O ano de 2019 começou com algumas decepções nos filmes mais populares, as mesmas certezas do Oscar e os esquecidos que estavam presentes nos cinemas, mas ofuscados pelos filmes coloridos lotados de CGI.

Entre eles surge os cults que conseguem surpreender, e outros para vangloriar, mas e quando os europeus arriscam em fazer algo mais popular? Seria interessante, mas eles não conseguem sair da essência cult presente em suas produções, isso é O Rei de Roma, poderia ser problemático, mas foi satisfatório.

Eu Sou Tempesta

O Rei de Roma, tradução bizarra para um filme que leva o nome de Eu Sou Tempesta, o protagonista é um bilionário pilantra chamado Numa Tempesta. O mesmo precisa passar por trabalhos voluntários para cumprir sua pena de investimentos falsos, já somos jogados a um ambiente interessante, um empresário de alta classe e esnobe trabalhando em um centro comunitário que ajuda os moradores de rua, todas os ingredientes para uma boa comédia.

Dito e feito, em um nível bem leve de humor que chega a passar despercebido em alguns momentos, a trama se desenvolve nos problemas dos moradores de rua sem parecer sofrimento, a ideia é diversão do início ao fim, um caminhar simples para essa história que contém plots interessantes e barrigas incômodas, contudo os personagens, digamos quase figurantes, acabam tendo sua importância no fim, e todas as pontas soltas e personagens avulsos são amarrados, chegando assim a conclusão da história.

O velho clichê de que tudo fica bem no final, mas que aqui funcionou e satisfaz àquele que estiver assistindo, temos então um blockbuster italiano.

o rei de roma
O Rei de Roma (Imagem Dvulgação)

 

Elenco de primeira

Uma questão um tanto estranha nesse filme é a tentativa de um filme europeu trazer uma comédia ao nível sessão da tarde, é admirável a tentativa porém engraçado como a sua essência se prende ao cult, é impossível não relacionar esse filme a qualquer outro europeu, cenas mais lentas com uma música clássica e fotografia desgastada, mas antes fosse isso algo negativo, Rei de Roma acerta na média do humor, mesmo algumas piadas e alívios cômicos falharem em tela.

O ponto forte desse filme pode-se dizer que foi o elenco, nada sensacional, mas funcional, em momentos de barriga, o alívio cômico do papel de Elio Germano junto ao filho é marcante e vira o protagonismo para ele, mas sem esquecer Numa Tempesta, papel de Marco Gilliani, também funcionando no início como alívio cômico, seu personagem é desconstruído de malandro oportunista a um velho esquecido pelo pai, e todo esse trabalho te coloca mais agarrado a trama ao tentar entender a tristeza do personagem. Com isso se vem de forma nítida e direta, o plot, que mesmo assim te acerta e te causa uma emoção de felicidade e leveza ao final do filme.

o rei de roma
O Rei de Roma (Imagem Dvulgação)

 

Vale a diversão! 

Rei de Roma não é encantador, nada surpreendente e qualquer um que assistir vai esquecer cinco minutos depois que o assistiu, mas vale aqui um filme italiano divertido, na média do blockbuster, que coloca situações que lembram alguns clássicos oitentistas da sessão da tarde.

Não vai te marcar para sempre, contudo vale o tópico, uma fagulha dos filmes europeus popularizarem a níveis norte americanos, talvez não com as cifras investidas, mas com um bom roteiro e elenco forte para um belo filme.