Um lindo dia, uma salarywoman japonesa, programadora e funcionária-padrão tem um surto de burnout e cansa do trabalho. Ela vai caminhar em um bosque e acaba encontrando um dragão pouco sociável e ferido com uma espada.

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O dragão tem vontade de acabar com um humano, porque se feriu graças a outro humano e agora precisa descontar sua raiva. E a mulher, frustrada, reclama: por que todos descontam as coisas em mim, por que eu tenho que fazer tudo, por quê?! E com a força da sua frustração, ela… retira a espada do dragão. Muito grato, o dragão não tem certeza se consegue agradecer, e a mulher o convida a beber pra esquecer os problemas. O dragão, em forma humana, se junta à mulher e começam a beber e se divertir no meio do nada.

E assim surge uma lenda!

A premissa é esdrúxula sim, mas mesmo assim é difícil não se identificar com a trabalhadora Kobayashi se você for um jovem sobrecarregado médio. Ao dragão – na verdade, dragoa – se juntam outros dragões e criaturas do reino dos dragões, e várias aventuras incríveis acontecem… Nos MMOs, claro. Os líderes da bagunça inteira acabam sendo justamente os humanos, que parecem menos surpresos com coisas inacreditáveis e fantásticas do que os próprios dragões.

Hipnotizados por video games, maids e outros produtos fantásticos da querida cultura pop japonesa, os humanos aceitam os dragões em casa e todos convivem juntos e fazem festinhas enquanto dragões voam pra comprar mercadorias, aprendem a cortar tomates e aprendem a desenhar doujinshi.

Quer ter um dragão-empregado? 

É tão divertido e maravilhoso quanto soa. Se você nunca quis ter um dragão empregado ou até mordomo em casa (quem nunca, né?), Maid Dragon vai te fazer sonhar com isso. Apesar de ser um slice-of-life com pouco de inovador e bastante “nada-acontece”, além de uma premissa bastante inusitada – igualmente ao final – e um ritmo Character of the Week descarado, Maid Dragon se redime na maestria da produção e animação e do slice-of-life que só o KyoAni consegue fazer.

Sem querer parecer fangirl demais, a genialidade do estúdio reside em criar situações completamente esdrúxulas e tratá-las com seriedade e realismo psicológico – afinal, nosso psicológico realmente precisa ser bem flexível atualmente pra aguentar várias situações esdrúxulas da realidade, né… – e Maid Dragon é um anime que traz a fantasia misturada à realidade com a maestria esperada, e personagens tão carismáticos quanto a pioneira e divertidíssima Tooru, a pequena Kanna, o hilário (husbandão) Fafnir e tantos outros que aparecem ao longo da série. Com toques de yuri e uma referência aqui e acolá, Maid Dragon demonstra relativa originalidade sem exageros pedantes.

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Fator Entretenimento

A música também é boa, apesar de não se destacar, e o colorido é bem agradável. A conclusão é apressada e o ritmo não é perfeito. Entretanto, o fator entretenimento supera essas falhas técnicas.

No fim das contas, Maid Dragon é uma experiência incrível pra quem é otaku médio, trabalhador, sobrecarregado e quer um pouco de imersão na realidade de pessoas tão normais (ou… não, né) quanto a si que por acaso viram amigas de dragões e outras criaturas que humanos não sabem que existem. Recomendadíssimo.