Pergunta-se com frequência: “quanto tempo passamos no celular”? Você é daqueles que já está imerso na tecnologia desde que se entende por gente? Ou você é um pouco mais velho e de repente se viu passando boa parte do seu tempo na internet quando isso nem era algo na sua infância?
Pensando nessas questões, a roteirista e autora Rosana Hermann (Sai de Baixo, Xuxa, Faustão, Vai Que Cola) escreveu o livro “Celular Doce Lar” pela editora Sextante. A intenção é refletir em busca do que ela chama de “Bem Estar Digital”, pesando na balança os prós e os contras da vida digital, um fato na vida de milhões de pessoas.
E na Bienal do Livro, Rosana Hermann falou para o público no Auditório Madureira, com um jeito vívido e bem-humorado. Ninguém pode dizer que sua intenção é maldizer ou botar pânico sobre a tecnologia, pois ela própria vive em meio ao público alvo do livro e também já viveu, de um jeito ou de outro, as situações que ela descreve.
Rosana Hermann vem há 30 anos trabalho com roteiros de televisão. A escrita é nitidamente parte de sua vida. Então não é de se espantar que surja alguma preocupação quando ela percebe que cada vez menos pessoas leem, escrevem e interpretam a informação que recebem em mãos.
Mas mais preocupante do que o risco das pessoas se exporem a notícias falsas, Rosana está preocupada com a insatisfação crescente da vida real compara à comodidade da vida virtual. Essa insatisfação pode impulsionar casos de depressão ou de vício em redes sociais, pois a pessoa vai buscando atrelar sua autoestima à sua persona virtual.
Rosana sugere uma mudança de estado ao invés de uma mudança de status. Ela está atenta ao diagnóstico de Zygmunt Bauman sobre a liquidez do nosso mundo sem forma nem base sólida e avisa para a necessidade de sabermos ser “líquidos, sólidos e até gasosos” dependendo da situação da vida.
A mensagem final soa como um livro de auto-ajuda, mas não é esse o caso. O aviso é simples, mas bastante necessário: há vida fora das telas, há vida fora daquilo que a gente se projeta nos nossos perfis. É preciso saber vive-la, para que ambas as experiências, real e virtual, sejam beneficiadas. Esse é a intenção do bem estar digital.
“Celular Doce Lar” está à venda nas principais livrarias.
Monster Hunter World: Iceborne está disponível mundialmente para PlayStation 4 e para a família de dispositivos Xbox One, incluindo o Xbox One X, com legendas em português. A versão PC chegará em janeiro de 2020.
A jornada de Monster Hunter World: Iceborne começa com uma história inédita que continua a partir do final do jogo-base Monster Hunter: World. Os jogadores partem para explorar a recém-descoberta Fronteira Glacial, um local coberto de neve que vai se expandindo com a história em torno do misterioso novo Dragão Ancião, Velkhana.
Os caçadores precisam ter completado a história principal de Monster Hunter: World até o Ranque de Caçador 16 para acessar a nova história e missões de Iceborne. O Conjunto de Armadura: Guardião já está disponível gratuitamente para jogadores de World e Iceborne, oferecendo defesa elevada e habilidades que aceleram a progressão dos caçadores pela história de World.
Para quem já possui o jogo-base da Capcom, a expansão Monster Hunter World: Iceborne está disponível em formato digital como DLC por R$ 122,90, enquanto a versão Digital Deluxe inclui tanto a expansão quanto o pacote de itens cosméticos Deluxe Kit por R$ 153,50.
Para aqueles que vão começar agora, o pacote Monster Hunter World: Iceborne Master Edition contém tanto o jogo principal quanto a expansão Iceborne e está disponível em formato físico pelo preço sugerido de R$ 249,90 e também em formato digital por R$ 249,99 (PlayStation Store) / R$ 249,90 (Microsoft Store). O jogo-base Monster Hunter: World é necessário para Iceborne.
Kanae Minato é um dos maiores nomes contemporâneos da literatura japonesa. Seu primeiro lançamento, “Confissões”, chegou à marca dos 3 milhões de livros vendidos no mundo e foi adaptado para os cinemas em 2010. Em visita à Bienal nos dias 01 e 02 de setembro, ela falou sobre seu começo como escritora, sobre Confissões e respondeu algumas perguntas do público.
