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Golden Kamuy: Crônicas da Era Meiji | Suco Apresenta

golden kamuy

Agora em outubro estreará a terceira temporada de Golden Kamuy. Aproveitei a oportunidade para finalmente botar aquele Plan to Watch para andar, já que não foram poucas as vezes que ouvi bem sobre o anime e não foram poucas as recomendações para este historiador de formação. E como ficções históricas são um ponto fraco deste redator, não havia hora melhor para botar tudo em dia e deixar uma palinha para quem ou nunca viu nada sobre o anime ou para quem viu já há muito tempo e não se lembra mais de nada.

Como eu mesmo sendo outra pessoa dotada da memória de um peixinho-dourado, não surpreende que os detalhes sobre a história de Golden Kamuy fujam depois de um tempo. A trama é emaranhada como uma complexa teia de aranha e qualquer fio que escape à atenção pode lançar quem assiste à confusão. E no decorrer dessa trama, personagens os mais diversos são desenvolvidos ao longo de duas temporadas.

Pois esta é a minha proposta para esse texto: apresentar os principais temas de Golden Kamuy para você, tudo numa boa sem spoilers. Depois dessa apresentação, aí sim entraremos numa zona de spoilers para resumir o que foi que aconteceu até a segunda temporada e o que poderemos esperar da terceira temporada (salvo quem lê o mangá; estes já viram o futuro).

Então sem mais delongas…

golden kamuy poster

 

DO QUE TRATA GOLDEN KAMUY?

Golden Kamuy, baseado no mangá de mesmo nome em publicação desde 2014, conta a história de Saichi Sugimoto, um ex-veterano da Guerra Russo-Japonesa que ficou conhecido como “Sugimoto O Imortal” por ter sobrevivido ao Cerco de Port Arthur ao mesmo tempo em que lançou uma violenta ofensiva contra os russos.

Com o fim da guerra, Sugimoto seguiu perambulando pela parte norte do Japão, na região de Hokkaido. Lá ele ouve falar de uma grande quantidade de ouro escondida por um prisioneiro, num lugar onde só é possível de ser encontrado decifrando várias tatuagens espalhadas nos corpos de vários outros detentos.

Pouco após ouvir sobre esse boato, Sugimoto é atacado por um urso (dos mais mal feitos na história da animação, bom frisar) e socorrido por uma garota nativa da região. Seu nome é Asirpa, uma Ainu. Com o urso derrotado, ambos percebem ter objetivos semelhantes, ainda que pelos motivos diferentes, resolvendo então caminhar juntos em busca da fonte desse ouro.

Golden Kamuy num grande resumão é isso: um veterano de guerra e uma menina ainu procurando juntos por um tesouro escondido nas terras gélidas de Hokkaido. Mas essa explicação limitada não existe só porque eu quero prevenir spoilers mas porque é preciso entender vários contextos para entender e aproveitar bem a excelente história deste anime.

E isso passa pelo entendimento de algumas coisas básicas para os japoneses, mas não tão básicas para nós brasileiros que ainda engatinhamos nos estudos da história do Japão. Como assim Guerra Russo-Japonesa? Como assim ainus? Bom, é aqui que as coisas ficam interessantes.

Senta que lá vem história.

 

AINUS E “NATIVOS”

Já é meio batido ficar dizendo isso, mas é sabido que nenhum país é uno e homogêneo em seus habitantes. Seja em um país de proporções continentais como o Brasil ou mesmo em um diminuto arquipélago como no Japão você tem várias diferenças regionais, de norte a sul. É natural que elas existam, porque nenhuma comunidade está 100% em interação com seus vizinhos distantes. Apesar de sermos todos brasileiros, apenas alguns poucos de nós saímos para fora de nossos estados e é possível contar nos dedos quem conheçamos que já tenha viajado para todas as cinco regiões. Se isso é verdade para nós em 2020, mesmo com toda a tecnologia de transporte existente, isso é ainda mais verdadeiro para a vida comum japonesa há mais de 100 anos atrás. Tamanho de país aí pouco faz diferença.

E por séculos, norte e sul do Japão foram dois mundos distantes. Se há alguma semelhança gritante entre Brasil e a Terra do Sol Nascente é que ambos desconhecem o seu Norte. A vida brasileira tem sua história e sua identidade quase que completamente montada sobre o seu litoral, de nordeste a sudeste, assim como o Japão tem o bojo de sua história contada de Kyoto até Tokyo. E mesmo assim Tokyo só virou um centro histórico há “apenas” 400 anos, com o shogunato Tokugawa. Bem antes disso, a história do império do crisântemo é escrita e contada na capital imperial, Kyoto. Para os yamato-jin, os descendentes do império de Yamato, as terras gélidas do norte eram fontes de mistérios, como o jogo Ookami mostra muito bem. Eles chamavam essa terra de “Ezochi” e já desde os tempos da corte Heian habitavam os ainus, um dos povos originários do Japão.

