O Anime Friends 2023 deu início a mais uma edição emocionante no Centro de Exposições Anhembi, em São Paulo. O Suco de Mangá marcou presença no Anime Friends 2023 para fazer uma cobertura completa do evento.
Registrando cada momento especial, desde os cosplayers mais criativos até as apresentações musicais e as atrações exclusivas, nossa equipe proporcionou uma visão privilegiada do universo encantador do Anime Friends.
Não perca nenhuma atualização sobre o Anime Friends 2023, acompanhe a cobertura completa do Suco de Mangá e mergulhe no mundo fantástico da cultura pop e dos mangás.
O medo é um dos sentimentos mais poderosos do ser humano, ou melhor, das criaturas vivas. É devido ao medo que conseguimos nos autopreservar, ao mesmo tempo que evitar situações que julguemos perigosas para nossa integridade. Assim, algo que não falta em O Chamado de Cthulhu é o medo.
O horror, gênero literário que está em diversas mídias, é uma forma de transmitir esse medo a partir de obras fictícias ou não. Assim, ele é capaz de causar aquele frio na espinha assistindo um bom filme de fantasma, um documentário de true crime, ou ainda lendo um romance sinistro de ficção científica.
Portanto, muitos são os autores famosos por escrever o gênero de horror, mas poucos conseguiram o que H. P. Lovecraft fez. Ele criou um novo subgênero que descreve o medo do desconhecido, da imensidão do universo, ou de criaturas incompreensíveis a mente humana, esse é o horror cósmico.
Então, quando falamos de falamos de horror, logo a editora Darkside vem à nossa cabeça. Responsável por trazer diversos títulos do gênero, desde livros até histórias em quadrinhos, a Caveira resolveu publicar um novo tesourinho das obras de Lovecraft. Esse é O Chamado de Chtulhu, versão ilustrada de um dos contos mais famosos do autor.
Primeiro, se você nunca leu nada a respeito do autor, é importante que saiba algumas coisinhas sobre esse gênio da literatura.
Howard Phillips Lovecraft nasceu em 1890, e cresceu de maneira tímida devido a sua saúde frágil. Amante dos livros, ele se dedicou à poesia uma grande parte da sua vida, até que aos 27 anos ele resolveu arriscar na publicação de um novo tipo de conteúdo: o horror cósmico.
Apesar de hoje usarmos esse nome — “horror cósmico” —, na época o mesmo não existia. Afinal, Lovecraft é o responsável por criar esse subgênero, que consiste em uma série de elementos. A pequinês da humanidade, o medo do desconhecido, um universo maior e mais profundo do que a compreensão humana, um panteão de deuses vindos das estrelas que não podemos descrever em palavras… Além de objetos vindo de outras dimensões que causam uma grande parte de sentimentos irracionais, como histeria e a própria loucura.
Portanto, Lovecraft foi um gênio da sua era, e até hoje é aclamado por suas obras. Inclusive, obras que ganham várias adaptações para diversos tipos de mídias, como histórias em quadrinhos, longas metragens e animações.
Apesar de não faltar adaptações, cada obra diverge da anterior devido a maneira como os autores, diretores e ilustradores conduzem as descrições de Lovecraft. Ou seja, as criaturas, cores, e fenômenos — muitos desses completamente além da mente humana — são um pote desconhecido para a imaginação. Afinal, uma parte do horror cósmico consiste justamente nessa inabilidade de compreender, ou identificar, o que estamos vivenciando.
Foto: @sucodm
Cthulhu Fhtagn
Mas, afinal, quem é esse tal de “chuchu” e do que se trata esse chamado?
Muito provavelmente você já tenha visto alguma ilustração de Cthulhu por aí. Seja em jogos online ou de tabuleiro, cartas colecionáveis ou até produtos de artistas independentes. O monstro titânico é uma das deidades do universo de Lovecraft, o mais conhecido — eu poderia dizer.
Então, o conto O Chamado de Cthulhu é sobre um jovem que — ao analisar os pertences de um parente que acaba de falecer — encontra uma série de registros sobre um culto a uma criatura desconhecida. Os recortes são uma coleção de diversos depoimentos, desde relatos de sonhos febris de um escultor, até a descrição de um detetive que capturou um estranho culto demoníaco.
O total desconhecimento do protagonista sobre o monstro que aparece num pequeno tablete de argila, leva-o em uma pesquisa pelos passos de seu tio-avô falecido. Assim, ele busca descobrir o real motivo de sua morte, e o porquê de seu tio ter se interessado tanto em uma aparentemente história mal-assombrada para fazer crianças terem pesadelos.
Sobre o conto
Sendo assim, o conto acontece em primeira pessoa, então nós nos sentimos confidentes do protagonista. Ele, por sua vez, escreve as três partes do conto como se estivesse enviando uma carta para um velho amigo. Por isso, a descrição de eventos, assim como a história fantástica, nos deixa apreensivos para descobrir o final — seja ele qual for.
Traduzido por Ramon Mapa, a versão da Darkside do conto é muito próxima do original. Principalmente levando em conta as adaptações necessárias do idioma, assim como as diferenças literárias que o tempo criou, entre a publicação original e de 2023. Afinal, é muito comum encontrarmos versões desse mesmo conto em um português mais robusto, confuso, próximo ao old english, como é o conto original. Entretanto, eu prefiro essa versão mais coloquial, já que auxilia na compreensão da história, e a torna acessível para os mais diversos públicos.
