Vamos polemizar um pouquinho? Sei que muita gente aí adora comparar Batman vs Superman: A Origem da Justiça com Capitão América: Guerra Civil e o #BELLAN resolveu entrar nessa onda aí. Tentarei condensar tudo o que acho acerca destes dois filmes.

>>> CONTÉM SPOILERS <<< 

* Não sou DCnauta ou Marvete;
** Não vou comparar mídias diferentes, ou seja, quadrinho com filme; 
*** É um artigo pessoal, não representa os ideais do Suco de Mangá e fiz para CAUSAR mesmo. Se curtirem, comentem. Se não curtirem, comentem também. 

Capitão América: Guerra Civil | Review

Pano da capa de fundo

Cinematograficamente Capitão América: Guerra Civil é “muito mais filme” que Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Sim, já começando com “dois pé no peito”. E porquê d’eu achar isto aí? Você dcnauta pode vir com trocentas referências e “desculpas” que esta cena aqui ou aquela ali é do quadrinho número 42, lançado lá em 1957. Ora, o tal filme não “sobrevive” por si só, ou seja, cinematograficamente ele pode ser considerado falho neste aspecto.

Se pensarmos na palavra Adaptação, aí a coisa pode mudar de figura. Uma de que a Guerra Civil do filme do Capitão é uma nos quadrinhos e outra nos cinemas, ou seja, neste quesito podemos dizer que Capitão América: Guerra Civil é “falho” dentro deste aspecto.

Este é o primeiro ponto que eu gostaria de comentar por aqui, na questão de qual “funciona” mais como filme. Se por um lado a DC converte o papel em película, criando um vínculo com o fã e causando uma certa estranheza com o público comum e corrente, a Marvel cria um novo universo e além de criar o vínculo com o fã, cativa o público comum e corrente. Resumindo, Batman vs Superman é ótimo sob a ótica do fanservice; fraco como filme.

*abaixo um trailer onde o fã une os dois filmes

O tal do flashback

Enquanto Capitão América: Guerra Civil tem toda uma base de oito anos de filmes para o background, é certo que ele não precise explicar a origem de tal personagem – tudo bem que temos TRÊS flashbacks de uma mesma cena com o Soldado Invernal em Guerra Civil.

No caso de Batman vs Superman, temos flashbacks, flashforwards e tudo que é flash – até mesmo flash do Flash – e poxa, é realmente necessário mostrar a cena dos pais do Bruce Wayne tantas vezes? Infelizmente, este advento não é culpa da direção do Zack Snyder – que por sinal, deve ter se sentido “capado” em ter que transformar mais de 4 horas de trampo em 2h30 na versão para cinema – e sim pelo fato de que a DC não tem seu “universo” estruturado nos cinemas… ainda.

Neste segundo ponto aqui, é claro que Capitão América: Guerra Civil vai levar vantagem e os roteiristas deitam e rolam num roteiro linear, amarrado e que deixa aquela(s) ponta(s) solta para amarrar de volta num próximo filme. Dessa forma, o filme flui de forma mais natural, fica menos denso e muito mais divertido. Um adendo interessante é quanto a inclusão do Homem Aranha na trama e não jogaram flashback de como ele foi picado e ganhou seus poderes. Ponto. O importante ali no filme era ele soltar teia, lutar com a galera e este contexto de sua origem – e acredito que será em uma passagem bem rápida – deve aparecer só em seu filme solo. Ponto.

Dinâmica

Já até saiu uma notícia de que o Homem Aranha teve mais falas que o Clark Kent/Superman em Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Isso representa alguma coisa? Diretamente, não. O que podemos tirar daí é de que todos os personagens em Capitão América: Guerra Civil tiveram seu espaço, cada um em seu quadrado e de formas muito bem montadas. Teve-se uma construção da trama individual antes de culminar no clímax do combate 5×5.

Já no Batman vs Superman a estrutura se firma de forma mais arrastada, o tal “efeito dark DC”, mas que torna o filme melancólico em grande parte e isso não ter a ver com o filme ser pesado ou não, mas em como ele foi montado. Mais uma vez, cito que estou curioso pela versão do diretor, que pode provar que o filme era mais “amarradinho”. Sim, estou sendo esperançoso.