Já pincelei um pouco sobre os ainus no meu texto sobre Princesa Mononoke. Exemplos desse povo na cultura pop já existem há um tempo, com Shaman King e com a Nakoruru, de Samurai Shodown. Geralmente existe uma pressa em chamar os ainus de “índios japoneses”, por causa de sua condição minoritária no país e pelas perseguições sofridas desde o shogunato dos Minamoto, na Era Kamakura. Mas prefiro chamar os ainu simplesmente de… ainu. Pois nativo por nativo, os yamato-jin (povos originários da região de Kyoto e entornos onde surgiu o primeiro imperador japonês, Jinmu-tennô) são tão indígenas quanto os ainu; não houve no Japão algo semelhante a uma invasão colonial como o que houve aqui nas Américas. E se vocês prestarem atenção, o modo como os ainu descrevem seu mundo e seus fenômenos lembram um tanto o próprio shintô.

Em várias passagens de Golden Kamuy, a Asirpa chama os espíritos que tudo habitam e regem a vida e a natureza de “kamui”. Kamui que tem pronúncia parecida com “kami”, com descrições bem semelhantes às da religião shintô (ou xintoísmo, como é mais conhecido por aí). De espíritos que habitam os céus aos espíritos que habitam animais e se corrompem quando matam humanos, o mundo espiritual dos ainu tem um caráter animistico que muito lembra a espiritualidade original do arquipélago japonês antes da chegada do budismo. As semelhanças, lógico, param por aí. Pois fisicamente, os ainu são bem distintos, com vestimentas apropriadas para o clima severo da região japonesa mais próxima da Sibéria. Os homens são barbudos e robustos e as mulheres têm o hábito de tatuar os lábios após o casamento, sendo a tatuagem mais larga quanto maior o status social do marido com quem esta ainu se casou.

Um tabu ainu com relação à natureza em particular explica um dos plot centrais de Golden Kamuy, que é a presença do ouro. O trato com os rios proíbe a violação destes; neles não se fazem as necessidades, pois é importante manter a água pura. Esses leitos intocáveis por tanto tempo acabaram por preservar não só a água para o consumo, como várias reservas de ouro desconhecidas aos não-familiares com a região.

Eventualmente, com o passar das eras e o ingresso do Japão na era moderna, novas circunstâncias levaram velhos tabus a serem revistos e profanados juntar e esconder esta quantia inimaginável de ouro. Com que propósito? E quais são as partes interessadas nessa caça ao tesouro? Essa é a parte de nossa próxima seção.

golden kamuy poster

 

A CORRIDA PELO OURO (ZONA DE SPOILERS)

A partir daqui, já não posso garantir uma descrição livre de spoilers. Cada personagem revelado pode ser visto como um spoiler menor; descrevê-los por aqui mais ainda, já que a narração de Golden Kamuy é um espetáculo imperdível à parte. Então, quem ainda não assistiu, que prossiga por sua própria conta e risco.

Como dito anteriormente, a corrida do ouro de Golden Kamuy é o motor de todo o plot do anime; e ela pode ser dividida em basicamente três partes interessadas: Sugimoto e Asirpa, a facção do exército comandada pelo Primeiro Tenente Tsurumi e os membros remanescentes do Shinsegumi, Hijikata Toshizou e Shinpachi Nagakura.

O anime não é tão explícito nos motivos de Sugimoto dessa procura quanto no mangá. A coisa toda é resumida numa promessa a um amigo próximo que foi morto na guerra e deixou sua esposa viúva, dando a entender que ele quer dar uma vida melhor para ela. Asirpa quer acima de tudo saber do paradeiro de seu pai e acredita que o caminho do ouro levará até ele. Durante o caminho, eles conseguem aliados, seja por conveniência, seja por simpatia, como Kiroranke, amigo do pai de Asirpa, Inkarmat, um ainu que lê a sorte das pessoas e o atrapalhado Shiraishi, um dos 24 detentos tatuados, autoproclamado Rei das Fugas e uma clara homenagem a um clássico dos animes, Lupin III.

