Conhecido mundialmente por seu trabalho como baterista do Girugamesh, uma das bandas mais marcantes da cena visual kei e do rock alternativo japonês dos anos 2000, o músico Ryo agora apresenta ao público um projeto que reflete sua evolução artística e sua busca por novas formas de expressão.
Nesta entrevista exclusiva, conversamos com Ryo sobre os bastidores dessa nova empreitada, o legado deixado pelo Girugamesh, os desafios de começar algo novo e as expectativas para o futuro. Prepare-se para conhecer um lado diferente de um artista que continua surpreendendo e reinventando sua própria história.
Ryo-san, obrigado por aceitar participar! Sou um grande fã do seu trabalho desde os tempos de girugamesh. Foi uma das bandas que me introduziu no cenário musical japonês.
Muito obrigado pelas suas amáveis palavras e apoio.
Fico verdadeiramente honrado em saber que você apreciou minha música e visão artística. Sua mensagem significa muito para mim.
Ryo-san, você continuou trabalhando no mundo artístico mesmo após o fim da banda da qual fazia parte, Girugamesh, que se separou em 2016. Desde então, você lançou alguns covers em seu canal do YouTube que atraíram muita atenção, inclusive fora do Japão. Agora, você parece ter abraçado completamente seu projeto solo ‘Trackmaker’, com vários lançamentos consecutivos. O que motivou sua decisão de seguir um novo caminho artístico?
Mesmo depois do fim do Girugamesh, continuei trabalhando na indústria musical. Tive a sorte de participar de muitos projetos de artistas como compositor, engenheiro de gravação, engenheiro de mixagem e engenheiro de masterização.
No entanto, sempre havia um sentimento que me acompanhava. Eu queria lançar minha própria música para o mundo novamente. Ryo Trackmaker é a resposta para esse sentimento. Não só posso compor música, como também posso me apresentar, gravar, mixar e criar vídeos, o que me permite trazer o mundo da minha cabeça diretamente para a realidade.
Hoje, gosto tanto de criar música para outros artistas quanto de criar música para mim mesmo.
Embora você tenha composto a música e escrito a letra de seu primeiro lançamento, ‘REGENERATE’ (fevereiro de 2026), alguns de seus fãs e pessoas que acompanham seu trabalho têm opiniões divergentes sobre o uso de inteligência artificial nos vocais da música, algo que no Japão deveria ser mais comum, já que é semelhante ao que acontece com os Vocaloids. Como você vê o uso da tecnologia na indústria musical hoje?
Para mim, a tecnologia é simplesmente uma ferramenta. Quando a tecnologia de gravação surgiu, foi alvo de críticas. Quando os computadores passaram a fazer parte da produção musical, muitas pessoas também resistiram. Acredito que com a IA não seja diferente. O que importa não são as ferramentas que você usa, mas o que você quer expressar.
Não acredito que a IA substituirá os músicos. A direção de uma música, o arranjo, a performance e as decisões artísticas finais ainda são tomadas por pessoas. Eu pessoalmente componho, arranjo, interpreto, gravo, mixo e masterizo minhas músicas. Os vocais de IA são apenas um elemento desse processo. Em vez de rejeitar novas tecnologias, estou interessado em descobrir como elas podem ser usadas para criar novas formas de expressão.
Apesar de assumir toda a responsabilidade pela produção como Ryo Trackmaker, você já era um dos principais compositores da sua banda anterior. Como este novo trabalho reflete uma versão diferente de você como artista e compositor?
Em Girugamesh, eu criava músicas para uma banda. Como Ryo Trackmaker, estou criando um mundo inteiro. Essa é a maior diferença. Metal, rock, pop. IA ou humano. Não me interesso particularmente por essas categorias. O que busco não é gênero, e sim identidade.
Se alguém ouve uma música e pensa: “Isso soa como Ryo Trackmaker,” então considero isso um sucesso.
Você lançou o single ‘DIVIDE’ em 13 de junho, que transmite um sentimento de separação não apenas entre as pessoas, mas também dentro de si mesmo. Quais experiências ou reflexões inspiraram essa ideia de divisão interna presente na música?
Acredito que a sociedade moderna está repleta de divisões. Política, redes sociais, valores, gerações. Sempre há alguém traçando uma linha divisória e criando um “nós” e um “eles”. Mas o que eu realmente queria explorar era a divisão dentro de nós mesmos. Nossos verdadeiros sentimentos versus os papéis que desempenhamos. O que queremos fazer versus o que se espera de nós. O desejo de viver autenticamente versus a pressão para nos conformarmos. Acredito que todos vivenciamos esses conflitos. ‘DIVIDE’ é uma canção que transforma essas frustrações e contradições em música.