Foto: @sucodm
A Arte de François Baranger
Como eu disse antes, as obras de Lovecraft já tem adaptação para diversas mídias. Mesmo assim, há divergência de como as criaturas — ou o universo — se apresenta. Afinal, as descrições do autor abrem um leque de possibilidade para interpretação, tendo em conta que muito do que Lovecraft descreve é impensável ou incompreensível a mente humana.
François Baranger, artista convidado a ilustrar essa publicação, já trabalhou com os concepts de filmes como A Bela e a Fera e Harry Potter. Além disso, já esteve nas equipes de artes de jogos eletrônicos como Heavy Rain e Beyond Two Souls.
Com conceitos amplos, o ilustrador buscou criar uma atmosfera misteriosa e densa em suas artes d’ O Chamado de Cthulhu. Somos constantemente apresentados a ilustrações de cenários gigantescos, onde os seres humanos são apenas formiguinhas em uma paisagem complexa e (assustadoramente) bela.
A interpretação do Deus Antigo, Cthulhu, é magnífica com um jogo de luzes que tenta garantir as características monstruosas e nojentas a criatura. Sua pele de consistência desconhecida, os tentáculos que brotam de sua cabeça em formato de polvo, as asas gigantescas e dracônicas… é um verdadeiro deleite ao leitor, que usa dessas artes para significar melhor o conto ao percorrer da leitura.
Nota do Editor: Por que Ainda Lemos Lovecraft?
Algo que deve incomodar muito os leitores é quanto a certas descrições feitas por H. P. Lovecraft. Considerado um racista, é fácil perceber sua visão negativa e estereotipada de pessoas pretas, mestiços, judeus, portugueses, entre outros.
É comum que a maior parte das editoras ignore essa característica sombria e criminosa do autor. Dessa forma, achei muito corajoso como a Darkside optou por adicionar essa informação à nota do editor, demonstrando que não fecha os olhos à descrição estereotipada de Lovecraft, mas ao tempo gera espaço para o debate crítico do leitor.
Por ser uma obra que cabe a inúmeras interpretações, eu acredito que é essencial esse tipo de informação para nós — consumidores —, já que a partir dela podemos ter um pensamento crítico e analítico da obra, mas também compreender como o autor escolhe a descrição de sua história baseada em seus próprios preconceitos.
Apesar de muitos historiadores apontarem que Lovecraft tendeu a se arrepender de seus apontamentos racistas ao longo da sua vida, ainda mais após se casar com uma judia, não podemos nunca nos esquecer as raízes do autor, estas sendo essenciais para nós entendermos também o porquê de ainda lermos Lovecraft.
Gênio a frente do seu tempo, pai do horror cósmico, sua infinita imaginação não o torna menos humano, e seus pensamentos racistas impactam diretamente na sua construção como autor. Séculos depois, em uma sociedade mais inclusiva e compreensiva, conseguimos consumir o conteúdo de Lovecraft fazendo análises críticas as escolhas do mesmo, nos dando o prazer de apreciar suas obras, enquanto ainda entendemos seus erros como pessoa.
Mais uma vez eu tenho que apontar a coragem e a transparência da Darkside em não apagar essa característica ou passado do autor, mas trazer a mesma em uma nota editorial, dando ao leitor a oportunidade de construir sua própria opinião.
O Chamado de Cthulhu já está disponível para aquisição no site da Darkside, que também conta com um catálogo de outras obras do autor, e do ilustrador.
Para os fãs de cultura pop asiática, o mês de julho é um dos mais esperados, pois é nessa época que rolam grandes eventos para os geeks: o Anime Friends, encontro que rolou semana passada em São Paulo, e o PerifaCon, que ocorrerá neste domingo (dia 30), também na capital paulista. O Kwai, app de criação e compartilhamento de vídeos curtos, é a plataforma de vídeos oficial dos eventos e, para celebrar a parceria, criou o Mês do Anime, com uma página especial repleta de conteúdos exclusivos sobre animes, filtros e desafios divertidos para que os usuários possam compartilhar suas artes e criações.
Os animes são uma das grandes manifestações da cultura pop asiática e consistem nas animações de origem japonesa que conquistaram muitos fãs ao redor do mundo inteiro. Muito populares no Kwai, eles reúnem uma grande comunidade dentro do app, com diversos perfis de criadores de conteúdo especializados nessa arte, que dão dicas sobre cultura oriental e mostram criações. A seguir, reunimos alguns nomes que celebram os animes e a cultura geek asiática.
Imagem Divulgação
O primeiro deles é Umezu Sue, que tem muito amor por música e anime, por isso, decidiu compartilhar tudo o que sabe e vê sobre os assuntos em seu perfil no Kwai (com mais de 95 mil seguidores). Sue, que aparece quase sempre caracterizada em seus vídeos, revela novidades do universo dos animes e mangás mais famosos do momento, principalmente sobre One Piece, sua série favorita, como nesse vídeo em que ela fala sobre a nova fase da personagem Luffy.
Imagem Divulgação
Quem curte a cultura japonesa, games, anime e o estilo kawaii (adjetivo em japonês para coisas fofas e adoráveis) tem que acompanhar o perfil do Lucas Motti, com mais de 75 mil seguidores no app. O criador reúne várias dicas de itens que encontrou pela internet, receitas e dicas de lugares relacionados ao Oriente, como no vídeo em que mostra um pouco mais sobre a Torre Miroku, um pedacinho do Japão que fica a uma hora de carro de São Paulo.