Na facção do exército é bom entender que aqueles não são oficiais em si, mas uma dissidência que sentiu-se descartada pelo governo japonês após o fim da guerra com os russos. Por isso Tsurumi, que ficou com parte do cérebro exposto após uma explosão, tem o sonho de refazer um Japão que valorize o seu exército e que se torne uma gigante potência militar; para isso ele precisa do ouro escondido por Nopperabou.

É importante frisar que os soldados que se filiam a ele não necessariamente o fazem por simpatia ao Tsurumi, que é visivelmente pirado das ideias. À primeira vista, os soldados, igualmente uniformizados, dão a impressão de serem meros npc’s; daí, quando você menos percebe, aqueles soldados ganham vida, personalidade e identidade próprias. De um modo geral, todos os ex-combatentes da Guerra Russo Japonese que aparecem em Golden Kamuy tem uma experiência traumática em comum: o Cerco de Port Arthur. Uma das primeiras cenas do anime se passa justamente durante o clímax da batalha, com o russos entrincheirados em artilharia pesada e hordas de soldados japoneses correndo para as suas mortes. É naquele banho de sangue que Fujimoto entra em um frenesi pela sobrevivência, onde ele ganha o apelido de “O Imortal”. Tsurumi, comandante da batalha, também ficou impactado pela tática dos oficiais maiores de enviar homens atrás de homens para morrer até que a força numérica tomasse o inimigo pelo cansaço. Tanigaki Genjirou, outro soldado sobrevivente, também lutou no cerco e foi fortemente impactado pelo evento, mas por razões pessoais (um dos personagens mais bem desenvolvidos de todo o anime, eu diria).

Por isso que importa um pouco conhecer os bastidores dessa guerra que foi uma das mais sangrentas do último século. Os horrores da Segunda Guerra Mundial mascaram outros banhos de sangue que avermelharam o século 20; a Guerra Russo-Japonesa introduziu várias novidades que se tornariam uso comum quarenta anos mais tarde, como minas marítimas, comunicação por rádio frequência, cercas elétricas e metralhadoras pesadas (elas já eram usadas pelo exército japonês, como bem mostrado em O Último Samurai, mas nunca haviam sido usadas numa guerra como em 1904). Tanta novidade bélica tornou a morte muito mais eficiente; além disso, como os russos já sabiam da facilidade com que os japoneses tomaram Port Arthur na Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894, eles se fortificaram à altura, fazendo com que o cerco se estendesse de agosto de 1904 até janeiro de 1905. Seis meses de batalha, simplesmente. É de deixar um impacto na cabeça de quem passa por aquilo (e sai vivo).

Além de Asirpa e Sugimoto e o comando do Primeiro Tenente Tsurumi, temos também… Shinsengumi? Em tese não deveríamos ter, pois os partidários do shogunato Tokugawa já haviam sido desmantelados há quase 40 anos com a Restauração Meiji. Mas a imaginação histórica e a astúcia narrativa do autor de Golden Kamuy lhe permitiu um cenário hipotético onde Hijikata Toshizou, um dos maiores comandantes do grupo, não morreu como deveria em 1869 e aparece como um senhor astuto e tão perigoso quanto décadas antes. Ao lado dele acompanha um senhor, Shinpachi Nagakura, tido como o melhor espadachim de todo o Shinsengumi; o que não é pouca coisa quando se está no mesmo grupo de Okita Souji (olá fãs de Fate) e Saitou Hajime (olá fãs de Rurounin Kenshin).

O contra-factual morre um pouco aí, pois Shinpachi Nagakura, assim como Saitou, também conseguiu a proeza de sobreviver aos tempos do Bakumatsu e, findo o conflito com os monarquistas, se mudou para Hokkaido, na cidade de Otaro, onde morreu em 1915 (mesmo ano da morte de Saitou). Seu design no anime é curiosamente fiel a um retrato sobrevivente de sua velhice, onde virou instrutor de kendo para os carcereiros de uma prisão na região. Em Golden Kamuy, mesmo na velhice, Hijikata vê no ouro dos ainu uma oportunidade de reviver em outras terras um Japão que morreu depois da Restauração Meiji. Além de Shinpachi, Hijikata também consegue a adesão de alguns ex-detentos da prisão de Ashibara, bem como um dos soldados de Tsurumi, Hyakunosuke Ogata, um sniper que se alia onde bem entender.