No primeiro dia, Kanae Minato participou de um painel compartilhado pelo escritor Raphael Montes e a escritora Eliana Alves Cruz, mediados pelas perguntas da professora Clarisse Fukelman. Algumas perguntas mais genéricas como “Quando você começou a escrever?”, “O que te inspirou?” ou “Que técnica ou que estilo você prefere pra escrever?” serviram para apresentar os escritores para as pessoas presentes no Café Literário.
Após um apagão que forçou o painel a ser encerrado mais cedo (veja abaixo), Kanae voltou ao Café Literário no dia seguinte para um painel exclusivo, onde ela contou sobre suas inspirações para se tornar uma escritora e em que circunstância seu primeiro livro foi escrito.
Que icônico, uma palestra sobre literatura policial e suspense terminar COM UM APAGÃO! pic.twitter.com/Z7bilzj6a8
Vamos começar com um resumo de Confissões, já que por uma feliz coincidência, aconteceu de eu mesmo já ter assistido o filme anos atrás. Apesar dos overreactings corriqueiros na atuação japonesa, seu enredo é surpreendente! Não se preocupe, essa é uma sinopse sem spoilers:
Conta-se numa escola que uma professora, mãe solteira, perdeu sua filha única em um acidente. Enquanto acreditava-se que essa era o caso, a professora resolve fazer um anúncio diante de toda a turma: sua filha pequena não morreu num acidente, mas foi assassinada. Não só isso: a professora declara que os dois culpados estão naquela sala e que sua vingança já foi realizada.
E essa é a fonte do suspense! Como assim a vingança já aconteceu? Os culpados ficam tão tensos quanto o expectador em saber como vai acontecer essa vingança. Só que seu desenrolar é prismado. Até chegar na vingança em si, Kanae explora as vidas de todos os envolvidos no incidente. Como ela própria afirmou no Café Literário, é impossível entender as nuances de um crime sem que se entenda as circunstâncias das partes que compõe o todo.
O NASCIMENTO DAS CONFISSÕES
Sabemos do que se trata a obra. Sabemos que ela foi um sucesso. Quando olhamos para a carreira de Kanae Minato, vemos que ela lançou o primeiro livro aos 30 anos em meio a uma vida estável como professora, casada e com uma filha. Além disso, ela é formada em economia doméstica, disciplina que ela leciona para os seus alunos do fundamental. Aí vem a pergunta: por que o suspense? Onde isso se encaixa em sua experiência?
Havia em primeiro lugar na autora, um forte desejo de acrescentar algo a mais na sua vida, algo durável além da vida já estabelecida como professora e dona de casa. Em segundo lugar, pairava uma curiosidade: “O que eu faria se alguém machucasse uma pessoa importante para mim?”. Kanae Minato diz que uma boa maneira de escrever uma história, é imaginando situações ao redor do seu próprio cotidiano, criando a partir daí o extraordinário, aquilo que rende uma história. No seu caso, como professora, isso significou criar uma história que se passa numa escola.
Em terceiro e último lugar, a autora queria mostrar com seu romance como a vingança pode aflorar em meio ao desamparo. O luto isolado pela morte da filha, sem ter a quem recorrer, nem mesmo à justiça pois o criminoso é menor de idade e, assim, não pode ser julgado. Não é como se a autora dissesse que toda pessoa isolada e magoada é vingativa, mas que a vingança pode vir a ser a única alternativa além de simplesmente aceitar a tragédia e seguir em frente.
O INÍCIO DA VIDA COMO ESCRITORA
Kanae Minato vem de Awajishima, uma grande ilha entre Honshu e Shikoku, um pouco à oeste de Osaka, mas beeeeeem longe de Tokyo, a cidade onde se ganha a vida e se constroem os sonhos. Vivendo nesse lado do interior, a autora queria muito ir para o exterior tentar a vida fora. Uma alternativa foi a escrita, treinada pouco a pouco com pequenas poesias de três versos, o senryuu.
O senryuu é uma poesia do cotidiano, das pequenas coisas que geralmente passam despercebidas, como o conteúdo caótico da própria bolsa (que foi o exemplo que ela deu), ou a formiga flagrada passeando na beira do copo. De poesia em poesia, Kanae resolveu treinar escritas mais longas e assim ela começou a escrever e enviar roteiros de televisão.