Imagem Divulgação
Os fãs de podcast podem dar uma olhada no perfil Tokusatsu, do podcast Tokucast, criado por parte dos membros do fórum Tokusen para discutir sobre assuntos relacionados à cultura pop japonesa no estilo “mesa de bar”. No perfil, que tem mais de 167,5 mil seguidores, os usuários podem conferir trechos das produções e curiosidades, como no vídeo em que eles falam um pouco mais sobre a Goggle Five, uma das séries Super Sentai – franquia japonesa de séries de televisão voltadas para o público infantil e infanto-juvenil.
O Kwai também tem um perfil oficial só sobre anime, voltado principalmente para quem gosta de criar conteúdo sobre o assunto. No Kwai Anime & Comics, que tem mais de 100 mil usuários, é possível encontrar dicas que vão ajudar na produção, como essa sobre quais elementos são necessários para um bom conteúdo com narração.
E é claro que os dois maiores eventos sobre a cultura geek e japonesa também estão na plataforma. No perfil oficial do Anime Friends, que tem 88,5 mil seguidores, é possível conferir o que aconteceu nesta última edição do evento. Já no perfil oficial do PerifaCon (+ 87,6 mil seguidores), maior convenção de cultura nerd das favelas, é possível saber um pouco mais do evento e ter acesso a conteúdos exclusivos do festival, como entrevistas com as atrações. O aplicativo também estará presente no palco de Cosplay do PerifaCon, no dia 30 de julho, com ativações in loco.
Todo geek ama os produtos dos seus personagens e séries preferidas. Havaianas, sempre presente nesse mundo, sabe que o coração de muitos brasileiros bate forte por animes e mangás. Para agradar ainda mais os fãs da série, a marca apresenta neste mês as novidades para os fãs da Vila da Folha. Acabam de chegar às lojas as duas novas estampas de Havaianas Naruto, no clássico modelo com as tiras Havaianas Top. A coleção completa traz seis opções com numeração que vai do 35/36 até o 45/46.
Chinelo Havaianas Top Naruto
Havaianas Top Naruto traz duas estampas: a primeira com os icônicos olhos de Sharingan, que são símbolos de grande poder no Clã Uchiha. Já a outra, estampa os personagens clássicos da Vila da Folha: Naruto, Sasuke, mestre Kakashi e Sakura, desenhados de forma clean e com toques de cor. Criadas especialmente para os fãs!
Naruto tem tantos personagens incríveis que é até difícil escolher um só para amar. Por isso, a coleção completa Havaianas e Naruto está disponível em lojas físicas da Havaianas, além da Digital Flagship Store (Havaianas).
De volta ao Anime Friends/Ressaca Friends logo depois de sua primeira visita no ano passado, o bless4 teve um agenda apertada cuidando de suas próprias apresentações e do Anisong Idol Project.
Por algum golpe de sorte pudemos achar um tempinho para um papo ao mesmo tempo engraçadíssimo e inspirador com os irmãos, sempre simpáticos e atenciosos em meio ao corre corre!
Nesta conversa, mediada pela Isabela Arantes, você verá um lado sustentável da Akino como nunca antes vimos, bem como o japonês que melhor entendeu o Brasil em uma única palavra!
Vocês conhecem alguma palavra em português?
Kanasa: “Tudo bem”, “divertido”
Akashi: Tem uma que é a minha favorita, “gambiarra”! *risos e aplausos generalizados!*
Akino: Ah, tem também “gostoso”! Mas sério, obrigado mesmo por nos receberem e desculpa por não ter dado para parar pra conversar antes!
Vocês vieram no ano passado pela primeira vez como músicos e agora vocês parecem ter voltado também como produtores, trazendo essa galera toda. Eu queria saber como foi esse processo de trazer o Anisong Idol Project?
Akashi: (em português) Sim! *risos*
Nós amamos fazer shows, mas um objetivo a mais que temos agora é de nos conectarmos com as futuras gerações e esse é um dos propósitos que eu vejo na arte.
Akino: E eu acho bem bacana que nós possamos como artistas não só nos apresentar, mas também trazer pessoas para cantar e dançar. Então nós queremos mudar a música como um time, não só por nós mesmos, espalhando amor e esperança.
Kanasa: As coisas foram um pouco mais corridas esse ano, porque nós estavamos realizando as nossas apresentações e tínhamos que ajudar nas apresentações deles, ajudar no penteado, a Akino cuidou do figurino deles sabe, toda a parte de produção foi muito divertida, mas essa foi a nossa primeira vez trazendo um grupo para o exterior. A gente está muito feliz com o amor que vocês estão dando para o nosso AIP e eles estão curtindo a beça, então muito obrigada!
Akashi: E outra coisa, fazer dinheiro como um artista é muito difícil. Então estamos tentando bolar esse sistema onde a gente possa criar essa rapaziada de modo que elas possam fazer o que amam e ganhar algum dinheiro com isso. Nós ainda não sabemos qual é o sistema perfeito, mas estamos trabalhando nisso. Eles começaram como um grupo há umas duas semanas, então está tudo na base do poder da gambiarra! *risos*
Akino: E além disso esse é o aniversário de vinte anos do Anime Friends que também marca o nosso aniversário de vinte anos, então queríamos fazer algo especial! É por isso que estamos aqui com o AIP e somos muito gratos ao Friends por essa oportunidade. Ah, e nós tivemos uma audição e recebemos uma aplicação do Brasil! Então nós chegamos aqui na sexta, ninguém havia se conhecido ainda e praticamos por cerca de duas a três horas e essa foi a primeira vez de todo mundo no palco! Por isso acreditamos que em música não importa qual língua você fala ou de qual país você vem, a gente acredita que a música é sobre fazer conexões, é sobre amor, desde o Japão até o Brasil!
Boa tarde, eu quero saber quais as inspirações para os figurinos de vocês?
