Charlie’s Angel, série da década de 70 hoje cai no esquecimento de que um dia ela aconteceu, isso porque a adaptação cinematográfica “As Panteras Detonando” de 2003 apresentou essa história para a geração que cresceu nos anos 2000.

Hoje somos levados mais uma vez a esse mundo, onde As Panteras é um filme que não só repete o feito da primeira adaptação e conquista a um novo público, como desenvolve a representatividade em um nível muito mais trabalhado que outros filmes e sem ser de forma forçada ou gratuita, se apoiando um pouco em referências da série e filme, tentando esconder os vastos problemas de roteiro e direção a qual esse filme deve ter passado.

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Desenvolvimento das Três

O ponto mais questionável em um filme de ação é o roteiro, o mesmo se mostra algo simples e até comum dentro do gênero, existe um desenvolvimento que faz com que a trama caminhe, mesmo que sua conclusão resulte na ação extrapolada e sem sentido, ainda sim funciona e te entreter na medida certa, porém em As Panteras, as cenas de diálogo são muito melhor trabalhadas e ricas em emponderamento, só que divide a tela com as cenas de ação aos padrões oitentistas que se provam ultrapassados em 2019, essa competição de espaço de diálogo x ação atrapalhou o desenvolvimento das personagens em tela, deixando uma grande bagunça de personalidade.

Por mais que Elena (Naomi Scott) represente o público em cena, se mostrando perdida e sem entender a ação repentina, em cena a mesa vira e ela se torna uma personagem muito mais sagaz e decidida do que vai fazer, uma mudança brusca de personalidade que escala para as outras, destacando Sabina (Kristen Stewart) que se mostra a mais problemática em cena, quase que se colocando como alívio cômico, mas que raramente funciona, contudo se mantém com o diálogo afiado e certos momentos em que precisa agir.

Ela cai por terra com a tentativa fracassada de forçar rivalidade com Jane (Ella Balinska), a qual consegue carregar as outras duas nas costas não só com a ação ao estilo espiã clássica, como trabalha o ego inflado de uma militar que se considera melhor e mais preparada que as outras, caindo por terra quando percebe o quão falha ela pode ser agindo dessa maneira, e ainda mostra o lado sensível, provando que não é só uma espiã fria, trabalhando o lado humano do que não se mostrava sensível durante o filme, mas todos esses pontos são questionáveis com um desenvolvimento tão bagunçado de personagem que faz a relação das três ser algo forçado, ou até artificial a ponto de não convencer e apagar por completo as protagonistas em tela em várias cenas diferentes do filme.

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Diálogo x Ação

O conjunto da obra é muito mal trabalhado, e como a trama traz momentos que dependem do que o roteirista escreve para cada personagem, gera um desafio a sua suspensão de descrença e joga esse filme para algo já visto em filmes da década de oitenta e que não funcionam hoje em dia, furos de roteiro que condenam a história em muitos pontos que destacam as falhas vistas em tela, em balanceio com uma edição bem clichê de filme comercial, se vê nitidamente que a produção passou por alterações drásticas para fins lucrativos, isso pode ser um tiro pela culatra e custar caro devido a tamanha retalhação da obra.

Como dito antes, um filme de ação destaca mais as cenas onde ocorre o perigo do que os diálogos, nesse filme ele quis equilibrar diálogo x ação, por mais perfeito que tenha sido, algumas mudanças de ação e diálogo te tiram do filme, humor que passa desapercebido em alguns momentos e cenas gratuitas de paisagem com trilhas que trazem uma aparência de clipe musical, fazendo de As Panteras um filme esquecível.

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Girl Power

O ponto mais forte a destacar do filme é o marketing, estamos falando de As Panteras, ou seja, Girl Power elevado a décima potência, esse filme têm um público-alvo e esse são as mulheres, com cenas de ação e diálogos fortes, desenvolvem uma representatividade muito melhor que a vista em Capitã Marvel e Mulher Maravilha, não substituindo simbolicamente, mas representando de forma mais marcante, trabalha a sensibilidade sem ser frágil, a sedução sem ser sexista, a porradaria e tiroteio bem nível brucutu e o discurso forte e emponderado de como é lutar como uma mulher.

Cenas onde até o personagem mais bem preparado não consegue bater de frente com a união das protagonistas, e mesmo em cenas separadas, provam que uma mulher sozinha também se mostra forte, o trabalho de marketing e a direção da Elizabeth Banks não só fizeram a diferença, como escalaram para um novo nível de como trabalhar a representatividade feminina em uma grande produção de Hollywood, sem ser gratuito ou forçado, conseguindo maquiar os grandes problemas de roteiro e edição, pode aparentar um possível fracasso, mas caso o marketing funcione e acerte o público certo, As Panteras pode ser um sucesso maior que se imagina.

A grande comercialização do filme transforma As Panteras em mais um filme artificial, onde o marketing trabalha melhor do que o próprio roteiro e toda representatividade ofusca a edição retalhada possivelmente mexida pelos produtores executivos

Ainda sim o filme consegue entreter com ação sem limites e diálogos afiados que escalam o filme para um belo blockbuster, se tornando uma obrigação para toda mulher assistir e vibrar por cada momento girl power que As Panteras proporcionam em tela.

REVIEW
As Panteras
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.