Na terceira tentativa de um concurso anual, Kanae Minato foi teve seu trabalho escolhido e foi convidada por uma emissora para aprofundar algumas negociações. Negociações essas que não foram pra frente, pois a emissora fora muito vaga em sua entrevista e não chegou a perguntar pelo seu trabalho. Além disso, a emissora não via com bons olhos o fato dela morar numa distância de mais de cinco horas de viagem. A coisa ficou por isso mesmo.
Mas a boa notícia já havia sido dada aos alunos. E ela já possuía um trabalho extenso, escrevendo de noite e dormindo pelas manhãs, quando o marido e a filha saíam de casa. E seus estudantes já aguardavam aquele trabalho de sua professora. Tendo essa motivação nas costas, Kanae Minato transformou seu roteiro no primeiro capítulo de Confissões.
Desse primeiro capítulo até hoje, Confissões foi expandido para seis livros (o segundo, Penitencia, também foi traduzido para o português). Cada um explorando um ponto de vista de um personagem da saga.
FALANDO COM O PUBLICO
Por parte do público, principalmente o público feminino, o testemunhar de uma mulher que é ao mesmo tempo mãe, dona de casa, best-seller e professora de carreira causou um contraste provocador. Era a convergência de um estilo de vida “antiquado” para a mulher emancipada com o estilo de vida de uma autora de sucesso que viaja mundo afora, falando em painéis. Naturalmente, imagina-se uma relação de conflito nesse estilo de vida.
Mas quando questionada sobre isso, a maior preocupação de Kanae Minato era a possibilidade de os vizinhos pensarem que ela estava escrevendo um livro por ser infeliz no casamento, seja lá o que isso significa. Ela afirmou que a escola e a editora sabiam reconhece-la como professora e escritora e frisou a gratidão pela sua família que ajudou bastante depois do lançamento de Confissões.
A resposta não é muito “ocidental” da parte dela e os rostos confusos foram evidentes. Parece que o tipo de discriminação mais evidente foi por ela não ser da metrópole, mas do interior. É fato que os regionalismos no Japão são bem fortes, principalmente na cidade de Tokyo. Do outro lado do mundo, os problemas mais escancarados não são necessariamente os mesmos que os nossos, ao que parece.
Depois, o Suco conseguiu perguntar como foi imaginar um cenário de um crime cometido por um aluno menor de idade, impossível de ser levado aos tribunais. Mesmo num país pacífico como o Japão, ela diz que de sua própria experiência foi possível testemunhar casos de violência entre jovens. E ao priorizar trabalhar com vários pontos de vista de um crime, o objetivo de Kanae Minato com esse cenário foi imaginar quais situações da vida de um jovem o levariam a esse extremo. Ela prefere fugir aos estereótipos de mocinho versus bandido e criar situações plausíveis.
Por fim, quando perguntada sobre o cenário da literatura thriller no Japão, Kanae disse que o gênero é famoso, mas lamentou que os melhores títulos não estejam traduzidos para nenhuma língua. Do mesmo modo, ela lamentou que os autores brasileiros não são traduzidos para o japonês, pois o desejo dela é poder apresentar nossos autores e autoras para o Japão. O comentário rendeu fortes aplausos do público!
Com votos de incentivo à escrita, Kanae Minato visitou a Bienal do Livro nos dias 01 e 02 de setembro. Você conferiu aqui um apanhado resumido de sua fala nos dois dias.
Fiquem atentos para mais conteúdos de nossa cobertura da Bienal ao longo da semana!
Segundo a reportagem do site O Globo, a HQ “Vingadores: A Cruzada das Crianças” esgotou em aproximadamente 39 minutos e não pode ser encontrada em mais nenhum estande – a não ser tenha reposição.
Entenda o Caso:
Na noite da última quinta-feira, 5 de setembro, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB/Republicamos), determinou o recolhimento da HQ “Vingadores: A Cruzada das Crianças”, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades. pic.twitter.com/sFw82bqmOx
A Graphic Novel publicada pela Salvat em 2016 (e anteriormente pela Panini), é uma série da Marvel publicada em 2010 e foi alvo de protesto no Twitter de uma mulher que visitou a Bienal, dizendo ser “ofensivo para crianças”.
Apesar de ter o conteúdo sugerido para maiores de 13 anos, a obra não consta com nenhum “conteúdo sexual” ou que extrapole os padrões da Indicação Etária. Apesar da nota de repúdio do prefeito, a Bienal decidiu NÃO RETIRAR os quadrinhos e respondeu:
“A Bienal Internacional do Livro Rio, consagrada como o maior evento literário do país, dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+.
