Tóxico, adj. sm., que tem como significado 1. que ou o que envenena, que tem propriedade de envenenar, venoso; 2. que ou que produz efeitos nocivos ao organismo* – referência: Michaelis Online, dicionário brasileiro da língua portuguesa.

ARQUIVOS DE REFERÊNCIA

BMQMNQ #0 – Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss | Solidão
BMQMNQ #1 – Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss | Fragilidade dos Laços Humanos
BMQMNQ #2 – Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss | Tudo por amor

*Vou utilizar a compreensão de organismo como um todo, organismo vivo, com sua emoções e sensações, corpo e mente como um todo – não vejo porque separar ambos, nesse caso.

Assim, feitas as considerações iniciais, quis começar com a definição para um esclarecimento inicial. A pergunta que nos norteia hoje, tal como este texto não tem pretensão de ter uma resposta definitiva. Da mesma forma que (muito provavelmente) todos os textos da coluna.

O significado do dicionário serve para pensar em como “tóxico” tem um cunho negativo, contudo, que não necessariamente é algo ruim. Por vezes, precisa-se de algo corrosivo, seja para remover impurezas ou a casca, seja para trazer a tona outras coisas. E eis a função que o amor em Kuzu no Honkai desempenha seu papel – ou não-amor, para ser mais específica. Apenas em consequência de seus amores não correspondidos ou ausência de um amor, que muito dos personagens do núcleo principal veem a enfrentar sentimentos e questões que giram em torno desta.

Ademais, já adiantando, creio que sim, na série o amor tem um caráter tóxico. Ele desvela aparências e crenças, por vezes corroendo o caráter e valores dos personagens, todavia, também faz com que entrem em contato com suas qualidades menos desenvolvidas, seu lado sombrio, defeitos e imperfeições – características que os tornam humanos, afinal.

A grande questão, que faz com que tire meu chapéu (se eu tivesse um) para a série é que, ao contrário de romances típicos e tradicionais da cultura shoujo, Kuzu ressalta os “pontos negativos” de se amar. Não há todo aquele enfeite, rosas e arabescos. Por vezes, ele é curto e grosso. Direto, tal como a personalidade de Hanabi. Ela mesma afirma odiar o amor pois, diferente de estudos, esportes e cozinhar – atividades que com a prática e o empenho você vê resultados; o amor não é bem assim.

Entretanto, ainda assim é possível ver uma apreciação da dor e do sofrimento – vulgo “beleza da dor” – na obra. Ironicamente, logo nos primeiros capítulos, a própria protagonista questiona o que há de belo nisso. Somado a tal, há um condenamento de buscar conforto no físico, no desejo. Cria-se então um embate amor e desejo, que o segundo por si só, sem amor, é condenável. Eis o motivo de serem “lixo”, scum, kuzu.

Particularmente, tenho muitas inquietações sobre a moral por trás implícita (e explícita). Porém, considerando a cultura oriental e seus contrastes (de um lado idols puritanas e erogames rs), creio que não seja tão difícil de processar.

Bem, por hoje é isso. Peço desculpas pelo texto breve, no entanto, semana que vem compenso. Quis mais fazer um aquecimento para o próximo.

Quinta que vem, a parte final de Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss: Obras de contrastes e aceitação da sombra.

Até lá, dears.

Kissus