E se tem uma coisa que Golden Kamuy constrói bem, são essas alianças de ocasião; que pelos sabores e dissabores do momento, podem acabar em traição ou deserção. Estamos nos aproximando agora da terceira temporada, após do caos que foi o término da segunda. Antes de partirmos para as conclusões, vejamos como se encontra o estado calamitoso dessa caça ao tesouro. É agora que os spoilers vêm pesado:

O QUE ROLOU ATÉ AGORA

A primeira temporada inteira serviu para apresentar alguns personagens e dar o panorama geral dessas facções interessadas que eu descrevi há pouco. Até o início da segunda temporada, a coleção das tatuagens estava um tanto bem distribuída. O primeiro-tenente Tsurumi resolve deixar Sugimoto colecionar as tatuagens com a ainu, para que ele próprio pudesse manter um perfil modesto dentro do exército. Já Hijikata consegue fazer com que Shiraishi vire um informante, cambaleando na linha tênue entre um chantageado e um traidor. Na segunda temporada, Tsurumi consegue sair da defensiva e vira a corrida de cabeça para baixo após conhecer um taxidermista (profissionais que empalham animais) chamado Yasaku Edogai. Edogai é um excêntrico amante de peles, tão excêntrico que passa a roubar cadáveres para empalhá-los e fazer sua própria família. Como maluco atrai maluco, Tsurumi consegue conquistar a afeição/obsessão de Edogai, que passa a criar réplicas de todas as tatuagens que ele possui. Essa jogada coloca todas as outras partes num visível estado de confusão; sem poder mais saber o que é autêntico e o que é falso, tanto o grupo da Asirpa quanto Hijikata concluem que o melhor a ser feito é ir até a prisão de Ashibara perguntar o paradeiro do ouro ao próprio Nopperabou, o tatuador dos prisioneiros.

Como invadir uma prisão de segurança máxima não é uma tarefa nada simples, a segunda temporada lida com os preparativos para essa invasão. Nesse meio tempo, histórias de personagens são contadas e mais detalhes sobre o pai da Asirpa entram em cena, que suspeita que Nopperabou seja o seu verdadeiro pai. O que se confirma, ele tem os mesmos olhos azul-esverdeados de sua filha. Mas antes mesmo que algo pudesse ser revelado, Ogata, o sniper aliado de Hijikata desfaz a trégua, matando Nopperabou e ferindo gravemente Sugimoto na cabeça. Kiroranke também comete traição e é revelado que ele possuía diferenças fundamentais com seu amigo, mas, por acidente, esfaqueia Inkarmat e é flagrado logo em seguida.

Então a situação às vésperas da terceira temporada é esta: Sugimoto está separado de Asirpa e lívido de raiva contra Ogata e Kiroranke. Tsurumi fez uma esplêndida mostra de poder no presídio de Ashibari com seu couraçado e seu exército particular. Hijikata acertou as contas contra seu carcereiro, o diretor do presídio e desde então seu paradeiro bem como suas intenções daqui pra frente estão para ser detalhadas na temporada a seguir. Era de se esperar que algum ponto maior do plot fosse revelado com a reunião de Asirpa com seu pai; por que ele juntou todo aquele ouro? Quais eram suas as intenções para com o povo ainu? Por que ele acabou deformado daquele jeito? Nada disso pôde ser respondido e terminamos a segunda temporada completamente confusos, mas muito empolgado com o que virá pela frente.

golden kamuy poster

 

CONCLUSÃO: UMA HISTÓRIA SOBRE SOBREVIVENTES

Este texto já está enorme, então façamos um comentário final sobre o que afinal resume Golden Kamuy. Trata-se de uma obra ampla, com muitos personagens e backgrounds diferentes. Ora ele é violentíssimo, ora ele é bizarramente bem humorado (quem é capaz de imaginar que é possível cair na gargalhada em plena invasão do presídio no final da segunda temporada?!), ora ele é… nichado? Fujoshis geralmente são tudo sobre rapazinhos bonitos, bishonen pra lá e pra cá, mas quem gosta de grandalhões musculosos vão achar ótimos momentos de fanservice (“ótimo”, obviamente, pra quem curte). É possível ter um fio condutor pra uma história dessas? Uma cabeça de polvo que junte tantos tentáculos diferenciados?

Sim, é possível. Em uma palavra, Golden Kamuy é sobre sobrevivência. O grito de guerra de Sugimoto, “Eu sou Sugimoto, O Imortal!” diz menos de um excesso de autoconfiança e mais sobre sua determinação em sobreviver, não importa de qual situação e por mais certa que seja a morte. Asirpa é uma “nova mulher ainu para uma nova era” que está disposta a sobreviver a tudo para descobrir a verdade de suas origens. Durante os dias que se passam, Golden Kamuy dá bastante tempo de tela a uma das coisas mais básicas e mais fundamentais que fazemos para sobreviver: se alimentar. É confuso que a segunda abertura dê tanta atenção a isso que faça parecer uma abertura de Shokugeki no Souma? Demais. Mas a caça é um elemento fundamental para vários personagens, seja por motivos pessoais ou pela razão fundamental de que muitas vezes a sua sobrevivência significa a morte de outra vida. Essa é uma verdade que o nosso mundo urbanizado muitas vezes perde de vista, mas que nunca deixou de sê-la.

