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2020: Japão Submerso, ou Japan Sinks: 2020, é um anime lançado na Temporada de Verão 2020. Todos os 10 episódios estrearam diretamente na Netflix, no dia 9 de julho. É um sci-fi com boas doses de drama.

Se gostou da animação “Devilman: Crybaby”, provavelmente irá gostar de Japão Submerso. O estúdio Science SARU é o responsável por ambos, assim como “Eizouken ni wa Te wo Dasu na!”. Já a direção ficou por conta de Yuasa Masaaki, já bem conhecido no meio da animação.

A animação é baseada em uma novel escrita por Komatsu Sakyou, que também recebeu uma versão em mangá, com 15 volumes e ilustrações de Ishiki Tokihiko.

Japão em meio a uma catástrofe

Em Japão Submerso, acompanhamos a família Mutoh vivendo normalmente. A mãe, Mari, está voltando de uma viagem de avião. O pai, Kouichirou, está no trabalho. Ayumu, a filha mais velha, está no seu treinamento de atletismo na escola e o filho mais novo, Go, está em casa jogando videogame.

Tudo parecia normal, como sempre. Até que, de repente, um terremoto avassalador começa a aterrorizar a população. O chão racha e levanta, prédios caem, pessoas se machucam e se perdem nos escombros. Gritos são ouvidos de longe, há crianças chorando e o desespero é instaurado em Tóquio.

A partir desse ponto, Ayumu tenta se salvar enquanto procura sua família, que também está fazendo de tudo para sobreviver. Quando finalmente se reencontram, precisam tomar uma decisão: para onde ir, agora que tudo foi destruído e os terremotos não param? Os amigos da família, Koga Haruo e Miura Nanami, também os acompanham nessa jornada pela salvação.

No caminho, a família Mutoh e amigos encontram várias pessoas que os ajudam e vice-versa. Conhecemos Kaito, Kunio, Daniel e muitos outros. E assim, aos poucos, o anime vai nos apresentando a história de cada um, criando um laço entre os personagens e o público.

Um anime angustiante 

A tensão da história é construída aos poucos. As primeiras cenas do primeiro terremoto são aterrorizantes, nos fazendo grudar na tela, ansiosos pelo que está por vir. Mesmo quem não está acostumado com esse tipo de tragédia natural, como muitos de nós brasileiros, a sequência foi muito bem dirigida e animada, conseguindo transmitir para o espectador o pânico de quem está na situação.

Enquanto acompanhamos toda a destruição, há uma narração de Ayumu, de uma época quando era mais nova e estava descrevendo sua casa, após umas mudanças que seu pai fez. Essa comparação de como era tudo lindo naqueles dias para a situação atual da cidade só aumenta a tristeza do momento. Foi uma escolha certeira, criando um balanço muito bom.

É muito fácil se identificar com Ayumu, mesmo nunca passando por isso. Afinal, seu desejo mais forte é encontrar sua família, pois assim se sentirá mais segura. Até gera um certo alívio quando o reencontro acontece.

Episódios de tirar o fôlego

Uma das características marcantes de Japão Submerso é sempre terminar os episódios com um grande cliffhanger, ou seja, com um gancho importantíssimo para o próximo. É um dos principais motivos para a maratona continuar ininterruptamente.

Esses últimos minutos também traziam grandes viradas para a história, mudando seu curso e a trajetória dos personagens. Alguns foram mais surpreendentes que outros, mas mesmo usando direto, não foi um artifício que cansou ao longo do tempo, porém se tornou previsível. A partir do terceiro episódio já era “comum”, fazendo o espectador aguardar por aqueles momentos finais.

Os personagens são muito espertos, sabendo se virar em várias situações. Cada um aprendeu de um jeito diferente, mas sabiam o que poderiam e deveriam fazer. Quando um não sabia algo, o outro auxiliava. Faz sentido, afinal quem vive nessas condições tem que aprender os básicos de como sobreviver. É interessante porque o anime mostra vários truques e soluções para algumas situações. É uma forma de aprender sem perceber.

Outra situação que podemos perceber ao longo dos episódios é o contraste entre as pessoas em uma crise. Enquanto algumas são muito solícitas, ajudando independentemente da própria situação, outras são muito egoístas, se tornando agressivas ao tentar fazer de tudo pelo seu próprio bem. Vemos bastante isso em obras de sobrevivência, como em apocalipses zumbis. Por mais que seja fictício, dá para imaginar facilmente a sociedade dividida dessa forma.

Abundância de cenas dramáticas

Por ser um anime de catástrofes, já esperamos muitas cenas dramáticas e tensas, mas acredito que houve um descuido na repetição de momentos chocantes. Em uma parte mais avançada da história, de tanto recorrerem ao mesmo artifício de drama, alguns momentos perderam um pouco a emoção, gerando menos impacto que os primeiros.

As sensações de urgência, medo e desespero perduram até o final, mas as coisas poderiam ter sido mais balanceadas para continuarem com a força do começo.

A animação também tem suas recaídas, ficando bem distorcida ou com movimentos duros e pouco naturais em determinadas cenas. Mas quando é necessário, principalmente nas cenas de ação, ela entrega a fluidez necessária, cumprindo seu papel. Quem já assistiu Devilman conhece bem como é feita. Alguns podem se incomodar, mas com o passar dos episódios, começa a ficar menos perceptível, pois estamos mais focados na história em si.

A trilha sonora é bastante marcante, sempre trazendo uma tristeza consigo, mesmo quando é um momento de medo e perigo. A abertura “a life”, cantada por Taeko Oonuki e Ryuichi Sakamoto, tem a mesma sensação. Transmite uma mistura de felicidade, esperança e tristeza. Tem uma animação bonita, como um quadro pintado em uma tela. Já o encerramento é uma música instrumental, mais dramática no sentido de tensão. É perfeita para encerrar os diversos cliffhangers da animação.

Tenso e angustiante

2020: Japão Submerso é uma obra fictícia, mas que traz consigo muita realidade. Ao mesmo tempo que é triste e trágica, transmite muita esperança também, principalmente nos últimos episódios. Há vários momentos tensos, que dão um nó na barriga, nos deixando angustiados. Mas também é uma história que ensina muito, não só sobre sobrevivência, mas sobre amor, luta e esperança nas pessoas e em seu país. Netflix acertou em cheio na animação, figurando entre uma das melhores originais lançadas até o momento pela plataforma.

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