Após bater diversos recordes e se tornar um filme bilionário em pouquíssimos dias, Vingadores: Ultimato é a concretização orgasmática do fanservice cinematográfico e se torna um marco para o cinema contemporâneo.

Não custa avisar mais uma vez: o texto conta com spoilers e comentários sobre todo o filme. O REVIEW sem spoilers pode ser lido AQUI.

Acabando com sua teoria em 3, 2, 1…

O primeiro ato de Vingadores: Ultimato já acaba com a maioria das teorias que se viu nesses meses nas interwebs. Ora, quem é que imaginou que matariam Thanos logo nos primeiros minutos?

Com motivações heroicas – e honrarias – era claro que não deixariam por isso mesmo; apesar de termos o momento egocêntrico de Stark em querer construir uma família tradicional. Mas né, como bem Pepper Potts provoca Tony: “você conseguirá dormir com isso?”. Obviamente não, Tony Stark não deixaria de se envolver mais uma vez com os Vingadores, além de possuir uma chave para uma potencial máquina do tempo.

Pois bem, fiquei surpreso em como souberam trabalhar tão bem o conceito de viagem no tempo sem ter quebras ou furo de roteiro escancarado – apesar de estarmos esperando esta ferramenta de narrativa na trama.

Assim como o mostrado no trailer – que em suma representa os primeiros minutos do filme – o primeiro ato caminha para a reunião daqueles que não viraram pó e para uma trégua entre Capitão América e Homem de Ferro. Destaco aqui todos estes momentos em cena desta dupla, carregada de emoção – e real – por conta da ótima evolução de cada um deles.

Homenagem na terceira pessoa

Com o plot montado e missão planejada, como mostrar ao telespectador da forma mais criativa e interessante possível? Na terceira pessoa, no ponto de vista de “bastidores”.

A forma de como colocaram os vingadores revisitando momentos-chave de todos esses 11 anos de MCU, foi quase que uma quebra da quarta parede de forma muito crível e emocionante, onde destaco o Capitão América vendo Peggy Carter através do vidro/janela e a prosa entre Tony Stark e Howard, seu pai, duas figuras motoras no desenvolvimento desses personagens.

Foi com isso que passaram a “cola” de forma assertiva, simples e funcional nas deixas de cada um dos filmes, além de dar pano pra manga para o futuro da Marvel nos cinemas e nas séries do Disney+, vide o caso de Loki que pode ser novamente aproveitado – e que potencialmente pode gerar quebras na linha temporal. Vamos aguardar para o que pode acontecer. 

A maior batalha de todos os tempos

O terceiro ato do filme foi o maior fanservice ever dos cinemas, com todos os heróis no campo de batalha contra as forças de Thanos. Apesar de ter achado falta de um embate de Hulk contra o monstrengo púrpura, a comprovação de que o inimigo mór deste MCU é casca-grossa fica evidente.

Fala-se muito em “refazer” a nova Batalha de Helm de Senhor dos Anéis: As Duas Torres, e crê-se que esta é a mais grandiosa desde então – e isso vale para o terceiro episódio da oitava temporada de Game of Thtones. Não sei falar em proporções técnicas, mas o momento dos heróis que estavam mortos se teleportando perante a liderança de Capitão América é tão grandiosa quanto a chegada de Gandalf no raiar do sol. Da mesma forma que temos o grito de Éomer com o ataque dos Rohirrim, temos na mesma moeda e peso com o Cap. gritando “Avante, Vingadores!”. Esperamos isso por muito tempo!

O tom dos Irmãos Russo

Joss Whedon teve sua parcela de importância dentro do MCU com o primeiro Vingadores e o infame Era de Ultron, que até teve sua relevância dentro da história por aqui. Entretanto, com os Irmãos Russo, a Marvel trouxe um respiro agradável na tratativa de seus personagens.

A começar com a evolução de Tony Stark com seu lado mais humano desde Guerra Civil ou até mesmo com Steve Rogers questionando sua posição como heroi ou em que “tipo de América” ele representa.

Dentro disso, e ao contrário do que se viu nos primeiros Vingadores que tínhamos personagens menos dramáticos e profundos, o novo teor para os dois protagonistas gerou mais empatia e convencimento para o público, culminando num peso ainda mais emocional com o desfecho de ambos.

É fanservice que você quer? 

É evidente que com uma base de 20 filmes ou mais, o background esteja mais firme que a muqueta do Thanos. Com um plot simples e bem contado, fica fácil passear por todos os personagens na telona.

Apesar de uns terem mais tempo em cena que outros, destaco o desenvolvimento do Thor, onde o seu engrandecimento e mudança em Ragnarok fez muito sentido por aqui – vide o barrigão de chopp; destaco também o apelo emotivo e retorno do Gavião Arqueiro, dando brechas para um provável spin-off no Japão; e claro, Viúva Negra, talvez das figuras mais importantes em unificar a equipe.

Tivemos momentos grandiosos do início ao fim tivemos em Vingadores: Ultimato em uma chuva de referências – e fusões de argumentos trazidos dos quadrinhos – como: o Capitão América erguendo o mjolnir contra Thanos; Capitã Marvel perfurando com seu super voo a nave inimiga; Professor Hulk funcionando muito bem e sempre precisar dar muitas explicações de personalidade; Feiticeira Escarlate pontuando, mesmo que pouco, em um ataque avassalador contra o titã; e Tom Holland, sim, a atuação extremamente competente como Homem-Aranha.

Aquela forçadinha de barra… 

Nem tudo é perfeito – e nem precisa ser – principalmente em um filme de super-herói. Sem se apegar no “blablabla científico” de que se tem que explicar tudo, o problema aqui, pelo menos em minha visão foi com relação a quatro cenas.

A primeira foi com relação a Capitã Marvel achar o Tony Stark com “facilidade” no Espaço. Não sei se não reparei em algum detalhe para que isso acontecesse na vastidão. Mas né, o Thor acabou dando de cara na nave dos Guardiões da Galáxia…

A aleatoriedade em que um rato ativa a máquina quântica na van do Homem-Formiga e o faz voltar para a realidade, me trouxe uma inquietude de que poderiam ter trabalhado isso melhor, mesmo achando que o universo dos quadrinhos e de super-heróis a aleatoriedade é muito presente e forte na narrativa.

O momento Martha na luta do Capitão América contra o Capitão América do passado. Ok, talvez eu esteja forçando um pouco a barra aqui e não estaria comentando isso caso não tivesse a fatídica cena em Batman vs Superman. Só achei um tanto quanto “piegas” e poderia ter sido resolvido pela maior experiência do Cap do futuro.

O momento representatividade na batalha contra o Thanos foi algo que me incomodou pela forma em como colocaram todas as mulheres no mesmo momento e no mesmo lugar. Teria outras e inúmeras formas mais naturais para trabalhar com isso, como dar mais tempo de cena, por exemplo.

O futuro sem extras

Fechando a fase três do MCU – com Homem-Aranha: Longe de Casa selando como uma cereja no bolo – era plausível e esperado não ter cenas extras, já que se trata de uma homenagem a tudo o que se viu nestes anos.

De uma forma pessoal, vejo os finais de Ultimato como as cenas extras, principalmente com Guardiões da Galáxia adicionando Thor em seu elenco para o terceiro filme e os links com as séries vindouras no sistema de streaming da Disney.

Na questão em bilheteria x qualidade, Vingadores: Ultimato faz jus a sua proposta decenária e teremos um marco cinematográfico somado a uma grande bilheteria, desbancando o “cameronismo blasé” e figurando como uma obra de pluralidade única em cima de uma franquia extremamente funcional.