Akino: Depende um tanto do tema, para essa sexta nós estávamos usando roupas inspiradas em quimonos; eu olho à minha volta e de acordo com as cores eu penso no que combinaria melhor com cada membro.
Kanasa: E cada um de nós temos cores-temas, onde o Akashi é azul, Akino é vermelha e eu sou amarela. E a Akino incorpora isso nas nossas roupas.
Akino: Quando nós eramos jovens, nós eramos mais pobres. Hoje em dia eu faço moda e eu também uso roupas velhas, misturando diferentes estilos de moda, remanejando, aproveitando todo tipo de tecido. O Akashi por exemplo está usando um colar feito de tampas de latinha, e eu quero fazer mais desse tipo de design no futuro pelo meio ambiente. Uma moda sustentável!
Akashi: Mas eu tenho que dizer isso: a inspiração para as roupas dela sou eu! *risos* Akino: Eu gosto muito de usar as cores do Brasil, azul, amarelo e verde. Com certeza vou querer pensar numa combinação dessas para a próxima vez!
Qual a maior dificuldade e o maior benefício de se trabalhar com os irmãos?
Akashi: (em português, de novo) Sim!
Acho que a parte mais difícil, deixa eu ver… nós trabalhamos juntos a tanto tempo que às vezes achamos que já sabemos tudo o que o outro pensa. Daí às vezes eu acabo esperando delas que já saibam o que eu estou pensando, ainda que eu não tenha dito nada. Mas com o passar dos anos eu passei a entender que nós temos que nos comunicar ainda mais, porque nós vamos nos tornando pessoas diferentes, nossas mentes vão ganhando individualidade própria e passamos a gostar de coisas mais diferentes do que quando eramos jovens. A comunicação fica mais importante quanto mais velhos ficamos, é nisso que acredito. É uma coisa um pouco complica, mas bem bonita.
Akino: Quanto mais velhos ficamos mais a gente passa a entender o que a gente quer fazer, então o importante é se juntar e trazer essas ideias, mas sempre respeitando a outra pessoa. Às vezes você pensa estar certo, que aquela ideia na sua cabeça é a melhor, mas se você insistir nisso, você cria atritos. Eu venho aprendendo que temos que respeitar o outro e que mais importa você ser gentil e aberto. Eu ainda estou aprendendo isso.
Kanasa: Como estamos trabalhando tanto e a tanto tempo juntos e isso deixou a gente meio que workaholic. Então rola muito no nosso tempo livre de alguém chegar e perguntar, “Pra onde você está indo?!”. Então a gente tem que sempre dar um jeito de arrumar um tempo para as nossas próprias agendas particulares. O Akashi sempre brinca que ele acaba ficando de vela nos nossos encontros, o que não é verdade. *risos*
Finalizada a conversa com a coletiva, o bless4 chamou a garotada do Anisong Idol Project para a última coletiva antes de partirem do Anime Friends! Confira aqui o papo com o AIP na íntegra!
Para o Anime Friends 2023, o bless4trouxe uma iniciativa refrescante! Oito jovens talentos foram selecionados num concurso e vieram fazer seu primeiro show ao vivo, cantando e dançando músicas de anime e k-pop no Brasil! Daiki, Kuwa, Conta, Itton, Miki, Momo, Rei e Coco formaram o Anisong Idol Project, o AIP. E aqui estiveram junto com a membra representante do Brasil, a Nívea Ester, que também se inscreveu no concurso e passou para se apresentar!
Para nós a alegria era de ver novos nomes se arriscando em busca de um sonho! Para eles, a alegria visível nos rostos de cada um, era a de estar do outro lado do mundo para fazer aquilo que amam com o apoio fundamental da Akino, da Kasane e do Akashi do bless4.
Nos dois dias de coletiva com a imprensa, o bom humor era gritante, mesmo com uma breve falta de luz. Somos muito gratos pela Tomomi Aragão e pela Isabela Arantes por possibilitarem essa conversa, que vocês conferem agora!
Coletiva de Imprensa: Anisong Idol Project
Eu sou a Lucy, da K.O Entertainment, e eu queria saber qual foi a parte mais desafiante do concurso?
Foi juntar os corações de todos nós em direção a um mesmo objetivo! Como cada um de nós tem uma personalidade bem diferente, levou um tempo até fazer essa sintonia, mas quando passamos a sentir a paixão de cada um pela iniciativa, conseguimos bem nos unir como grupo!
Olá, eu sou a Nana do JamE Brasil e eu queria saber se vocês podem apresentar um grupo para a gente, falar quais tipos de música eles vão cantar sendo um grupo idol e o que eles pretendem alcançar com esse público.
Vamos cantar anisongs e dançar músicas de k-pop. A gente pretende animar bastante a galera daqui do Anime Friends de modo que todos nós possamos voltar mais vezes aqui. Ah, e também seria bom se todos nós pudermos rodar o mundo com essa união pelos animes.
É uma pergunta bem simples e um elogio, eu adorei a vestimenta de vocês, todos são muito estilosos e eu quero sabe se vocês trazem um pouco da personalidade de vocês no seu figurino? Como é esse processo?
A Akino do bless4, a nossa produtora, se reuniu com todo mundo e nos ajudou a pensar em algo que combinasse mais com o estilo e o tipo de corpo de cada um.
Eu sou a membra do Brasil, uma membra intermediária do grupo e cada um de nós tem um estilo diferente, de acordo com nossas personalidades. No caso eu sou uma rapper, então eu trago um pouco da minha personalidade, da cultura do rap daqui do Brasil.
