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Para quem acaba de chegar ao Japão, uma das maiores surpresas que se pode ter é como o lixo é meticulosamente separado. Existem dias específicos de coleta para cada tipo de resíduo, bem como várias exceções e jeitos diferentes de descarte, é quase preciso fazer um doutorado para jogar o lixo fora. Como funciona o Sistema de Reciclagem no Japão?

Separando o Lixo

Quando você se muda para uma casa no Japão, você precisa pesquisar o regulamento para a separação do lixo da sua cidade e especificamente do seu bairro. Existe um local especial para você colocar seu lixo, o shusekijo, onde geralmente tem uma rede azul que serve para impedir que os corvos rasguem as sacolas, bem como uma placa informando que aquele é o local do lixo e o horário que o caminhão do lixo passa.

Além disso, você não pode usar aquelas de mercado ou lojas para jogar o lixo fora, é preciso comprar um saco de lixo transparente, que é o único aceito para colocar o lixo, não, nada de preto ou azul como tem no Brasil. Você também não pode colocar o tipo de lixo errado fora do dia especificado, se isso acontecer, o lixo será devolvido para você, eles literalmente colocam a sacola de lixo dentro da entrada do seu prédio.

Além das regras básicas quanto ao manuseio que expliquei acima, é preciso seguir as regras para cada tipo de lixo.

Existem 3 categorias principais: combustíveis, não combustíveis e recicláveis.

Os combustíveis correspondem a restos de comida, papéis não recicláveis (como fotografias), roupas, sapatos, itens de couro, galhos e folhas. É preciso ter uma atenção especial para não deixar o lixo com líquido acumulado. Quando ao óleo, existem 2 formas de se desfazer, você pode misturar um produto químico, como o katameru tenpuru, que endurece o óleo e ele pode ser descartado nessa categoria, ou você pode coloca-lo em uma garrafa de plástico, mas isso é diferente para cada bairro/cidade.

O lixo não combustível inclui vidro, garrafas com produtos químicos, cerâmica, metais, lâmpadas, baterias e alguns aparelhos domésticos. Em caso de objetos cortantes ou perfurantes, é preciso embalá-los bem e pode ser preciso colocar uma etiqueta escrito kiken (perigo).

Já os recicláveis incluem papéis, papelões, garrafas de plástico, isopor, garrafas de comida e bebida, bandejas de comida e latas. Papéis como papelões, revistas, jornais e caixas devem ser prensados, dobrados e amarrados juntos de acordo com o tipo, também não devem estar molhados. Esses itens não devem estar sujos, caso estejam, devem ser descartados no lixo combustível.

A coisa não para por aí, ainda existe a categoria especial, como móveis, objetos grandes e itens perigosos como baterias de carro, material de construção, tóxicos e etc. Nesse caso, é preciso se registrar por telefone, comprar um ticket para tratamento do lixo e pagar uma taxa, assim o seu lixo será recolhido no dia escolhido. Como alternativa, você pode levar esses itens até um centro de separação de lixo, o local deve ser o especificado pela sua cidade.

Além disso, os estabelecimentos precisam pagar para que a prefeitura recolha o seu lixo. É por isso que nas lixeiras que ficam nas lojas de conveniência e mercados tem uma placa dizendo para você não jogar o lixo da sua casa ali, porque eles pagam por litro.

Leia também: O que o Japão pode nos Ensinar sobre Limpeza?

Nem tudo são Flores

Apesar de tanta separação de lixo, o Japão ainda tem uma grande cultura de consumismo e desperdício, o que gera muito lixo que nem sempre pode ser reciclado. Um dos maiores problemas quanto a isso no país é o plástico, que é utilizado em quantidades absurdas quando se faz qualquer tipo de compra. Por exemplo, para comprar um queijo, ele vem dentro de um plástico e cada fatia é embalada por outro plástico, sem contar com a sacola.

No ano passado, o governo de Tóquio anunciou seu objetivo de fazer todas as lojas cobrarem uma pequena taxa pelas sacolas de plástico até 2020. Isso diminuiria um debate que existe há anos, que se continua mesmo com a troca dos governos.

Algumas lojas já adotaram a mudança, incluindo mercados como Aeon, Ito-Yokado e OK Store. Outros já são mais relutantes, dizem que querem abraçar a ideia para ajudar o meio ambiente, mas eles tem medo da concorrência com lojas que não adotaram a ideia de cobrar pelas sacolas.

Um dos grandes oponentes à essa ideia são as lojas de conveniência, que se preocupam com a cobrança e isso faria os clientes pensarem duas vezes antes de pararem para comprar uma bebida, lanche ou cigarro. Afinal de contas, poucas pessoas levam sacolas recicláveis (ecobags) quando saem para qualquer lugar.

É um assunto complicado, mas que é necessário para diminuir o impacto ambiental causado pelas sacolas plásticas.

A grande quantidade de lojas de conveniência espalhadas pelo país acaba influenciando muito a indústria para recuar na proibição das sacolas. Essas lojas também são um dos motivos pelo qual o consumo anual de sacolas plásticas per capita de Tóquio ser maior que na maioria dos outros municípios e superior à média da Europa.

As sacolas de plástico são mais difíceis de reciclar já que são feitas de tipos de plástico diferentes e fundidos. Essa é a principal diferença entre elas e as garrafas de PET, que são feitas de um material fácil de reciclar. As sacolas podem ser queimadas, mas nem todos os bairros optam pela queima e essas sacolas que não descartadas corretamente acabam indo parar em rios que desembocam no mar e prejudicam a vida marinha.

Alternativas Ecologicamente Corretas

Além da cobrança pelas sacolas de plástico, existe um esforço para que as pessoas voltem a utilizar um patrimônio cultural japonês muito útil e que pode ajudar o meio ambiente, o furoshiki. O furoshiki consiste na técnica de utilizar um tecido para embrulhar e transportar itens, são realmente bem resistentes. Outra opção são as ecobgas que se popularizado nos últimos anos, mas ainda não são muito vistas para carregar compras de mercado e lojas de conveniência, por exemplo.

Também existe uma campanha de conscientização forte para que as pessoas utilizem garrafas que não sejam descartáveis, como as térmicas, bem como ter os seus próprios hashis para não precisar usar hashis descartáveis na hora da refeição. É uma forma de diminuir o lixo plástico e também de economizar.

Outras formas de amenizar o impacto do lixo no meio ambiente incluem itens feitos com o lixo reciclável e a obtenção de energia através da queima de parte do lixo combustível.

 

 

Esse aqui é o pdf da minha cidade para separar o lixo