Carole e Tuesday é um anime da Temporada de Primavera 2019. Faz parte dos originais da Netflix, podendo ser encontrado completo na plataforma desde dezembro de 2019. Tem 24 episódios no total. É um anime de drama, com foco em música e pitadas de sci-fi.
Foi criado e dirigido pelo grande Watanabe Shinichiro, muito conhecido por duas grandes obras: Cowboy Bebop e Samurai Champloo. Motonobu Hori também fez parte da direção, e já trabalhou como diretor em alguns episódios avulsos de animes e, principalmente, como animador chave e na criação de storyboards. O roteiro ficou por conta de Watanabe Aya, que fez um trabalho em perfeito equilíbrio com a direção.
Da Terra para Marte
Carole e Tuesday conta a história de uma sociedade que se migrou da Terra para Marte, onde foi criado uma tecnologia avançadíssima, baseada principalmente em inteligência artificial.
Carole mora sozinha na cidade de Alaba, metrópole de Marte, e trabalha para sobreviver, enquanto toca seu teclado à noite, nas ruas da cidade, pois música é sua paixão. Já Tuesday nasceu em uma família poderosa, na cidade de Hershell, com uma mãe envolvida política, mas que a impede de tocar violão, seu maior amor.
Decidida a viver de sua música, Tuesday foge de casa e se muda para Alaba, onde conhece Carole. Após firmar uma amizade, a dupla decide fazer músicas juntas. No meio de tantos artistas musicais apoiados em inteligência artificial, elas se diferenciam, criando música do jeito tradicional, com instrumentos e voz, sem interferência de nenhuma tecnologia avançada. Após conhecerem Gus, um ex-agente musical, a vida das duas vira de cabeça para baixo.
Desenvolvimento em Carole e Tuesday
O anime começa lento, dando a impressão que seria um anime simples de música, sem nada muito grandioso além de suas músicas bem trabalhadas. Porém, na segunda metade da obra, as coisas começam a ficar mais sérias, com temas pesados sendo tratados na história, envolvendo até mesmo política, algo não muito explorado em animes.
É possível ver preconceito racial sendo tratado “indiretamente” na trama, já que os imigrantes ilegais, que são mal vistos na sociedade, são todos negros. Achei uma abordagem diferente, não vista com frequência, mas isso mostra como anime é mais especial do que imaginamos, diferente de muita coisa que conhecemos.
Isso nos leva a outro ponto. A animação tem personagens de todos os tipos, etnias, gênero, formas. É comum ver personagens loiros nos animes, mas negros não é algo frequente. Mas, se tratando de Shinichiro, era algo de se esperar, já que o diretor é conhecido por trazer essa variedade de personagens e representatividade.
Química na dupla de protagonistas
Carole e Tuesday é uma obra que sabe trabalhar personagens. As duas protagonistas têm uma química muito forte, além de uma amizade muito sincera. Elas se apoiam em todos os momentos, parecendo realmente uma família. Ambas são muito carismáticas também, assim como os demais personagens, e acabamos nos apegando a todos eles.
Todos os personagens são bem trabalhados, possuindo um passado, visão de mundo e objetivos na vida. Por mais que tenham muitos personagens recorrentes, todos tem seu destaque e importância na história. Não há muito de vilão e herói nessa história, já que todos os personagens são muito humanos, ou seja, não são totalmente maus, e nem totalmente bons.
A Técnica em Carole e Tuesday
A estética do anime também é um ponto a ser destacado. Todo o design e visual dos personagens são lindos e tem aquela vibe de anos 90, como se o anime tivesse sido feito realmente nessa época. Não somente nas roupas, mas também nos cabelos e traços nos rostos dos personagens.
E não podemos esquecer de falar sobre a música, um dos pontos altos da obra. Não há uma música que não seja emocionante. O anime é recheado de canções, não só das protagonistas, mas como dos rivais e demais artistas, algo bem interessante do anime, que mostra música de várias pessoas e vários estilos. Um detalhe é que são todas cantadas em inglês e não são os seiyuus que as cantam.
