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Aos 45 minutos do segundo tempo de 2020, a Pixar lança seu mais novo título: Soul, provando que a nossa missão não é decidida pelos atos dos outros ou por protocolos sociais, mas pelo que nós sentimos e gostamos de fazer.

Uma mensagem linda e reflexiva dentro de um filme simples e divertido nos padrões Pixar de qualidade, contudo o maior conflito dos padrões são eles serem a mesma coisa de sempre, e um dia se tornar cômodo o suficiente até se tornar pouco atrativo para não dizer chato.

Os plots da Pixar devem estar no ápice de roteiros grandiosos de Hollywood, da maior grande obra até o filme mais bobinho, a Pixar é o grande soco no estômago de reflexão de vida com uma mistura de muitas lágrimas, essa receita não é uma fórmula secreta, mas só nas mãos certas se torna uma obra. Em Soul se mistura a alma de um adulto correndo atrás de um sonho, se mantendo na ideia de que tudo é bonito nas nossas cabeças, e de um espirito ainda em desenvolvimento, chamados de “pré vida”, esses, simbolizando não só as incertezas, como em um breve momento a ansiedade, o medo de não ser aceito, a depressão de se sentir pequeno e indefeso em um mundo que nós não sabemos o que vai acontecer.

Se existisse uma mão amiga para nos ajudar com o primeiro passo, talvez fosse mais fácil, apesar de destacar a idade dos seres espirituais em questão, Soul mostra que não importa sua idade, todos nós teremos mais uma oportunidade de viver a vida, de conhecer coisas novas e pessoas novas, e que se prender a um sonho faz das nossas vidas muito linear, o fato de estar na zona de conforto faz com que não tentemos mais nada novo, e assim paramos de viver.

Poderia chamar de mais uma grande obra do estúdio, mas não é, por mais incrível que seja o plot, ele salva o filme daquilo que ele mesmo desconstrói, o filme é engraçado e divertido em momentos breves, mas seu desenvolvimento leve e simples só te faz perder o interesse aos poucos, e toda aquela ideia de uma “pré vida” conhecer o mundo antes da hora se perde. Do início do filme até o plot ocorre uma barriga enorme que te faz querer desistir, não te bate aquele sentimento de magia que o casamento Disney e Pixar já bateu no passado. O lado bom é que a animação ainda sabe como impactar emocionalmente e nos fazer refletir em um plot.

Não é nenhum problema para Pixar viver da mesmice, pois ela ainda consegue nos emocionar, mas o conjunto da obra não tem sido grandes coisas a algum tempo, mesmo assim Soul não é um filme, é uma aula de sociologia, te ensina sobre o que é viver, sobre incertezas da vida, ansiedade jovem e reflexão de nossa existência, pode parecer um tanto filosófico, mas só o estúdio sabe trazer esse nível cult de cinema em animações para todas as idades e ainda sim conquistar a todo mundo.

REVIEW
Soul
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.