Sobre o fim, créditos e cenas extras

É uma birra a DC não fazer cena pós-crédito? Este direito é apenas da Marvel? Só eu tenho a impressão de que se a última cena de Batman vs Superman tivesse sido colocada como “extra” e depois dos créditos, daria um UP imenso no filme? Sabe? aquela cena do caixão.

Reparei algo bem interessante ao assistir Capitão América: Guerra Civil no cinema. Quando o filme acabou e veio a primeira sequência de créditos – que mostra o nome do elenco principal – a galera começou a se movimentar e a tirar o celular dos bolsos. Quando todos tiraram e antes de que comecem a tuitar ou escrever algo no feed do Facebook, começou o extra do Pantera Negra. Pronto, todos em silêncio novamente. Depois, começou de fato os créditos intermináveis e bem, não me lembro se foi mais que cinco minutos, mas foi o suficiente da galera zapear, tuitar e enviar suas impressões do filme MINUTOS DEPOIS DE ASSISTIR. Opa! Isto é uma estratégia muito bacana que os filmes da Marvel proporciona, sem contar aquele papinho pós-filme com o amiguinho do lado ou você tendo que aguentar aquela luz acesa do cinema e avisar o tio da frente que tem mais uma cena extra. E bem, terminou com a cena do Homem Aranha e claro, a galera vibrou. Muito.

Este é um detalhe sobre a montagem, edição e como o final de um filme pode influenciar no buzz, no hype e claro, no feeling do entretenimento.

Liberdade criativa

Quem aí assistiu Watchmen? Zack Snyder soube muito bem o que fazer naquele filme, o transformando – na talvez – adaptação mais cult de uma HQ, de Alan Moore, no caso. Não sei se a DC deu carta branca para o cara fazer o que bem entender em Batman vs Superman, mas tenho certeza de que ele fez TUDO o que poderia ter feito. Creio que o próximo filme, Esquadrão Suicida seja muito mais “aberto” para possibilidades e para que ele crie e dê mais sua cara na trama e nas personagens.

Onde quero chegar com isso? Quero dizer que os Irmãos Russo podiam fazer o que bem entendiam no 12º longa, no caso Capitão América: Guerra Civil e o que culminou na mudança do padrão de narrativa, como já citei nos primeiros parágrafos.

Já está mais que nada hora dos estúdios e produtoras desvincularem de vez uma mídia da outra; cada uma funciona a sua maneira, não tem jeito. É bizarro citar a franquia Resident Evil nos cinemas, mas mesmo que você não goste, Alicia & CIA criaram um novo universo Resident Evil, e repito, mesmo que você não goste, estão aí com SEIS filmes. Duvidosos? Talvez.

A DC vai continuar a produzir filmes focados para os fãs de quadrinhos? E a Marvel no público em geral? Dentro desse questionamento, quem vai angariar novos leitores é a Marvel. Basicamente, este é o meu ponto de vista acerca destes dois filmes. Abaixo, algumas notas de similaridades e peculiaridades entreo os dois filmes.

15 curiosidades sobre Capitão América: Guerra Civil

Mais um vídeo para ilustrar a matéria :3 [Em inglês]

Humanidade vs Super Herois

Os dois filmes tratam em sua cerne da mesma coisa, das responsabilidades de um herói e das consequências que eles trazem para a humanidade, seja em civis mortos ou catástrofes na Terra. Nos dois filmes – até mais em BvS – questionamentos sobre a moral, ideal e do peso que ele tem sobre uma nação. Será mesmo que precisamos deles? Um ponto interessante aqui é de como esta questão é tratada em cada um dos filmes. Em BvS temos Lex Luthor criando a discórdia entre Superman e Batman, terminando numa luta final contra o mega-vilão Apocalypse. Traduzindo, o humano teve de utilizar artifícios super-humano – no caso, Apocalypse – já que seu plano de eliminar o Superman não dera certo. Já em Guerra Civil é um pouco diferente, onde o vilão Humano tem a possibilidade de utilizar artifícios super-humano, e escolhe NÃO. Ele apenas quer ver os “poderosos” se matarem entre si.