O anime teve duas aberturas e dois encerramentos, mas o último episódio teve um encerramento especial. As aberturas e o primeiro encerramento são cantados pelas cantoras que dão voz às músicas das protagonistas, enquanto o segundo encerramento é cantado pela cantora que dá voz às músicas da principal rival das meninas.
É possível encontrar as músicas do anime em uma playlist no Spotify, algo que facilita muito continuar ouvindo essas canções maravilhosas que Carole e Tuesday nos apresentou.
As mensagens tratadas no anime são muito fortes, mas a música nunca fica em segundo plano. Conseguiram balancear bem os dois temas e entrelaça-los no final, mostrando um trabalho digno de se emocionar do começo ao fim.
Algumas questões da trama
Não é bem explicado o motivo pelo qual as pessoas foram para Marte e, por mais que os personagens mencionem de vez em quando o fato de eles estarem em outro país, há alguns momentos na primeira parte que isso se torna esquecível. Na segunda parte é quando esse fato fica realmente relevante, fazendo essa mudança ter mais sentido.
Outro ponto baixo é que algumas questões são abordadas muito rapidamente, alguns problemas resolvidos em um piscar de olhos e outros deixados de lado, sem muita importância. Alguns incomodam mais que outros, mas é algo que dá para se relevar. Inclusive há uma questão no final do anime que fica em aberto.
No final do anime há várias reviravoltas e surpresas. Com certeza o último episódio é um dos mais emocionantes, mesmo com tantos outros que conseguem tirar lágrimas dos olhos. Foi um fechamento digno para essa obra incrível.
Mas, no balanço final, Carole e Tuesday tem muito mais pontos positivos do que negativos, trazendo Shinichiro para os holofotes mais uma vez, mostrando que ele ainda tem muito o que mostrar para o mundo. É uma obra que deveria ser vista por todos e espero que, por estar na Netflix, alcance até mesmo aqueles que não estão inseridos nesse mundo de animes.
Para todos os amantes de música, Carole e Tuesday é uma inspiração e uma obra necessária a ser assistida.
A esperança é a última que morre, celebre frase que ecoa toda vez que tudo está dando errado, o que sobra é continuar acreditando que tudo vai dar certo, ou no caso, que bons filmes de terror serão feitos. Pois bem, a frase faz jus ao que se diz e o gênero terror ganha uma obra impressionante no quesito agonia e pavor que vai te conquistar, com um trailer bem enganoso, O Homem Invisível trabalha todas as emoções vividas no gênero em decorrer a uma história bem mais reflexiva do que se mostra e uma mensagem forte quanto ao terror invisível.
O filme é vendido como terror sobrenatural e o pôster que lembra a famosa cena do banheiro de Psicose. Todos enganados! O terror vem de fins tecnológicos e futuristas, não saindo da suspensão de descrença, pois tudo é bem amarrado e firme ao desenvolver do roteiro, aliás vale um adendo: caso você tenha tripofobia (medo de buracos pequenos agrupados de forma irregular), não assista esse filme, será uma agonia maior ainda.
O roteiro trabalha vários tipos de medo, junto com aquele sentimento de pena pelas pessoas que sofrem de forma injusta, o quão é desejado que essa pessoa dê a volta por cima, por bons ou maus meios, eis que o roteiro vira a mesa e todo o desejo de vingança se torna torna uma grande dúvida e beira a culpa por desejar algo ruim, caso isso não aconteça com você, melhor buscar tratamento.
Todos os plots, cenas de suspense e “destruição” da protagonista enriquecem a trama e eleva para algo sensacional de se assistir, cenas de susto, sombras estranhas, diálogos fortes, objetos flutuando e até sanidade perdida que é absorvida por todos que querem aquele filme a níveis sinistros de medo, tudo tão bem feito e trabalhado que até pequenos furos de roteiro conseguem ser ofuscados pela perfeição da história, graças a Leigh Whannell, o diretor que perdeu a mão da franquia Jogos Mortais, a qual ele mesmo é criador; aqui se provou não estar ultrapassado, soube mexer com o que já e conhece do gênero terror e conseguiu entregar um dos melhores filmes desse primeiro semestre de 2020.