Quando percebemos esse detalhe fundamental, nos damos conta que estamos diante de uma obra-prima; porque por mais variado que sejam seus elementos narrativos, tudo em Golden Kamuy converge muito bem para a questão da sobrevivência, seja em histórias de veteranos de guerra ou de aldeias marginalizadas ou daqueles que ficaram do lado errado da História (com H maiúsculo, o curso do tempo, não a estória).

Por isso, se você nunca assistiu Golden Kamuy, a hora ideal é agora. Estamos às vésperas da terceira temporada, com muitas questões a serem tratadas e, sabendo da capacidade fenomenal do anime em saber contar uma boa história, é quase certo que não sairemos decepcionados. E quem já assistiu tem agora este texto para dar uma refrescada na memória. Não com toooodos os detalhes de tudo o que aconteceu, porque aí teríamos umas vinte páginas. Mas temos esse resumão pra ficarmos todos prontos para outubro.

Então é isso meus bons. Este foi mais um Suco Apresenta e um dos que mais gostei de escrever; nem eu mesmo sabia o quanto esta crônica de finais da Era Meiji seria tão interessante assim. Devemos muita gratidão a Gibiate por deixar a gente imunizado contra CGI ruim! Até a próxima!

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Miss Coreia Brasil acontece neste sábado em São Paulo

miss coreia brasil

Neste sábado, 03 de outubro, às 19h no Teatro Renaissance em São Paulo, acontecerá o “Miss Coreia Brasil”, apresentando 10 candidatas que concorrerão ao título de coreana mais bela do Brasil.

O concurso tem como objetivo divulgar e promover a cultura da Coreia do Sul, além de realizar a conexão Brasil-Coreia. A vencedora participará do “Miss Mundo Brasil” que acontecerá no dia 04/03/2021 no estado de Alagoas.

O Júri será formando por, Catharina Choi (Miss Coreia Brasil 2013 e Miss Brasil Mundo 2014)Henrique e Marina Fontes (Diretores do Miss Mundo Brasil), João Ricardo Camilo Dias (Diretor do Blog Miss Brazil On Board)Fabio de Paula (Colunista do Jornal Folha de São Paulo)Soyeon Park (Top Model Sul Coreana)Jonathan Moon (Empresário de Moda Feminina).

Por conta da pandemia da COVID-19 o evento seguirá todos os protocolos de reabertura emitido pelo Ministério da Saúde para ser operacionalizado. A final será transmitida no canal oficial da LL Entertainment.

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Star Wars: Squadrons já está disponível para PC, PS4 e Xbox One

star wars squadrons

Hoje, a Electronic Arts, Motive Studios e Lucasfilm lançaram a tão aguardada e imersiva experiência Star Wars de combate aéreo espacial em primeira pessoa, Star Wars: Squadrons.

O game apresenta batalha multiplayer 5v5 de caças estelares, juntamente com uma história original de Star Wars ambientada após os eventos de Star Wars: O Retorno de Jedi. Veja o trailer de lançamento abaixo:

“Como fã de longa data de Star Wars, tem sido uma jornada incrível poder trazer a experiência de combate espacial à vida de uma forma fiel ao legado da franquia”, diz Ian Frazier, Diretor Criativo da Motive Studios. “Tudo começa no cockpit, o centro da ação. Nós trabalhamos lado a lado com a Lucasfilm para aprimorar a perspectiva do piloto e atender à estética dos filmes, criando uma autêntica experiência de jogabilidade de Star Wars, que colocará os fãs no assento do piloto. Estamos animados para trazer essa experiência aos jogadores e jogadoras de todo o mundo, que podem participar juntos das batalhas ao redor da galáxia”.

Star Wars: Squadrons já está disponível digitalmente e nas principais lojas pelo preço sugerido de R$ 199,00 no Xbox One, PlayStation 4 e PC por meio do App EA Desktop, Steam e da Epic Games Store, com suporte para Realidade Virtual (VR) no PlayStation 4 e PC.

Para maiores informações visite https://www.ea.com/pt-br/games/starwars para se manter atualizado com as últimas notícias.

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Cobra Kai é renovada para quarta temporada na Netflix

netflix cobra kai

Hoje, 2 de outubro, a Netflix acaba de confirmar a renovação da quarta temporada de Cobra Kai, continuação da franquia Karatê Kid. Vale lembrar que a terceira temporada estreia no dia 8 de janeiro de 2021.

