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Yuri Bear Storm (Mangá) | Review

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Yuri Bear Storm (Mangá) | Review

Yuri Bear Storm (Yurikuma Arashi) chamou minha atenção pela primeira vez quando eu vi o trailer da série animada que foi lançada em 2015. Apesar de inicialmente eu ter achado a série bastante interessante, eu optei por não ver o anime devido a sua sinopse me soar muito hiper realista para o meu gosto.

Quase cinco anos depois eu finalmente tive a oportunidade de ler a versão adaptada do mangá, lançada pela TokyoPop (que nos cedeu digitalmente), e dessa vez a curiosidade venceu e eu dei chance ao título.

Com três volumes e atualmente finalizada, a série de Yuri Bear Storm é um romance do tipo girl love (lésbico) que mistura drama e comédia. Diferente da sua versão animada, o mangá de Yuri Bear Storm opta por uma abordagem mais séria e dramática, deixando de lado o segmento fantasioso e de ficção que o anime realizou.

A história gira em torno de Kureha Tsubaki uma jovem tímida que não gosta da ideia de chamar atenção dos outros ao seu redor, constantemente usando de artifícios para esconder a sua própria aparência e presença. As coisas começam a mudar quando Ginko Yurishiro é transferida para sua escola, e as duas começam a desenvolver uma amizade, que posteriormente se transforma em um romance. Daí entra a pergunta: Mas da onde estão os tais ursos do título?

Inicialmente os ursos são apresentados como um sonho constante de Kureha Tsubaki, onde ela enxerga a Ginko como uma “Princesa Urso”. Posteriormente Ginko revela que na verdade o mundo inteiro é feito de ursos, e a única garota humana que existe é a Kureha, motivo pelo qual a Ginko se apaixona por ela. Porém, as únicas pessoas que podem ver a forma de “urso” das pessoas são a família real, que se resume a Ginko, sua mãe e sua tia. Quando essa história é revelada, Kureha começa a se questionar se isso é realmente verdade, ou então apenas uma realidade ilusória criada por Ginko para lidar com os próprios traumas.

Em geral eu tenho alguns problemas com obras Yuri/GL e isso é devido porque grande parte delas é escrita por homens, e seu enredo acaba sendo desenvolvido mais em uma visão fetichista do que é um romance lésbico, do que uma versão realista do que seria de fato um relacionamento entre duas mulheres (o mesmo pode se dizer de obras Yaoi/BL). Aqui o mangá foi escrito pelo mesmo diretor do anime, que por a caso não é ninguém menos do que Kunihiko Ikuhara. Se você não reconheceu de nome, saiba que ele é um famoso escritor e diretor de animes shoujo e de garotas mágicas, entre os clássicos podemos citar Sailor Moon (série clássica, assim como o R, S, SuperS e o filme) e Utena. Talvez por esses motivos eu acredito que a série, mesmo tendo sido escrita por homem, conseguiu fazer uma abordagem tão adequada, amável e doce do relacionamento das duas personagens principais, misturando de forma harmoniosa com a descoberta da sexualidade e o drama criado pela ficção do mundo dos ursos.

Inclusive, eu não posso deixar de citar, que uma das minhas partes favoritas está nos “extras” das cenas que foram optadas por ser excluídas, onde há um diálogo do conselho estudantil quando um dos rapazes sugere ao presidente que ele “aproveite” do romance das protagonistas para ter a oportunidade de se envolver com as duas, no qual o presidente responde prontamente que isso é um absurdo criado pela fetichização masculina a partir de filmes pornográficos (risos), justamente o que eu tinha descrito como o meu medo inicial.

Apesar da obra tratar da descoberta da sexualidade por parte da Kureha, a questão do romance entre mulheres é tratada com bastante normalidade. Não há tantos embates a respeito de preconceito quanto as duas, ou ainda muita dificuldade em aceitação por parte de personagens secundários. Esse tipo de estratégia de roteiro é constantemente utilizada em mangás que optam por discutir outras temáticas, ainda mais quando falamos de obras curtas (como é o caso de Yuri Bear Storm), e eu pessoalmente acredito que foi uma decisão correta, já que o enredo envolvendo o mundo dos ursos e o drama familiar acaba sendo muito interessante por si só.

Apesar da “fofura” ser um elemento constante na obra, eu achei muito interessante como outros temas foram retratados de maneira mais séria, até mesmo a questão do luto e do afastamento familiar, e considero Yuri Bear Storm um mangá muito doce e inteligente ao mesmo tempo, valendo a pena a leitura tanto para fãs de yuri/GL convencional, quanto para fãs de romance dramático com pinceladas psicológicas.

Yuri Bear Storm, pela TokyoPop (Capa Divulgação)
Yuri Bear Storm, pela TokyoPop (Capa Divulgação)

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