas o que vi às 13h45, com o sol no topo e a galera ainda tentando achar sombra e cerveja, foi uma apresentação que dividiu o público de forma bastante clara.
Para os entusiastas da guitarra, foi uma vitrine de virtuosismo absoluto. Para a maioria do festival, foi o momento de respirar fundo antes das atrações que viriam depois.
Uma técnica que não se discute
Ninguém sobe a um palco do porte do Monsters of Rock sem merecer estar lá. Malmsteen reafirmou por que é considerado um dos maiores guitarristas da história, com arpejos, vibratos e velocidade que captura bem o estilo neoclássico que ele ajudou a definir.
Clássicos como “Far Beyond the Sun” e “Black Star” foram executados ainda com precisão. A banda de apoio esteve à altura (e do lado do palco), com destaque para o tecladista Nick Marino, que entregou vocais e agudos necessários para as canções originalmente gravadas por nomes como Joe Lynn Turner e Jeff Scott Soto.
O show ainda teve os elementos teatrais de sempre: poses congeladas, arremesso de palhetas, troca constante de guitarras e o momento em que tocou com os dentes. Para quem conhece Malmsteen, é parte do pacote.
O problema: a plateia não estava lá para isso
E o problema do contexto? Malmsteen é o único nome de metal neoclássico em um festival majoritariamente voltado para o hard rock clássico e isso pesou. A plateia permaneceu em grande parte estática, sem absorver a “aula” de shredding que acontecia no palco.
A tentativa de conectar com o público via “Smoke on the Water” e outros clássicos do hard rock não foi suficiente para virar o jogo. O setlist também gerou críticas: muitas músicas tocadas apenas em trechos, sem conclusão, incluindo o próprio clássico de abertura “Rising Force”. Hits populares como “You Don’t Remember, I’ll Never Forget” ficaram de fora. Na verdade eu esperava algo como “I Am A Viking”, minha favorita do guitarrista.
Gênio fora do lugar certo
Fora da música, dois detalhes chamaram atenção. O primeiro: Malmsteen demonstrou irritação visível com a equipe técnica durante o show, gesticulando repetidas vezes pedindo mais volume na guitarra e no microfone. O segundo: a imponente parede de amplificadores Marshall que dominava o palco levantou comentários de que parte da estrutura seria apenas cenográfica, com o som real vindo de equipamentos posicionados embaixo do palco.
Yngwie Malmsteen não deu um show ruim. Deu o show que sempre dá, com a qualidade que sempre entrega, mas o público não estava preparado para isso.
YNGWIE MALMSTEEN – SETLIST MONSTERS OF ROCK 2026
- Rising Force
- Top Down, Foot Down
- No Rest For The Wicked
- Soldier
- Into Valhalla
- Baroque & Roll
- Relentless Fury
- Now Your Ships Are Burned
- Wolves At The Door
- Paganini’s 4th
- Adagio
- Far Beyond The Sun
- Bohemian Rhapsody [Queen]
- Fire And Ice
- Evil Eye
- Smoke On The Water [Deep Purple]
- Trilogy (Vengeance)
- Badinere
- Solo de guitarra
- Black Star
- I’ll See The Light Tonight
GALERIA YNGWIE MALMSTEEN
Foto por: Josué Sepre


