Preconceitos, o que falar? Preconceitos existem em todos os lugares, sendo dos mais variados tipos. Frequentemente são pré-conceitos, ou seja, pré concepções que precisamos parar e refletir porque existem. Valores passados por uma tradição anterior, outra geração, atribuições dadas pela sociedade, enfim. Em geral, ter um posicionamento referente a algum tema e como esse se constitui que passa a ser o X da questão na reflexão de hoje.

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Para falar a respeito de algo, devemos partir de uma opinião. (Porém, vou deixar claro que não acredito que precisamos ter uma opinião a respeito de tudo, sempre. Afinal, desenvolver uma opinião não é tão simples assim. Mas, voltemos ao texto.) Vou partir do pressuposto que acredito que tatuagens e piercings são uma forma de arte. Digo isso pois entendo que ainda há muitos que não concordam e-ou são contra. Entendo e respeito opiniões contrária. No entanto, quero que tiremos uns 10 minutinhos para pensar acerca do tema.

Atualmente, a sociedade coloca grande peso na aparência. Seja isso ou seja aquilo. Siga isso ou siga aquilo. O mundo gira em torno de tendências e como você se adapta aos padrões de determinada época. Se for estudar a fundo, pode-se encontrar diversas razões que tentam explicar determinadas preferências. Ademais, muitas estão entrelaçadas com ideais de beleza vigente.

Hoje em dia, não seria diferente. Por mais que haja uma luta para expandir a visão das pessoas sobre o tema, há indubitavelmente um padrão instituído. Em muito, beleza passou a ser sinônimo de uma boa e pré-determinada estética. E, a tatuagem e o piercing sem dúvidas fere esse mesmo paradigma.

Eles também remontam uma tradição não muito compreendida e o modo como chegaram ao brasil logo passou a ser atrelado vandalismo, com o peso negativo de seus simbolismos. Se procurarmos as nossas próprias origens, vemos que em muito já tínhamos esse elemento de modificação corporal e pintura vindo da cultura indígena. Então, porque tanta repulsa e negação?
Porque não é o padrão, não está normatizado. Claro, as coisas têm mudado. A arte, em suas mais diversificadas formas e aspectos, ganhou mais espaço e apreço – não sendo restrita a uma elite ou um grupo. A tatuagem e o piercing não são diferentes.

Tudo isso para dizer como, apesar de uma nova visão estar surgindo, ainda há alguns que sofrem com discriminações e taxações alheias – pré-conceitos herdados, valores de uma tradição mais conservadora e tradicionalista.

Trago a discussão mais para incentivar a formação de um senso crítico. Você pode ser a favor ou contra, não tenha dúvidas. Entretanto, saiba respeitar a diferença, ser mais tolerante aos demais e suas particularidades. Não é porque alguém não está dentro de uma norma vigente ou possui algo que se diferencia que a pessoa necessariamente é má. Não é porque tem algo de diferente, seja sua aparência, físico, preferência, entre outro, que deve ser discriminado. Sabe, acho que acima de tudo é importante que a pessoa seja feliz. Se ela está bem com algo, se é algo dela, então deixe ser. Da mesma forma, não deixe de fazer algo por medo de julgamentos alheios. Desde que seja o que você quer, que tenha consciência e responsabilidade, o corpo é seu, a vida é sua.

Acredito que hoje em dia as pessoas gastam tempo demais se preocupando com os outros e a vida alheia. Não deixe esses outros, frequentemente desconhecidos, imperarem sobre você.

Agora, momento desabafo da Megu. (Como se todo o texto em si até agora não tivesse um quê de desabafo, cof.) Confesso que sempre admirei muito arte – especialmente por não ter nenhum jeito para coisa. E, tatuagen e piercings me chamaram atenção desde pequena. Por vezes, eu ouvia “ah, mas isso não é legal”, “quem faz isso é meio…”, “são rebeldes” e afins. Só que quando eu perguntava o famoso porque, o motivo, sempre me parecia um argumento um tanto vago.

Eis que, no meu aniversário de vinte e um anos – oficialmente emancipada e tendo juntado um dinheiro próprio – me dei uma tattoo de presente. (Nesse meio tempo já haviam tido alguns piercings, porém, queria algo mais “definitivo”.) As reações foram diversas. Muitas negativas. Muitas confusas. Algumas positivas. Para todo caso, eu estava e ainda estou muito feliz com minhas tattoos, obrigada.

Agora, teve um fato curioso que me marcou. Parece que depois que você faz a primeira e ultrapassa toda aquela barreira de enfrentamentos, vem a vontade de fazer as seguintes. E eu, estudante de psicologia, havia começado a estagiar em um hospital. Não vou entrar em detalhes, contudo, por vários motivos passei a temer a reação de meus superiores e pacientes. E, foram esses mesmos pacientes que me ensinaram uma lição valiosa. O suposto diferente aceita você melhor que o seu suposto semelhante. E, como essas denominações são tolas. No fundo, somos todos iguais. Somos todos seres humanos. Às vezes as pessoas se esquecem disso. Digo que foi uma lição importante pois, ao invés de ser um impedimento e algo que me afastasse deles, teve um efeito contrário.

Foi uma surpresa muito grata se querem saber.

E me fez repensar todos esses preconceitos, rótulos e denominações, que por vezes apenas servem para criar mais e mais barreiras e gerar intolerância.

Well, vou encerrar a coluna hoje por aqui. Quem quiser dar seu parecer, feedback, sugestões de temas, fique mais que a vontade.

See ya, dears.

Ps: Agradecendo a Nairi pela arte de capa <3

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Megu

Pessoinha feliz que as vezes está de mal humor, mas é um doce com os outros. (Educação em primeiro lugar, claro u-u) É um tanto atrapalhada e azarada – “um tanto” = multiplique a porção que você pensou por 100, é mais ou menos isso. Nem sarcástica. Também nem é irônica. Em suma, um amor de ser humano.