Como o nosso público é mais voltado para o k-pop, eu queria perguntar quais artistas do k-pop e do j-pop inspiraram vocês.
Oi, Momo falando! Para essa apresentação nós estamos usando músicas de One Piece e Kimetsu no Yaiba e no geral nós olhamos quais músicas eram mais curtidas pelo público no geral, para que nesse show nós possamos botar a galera pra cantar com a gente as músicas que elas mais gostam.
Como vocês são um grupo grande, formado por dois quartetos e cada um teve de se inscrever para as audições, eu queria saber se vocês vêm de partes distintas do Japão, ou se todo mundo é da mesma região, tem alguém que veio de longe de Tokyo?
Coco: Eu ia para os ensaios de Shizuoka, onde eu moro. Toda vez que tinha ensaio eu pegava o trem e o trem-bala, o que era bem desgastante! Às vezes eu tive que passar a noite fora e voltar dos ensaios pela manhã.
Para vocês o que é mais difícil? Cantar ou dançar?
Acho que cantar, principalmente cantar com emoção
Eu acho dançar mais difícil. Lembrar os movimentos e fazer com que eles fiquem legais é um pouco difícil.
Eu também acho dançar um pouco mais difícil. Quando eu vejo os vídeos com todo mundo dançando, eu tenho alguma dificuldade em lembrar o que é pra fazer.
Também acho, mas nós temos um ótimo dançarino aqui entre nós que nos ajuda muito e é por causa dele que podemos nos apresentar hoje.
Pra mim o mais difícil é cantar. Pra atingir notas mais altas, requer uma técnica vocal mais específica. Dança ainda requer muito tempo, mas para mim cantar é mais difícil.
Para mim cantar e dançar não é difícil, eu amo fazer os dois! Eu sempre me envolvi com música, sempre amei cantar e dançar e quando fazemos isso em grupo a gente sente um ao outro e coisas fluem de tão divertidas!
Oi, aqui é o Konta! Pra mim cantar é mais difícil. Eu danço já fazem uns quinze anos, em festivais de dança e batalhas de dança. Foi com esse projeto que eu comecei a tentar cantar porque quis tentar coisas novas pra passar essas emoções no palco!
Apesar de parecer fofa, eu levo isso tudo bem a sério, então é bem difícil para mim poder cantar de um jeito bem expressivo!
Eu sou um dançarino profissional, então eu me sinto bem confortável dançando, pra mim é sempre algo divertido. Eu também amo cantar, mas cantar músicas de k-pop e anisong é um pouco difícil, mas eu gosto muito de poder soar bacana fazendo ambos! *risos*
O que vocês esperam ou da plateia? O brasileiro tem essa fama lá fora de ser meio agitado e eu queria saber se vocês já tiveram algum contato antes ou tudo ainda é novo?
É minha primeira vez não só no Brasil como no exterior. Estou bem ansiosa mas eu amei a gentileza das pessoas daqui, dizendo “obrigada” com um sorriso no rosto e isso me deixava bem emocionada! Estamos bem ansiosos pelos palcos!
Depois dessa coletiva, o AIP pôde se apresentar pela primeira vez como grupo no palco principal do Anime Friends e no palco K-Pop. Passado esse tempo, pudemos não só voltar para uma conversa depois dessa experiência inédita no Brasil, como pudemos conversar rapidinho com os irmãos do bless4, que apesar de estarem bastante ocupados pra lá e pra cá tomando conta dessa meninada, toparam um breve papo antes do pessoal do AIP voltar para mais uma coletiva! Depois de uns dez minutos, voltamos com o AIP para saber mais sobre eles e sobre suas impressões durante o show!
Vocês se apresentaram pela primeira vez como grupo e uma das graças de fazer show é que nem tudo sai como a gente espera. Eu quero saber de um de vocês como é gerenciar as emoções no palco no calor do momento?
Oi, eu sou Momo! Cada vez que eu ficava aflita ou nervosa, eu observava os outros membros e o quanto eles estavam se esforçando. Nem sempre vai estar tudo bem, mas ajuda a ficar de pé ver o quanto que seu colega está dando de si na apresentação.
E vocês se apresentaram em dois palcos diferentes, o Palco Principal e o Palco K-Pop, onde o pessoal de lá valoriza muito a dança. E eu queria saber de algum de vocês quais impressões que vocês tiveram dos dois palcos, ou se a impressão foi a mesma.
Na hora de se apresentar no Palco Principal, eu senti mais a vontade de passar nossos sorrisos e a nossa paixão desde às pessoas que estavam à frente até quem estava lá atrás, enquanto que no Palco K-Pop, como todo mundo estava mais perto da gente, me passou mais a vontade de cantar e dançar de um jeito que me deixasse maneiro no palco. *risos*
O que vocês evitam fazer antes de uma apresentação?
O gente, eu sou a Nívea! Bem, o que eu evito fazer antes da apresentação é comer, porque na primeira apresentação que eu tive com o grupo eu acabei vomitando. Fui comer rápido uns cinco minutos antes de subir no palco aí eu tive que fazer um negócio que puxou a barriga e ele pulou por cima de mim, e aí quando eu saí do palco… *risos*
Oi, eu sou a Vitória e a minha pergunta é qual o ritual de vocês antes de entrar no palco?
Além de desejar boa sorte para todo mundo como de costume, a gente procurar revisar nossa coreografia até o último momento antes de subir ao palco!
Qual a mensagem que vocês querem passar para o público em geral?
Olá, eu sou o Daiki! A mensagem que eu quero passar é que trabalhar com música e poder ajudar nisso com todos é algo bastante divertido.
