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Recentemente, via Darkside Books, recebi o quadrinho Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash. Espantei no momento que li Dave McKean – pois até o momento, apenas o conhecia das capas do icônico Sandman, de Neil Gaiman.

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Eis que então fui atrás de suas obras – o que rendeu até uma matéria sobre ele no SUCO, 5 Obras de Dave McKean que você precisa conhecer! – e claro, me preparei para adentrar no seu mundo soberbamente caótico…

Mas antes, quem diabos foi Paul Nash?

Talvez não tão conhecido em terras tupiniquins, Paul Nash foi um dos grandes expoentes do surrealismo britânico e mais: um sobrevivente da Primeira Guerra Mundial, na qual vivenciou bombardeios e diversas mortes de companheiros em trincheiras na Bélgica.

De “mais um pintor de paisagens”, sua exótica experiência em guerra trouxe um estilo próprio a suas telas; fantásticas e insanas, em busca de seu significado para o mundo.

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Shelling The Duckboards, Paul Nash

Vivência em Guerra

Como foi seu período de guerra? Quais os efeitos colaterais físicos e psicológicos que trouxe ao artista? Este período caótico será esquecido?

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Não. Dave McKean estudou a fundo toda a história de Nash para o quadrinho. De memórias, livros, documentários, a pesquisa do quadrinista foi extensa e minuciosa, o que acarretou no teor extremamente dramático na obra.

O Cão Negro

São inúmeros significados do Cão Negro (Black Dog) que perseguem Nash do início ao fim do quadrinho. Da experiência da quase-morte ao período de depressão pós-guerra, foi como Paul Nash “personificou” a morte, que o perseguia e convivia ao seu lado o tempo todo.

Em uma leitura um pouco desatenta, a semiótica de Black Dog (como o do “Cão Negro”) pode passar despercebida. É de vital importância a reflexão quadro-a-quadro, como se fosse uma análise de uma pintura num museu.

Estudo dos Sonhos

Cada um dos 15 capítulos/sonhos, conta com um estilo de arte diferente, seja pintura, desenhos, recortes e até mesmo figuras que remetem as escolas de artes do início do século XX – como o Cubismo. Uma boa analogia é de que a intenção de McKean é fazer uma “Pintura Sequencial”. Destaco aqui o acabamento gráfico da editora, sendo possível vislumbrar cada pincelada nas gravuras. 

É inegável a comparação por parte do leitor com a obra de Neil Gaiman, principalmente com relação as metáforas dos sonhos; mas não espere uma narrativa épica, nada disso. A trama conta com saltos temporais, um vai e vem tentacular característicos como nossos sonhos. Atente-se a leitura e compreenda cada linha! 

Impacto da Pólvora

Gosto de comparar Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash como um “The Wall” em quadrinhos. Enquanto Roger Waters “tomou” as dores de seu pai e fez um álbum memorável no meio musical (pode incluir as sobras do The Final Cut aqui também), Dave McKean incorporou Paul Nash.

Uma leitura não linear, de camadas metafóricas, irregular sob muitos aspectos, a fim de mimetizar a mente caótica do artista britânico, Black Dog parece exaurir todo o tipo de arte gráfica existente, já que nas mãos de McKean, isso parece ser possível. Memorável! 

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