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Subversive Memories: o indie brasileiro que usa o survival horror para falar sobre a ditadura militar

Entre referências clássicas do Survival Horror e uma narrativa carregada de simbolismo histórico, o jogo da Southward Studio propõe uma experiência curta, intensa e profundamente reflexiva

Produzido pelo estúdio brasileiro Southward Studio, Subversive Memories surge em um momento sensível do cenário político e social brasileiro, marcado por polarizações e debates cada vez mais intensos sobre memória histórica e revisões do passado. 

No game, acompanhamos uma jovem que desperta sem lembrar do que aconteceu antes daquele momento. Em meio ao caos, ela precisa explorar o ambiente e buscar respostas para compreender tudo o que está acontecendo ao seu redor. Ambientado no Brasil e situado no contexto da ditadura militar, o game propõe uma experiência de sobrevivência que dialoga diretamente com esse período histórico, deixando no ar uma narrativa atravessada por tensões, silêncios e reflexões que ainda encontram eco no presente. 

Submersive Memories review
Imagem Divulgação

Survival Horror classudo

Partindo para sua gameplay, o título se inspira fortemente nos clássicos Survival Horror da era do PS1, com claras influências dos primeiros Resident Evil. Ambientado em um cenário que remete a uma famosa delegacia conhecida pelos fãs do gênero, o jogo incorpora diversos elementos característicos da franquia. A escassez de recursos, representada aqui pelas pilhas usadas na lanterna, os puzzles desafiadores e a movimentação mais estratégica reforçam as referências, funcionando como homenagens que enriquecem ainda mais a experiência proposta. 

É interessante observar como Akira, principal responsável pela produção do jogo, consegue absorver diferentes referências sem perder a identidade própria da obra. Embora muitos elementos utilizados já sejam conhecidos do público, especialmente por títulos como Dino Crisis, Resident Evil e Fatal Frame, é perceptível o cuidado em transformar essas influências em algo autoral. Mesmo dentro de limitações financeiras evidentes, o projeto demonstra atenção e sensibilidade criativa, conseguindo preservar seu grau de originalidade enquanto apresenta uma experiência que soa familiar, mas ainda assim traz algo novo. 

Submersive Memories review
Imagem Divulgação

Ditadura Militar

Já no campo narrativo, o jogo encontra talvez o seu maior trunfo. Como mencionado anteriormente, toda a história se desenvolve durante a ditadura militar a partir da perspectiva de uma jovem espírita, recurso que amplia a forma como os acontecimentos são apresentados ao jogador. A coleta de recursos, o ato de acender velas e até o enfrentamento de determinadas entidades funcionam não apenas como mecânicas de jogo, mas também como metáforas para revisitar os horrores vividos no Brasil naquele período. 

Temas como censura, tortura e a propagação do ódio aparecem de maneira sutil, inseridos nas entrelinhas da experiência. São referências que não se impõem de forma direta, mas que ganham força justamente pela simbologia e pela sensibilidade narrativa, revelando camadas mais profundas para quem consegue perceber os sinais espalhados ao longo da jornada. 

Talvez o único pequeno porém em meio a tantos acertos esteja na forma como o jogo se apresenta ao público. A narrativa não se mostra totalmente receptiva para quem chega sem referências prévias ou sem familiaridade com o contexto histórico abordado. Embora o título funcione muito bem ao despertar curiosidade e incentivar a interpretação, em alguns momentos ele pode soar confuso para jogadores menos conectados com suas camadas narrativas. Ainda assim, não chega a ser exatamente um defeito, mas sim uma escolha que pode acabar afastando parte do público enquanto, ao mesmo tempo, reforça a proposta mais autoral da experiência. 

Submersive Memories review
Imagem Divulgação

Uma grata surpresa

No fim, Subversive Memories se revela uma grata surpresa dentro da cena indie. Mesmo sendo um projeto de baixo orçamento, chama atenção o olhar de Akira, um criador residente no Japão, que volta sua atenção para o Brasil e decide confrontar, ainda que de forma simbólica, acontecimentos históricos que continuam ecoando até hoje. A ditadura militar permanece como uma mancha profunda em nossa história, algo que não deve ser apagado ou esquecido, e obras como essa mostram como o videogame também pode funcionar como instrumento de memória e reflexão. 

Ao utilizar a linguagem dos jogos para revisitar esse período, o título incentiva novas gerações a pesquisar, questionar e se reconectar com partes do passado que, por vezes, parecem ser empurradas para o esquecimento. Em cerca de quatro horas de duração, a experiência entrega uma jornada intensa, capaz de transformar uma breve jogatina em um reencontro emocional com anos de medo, silêncio e marcas ainda presentes na memória coletiva brasileira. 

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SINOPSE

Em Subversive Memories os jogadores acompanham Renata, uma mulher assombrada por um vazio inexplicável que a persegue desde a infância. Em busca de respostas, ela segue uma pista até uma misteriosa base de pesquisa militar — apenas para descobrir que o local guarda segredos muito além de sua compreensão. À medida que se aprofunda nessa investigação, sua obsessão pode cobrar um preço alto demais.
Fernando Oliveira
Fernando Oliveira
Jornalista em ascensão, cinéfilo e perito em filmes ruins de qualidade duvidosa.

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Em Subversive Memories os jogadores acompanham Renata, uma mulher assombrada por um vazio inexplicável que a persegue desde a infância. Em busca de respostas, ela segue uma pista até uma misteriosa base de pesquisa militar — apenas para descobrir que o local guarda segredos muito além de sua compreensão. À medida que se aprofunda nessa investigação, sua obsessão pode cobrar um preço alto demais.Subversive Memories: o indie brasileiro que usa o survival horror para falar sobre a ditadura militar