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12 Cores | Review

Quando um autor sabe capturar os sentimentos da história, nem mesmo o preto e branco fica monocromático. Isso, Hisashi Sakaguchi conseguiu com profundidade e sensibilidade em sua obra. 12 Cores é um mangá com diferentes contos, que usa 12 cores para representar as emoções de suas narrativas.

Quem trouxe o título para o Brasil foi a editora Conrad, já famosa por aqui por trazer mangás marcantes, como Okinawa e Parasitic City.

Em suas 416 páginas, Sakaguchi nos conduz por diferentes realidades que nos mostram a beleza da vida e a dor da existência.

As tonalidades da vida

Não é novidade os sentimentos humanos serem traduzidos em cores. Afinal, a psicologia das cores é usada há tempos seja no cinema, nas pinturas ou no design moderno. Porém, o surpreendente é conseguir ver (ou sentir) os diferentes tons em uma página em preto e branco.

12 Cores Conrad Review
Sumário | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

Cada um dos contos, que no sumário são representados por uma determinada cor, ilustram uma angústia humana. A perda da inocência da infância, a morte de alguém amado ou o simples fardo de precisar continuar vivendo.

Entre as narrativas, conhecemos uma criança que se entregou às ruas pela vida sofrida na família e, posteriormente, no orfanato. Em outra história (que eu morri de amores e leria um mangá inteiro apenas dela), a marca de um amor navega pelo destino até finalmente encontrar o seu lugar de origem. Também, vemos um filho “problemático” ser a causa da angústia, dor e orgulho de sua humilde mãe.

Em cada conto, uma vida, um personagem com o qual nos identificamos ou o espelho do que temos medo de ser.

Dor e sofrimento

Diante disso, gostaria de dar destaque para algumas das histórias que, de alguma forma, me marcaram um pouco mais do que as outras.

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Desafiando a Morte | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

O segundo capítulo, Miragem, é um dos que retrata a ideia da morte. Um soldado no campo de batalha relembra sua vida equanto desafia a Morte, usando seus últimos esforços para que ela não transforme memórias preciosas em meras ilusões.

Também, Os Dois à Janela, que se desenrolou numa narrativa que eu não esperava. Quanto nós romantizamos as pessoas que nos apaixonamos? Até que ponto elas têm influência em nossas vidas? E o que conseguimos fazer para manter viva a memória que nosso coração guardou? Esse é um conto macabro e desconfortável.

As Laranjas de Marlo também me pegou muito, mas não por ter um tom fúnebre ou melancólico. Na verdade, o que me sensibilizou foi a simplicidade e a beleza do olhar das crianças para o mundo que, quando crescemos, esquecemos que existe.

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Retornando à infância | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

Por fim, e na minha opinião, o mais importante, Calmaria da Manhã. Depois de algumas histórias bem sensíveis, veio essa, representada pela cor verde no Sumário. Pensei “verde é de esperança, vai vir algo bonitinho agora”. Estava totalmente enganada.

Quer dizer, em partes, sim, transmite uma esperança. Porém, até chegarmos na esperança é uma pedrada após a outra.

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Cena final de Calmaria da Manhã | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

Aqui, um idoso e seu cachorro perambulam a passos lentos e fracos pela cidade. Eles são marginalizados, agredidos e constantemente desrespeitados pela população. Então, um garoto fica curioso com a vida desse senhor e o segue até uma floresta mais afastada da cidade.

A partir daí, somos apresentados a uma nova perspectiva sobre a vida. Onde estão nossos esforços diários? Pelo que vale a pena continuar? Como continuar diante de tanta dor?

Honestamente, apenas de lembrar dessa história eu me emociono. Ela é pesada, desoladora e incrivelmente linda. É dolorida, mas necessária.

Veredito

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Esboço dos conteúdos extras | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

Sendo assim, 12 Cores foi um mangá que me pegou desprevenida em relação a sua profundidade e densidade. Realmente, não estava esperando por uma obra assim e me surpreendi positivamente.

Se não todos, a maioria dos contos poderiam ser desdobrados em mangás independentes que leria com muito gosto. Além disso, algo que eu adorei nesse título é que as histórias se passam em diferentes países. Há narrativas em Nova York, na Grécia, no Japão e Suécia, por exemplo. 

Enfim, não é uma coletânea de finais felizes. Em algumas exceções temos um alívio no coração, mas a maioria é apenas a verdade crua da vida (algo que eu aprecio muito).

Então, prepare seus lencinhos, mas leve essas 12 Cores para sua prateleira e sua vida. Depois vem nos contar o que achou!

12 Cores Conrad Review
Capa | Conrad | Divulgação: Suco de Mangá

Conheça o mangá

SINOPSE

12 Cores, mangá de Hisashi Sakaguchi, é uma coleção de contos que usam doze cores diferentes para representar emoções. Um idoso e seu cachorro passam os dias em longas caminhadas contemplativas, uma mesa quebrada que carrega a memória de um antigo relacionamento, um músico de sucesso que amarga uma terrível tragédia. Com essas e outras histórias, Sakaguchi emociona o leitor com narrativas repletas de sensibilidade e poesia, que exploram várias facetas da natureza humana sob diferentes perspectivas.
Jaqueline
Jaqueline
Um pouco avoada, a doida das teorias da conspiração e leitora compulsiva do Nome do Vento. Adoro escrever sobre aleatoriedades, observar a natureza e ser engraçadinha em momentos impróprios, afinal esse é meu jeito ninja de ser.

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12 Cores, mangá de Hisashi Sakaguchi, é uma coleção de contos que usam doze cores diferentes para representar emoções. Um idoso e seu cachorro passam os dias em longas caminhadas contemplativas, uma mesa quebrada que carrega a memória de um antigo relacionamento, um músico de sucesso que amarga uma terrível tragédia. Com essas e outras histórias, Sakaguchi emociona o leitor com narrativas repletas de sensibilidade e poesia, que exploram várias facetas da natureza humana sob diferentes perspectivas.12 Cores | Review