Em nome da mãe

Particularmente, achei deveras piegas a “motivação” e freada do combate entre o morcegão e o alienígena. Tudo bem que o filme teve toda uma construção sentimental por trás disso, mas não me convenceu. Já do outro lado, se proposital/coincidência ou não, vale ressaltar a frase: “Não é por causa disso é que vamos nos tornar amigos”.

Terrorismo

Superman não conseguiu conter uma bomba INTERNA no Capitólio dos Estados Unidos. Tudo bem, o cara tava baquiadão, não estava prestando atenção e tudo mais. Mas poxa, e essa segurança norte-americana heim? Já em Guerra Civil, a bomba explode do lado de FORA do Centro Internacional de Viena.

Apresentação de novos personagens

Lex Luthor deu de mão beijada para o Batman um documento com a ficha dos “pica das galáxias” que formarão a Liga da Justiça no futuro. Em BvS, temos a estreia de Gal Gadot como Mulher Maravilha, roubando a cena contra o Apocalypse e no #TeamStark, temos Pantera Negra e Homem Aranha, que também roubam a cena. Todas estas entradas foram fenomenais e empolgantes!

Lutas sensacionais

Podemos citar duas grandes cenas em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, começando com a dos dois protagonistas. É notável o quanto sentimos o “aço” do Superman quando o Batman dá um soco no kryptoniano. Agora, mudando para uma cena aberta e muito mais épica, temos a luta do trio Batman, Superman e Mulher Maravilha contra Apocalypse. Um espetáculo de efeitos visuais, sonoros e tensão.

Com Capitão América: Guerra Civil, temos diversas cenas de ação durante o filme. Posso citar duas centrais, a do aeroporto, que poxa, une todo mundo e é porrada pra todo lado. Cada um dos heróis tem seu momento de brilho. Já a segunda, é mais “passiva”, porém, não menos impactante, a luta entre o Homem de Ferro e o Capitão América. Sério, tem até sangue. Disney, lembra? Sangue! Há outra, não tão central, mas de muita adrenalina, que é a da perseguição. Caraca, essa galera corre heim?

Fanservice com Mulher Maraviha e Feiticeira Escarlate

Vou me conter aqui, mas poxa, meu amor pela Feiticeira Escarlate, interpretada por Elizabeth Olsen, é maior que a do Visão. Só acho. Mas bem, brincadeiras a parte, estas duas personagens estão bem montadas e vão render muito pano pra manga ainda e não posso deixar de citar o fanservice que rolou com as duas.

Em Batman vs Superman foi com a cena no combate contra o Apocalypse, que bem, tem um foco nas pernas abertas da Mulher Maravilha em um certo momento. Já em Guerra Civil, após Wanda mandar o Visão pra casa do capeta, há uma câmera de baixo para cima que “tenta” captar a calcinha da jovem feiticeira. Sem êxito. Fanservice ou hiper-sexualização, não sei. Só coloquei como “momentos similares”, mesmo 😛

Belo, recatado e do lar

Não tem como não citar a engraçadíssima cena do Visão cozinhando para Wanda/Feiticeira Escarlate. E bem, o cara – se posso chamá-lo assim o.o – não leva nenhum jeito para a cozinha. Ao contrário do peitoral-esponja-de-aço do Superman, que nossa, deve manjar muito na cozinha. A Lois Lane pira.

A Juventude de Alfred e Tia May

Não que isso tenha me incomodado, de forma alguma. Sabemos que Alfred nem sempre é aquele velho caquético e que muitas vezes pouco “bem representado” no universo cinematográfico. Jeremy Irons tem uma bela oportunidade de dar o “valor devido” ao querido não-só-mordomo. Quanto a Tia May. Bem, posso dizer que ela está com idade de TIA e não de AVÓ. Outra coisa também é de que o filme está mais “jovial” e indexado nos dias de hoje, ou seja, a estética está bem mais forte e presente nas pessoas, mesmo nas de baixa renda.

E aí, o que achou? Lembrou-se de algo? Faltou alguma coisa? Deixe seu comentário! 😀