Por mais que toda a produção têm que ser sempre destacada, lógico que não se pode esquecer do elenco, mas dessa vez os olhos e holofotes só foram direcionados para uma mulher, Elisabeth Moss não atuou, ela deu um show! Uma personagem que passa por todo o tipo de sentimento ruim que o mínimo de coisa boa não passa de um respiro, até ela se afundar por completo na loucura e agonia de uma ameaça a qual ninguém vê e não se é explicado porque o tal terror é invisível, ou seja, aos olhos dos outros, com uma cara desgastada de quem não dorme e olhos inchados de quem estava chorando muito, não passa de uma maluca, possivelmente usuária de drogas aos olhos dos outros. Esse é um julgamento pejorativo porém comum, qualquer um com uma aparência desgastada e cansada é rotulada de forma negativa, infelizmente.
Ainda no personagem da protagonista, que seja reafirmado o termo dito antes, não é uma construção, é extremamente o contrário, se faz uma destruição do personagem do início ao fim, um pouco parecido com personagens que beiram a loucura, ela já começa vivendo um trauma, em um momento de pico na sua vida não passa da certeza de queda livre que ela passará ao decorrer do filme, e não se sabe como cada um saberia lidar com esses tipos de traumas, principalmente o que ela se envolve em cena, resultando em uma nova pessoa, sendo a mesma em carne e osso, o fracasso e a derrota molda as pessoas, para o bem ou para o mal, e diria um meme surgido em 2019: é assim que nasce o Coringa.
Um respiro entre tantas produções duvidosas, uma esperança entre tantos fracassos, O Homem Invisível cala a boca dos outros que não acreditavam mais no gênero terror, inclusive de quem vos fala, prova que pode-se fazer grandes produções que podem ser excelentes e levar grande público para os cinemas, se isso é uma maré de boa sorte para o gênero, não se sabe, a única certeza é que você deve assistir O Homem Invisível e se arrepiar de medo com um excelente filme e um dos melhores do gênero na década.
A maior plataforma de streaming de animes, a Crunchyroll, anunciou a produção de mais sete séries originais (8, se contarmos In/Spectre que estreou em janeiro) que serão lançadas ainda em 2020.
Sob o nome de Crunchyroll Originals, as produções abrangem diversos temas e gêneros, e deve agradar todo o tipo de público. Um trailer foi disponibilizado, confira mais abaixo:
Saiba mais sobre cada um dos Crunchyroll Originals de 2020:
In/Spectre: Neste Crunchyroll Original baseado nas light novels homônimas de Kyo Shirodaira, romance e mistério se misturam numa aventura sobrenatural e fantástica, estrelando uma dupla que sai em busca de resolver uma série de misteriosos incidentes que assolam seu mundo. Já disponível na Crunchyroll. Confira nosso PRIMEIRO GOLE.
Tower of God: Uma produção Crunchyroll & WEBTOON, baseada na série de quadrinhos “Tower of God”, criada por SIU e publicada pela WEBTOON. Esta obra de fantasia sombria gira em torno de um jovem e sua jornada para escalar uma misteriosa Torre, construindo amizades e descobrindo as regras que regem o lugar, enfrentando terrores inimagináveis para reencontrar a única amiga que ele já teve. Animação pelo estúdio TELECOM ANIMATION FILM, produzido pela SOLA ENTERTAINMENT. Estreia na Crunchyroll no segundo trimestre de 2020.
