Nunca é tarde para se brincar, sorrir e se divertir. Todos os adultos ainda têm aquele pedacinho de nuvens coloridas e esperança da criança que um dia foram, além da CCXP19 que trás essa experiência para todas as idades, Playmobil: O Filme consegue trazer a tela todo o mundo imaginário que um dia foi criado pelas mentes infantis daquela época, um filme fofo e divertido que faz qualquer um se encantar pelo que está sendo assistido e esquecer de todos os problemas do filme, ou possivelmente o contrário.

Existe uma artimanha em Playmobil que faz ele ser livre de amarras e passar dos limites, aqui é um mundo onde os brinquedos não se mexem, exigindo que as crianças usem a imaginação. Quem já brincou com Playmobil ou qualquer outro brinquedo sabe que misturar os mundos é algo comum, um pirata está indo atracar no litoral do império romano, quando são abordado por vikings, e do nada alienígenas montados em dinossauros aparecem para começar uma invasão, é a mente da criança trabalhando para sua diversão, então está liberto para a mais insana e maluca aventura que pode acontecer, e foi esse um ponto importante que faltou no filme.

A trama desenvolve a relação dos irmãos do início ao fim, Marla (Anya Taylor-Joy) é uma sonhadora, querendo viajar, conhecer novas culturas, descobrir o mundo, algo que ela também busca para o irmão Charlie (Gabriel Bateman), mas no momento em que a situação muda, Marla precisa ser a responsável enquanto Charlie segue amargurado pela mudança drástica de sua irmã, a sonhadora se tornou a adulta da rotina mediana, até aí parece interessante, até entrar no mundo de Playmobil, a loucura parte para níveis cósmicos, usando e abusando de suspensões de descrença, coerências com a história e inúmeros furos que distorcem todo o filme, trazendo assim algo cansativo e monótono de se assistir, agregando as partes musicais que devem funcionar apenas para o público infantil, pois os adultos estavam a um passo de sucumbir, chega um momento a ser irritante.

Outro artifício para manter o público atento foram as referências sutis da cultura pop no filme, essa funcionou para idades maiores de dezesseis anos, de Star Wars a Game of Thrones, parte para Cinderela, Aladdin, brinca com Jurassic Park e até De Volta para o Futuro, além de um dos bonecos viver as aventuras de James Bond, foi algo rico e cativante para o conjunto da obra, porém os tropeços do roteiro conseguem ofuscar tais referências.

Por ser um filme infantil, pensa-se em elementos de comédia, emoção e aventura, e isso foi algo esquecível, o alívio cômico é bem abaixo da média, por ser uma trama clichê, talvez o laço emocional não foi forte o suficiente para gerar algum apego, isso vale para a aventura também, a cartilha do herói, no caso heroína, que precisa passar por vários perigos para salvar a princesa, no caso o irmão, não se trata de uma questão de representatividade, esse tipo de história já está saturada, a falta de originalidade fez Playmobil se tornar mais um filme bobinho que passará na televisão e talvez só aí que as pessoas poderão rasgar elogios, mas dificilmente será aclamado a ponto de trazer um grande lucro em bilheteria.

Poder parecer uma visão ranzinza sobre o que era para ser um filme divertido, mas em alguns pontos ele consegue tocar nos corações de todo mundo, muitos problemas e incoerências ofuscam boa parte da obra e a simplicidade é a faca de gumes para qualquer produção audiovisual.

Playmobil: O Filme deixa a desejar, desaponta pelo comum e incomoda com cantorias aleatórias, explanando uma preguiça criativa de um filme, cujo o tema é uma brincadeira onde toda criança já deve ter imaginado enquanto brincava com Playmobil.