A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor.”
Sinopse: Na história, os Jovens Vingadores, os Vingadores e alguns X-Men partirão em busca da Feiticeira Escarlate, que está sumida das histórias da editora desde a Dinastia M, quando ela apagou os genes de 90% dos mutantes da Terra. O autor também promete a resolução da questão da maternidade de Wiccano e Célere, que supostamente são os gêmeos ressuscitados da Feiticeira Escarlate.
Já estamos no meio de 2019, esse ano maravilhoso para os fãs de k-pop brasileiros, e no mês de julho rolou o tão aguardado Hallyu Expo.
Para quem não conhece, é um evento de dois dias sobre cultura coreana, com apresentações, culinária, atividades diversas e muito k-pop. E o melhor de tudo: a entrada é gratuita! E na edição deste ano, tivemos o grupo NewKidd, que apresentamos agora para vocês!
NEW GENERATION KEY OF DREAM
O NewKidd é um grupo masculino formado pela empresa J-Flo Entertainment. Debutaram em abril desse ano com o single “Tu Eres” e o álbum de mesmo nome do drupo, NewKidd, que é um acrônimo para New Generation Key of Dream e em tradução livre significa “Chave dos Sonhos da Nova Geração”. Um nome bastante poético que simboliza o desejo de alcançar seus sonhos através da música.
PRE-DEBUT
O Debut do grupo pode ser recente, mas os meninos lançaram a primeira música quase dois anos atrás.
O grupo foi anunciado pela J-Flo em 2017 com quatro membros: Yunmin, Jinkwon, Woochul e Ji Han-sol. Han-sol já era bem conhecido na Coréia por ter sido trainee da SM (maior empresa de entretenimento coreana). Após quase debutar no NCT, ele anunciou a saída da empresa e estava promovendo no UNB, grupo-projeto lançado pelo reality show The Unit, quando entrou no NewKidd.
Em 2018 entraram os membros Hwi e Choi Ji-ann e o grupo começou a promover como NewKidd02 com o álbum ‘Boy Boy Boy”. E um pouco antes do debut entrou Kang Seung-chan, completando o NewKidd que conhecemos hoje.
HALLYU EXPO
O Hallyu Expo aconteceu na cidade de São Paulo nos dias 06 e 07 de Julho. Para participar, era só solicitar seus ingressos diretamente na página do evento Facebook. Confira nossa cobertura completa no vídeo abaixo:
Após o sucesso de Chernobyl, HBO coloca em desenvolvimento séries nos padrões biográficos, depois dos acidentes radioativos de Pripyat, o foco agora são os conflitos na Faixa de Gaza, a guerra que assombra território do oriente médio a anos, hoje têm seus defensores na redes sociais para cada lado, a maioria não lê sobre e prefere apoiar um lado por rejeição ao oposto, brasileiro sendo brasileiro.
Agora uma série fresquinha está saindo sobre o assunto, Our Boys trará para o mundo das séries mais um aprendizado sobre algo corriqueiro no noticiário do povo ocidental, do oriental e dos que vivem o terror da guerra, essa a qual ao estrear, já emocionou os habitantes de Jerusalém.
Faixa de Gaza
Antes de mais nada, lembre-se que uma série tem o objetivo de entreter, seja lá o gênero da mesma, o foco ainda é entretenimento, logo existe coisas fantasiadas, mas ainda sim colocada para ensinar sobre mais um fato histórico negativamente marcante para a humanidade, a Faixa de Gaza possui uma grande porcentagem de refugiados palestinos em seu território, em 1967 Israel ocupou a Faixa de Gaza na Guerra dos Seis Dias e transformou esse território em uma zona de guerra.
Entretanto os maiores conflitos começaram a partir de 2008 e foram até 2012, em destaque os caças israelenses que bombardearam Gaza, deixando mais de quatrocentos mortos, porém o primeiro episódio da série já trás a morte de três adolescentes israelenses na Cisjordânia, que gerou um ato de vingança por parte de Israel, isso aconteceu em 2014, todos aqueles noticiários do século XX destacaram isso, ou seja, esse é o estopim do conflito que destacam a Faixa de Gaza como uma terra destroçada e ensanguentada pela guerra de palestinos e israelenses durante anos, a qual segue até os dias atuais, talvez a série possa trabalhar o vínculo do que se tornou hoje, mas só assistindo para saber.