Nós queremos nos difundir! Eu sou Miki! A gente quer ficar famoso sim, mas também queremos nos comunicar com os animes, e dar um sorriso para as pessoas! E isso também nas nossas redes sociais, sigam a gente lá! *risos*
O SUCO deseja do fundo do coração todo o sucesso para essa rapaziada! Que o Brasil seja um degrau na escalada da carreira de cada um dos nove participantes do AIP que brilharam no Anime Friends 2023!
No ultimo final de semana, dias 22 e 23 de julho, Tóquiorecebeu os melhores jogadores mobiles e de console de eFootball, o antigo PES, da Konami. Assim, após meses de torneio, foi o momento de sagrar os campeões do eFootball Champioship Open.
Após rodadas elevatórias, El_Mysterio e UDI foram consagrados como campeões mundiais na categoria dispositivo mobile e console, respectivamente. Com isso, ambos levaram para cada uma premiação no valor de US$ 10.000,00.
No entanto, o destaque fica para o campeão brasileiro El_Mysterio. É isso mesmo, o Brasil estava na competição e mostramos que a bola redonda ainda doutrina. Então após o título El_Mysterio comentou:
Estou super emocionado, não acredito nisso. Eu estava pensando em tantas coisas diferentes no momento. Na disputa de pênaltis, tive que pensar onde chutar, onde defender, felizmente funcionou bem para mim e agora sou o campeão!
Então, ficou curioso sobre o competitivo de eFootbal?! Pois confira o eFootball Championship Open no evento de eSports universal da KONAMI sobre o título eFootball. Começando com um evento de qualificação no jogo em fevereiro, usuários de todo o mundo e de todos os padrões podem participar e subir nas classificações locais por meio das quatro rodadas principais de qualificação.
Se eles estiverem entre os melhores em sua região e categoria, enfrentarão os qualificadores online. A partir deste ponto, você ganha os 8 melhores jogadores da categoria mobile e os 16 melhores do console.
Esses jogadores avançam para as finais mundiais do eFootball ChampionshipOpen. E ai? está pronto para começar sua caminhada a glória?
Morada do Desertor Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Achavam que nós tínhamos acabado com as coletâneas do Junji Ito, não é? Porém, com o tanto de história que ele escreveu e com a determinação da Pipoca & Nanquim em trazer elas pra gente, ainda vai demorar pra chegar ao fim. Então, hoje trazemos uma provinha de Morada do Desertor, uma coletânea que chegou em junho deste ano no Brasil e em 2011 no Japão.
Ela traz 12 histórias que foram escritas por Junji Ito entre 1987 e 1990, então conseguimos ver a evolução do traço do autor. Afinal, 1987 foi o ano em que Junji virou mangaká profissional, mais ou menos na mesma época em que publicou Tomie.
É até um pouco engraçado, principalmente nos contos iniciais, ver como o autor ainda tinha um pouco de dificuldade de desenhar algumas coisas, resultando em rostos um pouco deformados e traços estranhos. De qualquer forma, é uma relíquia do tempo, que junto com as outras histórias mostra o caminho que ele trilhou até ser consagrado como mestre do horror.
Enfim, Morada do Desertor também traz quatro cards colecionáveis. Dessa vez, veio uma personagem presente em Mortos de Amore os outros três da coletânea atual. Sinceramente, a Pipoca & Nanquim acertou muito quando decidiu fazer esses cards.
Cards Colecionáveis e Marcador de Página | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Agora, vamos ao que interessa e falar sobre essas histórias horríveis e maravilhosas que a gente ama.
Biocasa
Vamos começar com um conto que já chega sem rodeios, já parte para sanguinolência. Bom, uma secretária e o presidente de uma empresa estão jantando, compartilhando gostos peculiares. Com toda uma atmosfera de suspense, eles saboreiam a “culinária grotesca”, com insetos crus e outros animais incomuns. Querendo agradar e testar a secretária, o presidente oferece uma taça com um líquido denso e vermelho. Ao sentir o sabor repugnante da “bebida”, a secretária enfrenta a verdadeira personalidade daquele homem autoritário e perverso.
Depois de ler as outras coletâneas, sempre começando com algo mais ameno, não estava preparada para uma abertura tão intensa. Mas, sinceramente, eu gostei. Um conto repulsivo que traz a ironia da gula e ganância humana, com um final digno dos anos 80.
Ladra de Rostos
Machida chega a uma nova escola depois de ser transferida por mau comportamento e desperta o interesse de Kamei, uma garota grudenta e obcecada. Assim, Kamei persegue Machida mesmo depois de levar uma bela surra da novata. No entanto, um garoto da mesma sala adverte Machida: ela deve manter distância de Kamei antes que seu rosto seja roubado. Tarde demais, eles descobrem a entidade perversa que anda pela escola há tempo demais para ser humana.
Ladra de Rostos | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Junji Ito e seu jeitinho de mostrar os piores lados do ser humano de uma forma poética e perturbadora. Aqui, lemos a história de alguém que perdeu sua personalidade e aparência original, pois copia aqueles que estão a sua volta. Algo a se pensar, não?
O Quarto da Modorra
Este é o primeiro conto de Morada do Desertor dos que foram adaptados para anime pela Netflix, em Histórias Macabras do Japão. Com o nome de Esconderijo na série animada, este conto fala sobre Yuji, um homem que não pode dormir, pois o seu “eu” do mundo dos sonhos está tentando tomar controle do seu corpo. Desesperado, ele pede que sua amiga Mari o vigie enquanto descansa, para impedir que o “homem de dentro” tome controle do seu corpo.
