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Em agosto eu comentei aqui sobre o primeiro jogo da trilogia Remothered e o quão ansiosa eu estava para o lançamento da sua continuação. Depois de ter sua data de lançamento alterada algumas vezes, o jogo Remothered Broken Porcelain foi oficialmente lançado para PC e consoles no dia 13 de outubro, tanto em mídia física quanto digital.

Apesar do meu entusiasmo com o lançamento, após assistir algumas gameplays das demos oferecidas a youtubers eu fiquei bastante assustada com o lançamento próximo do jogo. A instabilidade do jogo, a quantidade de bugs existentes, assim como diversos outros erros acabaram deixando um gosto amargo na comunidade que esperava… Bom, pelo menos algo pronto. Ainda assim, por ser uma demo, eu tentei me manter positiva, dizendo a mim mesma que os desenvolvedores jamais iriam lançar algo que não fosse jogável. Eu estava errada.

No primeiro dia de lançamento, 13 de outubro, os comentários nas redes sociais já diziam claramente que a maior parte dos erros não havia sido corrigida. Entre os erros mais comuns: queda de mapa, ausência de dublagem e efeitos sonoros em diversas partes, personagens e inimigos presos no cenário, problemas de animação nos lugares para se esconder, entre outros. Os bugs não eram poucos, e em TODOS os dias após o lançamento os desenvolvedores têm lançados patchs com correções e atualização, sendo assim fica a dúvida: precisava lançar tão cedo? Ou melhor: Como eles tiveram coragem de entregar um jogo nesse estado?

Depois de algumas atualizações e correções eu finalmente consegui terminar o game, e confesso que estou bem deprimida. Em comparação ao primeiro, Remothered teve uma queda brusca de qualidade. Jogos como esse, do tipo Clock Tower onde temos “stalkers”, são altamente dependentes do carisma de seus personagens, assim como dos puzzles do jogo, e em ambos aspectos Broken Porcelain falha. Enquanto no primeiro jogo da franquia os quebra-cabeças eram fracos, mas existentes, no segundo eles foram completamente substituídos por problemas que devem ser solucionados com o “Poder da Mariposa”, e os perseguidores (inimigos) do jogo são MUITO fracos, eles não possuem metade do carisma do Dr. Felton ou da Red Nun de Tormented Fathers. Porcelain, o grande “vilão” é fraco, entediante e esquecível, e suas batalhas tendem a ser as mais tediosas e simples do game.

A respeito de outros aspectos: quando não falhavam, a trilha sonora e os efeitos de som são bem feitos e bem escolhidos. Os gráficos melhoraram muito de um jogo para o outro, mas é difícil apreciar a qualidade devido a tantos erros que continuavam rolando. As dublagens variam de excelentes para inapropriadas, e elas parecem ter uma diferença de volume em diversos diálogos. O roteiro… bem, esse é um ponto que merece cuidado.

O primeiro jogo de Remothered tinha alguns problemas de roteiro, ele era muito denso e confuso – ainda assim – se você tivesse o cuidado de ir atrás dos pedaços de informação, você conseguia compreender a história que – apesar de um ou dois furos – era muito interessante! Os produtores tiveram o cuidado de entregar no inicio desse segundo game uma “recapitulação” do que rolou no primeiro, o que foi MUITO útil. Tendo dito isso, eles optaram por uma abordagem não linear/cronológica em Broken Porcelain, que viaja entre diversas linhas do tempo, e o resultado foi… difícil.

Eu gosto da história do game, e o final tem sua própria doçura, mas há várias formas de se contar uma história, e eu não acho que as escolhas feitas foram as melhores. A abordagem não linear acaba quebrando demais o roteiro e o torna MUITO mais confuso do que deveria, e isso estraga muito do drama e da emoção da história. Além disso, as escolhas de diálogo são… péssimas, para se dizer por baixo. Há uma constante necessidade em lembrar o quanto os vilões são “maus” e isso acaba nos deixando sempre desconfortáveis, há diversos problemas que não acabam mais.

Apesar disso tudo, o jogo também trouxe algumas coisas muito interessantes, como um mecanismo de pontos e atributos para melhora de personagem, e um sistema de colecionáveis que se encaixa na história de maneira muito criativa.

Remothered Broken Porcelain é um daqueles jogos que poderia ter sido tudo, mas não foi nada. Ele foi criado, escrito e dirigido pela mesma pessoa, e nesse momento eu só consigo pensar que o erro reside justamente ai. É óbvio que há muito talento em seu criador, mas as vezes é necessário contratar pessoas que sejam mais habilidosas, porque uma excelente ideia acaba morrendo nas mãos de uma pessoa não tão experiente, e não há mal algum em pedir ajuda de outros profissionais para fazer seu projeto ganhar vida.

Haverá um terceiro jogo? Não sei, mas eu espero que tenha. Remothered Broken Porcelain deixou um gosto amargo em uma trilogia que começou muito bem, e eu não sinto que quero largá-la ainda. Espero que os erros desse game sirvam para o lançamento de uma terceira obra fenomenal, mesmo que minhas expectativas não sejam mais as mesmas.