Trabalhando Acontecimentos Históricos
O primeiro episódio te joga no meio de tudo, não da guerra, e sim no dia a dia das duas nações, os palestinos que vivem na Faixa de Gaza e os israelenses que vivem o terror do terrorismo, após esses três adolescentes mortos, o conflito escala para algo maior que vai se tornar aquela guerra já conhecida por muitos, possivelmente a maioria que acompanhou as notícias sobre o caso já sabem o que acontecerá no próximo episódio, mas o mais interessante será para quem nem se quer lembra, viu ou leu sobre a Faixa de Gaza e conflitos próximos desse território, a experiência de assistir Our Boys será algo forte e marcante como Chernobyl, quem não conhece a história, saberá ao assistí-la, a HBO pode ter encontrado aí uma fórmula de sucesso duradouro.
Trabalhar acontecimentos históricos em séries provou funcionar melhor que um filme genérico de guerra, como os tempos mudaram, qualquer filme de guerra é ignorável, simplesmente porque uma guerra produzida em filme é igual a muitas outras, então é uma linguagem ultrapassada, isso que ainda têm os historiadores de plantão que vão parecer leitor de quadrinho e livro, pois eles têm uma visão mais cirúrgica de uma adaptação por conhecer, ou no caso estudar esse ocorrido, então saberão o que é fantasioso ou exagerado, mesmo com uma visão diferente, talvez a experiência deles também pode ser algo marcante.
Trabalhar isso em uma série se torna muito melhor que um filme, pois têm tempo para trabalhar a trama e construir os personagens, dentro do ocorrido histórico que manchou uma civilização e se prolonga até hoje, Our Boys têm tudo para se manter no nível que Chernobyl de audiência, pois só no primeiro episódio se coloca no mesmo tom de qualidade que já é conhecida quando o selo HBO aparece na tela.
Mais uma grande produção da HBO
Dessa vez com dez episódios semanais, Our Boys terá vários adjetivos como educativa, interessante, intrigante, chocante, pesada e muitos outros que surgirem, coisas que o povo ignora em noticiário por não ser com eles agora terá uma atenção maior por ser um entretenimento fora dos níveis apresentados normalmente, dentro dos padrões biográficos vistos em Chernobyl, acontecimentos históricos sendo a base de um roteiro bem trabalhado pela direção faz com que se destaque dos velhos padrões apresentados em outras séries de massa.
Sendo assim, quem ganha não é só a HBO em pontos de audiência e assinatura de serviço, mas também o público que vai se deliciar com mais uma grande produção da HBO.
Já pensou se você, um nerd rejeitado por te acharem “estranho”, tivesse a oportunidade de mudar de lugar, se tornar o garoto mais descolado da escola, ou no caso uma garota, sempre o centro das atenções, ser o desejo amoroso dos menininhos, causar inveja nas menininhas e vice versa.
Uma questão que já foi pensada por muitos, roteirizada milhões de vezes, principalmente pelo Brasil, agora retorna em um filme teen que assusta com a previsibilidade do roteiro, o padrão humorístico escrachado, a fórmula teen de sempre, mas quebra o clichê de filme teen com clichê de filme cult, conquistando o público em uma história emocionante e acertando no ponto certo de divertimento. Este é Socorro, Virei Uma Garota!
Um Filme Teen?
O problema de filme teen é que você já têm uma ideia do que será a trama, piadas velhas que são acompanhadas de trilhas de desenho animado, agregados a uma história parecida com inúmeros filmes nacionais, fazendo dele algo ignorado por uma boa parte da população, mesmo dentro dos padrões teen, assistir a um filme desse gênero chega a ser exaustivo por assistir a obviedade, piadas e excesso de referências (memes) comprova que a fórmula do sucesso nacional está desgastada.
O típico blockbuster brasileiro tenta se diferenciar de uma produção a outra com poucos elementos, mas não só em trabalho de edição como de roteiro, coloca todos eles no memorial das comédias nacionais, um limbo cultural que todos os países possuem quando o assunto é cinema.