Onyx Equinox: Nesta produção do Crunchyroll Studios criada por Sofia Alexander, um jovem asteca é salvo da morte pelos deuses e é forçado a agir como o “campeão da humanidade” – obrigado a abrir mão da apatia e descaso e a provar o potencial da humanidade em uma batalha que envolve diversas culturas mesoamericanas. Estreia na Crunchyroll no terceiro trimestre de 2020.
The God of High School: Um Crunchyroll Original, baseado na série de quadrinhos “The God of High School”, criada por Yongje Park e publicada pela WEBTOON. Esta série cheia de ação segue a história de guerreiros colegiais que participam de um torneio épico, lutando com forças extraídas diretamente dos deuses e descobrindo no caminho uma sinistra conspiração. Ao vencedor, a realização de seu desejo mais secreto. Animado pelo estúdio MAPPA, produzido por SOLA ENTERTAINMENT. Em breve na Crunchyroll.
Noblesse: Uma produção Crunchyroll & WEBTOON, baseada na série de quadrinhos “Noblesse”, criada por Jeho Son e Kwangsu Lee e publicada pela WEBTOON. Nesta obra de fantasia, um poderoso nobre vampiro desperta após 820 anos de sono e se vê em meio à civilização moderna. Com novos aliados, ele enfrenta perigosas aventuras para combater uma organização secreta e revelar detalhes de seu passado. Animado pelo estúdio Production I.G. Em breve na Crunchyroll.
Meiji Gekken: Sword & Gun (título provisório): Japão, 1870. Um grupo heterogêneo de personagens – um ex-samurai, um guarda-costas da Yakuza, uma espiã traiçoeira e uma gueixa assassina – tentam encontrar um lugar para si mesmos em meio às mudanças da Era Meiji, enquanto tentam escapar dos pecados de seu passado. Uma produção do Crunchyroll Studios inspirada em eventos históricos. Em breve na Crunchyroll.
FreakAngels: Após a civilização sofrer um cataclisma repentino, doze telepatas de 23 anos morando nos escombros de Londres precisam conter seus impulsos selvagens e aprender a viver em comunidade para reconstruir a sociedade. Uma produção do Crunchyroll Studios baseado nas graphic novels de Warren Ellis & Paul Duffield. Em breve na Crunchyroll.
High Guardian Spice: Nesta produção do Crunchyroll Studios criada por Raye Rodriguez, quatro corajosas garotas treinam para se tornar grandes heroínas na High Guardian Academy, onde elas formam alianças, desvendam traições e descobrem suas verdadeiras identidades, preparando-se para proteger o mundo de uma aterradora ameaça. Em breve na Crunchyroll.
Mais detalhes sobre o Crunchyroll Originals podem ser revelados no Anime Japan 2020. Ficamos no aguardo por maiores informações.
A Netflix está cada vez mais investindo em anime, e a plataforma anunciou que fechou um contrato com seis criadores/produtores de animes do Japão, entre eles o grupo CLAMP.
Além do CLAMP, que já está envolvido em um projeto ainda não anunciado, a lista inclui Shin Kibayashi (The File of Young Kindaichi), Yasuo Ohtagaki (Mobile Suit Gundam Thunderbolt), Otsuichi (Calling You), Tow Ubukata (Psycho-Pass) e Mari Yamazaki (Thermae Romae).
A parceria prevê a criação de conteúdo original para a plataforma, que atende 190 países ao redor do mundo. Novidades devem ser anunciadas no evento Anime Japan 2020 – que por sinal já nos credenciamos e esperamos estar por lá!
Na última sexta-feira (22), a Crytek e a Deep Silver lançaram o game Hunt: Showdown, um jogo competitivo de caça a recompensas em primeira pessoa que reúne a emoção dos jogos de sobrevivência em um formato baseado em partidas.
A história do jogo situa-se na Louisiana em 1985 e mistura elementos de PvP e PvE – aumentando ainda mais a tensão, já que não são apenas as criaturas que são uma ameaça – são todos os caçadores no mapa. O game coloca dez jogadores (você joga sozinho ou em dois) para derrotar bestas horríveis por uma recompensa que devem coletar.
