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Depois de 2 anos de pandemia mais 40 anos da banda, finalmente Metallica chegou em Curitiba. Uma das bandas mais conhecidas no meio do rock, precursores do thrash metal e reis do heavy metal, as expectativas estavam altas para o primeiro show deles na cidade. Serei sincera, estava esperando um show incrível, mas não foi isso o que recebi. Afinal, seria injusto descrever esse evento apenas como incrível ou maravilhoso ou sensacional. Metallica veio pra mostrar todo o sucesso que vem sustentando desde 1981, pra provar que eles não chegaram onde estão a troco de nada.

Portanto, hoje minha missão é tentar passar pra vocês pelo menos um pouco do que é presenciar um show desse nível. Vem comigo!

A expectativa da espera

Tentarei ser breve quanto aos momentos anteriores à apresentação da banda propriamente dita, então irei apenas contextualizar algumas coisas.

Bom, o show aconteceu no Estádio Couto Pereira, uma região de fácil acesso em Curitiba. Os portões abriram às 16h e o primeiro show de abertura, realizado pela banda Ego Kill Talent, começou às 18h30. O grupo estava divulgando seu novo álbum “The Dance Between Extremes”, lançado em 2021. É uma responsabilidade enorme ser a banda nacional que vai abrir um show do Metallica, mas acredito que eles conseguiram fazer um bom esquenta. Claro que não levaram o público ao delírio, mas cativaram a plateia e puxaram todos pra gritar e bater palma juntos.

Ego Kill Talent
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Então depois de mais um período de espera, às 19h30 a segunda banda de abertura, Greta Van Fleet, realmente conquistou o público. Promovendo o disco “The Battle at Garden’s Gate”, eles sacudiram a plateia e fizeram todo mundo vibrar. Inclusive, quem ficou na pista teve direito até ao pandeiro meia lua do Josh Kiszka, que jogou o instrumento na multidão.

Greta Van Fleet
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Eu posso sentir a chama

Lá estava eu, tremendo de frio, com dor em todo meu corpo e quase sem sentir os meus pés depois de horas em pé. Nesse contexto, os vinte minutos de atraso da banda pareceu quase imperdoável. Afinal, todos estavam contando os segundo para as 21h, então cada minuto a mais de espera durava uma eternidade.

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No entanto, tudo foi compensado quando o telão passou a exibir uma gravação. As luzes apagadas, a expectativa pesando no ar até que as primeiras batidas da bateria anunciaram a chegada deles. Sincronizado com a música, grandes telões no palco acendiam um padrão de luzes, prolongando o suspende até o último segundo.

Metallica Curitiba 2022
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Então finalmente, os acordes de Whiplash cortaram toda a tensão, marcando a primeira aparição do Metallica nos palcos de Curitiba. Na primeira música já deu pra notar que eles realmente não estavam de brincadeira, utilizando os telões da melhor forma possível, alternando imagens deles com gravações, animações e efeitos especiais. Além disso, a sincronia do jogo de luzes com o ritmo das músicas foi insano de ver, tendo momentos que eu ficava em dúvida se admirava elas ou os próprios artistas no palco.

Logo em seguida tocaram Ride the Lightning e The Memory Remains, apenas preparando a animação dos fãs para cantar Seek & Destroy a todo pulmões.

Mesmo no começo do show foi incrível perceber a presença de palco que o Metallica possui. Foi empolgante ver como os quatro se divertiam, Lars passou o tempo inteiro dando risada, James soltou suas características gargalhadas e Kirk e Robert corriam de uma ponta a outra do palco. Inclusive, fiquei admirada com o baixista, que não economizou nas caras e bocas e ainda girou intensamente o baixo durante Seek & Destroy.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá
Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Seduced by fame…

Meus amigos, todas as músicas foram inesquecíveis, mas duas em especial foram… de cair o queixo, arrepiar os pelos, tirar o fôlego e levantar defunto.