Socorro, Virei uma Garota é mais um filme teen, mas que pode ser abraçado por seu público alvo por trazer alguns elementos já conhecidos no dia a dia, a superficialidade desse filme esconde o pouco de profundeza que o roteiro mostra em tela, o adolescente alvo de bullying por ser nerd, otaku e/ou mais inteligente que os descolados, o desprezo do pai paralelo a ausência da mãe, se junta ao foco principal do filme e mistura com a mudança de realidade, dando lugar a garota descolada que é mal falada pela escola inteira por ser “rodada”, além de ser esnobe e arrogante, sendo que por trás de toda essa máscara social, existe uma garota insegura, superficial e talvez depressiva.
Isso é ofuscado pelo humor escrachado, contudo é perceptível alguns desses pontos por causa do padrão teen do filme, você começa a procurar algo a mais naquele roteiro, no fim você encontra pontos positivos que agregam a experiência de assisti-lo, entretanto não salva o filme da mesmice saturada.
Plot Surpreendente
Um filme teen ser rotulado de desastre é um pré conceito adotado pela ignorância daqueles já cansados por filmes nacionais e sua fórmula básica de humor da TV aberta, muitos desses filmes ainda conseguem conquistar a poucos, e uma minoria dessas produções ainda surpreendem com seus plots, Socorro, Virei uma Garota está nessa lista, aqueles pontos que se destacam além da história coloca uma carga emocional maior nas escolhas da protagonista e faz com que ela se divida entre as duas realidades, voltar a sua vida comum de garoto, ou viver como uma garota e estar além do “normal”.
Mas isso não é referente a ser popular, mas sim sair daquela vida triste de ser exilado pelos colegas de escola e uma família problemática, estar em um tempo paralelo melhor que o seu, de certa forma mais feliz e positivo em todos os aspectos, inclusive a garota que você gosta ser sua amiga, acontecer uma troca de interesse sexual da personagem, fazendo dela lésbica pelo fato de, no fundo, ele ser um garoto, colocando o público em dúvida, pois o final clichê já não é mais certeza, e percebe-se que a escolha da protagonista se coloca em debate na sua cabeça, pois não importava qual tempo paralelo ela ficaria, faria sentido para a trama, sair da caixinha de filme teen seria ousado, porém compreendido pelo público alvo, se manter no final clichê só justifica o padrão do gênero, mas todos os acontecimentos vividos e mudados pela protagonista agregam na maturidade da mesma quando retorna para o corpo do garoto.
Nisso, ela coloca uma, ou talvez duas lições de vida, primeiro ser grato ao que você têm, e a outra é fazer a diferença em um ambiente que você sabe que é problemático, no caso a falta de empatia, isso se mostra uma surpresa dentro do clichê assistido em tela, como dito antes, não salva o clichê, mas acerta em um belo blockbuster, se colocando acima de muitas produções antigas do cinema nacional, provando que pode-se trabalhar novos conceitos em histórias repetidas.
Uma ótima recomendação da Comédia Nacional
Por mais surpreendente e positivo que tenha sido Socorro, Virei uma Garota, provável que baterá no problema de ignorância das pessoas por filmes nacionais, contudo é quase que certeza que esse blockbuster passará na TV aberta e será aclamado pelo público, como aconteceu recentemente com Os Farofeiros.
Ou seja, que se dane assistir no cinema, assistir em streaming pirata e TV aberta sai mais barato, aí balanceia com o preço exacerbado dos ingressos de cinema e de produções milionárias hollywoodianas, aí é mal do Brasil, mas ainda sim é um filme que vale o ingresso e é diversão para toda a família com um filme simples e tocante do cinema nacional.
Nessa edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a homenagem ao Japão é feita em grande estilo. Temos um lindo espaço realizado pelo Consulado do Japão bem na entrada do evento? Temos. Temos uma grande best-seller de literatura thriller como a Kanae Minato entre nós? Temos. Isso é tudo? Mas nem de longe!
Uma homenagem que traz ao seu evento o filho do maior nome dos mangás de todos os tempos é sem dúvida uma homenagem que honra ao pé da letra o seu homenageado. Visitando o Rio de Janeiro pela primeira vez, o diretor de cinema e animação Makoto Tezuka chega à Bienal para participar de um painel com nosso querido Maurício de Souza, um grande amigo de Osamu Tezuka.
Makoto Tezuka teve a enorme gentileza de dar alguns minutos de seu tempo para conversar conosco, mesmo cansado de um longo trânsito congestionado em meio à forte chuva.