Veja o vídeo abaixo:

Sobre: COBRA KAI se passa três décadas após o Torneio de All Valley, de 1984, dando continuidade ao conflito entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka). A terceira temporada começa após a violenta briga que deixou Miguel em uma situação de risco. Enquanto Daniel procura respostas em seu passado e Johnny busca redenção, Kreese manipula ainda mais seus alunos vulneráveis ​​com a sua própria visão de dominação. A alma do Valley e o destino de cada estudante e sensei estão em jogo.

As duas primeiras temporadas de Cobra Kai, da Sony Pictures Television, já estão disponíveis na plataforma de streaming. ASSISTA AQUI.

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HyperX Play Together acontece neste final de semana com gameplay, música e entrevistas

HyperX-Play-Together

A HyperX promove neste fim de semana, sábado (3) e domingo (4), das 14h às 19h, a segunda edição da live HyperX Play Together, um encontro online repleto de games, música, entrevistas e bate-papos descontraídos com transmissão pelo canal oficial da HyperX na Twitch.

Veja o teaser abaixo:

A live, comandada por Nyvi Estephan, Luiz Hygino, YoDa e Fred dos Desimpedidos, começa no sábado, às 14h, dia em que haverá gameplay de League of Legends. Na sequência, os feras da LOUD vão jogar Among Us. O sábado conta ainda com dois pocket shows: do Tropkillaz, que além de tocar vai falar sobre a parceria com YoDa, e do rapper Pedro Qualy, integrante do grupo Haikaiss.

No domingo, a live começa sob o comando de Fred do Desimpedidos, segue com os pilotos Dudu Barrichello e os irmãos Pietro e Enzo Fittipaldi no F1 2020, onde darão uma aula para o streamer Sheviii2k, o influenciador Pai Também Joga e o pro player Buozzi, da FURIA. Já os influenciadores YoDa, Damiani, Skipnho e Paula Nobre assumem os controles em seguida, com o jogo Fall Guys.

Fim de semana de novidades e ofertas

Ao longo do fim de semana os espectadores também poderão conferir as novidades e lançamentos da HyperX, como o microfone QuadCast S, em versão RGB, o headset wireless com carregamento por iQ, Flight S, entre outros.

Vale lembrar que a Kabum, parceira comercial da HyperX, preparou uma série de ofertas imperdíveis – os descontos começam nesta quarta-feira, 30.10, e alguns produtos serão promocionados exclusivamente no fim de semana. Na seleção, periféricos estarão com preços especiais e os descontos chegam a 25%. Para mais informações sobre a HyperX e seus produtos, visite o SITE OFICIAL.
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Crash dança com Carreta Furacão em vídeo de lançamento

crash carreta furacao

Crash retorna ao mundo dos games amanhã, em 2 de outubro, com o lançamento de Crash Bandicoot 4: It’s About Time e nada melhor que comemorar de um jeito brasileiro, não é mesmo?

Crash passou pelo Brasil e se encontrou como integrante honorário da Carreta Furação – ou melhor, Crasheta Furacão! Veja abaixo:

“Vemos o entusiasmo dos fãs no Brasil e mal podemos esperar para que reencontrem Crash. O personagem tem um humor único e uma personalidade única que combina perfeitamente com o grupo, e no fim ambos têm o mesmo objetivo: trazer o máximo de diversão”, comentou Michelle Bresaw, Vice Presidente de Product Management e Marketing Activision.

Crash Bandicoot 4: It’s About Time estará disponível exclusivamente em formato digital no Brasil, e cópias digitais do jogo já estão disponíveis para pré-venda na PlayStation Store para PlayStation 4, Microsoft Store para família de devices Xbox One, incluindo Xbox One X.

Leia também: Crash se arrisca no improviso de rimas com a estrela do hip hop Quavo; confira!

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Crunchyroll anuncia Dragon Quest e mais 5 animes para Temporada de Outono

dragon quest crunchyroll

Em um comunicado para a imprensa, a Crunchyroll acaba de anunciar 6 novos simulcasts na sua plataforma, complementando um line-up de dezenas de séries na Temporada de Outono 2020.

