Em 1977, o cinema italiano apresentou o que é considerado até hoje um dos melhores filmes de terror já feitos de todos os tempos, Suspiria!

Muito elogiado na época e foi usado de inspiração para muito filmes, dentre eles Cisne Negro, e chega em 2019 algo que já era de se esperar, um reboot: Suspíria: A Dança do Medo!

Trabalhando nosso psicológico, mistérios místicos e acontecimentos macabros, nos prende com uma trama que desenvolve o terror e simboliza alguns pontos artísticos, porém de longe não alcança o sucesso e impacto que a produção da década de setenta causou no público um dia, tornando-o mais um filme de terror sem graça.

Semelhanças com o passado

Ambos os filmes têm suas semelhanças quanto ao terror, mesmo datado com seus efeitos de sangue e feridas expostas aparentemente galhofas, o conjunto da obra faz o antigo filme Suspìria ser considerado ainda um dos melhores filmes de terror já feitos!

Utilizando a fotografia como chave para indicar algum acontecimento e trabalhando a trilha sonora da banda Goblin – também considerado uma das melhores trilhas sonoras de filme de terror até hoje – por alguns furos de roteiro, linguagem lenta e efeitos de sangue fajuto, talvez afastem algumas pessoas desse filme, mas que é uma obra brilhante até hoje, isso não deixa dúvidas. Assisti-lo hoje, não te causará medo ou sustos, mas ainda sim, é uma história bem fechada e trabalha bem com jogo de luzes e continuísmo de cena impecáveis, com certeza vale a pena.

Suspiria
Suspíria: A Dança do Medo (Imagem Divulgação)

Reboot

O reboot trabalha a mesma linguagem lenta, trabalhando a mesma curiosidade que as cenas de suspense que precede o terror, com o estilo de bruxaria sutil, antes de se tornar algo exagerado, porém utilizando de recursos mais modernos, de cenas de chuva de vermes e pedaços de carne comido por cachorros, aparentando ser o pescoço de alguém, para ossos sendo revirados dentro do corpo e decomposição com a pessoa ainda viva, ou seja, em questões de cenas macabras e marcantes, esse reboot acerta em cheio.

A fotografia de ambas trabalham diferenciadas, o colorido de 1977 é tão chamativo que não lembra um filme de terror, e detalhes em cena, junto com a iluminação, te guiam para futuros acontecimentos que aparentam ser algo tão óbvio, mas funciona perfeitamente, já no reboot a surpresa toma conta, te deixa à deriva no momento em que a cena fica mais escura, pois a mesma permanece sempre iluminada, isso é maravilhoso porque não é nítido sem prestar bem atenção, isso nos ganha facilmente, e sem perceber você já está vendo em cena uma perna quebrada com o osso para fora, alguém enforcado por um fio enroscado, ou uma tentativa de fuga em vão pois a pessoa caiu em arames enrolados.

Suspiria
Suspíria: A Dança do Medo (Imagem Divulgação)

Modernização Confusa

Antes fosse tudo maravilhoso e bem ligado, mas Suspíria: A Dança do Medo é uma modernização que consegue trabalhar seus medos só te deixando confuso com a trama, mas te deixa à deriva eterna até o fim do filme, como ele é separado em atos, literalmente pois anuncia o nome dos atos em tela, é possível ligar os pontos e entender os acontecimentos e o porquê das bruxas fazerem aquilo com a protagonista Susie, mas ainda sim deixam novas dúvidas que ficam no ar e resultam em um dos cultos mais macabros e bizarros que eu já, o que era digno de contemplação também foi dores de cabeça pelos acontecimentos aleatórios assistido na sessão, nesse caso não foi confuso, e sim esquisito, mas disso tudo, pode-se ver alguma arte nessa cena, porém só na visão de quem pratica alguma dança artística, logo é difícil de contextualizar isso.

Trabalhar o macabro é algo que poderia ser mais explorado em outros filmes como esse reboot fez, pois consegue perturbar e impactar melhor do que uma simples cena de susto, porém nesse caso fomos apresentados a um roteiro que poderia concluir a história melhor, pois o de 1977 têm um belo final, mas ainda sim típico de filme de terror, do nada tudo se resolveu, porém com um detalhe, o fato das bruxas serem queimadas vivas dentro do internato, esse marco pode ser considerado não um grande final, mas um final chocante para Suspíria de 1977, fazendo o até hoje, um belo filme de terror.

Suspiria
Suspíria: A Dança do Medo (Imagem Divulgação)

Confusão?

Enquanto um surpreendeu pessoas, arrancou elogios de críticos e é lembrado até hoje pelo conjunto de roteiro, fotografia e trilha sonora, o outro cairá no esquecimento com um roteiro confuso, deixando dúvidas que te fazem torcer o nariz e confundir Suspíria: A Dança do Medo como um filme cult chato, o qual ele não é, pois não trás uma grande reflexão para a sociedade, a não ser cultura de bruxas e mulheres que superaram os acontecimentos da guerra. Enfim, meros simbolismos que caem no oculto e viram pó com mais um fraco reboot gerado pela escassez de ideias do cinema moderno.

REVIEW
Suspiria
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.