O Quarta do Modorra | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Este é mais um exemplo de história que só poderia sair da mente do mestre do horror psicológico. Além disso, nessa história Junji Ito desenha e cita os livros que serviram de inspiração para seu trabalho, como a coleção de H.P. Lovecraft. E você, deixa seu “eu” interior preso, sem sentir o ar do mundo real, ou já deixou ele te dominar?
A Teoria do Diabo
Uma tentativa de suicídio causa alvoroço numa escola, pois Kazumi estava brilhando de felicidade apenas uma hora antes de pular do prédio. Então, tentado a descobrir a verdade, Okamori recupera o gravador que havia colocado na bolsa de Kazumi. Ouvindo a gravação dos últimos minutos de vida da garota, Okamori tem a certeza de que ouviu a voz da própria Morte, colocando sua própria vida em risco.
A Teoria do Diabo | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Primeiro de tudo, um conto pesado. Fiquei até um pouco chocada ao perceber que a cena do suicídio de Kazumi está na lombada do mangá. Sendo este um tema alarmante no Japão, principalmente pela alta taxa de suicídio em jovens, achei o conto um pouco ousado. Mesmo assim, Junji Ito tomou cuidado de não se aprofundar nas coisas erradas e focar apenas nos significados e nas figuras míticas do tema. Enfim, fica o aviso de gatilho se você for sensível ao assunto.
Os Longos Cabelos do Sótão
Neste conto conhecemos Chiemi, uma garota que segue cada palavra do que o namorado diz para satisfazê-lo. Então, por causa dele Chiemi começou a fumar e deixar o cabelo crescer até ficar enorme. No entanto, o rapaz termina com ela de uma forma brusca e insensível, deixando a garota mergulhada numa tristeza profunda. Querendo deixar o passado para trás e começar a pensar por ela mesma, Chiemi decide cortar o cabelo. Na manhã seguinte, acorda com um rato enrolado nos fios, o que a incentiva ainda mais a cortá-lo. Então, ela pede ajuda para a irmã mais nova, que estranha a situação. No entanto, quando a irmã vai pegar a tesoura ouve um grito, encontrando o corpo de Chiemi sem cabeça. Desde então, mais nenhum rato apareceu, como se algo estivesse aniquilando todos eles.
Os Longos Cabelos do Sótão | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Eu já tinha visto este conto no anime Histórias Macabras do Japão, mas no mangá ele pareceu muito mais sinistro. A página que revela o que estava escondido no sótão é impecável, sinistra e desconfortável. Além da parte assustadora, vale o lembrete: não deixe nenhum rato se enroscar em você.
Amor Roteirizado
Aqui, vemos um casal de jovens que se conheceram numa companhia de teatro, a garota como atriz e o garoto como roteirista. Apesar dos avisos da amiga, Kaori começa a namorar com Takahashi, conhecido por namorar as garotas da companhia e terminar com elas de uma forma incomum. Então, percebendo que o relacionamento estava desandando, o garoto finalmente termina com ela, dando de presente uma fita de vídeo (o saudoso VHS), para que ela não sinta saudades dele. Porém, Kaori não irá aceitar esse término tão facilmente, se agarrando num amor com roteiro definido.
Honestamente, acho impressionante como a maioria dos personagens de Junji Ito são desiquilibrados e psicóticos. O mangaká consegue pegar um romance jovem, com um término egoísta e transformar num conto sangrento e absurdo. No fim, talvez todos nós estamos a um gatilho específico de nos desprender do que é considerado “certo” e “errado”.
A Espada do Reanimador
Em uma noite, ignorando que o avô está à beira da morte, Keiji vai caçar almas desencarnadas com um amigo. Então, seguindo uma grande quantidade delas, o garoto encontra uma figura estranha, portadora de uma espada, que atraía as almas. Assustado, Keiji tenta fugir e cai de um grande barranco. Quando acorda no dia seguinte, já em casa, descobre que o avô morreu. No entanto, o homem que encontrou na noite anterior está na casa dele, prometendo que ressuscitará o falecido avô. Isso faz com que Keiji descubra uma verdade sombria da sua família e dele mesmo.
A Espada do Reanimador | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Considerando uma cena de luta com espada, os diálogos e o desenrolar da história, este conto de Morada do Desertor é o mais perto de um shonen clássico que eu vi Junji Ito escrever. A pegada de terror e suspense está ali, mas tem alguns pontos que lembram os clichês dos mangás de luta. No fim, o plot não me surpreendeu, mas a reflexão sobre a vida e a morte (e uma pitadinha de corrupção política) foi interessante.
Coração de Pai
Primeiro de tudo, incrível, sensível e cheio de simbolismo. A família Toudou é gerenciada por um pai severo, rigoroso e controlador. Na infância, o Sr. Toudou perdeu os pais e teve que trabalhar desde seus primeiros anos de vida. Então, hoje que é um homem de negócios, com uma empresa bem-sucedida, faz questão de que seus três filhos valorizem o trabalho dele e a vida que possuem. No entanto, as três crianças — dois meninos e uma menina mais nova — sofrem dores de cabeça insuportáveis, sempre seguidas por uma mudança brusca de comportamento. Por exemplo, após sentir a dor, a criança fica ríspida, rebelde e autoritária. Então, após o suicídio do primeiro filho e posteriormente do segundo, a filha mais nova e sua mãe tentam se desvencilhar da maldição que permeia a família Toudou.