No destaque, temos DRAGON QUEST: The Adventure of Dai, a nova versão do clássico anime Fly, o Pequeno Guerreiro exibido nas TV brasileiras nos anos 90. Confira abaixo a sinopse e trailer de cada título:

DRAGON QUEST: The Adventure of Dai

Sinopse: Há muito tempo, o mundo era ameaçado pelo Lorde das Trevas Hadlar, mas um bravo espadachim se sagrou herói ao restaurar a paz ao lado de seus companheiros. Livres do controle do Lorde das Trevas, os monstros passaram a habitar Delmurin, uma ilha solitária no Mar do Sul. Dai é o único humano da ilha, e vive em paz entre os monstros, mas sua vida muda completamente com a ressurreição de Hadlar. Dai então parte numa missão para salvar o mundo, conhecendo novos professores, colegas e o seu próprio destino: voar por terras distantes e ser um herói de verdade!

I’m Standing on a Million Lives

Sinopse: Yusuke Yotsuya, um aluno do fundamental distante e racional, é transportado para um mundo paralelo similar a um videogame. Ao lado de suas colegas de classe Iu Shindo e Kusue Hakozaki, ele é obrigado a encarar uma perigosa missão. Yusuke é frio e calculista, examinando cada situação sem se deixar levar pelas emoções, muitas vezes brincando com a vida de seus companheiros. Será que ele conseguirá proteger seu grupo dos monstros, armadilhas e esquemas que os ameaçam, e enfim vencer o jogo?

Is the Order a Rabbit? BLOOM

is the order a rabbit

Sinopse: O charmoso elenco de Is the Order a Rabbit? volta para encantar o público com muito café, muitos coelhinhos e muita fofura! Adaptado do mangá yonkoma homônimo, Is the Order a Rabbit? BLOOM traz de volta Cocoa, Chino, Rize, Chiya, Tippy e todas as suas garotas favoritas da Rabbit House, servindo mais das situações engraçadas e adoráveis que as tornaram tão amadas. Seja na escola ou em seu ponto de encontro habitual, as frequentadoras do Rabbit Café certamente vão te conquistar em Is the Order a Rabbit? BLOOM!

Rail Romanesque

rail romanesque

Sinopse: Outubro de 1988, na cidade de Ohitoyo, em Hinomoto – um país que quase perdeu todas as suas linhas de trem após um grande incidente. Graças a uma proveitosa campanha de turismo, a cidade se tornou uma meca da renascença das ferrovias, e agora se prepara para promover o 1º Festival Anual Maitetsu, reunindo líderes da indústria de todo o mundo para compartilhar conhecimento e incentivar novas oportunidades. Junto com eles, vem também os railords – módulos humanoides projetados para controlar os trens – que decidem promover sua própria Convenção de Railords, liderado pela Railord Suzushiro.

EAGLE TALON ~Golden Spell~

Sinopse: O famoso “anime lixo” volta à vida nesta era de pandemia, ainda mais absurdo, bizarro e encantador! A organização maligna Garra de Águia descobre o Feitiço Dourado, capaz de controlar mentes humanas com uma única palavra, e imediatamente começa a desenvolver vários efeitos diferentes, como a magia de “fazer a pessoa se cagar” – até que alguém rouba deles o programa de desenvolvimento de magias! Se o Feitiço Dourado cair em mãos erradas, o mundo corre grande perigo! Eles começam a investigar, e aos poucos descobrem uma grande conspiração… Protejam o mundo mantendo distanciamento social!

One Room 3rd

one room

Sinopse: Em One Room, você é o protagonista. Um anime em ‘primeira pessoa’ envolvendo três histórias que se passam dentro do seu quarto.

Todas as novas séries anunciadas serão exibidas com áudio em japonês e legendas em português. Usuários Premium da Crunchyroll poderão assistir a novos episódios logo após a exibição da TV japonesa, e usuários gratuitos poderão assistir a novos episódios uma semana após seu lançamento na plataforma.

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XAA XAA: tristeza e melancolia | Suco Apresenta

xaa xaa visual kei

XAA XAA é uma banda pra você incluir na sua playlist de músicas tristes. Do finalzinho de 2014, “xaa xaa” é uma onomatopeia que ilustra o barulho que a água da chuva faz quando cai (algo como o nosso “chuá”).

O nome da banda já nos diz muito sobre ela, no geral, eles fazem músicas voltadas pra coisas que nos fariam chover, de tanto chorar. Além disso, a maioria das músicas faz alegorias molhadas, nem que seja só um verso, uma palavra, você provavelmente vai encontrar uma citação a chuva, a água, ou algo parecido pra ilustrar sentimentos de tristeza e semelhantes.

