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Normalmente as pessoas não conseguem lidar com pessoas depressivas, problemáticas, esquizofrênicas e outras doenças mentais.

Imagina se o mesmo é envolvido com drogas, a luta para que o usuário se cure disso é desgastante e frustrante para qualquer um ao redor desse núcleo, inúmeros filmes e documentários já geraram discussões, porém esse problema nunca foi solucionado.

Em Querido Menino se conta uma história verídica, critica o sistema de tratamento do vício e ensina um pouco do dia a dia do dependente químico.

Querido Menino
Querido Menino (Imagem Divulgação)

Reflexão do Cotidiano

A história de Nic Sheff é algo para se refletir no cotidiano, vivido por Timothee Chalamet, o garoto teve uma infância de classe média alta, sem problemas ou falta de qualquer coisa na vida, clássica família norte americana.

Quando se torna adolescente, acha que sabe tudo e quer conhecer tudo, nisso se envolve com as pessoas erradas e dá início a vida de dependente químico; nada disso é mostrado em cena, na verdade a mudança acontece de forma seca, mas a trama não esconde grandes segredos e nem trabalha plots geniais, aliás faz com que esse filme tenha uma história simplista e repetitiva do cotidiano – aparentemente desapontador, mas ilusório é essa visão, pois a relação com o pai David Sheff, interpretado por Steve Carell, famoso pela comédia, é conturbada e chocante pelos problemas envolvidos.

O ator apresenta um personagem de forma magistral, o qual é facilmente abraçado pelo público, a desconstrução da relação é algo que vai te despedaçando por completo, um filho o qual aparenta não ter jeito na vida e se mostra um usuário de drogas sem esperanças de cura, aos olhos de um pai envergonhado, reconhecendo o fracasso de símbolo paterno e abrindo mão de sua cria, parecendo ser um péssimo pai, porém você enxerga que ele foi além dos limites, sobrando apenas o amor da mãe, a qual se mostra abalada e perdida.

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A insistência desesperada do amor de mãe com a melancolia e o sentimento de fracasso do pai, o choro de ambos te joga em uma escolha pesadíssima da realidade, mesmo assim, eles tentam mais uma vez, pois o amor familiar ainda vive naquele núcleo, mesmo sendo um casal divorciado.

Querido Menino
Querido Menino (Imagem Divulgação)

Múltiplos Finais

Esse filme possui mais de um final e ainda pode se imaginar outros, a última chance dos pais para salvar o filho, ou a desistência por mais uma vítima das drogas, qualquer um deles funcionaria perfeitamente, porém tudo isso é uma crítica ao sistema hospitalar para dependentes químicos nos Estados Unidos, aliás pode aumentar essa escala para o mundo, o dependente químico ser o fim da carreira e simplesmente ser ignorado até o último suspiro é a prova da falta de humanidade nas pessoas.

A simplicidade de Querido Menino esconde uma reflexão profunda e pesada o bastante para alguns mais superficiais ou visão mais racional tratar esse filme como uma produção mal sucedida, usar argumentos como uma narrativa fraca ou assistir a repetitividade do personagem passar pelas mesmas coisas, demonstra a falta de tato para esses casos, uma sensibilidade é necessária para esse filme, está sendo assistido a vida de um dependente químico, a demonstração de como funciona o dia a dia de um usuário, a recaída do mesmo, o modo como ele luta contra o vício, o porquê as pessoas se afastam dele, cada situação criando um redemoinho onde o mesmo se afunda cada vez mais até sucumbir, e estar fadado a morte, o problema em questão sobrepõe qualquer narrativa simplista ou roteiro básico, fazendo dessa produção, uma verdadeira cinebiografia sobre Nic Sheff.

Querido Menino
Querido Menino (Imagem Divulgação)

Alegrias e Angústias

Querido Menino é um fantástico filme que pode ser rotulado como um documentário fora dos padrões, uma lição de vida para um filme que te faz sentir alegrias e angústias sem fim, as quais testam seus limites emocionais para o desgaste de uma família destruída por um filho dependente químico, no fim da sessão, um final meio que feliz é um simples suspiro de tudo o que foi assistido, fazendo desse belo filme, uma lição de vida e um protesto para aqueles que acreditam que dependentes químicos são mortos vivos

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REVIEW
Querido Menino
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.