Makoto Tezuka, com certeza você já está acostumado a ser associado com seu pai, mas como foi conciliar o peso de ser filho de um grande nome com o seu desenvolvimento pessoal como indivíduo e profissional de cinema?
Antes mesmo de eu sentir a necessidade de pensar nesse tipo de coisa, eu já gostava muito de cinema. Quando eu tinha 16 anos, fiz um filme com alguns amigos e felizmente fomos premiados num concurso para alunos do ensino médio. Isso foi uma porta para que eu pudesse começar a conhecer profissionais da área e poder trabalhar com cinema. Continuei produzindo filmes depois de entrar na universidade e minhas produções tiveram um bom sucesso.
E isso te ajudou a trilhar um caminho próprio e evitar um complexo de viver à sombra do nome de Osamu Tezuka, imagino.
Sim, com certeza. Quando participei no primeiro concurso, um dos juízes que nos selecionaram foi o lendário diretor Nagisa Oshima. Quando fui agradecê-lo eu disse que meu pai com certeza também ficaria bastante feliz e ele me perguntou: “Mas quem é seu pai?” *risos*. Então ele nem sabia que meu pai era o Osamu Tezuka, o que ajudou muito a construir minha autoconfiança.
Quando falamos de cinema e Japão, o nome de Akira Kurosawa é inevitável. Qual foi o tamanho da influência dele pra você?
Sem dúvida, Akira Kurosawa é um dos nomes mais respeitados do Japão e com certeza todos que o sucederam foram influenciados por ele de uma forma ou de outra. Só que quando eu comecei no cinema, nos anos 80, o Kurosawa já não fazia mais tanto sucesso e as empresas cinematográficas já não pediam mais tantos trabalhos dele. Acredito que minha geração foi a primeira geração de cineastas que passaram a trilhar caminhos mais independentes, mais distanciados da influência do Kurosawa.
E depois que eu comecei a trabalhar no ramo, a Kurosawa Production entrou em contato comigo dizendo que o Kurosawa ia trabalhar numa nova produção, mas que ele já estava muito idoso, então eles queriam um documentário sobre essa produção. Depois em um comentário, a empresa disse que por trabalharmos um pouco de fora dessa esfera de influência, pudemos fazer um documentário mais objetivo do Kurosawa. Então fiquei três meses acompanhando de perto as produções desse filme para o documentário.
Você dirigiu algumas temporadas de Blackjack, um anime sobre as aventuras de um médico extraordinário. O fato de sua família ser bem ligada com a medicina desde o seu avô te deu alguma intimidade pessoal com a obra? Foi isso que te motivou a esse trabalho?
Mais ou menos. Com certeza a minha família toda sempre esteve próximo da medicina, até bem antes do meu avô. Não foi bem o caminho que eu quis seguir. Minha maior intenção era na verdade trabalhar em um live action de Black Jack, só que a iniciativa não avançou tão bem. Então a produtora resolveu sugerir que transformássemos aquela ideia em um anime e foi o que fizemos.
A Turma da Mônica foi o primeiro contato com as letras e o primeiro meio de alfabetização de muita gente, incluindo eu mesmo. Como você avalia a obra e a pessoa de Maurício de Souza, considerando a longa amizade dele com seu pai?
Infelizmente a obra do Maurício ainda não é muito conhecida no Japão, mas meu pai falava muito do trabalho maravilhoso que ele fazia, ele realmente falava muito do Maurício de Souza pra mim e era de ouvir falar que eu o conhecia. Depois que meu pai faleceu é que eu fui encontrá-lo e conhecê-lo pessoalmente. Esses encontros foram se repetindo e foi aí que eu pude ver de perto essa pessoa maravilhosa que ele é.
Meu pai e o Maurício tinham prometido realizar um trabalho em conjunto usando os seus personagens, o que infelizmente não foi possível em vida. Quando meu pai faleceu, foi o Maurício quem entrou em contato comigo dizendo se não havia alguma forma de nós fazermos um trabalho de colaboração dos personagens da Turma da Mônica e com os personagens das obras do Osamu Tezuka. Fui fazer essa ponte e foi uma felicidade enorme poder coordenar todo o trabalho e cumprir a promessa que meu pai havia feito anos atrás.
Makoto Tezuka estará compartilhando um painel com Maurício de Souza na quarta-feira, dia 04 de setembro às 15h no Auditório Madureira (Pavilhão Verde). A cobertura desse painel e de outros você também confere aqui no SUCO!