Metallica incendiou Curitiba com a performance de Moth Into Flame, utilizando, é claro, do recurso da pirotecnia. Um foco de chama percorria um lado ao outro do palco, atrás da bateria, o que já foi incrível. Mas então, seguindo o ritmo da música, mais labaredas surgiram na beira do palco, o que foi uma sensação pra todos. NO ENTANTO, o Metallica ainda não tinha acabado. De quatro torres espalhadas pela pista saíram fortes labaredas, literalmente botando fogo no céu.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Assim, depois dessa performance insana eles apresentaram outra música que por si só já é de arrepiar: One. Utilizando jogo de luzes, fogos de artifício e efeitos sonoros, a banda nos ambientou no contexto de guerra. Assim que a música começou, os telões exibiram um batalhão de soldados marchando lentamente para o combate.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Então um show de luzes fez a plateia se enxergar no meio de um campo de batalha, trouxe à tona o desespero de uma guerra. Desse jeito, à medida que a história da letra avançava, os telões nos mostravam minas, bombas, tudo em tons de vermelho. Até que o climax da música chegou e os soldados estavam de volta nos telões, mas dessa vez, como caveiras.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Foi arrepiante de ver. Sem palavras.

Yesterday seems as though

Enfim, para não me estender tanto (pois como tiete do Metallica usaria páginas e páginas pra falar do show) vou pontuar apenas mais alguns aspectos aqui.

Depois dessas duas músicas avassaladoras, a banda tocou Sad but True, Whiskey in the Jar, The Unforgiven, For Whom the Bell Tolls e Creeping Death. Devo ressaltar que eles souberam usar muito bem os telões. Fiquei encantada com a animação de pesados martelos em Sad but True, e os sinos batendo ao som de From Whom the Bell Tolls. Assim como outras músicas, The Unforgiven foi ilustrada com gravações meio sombrias, que deram o toque final na atmosfera da música.

De qualquer forma, quero pontuar algo importante agora. A banda tocou Fade to Black exibindo luzes de uma cidade, que em determinado momento se moveram como se a câmera estivesse caindo de uma grande altura… Foi um momento muito tocante e sensível, que não foi negligenciado por eles.

James, num tom acolhedor falou com o público:

Essa música é para todos com problemas internos. Que sentem os problemas. Mas vocês não estão sozinhos! Não sintam medo de falar sobre isso! Falem para seus amigos, falem para suas famílias, falem pra alguém… Falem pra mim, agora!

Sendo um tabu falar sobre problemas psicológicos, em especial sobre suicídio, é inspirador ver um músico falando abertamente sobre isso. Lembrando que as coisas tem solução e que todos podem buscar ajuda, que não estão sozinhos.

Metallica Cuitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Forever trusting who we are

Finalmente, a banda “encerrou” o show com Master of Puppets exibindo uma animação da capa do álbum, levantando o astral da plateia depois das reflexões de Fade to Black.

De qualquer forma, teve o famoso “bis” depois disso. Para se despedir, Metallica tocou Battery, Nothing Else Matters e terminou de verdade com Enter Sandman.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Ainda, depois da última música os músicos não tiveram muita pressa em se despedir. Robert apareceu com um copo cheio de palhetas e jogou aos punhados para a galera da pista e Lars estava segurando algumas baquetas que também foram para o público. Além disso, acho que o James se empolgou com essa brincadeira e jogou pra galera as próprias munhequeiras que estava usando. Maldita sortuda a pessoa que conseguiu pegar.

Comentários finais

Acredito que eu não precise reforçar mais uma vez como gostei, aprovei e recomendo o show. Então, vou falar como foi interessante ver a diferença de gerações se misturando para ver uma banda de 40 anos. No público vi crianças, adolescentes, jovens adultos até idosos. Vi os roqueiros mais tradicionais até pessoas que esperaria encontrar num show de sertanejo.

Sobre o show em si, o mais encantador foi ver a energia do Metallica no palco, como eles se divertem fazendo aquilo. Inclusive, o evento foi tão incrível que até mesmo quem não tinha nascido se apressou pra ver a banda. Isso mesmo, uma criança nasceu dentro do Estádio durante o show.

Segundo o casal Joyce e Jaime, a mulher sentiu as primeiras contrações logo na primeira música da banda. Mesmo assim, após dois anos esperando pra ver o show (e apenas 9 meses pela criança), o casal decidiu continuar na área de cadeirantes e curtir a apresentação. Mas Luan, como foi chamado, quis ver o Metallica com os próprios olhinhos e nasceu ao som de Enter Sandman, música preferida de Jaime. Isso sim é uma história pra contar quando crescer.

Metallica Curitiba
Imagem Divulgação: Suco de Mangá

Enfim, foi uma noite memorável, como esperado de uma banda como Metallica. Espero que vocês tenham a oportunidade de presenciar o evento que acontecerá em São Paulo e em Belo Horizonte nos dias 10 e 12 de maio, respectivamente.

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