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Em uma das temporadas mais mornas da história das premiações, algumas produções se destacam por motivos de falta de concorrência ou por realmente ser um grande filme, e dessa vez se vê uma excelente obra que não só se mostra gigante, como também necessária para quem não conhece a história por trás da luta contra o racismo. Judas e o Messias Negro é uma aula de combate ao racismo sendo confrontada com o fascismo explícito da década de 60, trazendo pontos ideológicos contra uma supremacia branca em paralelo a um indivíduo que só quer livrar sua barra.

Antes de mais nada devemos destacar Shaka King, um nome que talvez seja desconhecido para todos, isso porque Judas e o Messias Negro é seu segundo filme no seu portfólio de diretor, claro que ele têm varias produções como filmes curtos e produtos para a televisão, mas filme para cinema e streaming é sua segunda obra, e já está na lista de indicados a filme do ano no Oscar. Olho nele que podemos esperar grandes produções vindo desse possível gênio.

Apesar de ser grandioso pelo conjunto da obra, o filme sofre com aquele começo arrastado que te cansa de assistir, um desenvolvimento que te cria um laço com os personagens onde boa parte deles não acontece, só que tudo perde o valor quando não se têm conceito, mesmo esse laço sendo mal construído, a dor dos personagens principais é sentida, sobrepondo todo o resto, sem falar do assunto histórico sobre os Panteras Negras, logo qualquer assunto fora desse arco acaba perdendo a importância, mais por causa do confronto panteras e polícia sendo explorados de todas as formas do que um construção fraca de laços.

Entre burocracias e trocas de tiros, tivemos algo bem maestrado para um filme em que nenhum momento se mostrou cheio de ação, o que tornou a obra maior ainda no meu conceito, pois tudo gira em torno de diálogos e tiroteios, prova que qualquer ação gratuita só para empolgação se mostra sem valor, aqui é algo mais denso, chega a ser bibliográfico para gerações posteriores, como o próprio conceito dos Panteras Negras foi para a próxima geração, Judas e o Messias Negro se junta a Infiltrado na Klan como obra histórica sobre a luta antirracista.

Aqui vemos um elenco que se destaca em cada momento, mas difícil não falar da dupla que coleciona indicações nessa temporada, Daniel Kaluuyah, interpretando Fred Hampton, o líder dos Panters Negras, e Lakeith Stanfield, o criminoso William O’Neal que foi coagido a silenciar o movimento e acabar com Hampton. Ambos conseguem sobrepor o filme e instigar amor e ódio por seus personagens, de um lado um líder ambicioso e forte com as palavras para uma Chicago mais livre para os negros, e do outro uma pessoa tão minúscula nesse contexto que se mostrou cada vez menor a cada atitude para derrubar os Panteras Negras, algo que trás um questionamento e talvez uma atitude racista da academia, o que faz esses dois atores estarem concorrendo juntos na categoria Melhor Ator Coadjuvante? Será que a academia não conseguiu distinguir quem era o ator principal? Será que, diante da maestria de Shaka King, a academia preferiu diminuir os personagens e colocou eles em uma só categoria, no caso Melhor Ator Coadjuvante? Porque ambos podiam concorrer a Melhor Ator e fatalmente um dos dois levariam a estatueta para casa, são essas atitudes sutis que mostrou a verdadeira índole da academia, de ano em ano sendo mais explícitos referente a sua parcialidade.

Judas e o Messias Negro é o filme que deveria passar o rodo no Oscar, mas racionalmente falando eu não acredito nisso, por causa do papa-prêmios Nomadland, vêm com costas largas e grande favorito para a estatueta, e também pelas questões ideológicas da academia, tanto que o filme do Spike Lee ganhou uma indicação no Oscar e ninguém se quer fala nele; claro que Judas e o Messias Negros é um filme muito melhor que Destacamento Blood, mas coleciona indicações e só ganhou dois prêmios, com Daniel Kaluuyah como Melhor Ator Coadjuvante no Critic’s Choice e no Globo de Ouro. Logo se vê um possível sumiço desse filme no Oscar. Espero muito queimar minha língua, mas parece se concretizar tal injustiça.

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