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Uma das maiores histórias de terror da atualidade têm sido as produções de Hollywood. A crise do gênero é oficial – já faz algum tempo – mas provou desse fato no segundo semestre de 2018.

Inúmeras produções para talvez duas ou três delas serem razoavelmente boas, como diz a frase cabal, ano novo, vida nova, o terror têm chance de provar mais uma vez que é um gênero de sucesso e aclamado, depois de Escape Room, A Maldição da Freira é a maior prova que o terror é um paciente em estado terminal, respira por aparelhos mas demonstra melhorias.

Vídeo Documentário

Ao estilo vídeo documentado já visto no filme A Bruxa de Blair, A Maldição da Freira gira em torno de um convento um tanto suspeito. Uma estátua da virgem Maria chorando sangue constrói o principal núcleo da trama e dois padres que investigam o caso travam um debate um tanto impertinente.

Enquanto padre mais velho se mostra cético a milagres e ignora a “mitologia” da igreja ser a casa de Deus, o padre mais novo se mostra ingênuo e crê cegamente que todos aqueles acontecimentos podem ser um milagre divino, e defende essa hipótese a todos os custos, mas ao decorrer da trama, nós vemos a queda de ambos, enquanto o mais novo sucumbe à loucura e questiona sua fé, o mais velho busca a palavra do Senhor como a última salvação, sendo que seu ceticismo batia na tecla da existência de Deus, pois não era demonstrado de forma convicta de que ele acreditava, quando a razão morre, o emocional toma conta e o que resta é chorar perante a certeza do fim e a loucura extrapolada.

Paranoia minha talvez, mas o filme trabalha isso, destrói aos poucos a fortaleza da fé e da razão perante a falta de explicações perante às sombras e vultos vistos, além de crucifixos girando na parede junto a garotas possuídas, clichês que foram muito bem trabalhados para trazer desconforto e agonia por cenas de susto e figuras macabras, elementos os quais o gênero devia para seu público.

A Maldição da Freira
A Maldição da Freira (Imagem Divulgação)

Medo e Pavor em tela

Apesar de trabalhar o medo e o pavor em tela, não se pode dizer da história, algo completamente sem sal que pode ter sido copiado de inúmeros filmes de terror já visto, lembra um pouco a trama de Rec e o próprio A Bruxa de Blair, não só pela câmera estilo primeira pessoa mas pelo desenvolvimento da trama, uns plots cirúrgicos que funcionam para caminhar a história, porém não impacta e nem prende, aliás toda a edição para fazer desse filme algo aterrorizante ofusca por completo o roteiro, apenas a queda dos protagonistas te mostra que ainda existe uma história.

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Contudo essa fraqueza de roteiro não coloca esse filme como um desastre completo, apenas como mais um filme de terror para te assustar e agonizar, ou seja, a missão foi cumprida.

Diante ao que o terror têm sido apresentado no cinema, A Maldição da Freira é aquele filme para calar a boca dos críticos. Esse filme é uma boa notícia de que ainda pode dar uma chance aos filmes de terror, defender as produções de baixa renda e se assustar com cada aparição, crucifixo de ponta cabeça e risadas de crianças fantasmas, para os mais sensíveis a filmes do gênero terror, sugiro passar longe desse filme, com certeza evitarão igrejas e freiras por um tempo.

A Maldição da Freira
A Maldição da Freira (Imagem Divulgação)

Assustador e Macabro

Um excelente filme, o tipo de terror assustador e macabro que Hollywood estava devendo para nós, um roteiro fraco é completamente ignorado por essa grande obra macabra apresentada a nós, A Maldição da Freira mistura o terror com suspense, colocando em teste a sanidade mental e a fé cristã de ambos os protagonistas, e talvez quem sabe a sua, dependendo de sua crença, você pode ser testado.

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REVIEW
A Maldição da Freira
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.