Coração de Pai | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Olha, daria pra fazer um review inteiro e completo somente deste conto, um dos maiores da coletânea Morada do Desertor. Nele, Junji Ito mostra nada mais nada menos do que o sentimento paterno de querer proteger seus filhos e fazer com que eles valorizem o que tem. Afinal, quem aqui nunca ouviu “na minha época eu tinha que andar mil quilômetros, descalço, com chuva de fogo e o chão se abrindo apenas pra buscar manteiga”? Pois é, Coração de Pai fala sobre esse instinto de proteção paterno que acabou indo longe demais. Um conto sensível e cruel que merece destaque.
Labirinto Insuportável
Depois de abandonar a escola por uma pressão social insuportável, Sayoko vai fazer uma caminhada na floresta a pedido da sua amiga, Noriko. No entanto, perdidas na mata, elas cruzam com vários monges com olhares sombrios, que aparentam estar morrendo de fome. Ao continuar a exploração, elas acabam cruzando com eles novamente e são convidadas para ficar no santuário por alguns dias. Então, ambas conhecem Aya, uma menina que se infiltrou com os monges à procura seu irmão, que desapareceu daquele lugar há alguns anos. Tentando ajudá-la, Sayoko e Noriko vão parar num imenso labirinto, descobrindo que coisas vivas não são bem-vindas ali.
Bom, é um conto bem fantasmagórico e claustrofóbico. Quando vi esse conto no anime da Netflix achei que o final queria dizer uma coisa, mas lendo o mangá entendi a intenção verdadeira de Junji Ito. Novamente, o mestre pegando os medos e inseguranças humanas e transformando em situações amedrontadoras.
A Vila das Sirenes
Neste conto, com uma pegada muito Lovecraft e demônios cristãos, Koyichi recebe um cartão postal de sua mãe, que mora no campo. No cartão, a mulher fala que ela e o marido abandonaram a plantação e agora trabalham numa fábrica, o que deixou Koyichi desconfiado. Então, no caminho para a casa dos pais ele encontra uma velha amiga. Depois de conversar com ela e ver o comportamento dos habitantes daquela cidade, Koyichi tem certeza de que algo está errado. Juntando o desaparecimento de bebês, uma suposta sirene que tem o som do próprio inferno e a fábrica sinistra onde todos trabalham, Koiyichi se vê mais perto de um demônio do que jamais pensou em estar.
A Vila das Sirenes | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Este é o conto de Morada de Desertor — ouso dizer de todas as coletâneas até agora — com a maior pegada ocidental que eu já li. Além disso, a influência do terror do Lovecraft que Junji Ito usa fica perceptível neste conto, cheio de criaturas infernais e “possessões demoníacas”. Mesmo assim, da coletânea como um todo, seria algo beirando uma sessão da tarde (tirando a parte do sacrifício dos inocentes).
Garota Má
Essa história conta a vida de Kuriko, uma mulher que está prestes a casar, mas faz uma revelação ao seu noivo. Quando era mais nova, Kuriko ia ao parquinho para vê-lo brincar, até que Naoya apareceu. Naoya era uma criança mais nova e se afeiçoou à Kuriko, procurando a garota para brincar todos os dias, mesmo que ela não estivesse com vontade. Então, irritada com a situação, Kuriko começa a maltratar Naoya, esperando que o garotinho desista de brincar com ela. No entanto, uma reviravolta na história revela a verdade por trás dos sorrisos e traz à tona a verdadeira essência das pessoas.
Garota Má | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Primeiro de tudo, estranhei que Garota Má está nessa coletânea, pois já foi publicada em Dismorfos. Porém, dando uma pesquisada, vi que a Pipoca & Nanquim apenas manteve a seleção original de contos da versão japonesa. De qualquer forma, devo dizer que foi tão ou ainda mais difícil ler esse conto novamente. Garota Má é extremamente pessimista, desconfortável e cruel, tudo o que a gente ama.
A Morada do Desertor
Finalmente, o último conto, aquele que dá o nome para essa icônica coletânea. Oito anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, três irmãos ainda abrigam um soldado desertor. No entanto, motivados por vingança, o irmão e a irmã mais velha fazem o ex-soldado acreditar que a Guerra ainda não acabou e que ele está sendo perseguido pela polícia japonesa. Então, os irmãos decidem pregar uma peça no soldado, fingindo que os fogos de artifício são, na verdade, um bombardeio. Porém, as consequências dessa vingança serão mais sinistras do que eles planejavam.
A Morada do Desertor | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Uma palavra: UAU! Passei o mangá todo me perguntando por que motivos o conto que dá o nome da coletânea seria o último e por que ele seria tão curto, em relação a outras histórias. Sinceramente, tudo explicado. O plot twist dessa história é genial, cruel, inesperado, assustador e muito bem colocado. Além disso, A Morada do Desertor foi escrita com a colaboração de Yoichi Yoshimura, ex-soldado da guerra do Pacífico que compartilhou com Junji Ito sua experiência no exército. Enfim, essa história foi a cereja do bolo da coletânea e carrega seu nome com muito merecimento.
Considerações Finais
Tons de amarelo saturado que dão um toque do loucura | Divulgação: Pipoca & Nanquim | Foto: Suco de Mangá
Considerando que em Morada do Desertor temos alguns contos do começo da carreira de Junji Ito, penso que ele tenha um peso especial. Como falei no início, achei muito valioso poder acompanhar a evolução da técnica de desenho dele, além da complexidade das histórias.
Os contos são bem envolventes e cada um deles é uma nova surpresa quando vamos ler. Portanto, essa coletânea está mais do que recomendada, diria que é uma das prioridades quando você for montar sua coleção de Junji Ito. Inclusive, coleção muito bem pensada e padronizada pela Pipoca & Nanquim.