A banda de rock e visual kei XAA XAA é formada atualmente pelo vocalista Kazuki, o guitarrista Haru, o baixista Reiya e o baterista An. Os rapazes aparecem fazendo música por volta de 2008~2010, algumas de suas bandas anteriores foram BALLAD., 6-sense e, destas, a nossa menção honrosa vai para Belmosaic que num geral não diz muito sobre o que se tornaram em XAA XAA e também não era muito popular, mas, ainda assim, dá pra pegar alguma coisa de uma banda na outra (sempre sendo XAA XAA uma versão mais dark de Belmosaic, talvez) e vale a pena conferir o que sobrou dela pela internet. Também vale mencionar ELM, banda que o baterista An fez parte e que ficou ativa entre 2009 e 2017 com uma vibe toda circus kei super divertida que vale muito a pena dar uma olhada!

XAA XAA sempre foi hit atrás de hit. Mesmo não sendo uma banda muito famosa fora do nicho visual kei, praticamente todos os seus lançamentos vem com ao menos uma faixa bastante expressiva e que certamente vai agradar alguém, isso porque é uma banda bem versátil dentro do rock e do que se propõe, tem rocks dançantes, gritarias, baladas, músicas com uma vibe mais nostálgica e muitas outras coisas (quase sempre com temas bem tristes e/ ou que trazem questões sociais e existenciais).

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TRIGGER ALERT: contém suicídio, depressão e existencialismo

Falando sobre os temas, como já dito antes, são majoritariamente tristes e existenciais, as letras costumam ser bem acessíveis e a linguagem bem jovem, passando sua mensagem de um jeito bem claro e com alegorias fáceis de entender. Eles expressam rítmica e liricamente fatos e sentimentos que acontecem com todos nós, não somente acontecimentos específicos, como términos de relacionamentos, lutos, traumas pessoais, mas também coisas que nos afetam indiretamente, como a própria vida em sociedade, a sensação de insuficiência e o desgaste mental que tudo isso pode causar.

Um dos grandes sucessos do XAA XAA aqui no Brasil, sem dúvidas, foi “shinitai”, na época, chegou a virar meme nos grupos de visual kei que ainda existiam por aqui. A música é, basicamente, um mental breakdown, cuja letra repete incontáveis vezes o termo “shinitai”, que em tradução literal significa “quero morrer”. Entre imagens da banda tocando em um beco, o clipe mostra um jovem, nitidamente ferrado da cabeça vagando por aí, até que, no final, ele tem sua crise.

Esses temas de tristeza até atingir sentimentos extremos são recorrentes na banda. Em “kietai” (lit. “querer sumir”), por exemplo, vê-se uma situação de um eu-lírico em profunda apatia, onde nem viver nem morrer é uma opção, existe somente uma vontade inerte de “sumir”. “Kamisori” e “akairo” relatam situações de suicídio, com alguns versos bastante explícitos. Mais recentemente (Fevereiro/2020) lançaram “ira ira suru ame” (em tradução livre “chuva irritante”), que, tal como “shinitai”, mostra um mental breakdown com um clipe simples, porém bem impactante.

XAA XAA é uma banda com temas tristes mas nem só de depressão se faz uma banda, há também criticas à sociedade, músicas sobre relacionamentos, sobre solidão e ilimitados outros temas em diferentes níveis de tristeza, de cotidiana até extrema.

Uma banda dedicada

Eles também podem ser considerados muito caprichosos, um exemplo disso é que vários lançamentos deles têm construções temáticas, como o single “asagao ga naiteiru” onde as três músicas do CD foram compostas com metáforas incluindo flores, ou também o álbum “fukou na meiro” (lit. “labirinto infeliz”) cuja música de trabalho, “gucha gucha” expressa o sentimento de estar perdido dentro da própria cabeça (como num labirinto) e é acompanhada de várias outras músicas com sentimentos similares.

Além disso, há vários relatos de pessoas que foram os assistir ao vivo que falam sobre as apresentações deles serem muito bem elaboradas, eles decoram as casas de shows em todos os cantos (até os banheiros), deixando todos totalmente imersos em suas performances mesmo antes de ela começar.

Chuá-chuá

Apesar de os temas serem bem pesados na maioria das vezes, XAA XAA trás isso em uma sonoridade muito versátil, há músicas com instrumentais um pouco mais pesados, com guturais e muito headbang, mas há também músicas com vibes bem dançantes e também baladas.

Além disso a banda fala sobre coisas que a maioria das pessoas já viveram, sem complicações, sem tentar resolver ou implicar, só sentir e aceitar o mood.

Vem conhecer a banda com a nossa playlist de introdução a XaaXaa:

Canal do XAAXAA no youtube (onde tem dois shows disponíveis pra assistir): XAAXAA
No Twitter: @xaaxaa_official

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