O modo quickplay de Hunt oferece uma partida mais curta para os jogadores que buscam uma jogatina sem um companheiro, porém competem por uma quantidade cada vez menor de recompensas. Quanto maior o risco, maior a recompensa – mas um único erro pode custar tudo.
Hunt: Showdown está disponível para o PlayStation 4, Xbox One e PC.
O elogiado Samurai Shodown finalmente desembarca para o Nintendo Switch. A partir de hoje, a SNK está dando aos fãs 15% de desconto no Passe de Temporada 1. A promoção vai até 17 de março.
“SAMURAI SHODOWN para Nintendo Switch™ dá aos fãs a chance de pegar um Joy-Con e, de qualquer lugar do mundo, executar um golpe Crescent Moon Slash para deixar os inimigos em pedaços”, diz Yasuyuki Oda, líder de produção de SAMURAI SHODOWN. “Mal podemos esperar para ver um novo grupo de guerreiros lutando pela vitória com o elenco de lutadores do jogo original e também com os novos personagens do Passe de Temporada”, completa.
O Passe de Temporada 1 já conta com RIMURURU, BASARA, KAZUKI, KAZAMA e WAN-FU, sendo que no fim do mês é a vez de MINA dar as caras, a primeira do Passe de Temporada 2. Na sequência, SOGETSU, KAZAMA, IROGA e um misterioso quarto combatente se juntarão ao combate. SHIZUMARU HISAME também aparece no elenco do Nintendo Switch como DLC grátis.
Samurai Shodown também está disponível para PlayStation 4, Xbox One, e Stadia. A versão para PC ainda não recebeu uma data de lançamento.
Depois do sucesso da coletânea Mega Man, chegou a vez de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection, saindo dos portáteis para as telas grandes pela primeira vez!
Para quem nunca jogou e pretende uma jogatina mais tranquila nas séries Zero e ZX, há o modo opcional Casual Scenario, onde vocês enfrentarão os desafios de uma forma reduzida.
Para a galera mais velha e experiente, pode jogar com filtros de pixelização original – além dos de suavização em HD – e também escolher entre diversos layouts de tela diferentes para exibir os controles de duas telas dos originais.
Há também o modo Z Chaser, onde desafiará o jogador em buscar o melhor tempo em cada um dos cenários de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection, correndo contra um fantasma dos placares de líderes globais, ou competir cara a cara com os amigos no multiplayer local.
Sobre:
Mega Man Zero/ZX Legacy Collection contém seis títulos clássicos do universo Mega Man. Jogue a desafiadora saga em quatro partes do lendário Reploid Zero, ambientada centenas de anos após os eventos da série Mega Man X. Enquanto isso, Mega Man ZX e ZX Advent coloca os jogadores no papel de um herói ou heroína pela primeira vez na série, e permite a eles fazer uma megafusão com misteriosos Biometais para usar o poder de heróis do passado como Zero e Mega Man X.
O jogo está disponível para Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC a partir de hoje em formato digital no Brasil.
Nesse ano bastante especial para o Japão, sediando as Olimpíadas em Tóquio, o Nippon Rio Matsuri 2020 levou o evento na esportiva. Fora do evento, com exposições de várias modalidades olímpicas e dentro do evento, com um grande foco nas artes marciais, esta edição do evento priorizou mais do que nunca suas atrações marciais que já figuravam em outras edições. E por todo o teto do Pavilhão Verde, as faixas olímpicas lembravam a todos os visitantes de um dos maiores eventos prestes a acontecer em 2020.
VISITANTES INÉDITOS: WALTER JONES E KIHACHIRO UEMURA
Ano após ano, é possível perceber que o Rio Matsuri é um evento em expansão; dessa vez, por um misto de oportunidade e planejamento, as festividades aconteceram de sexta até uma segunda-feira do dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro. Foi um dia a mais para que as pessoas pudessem aproveitar seus feriados no Rio Centro.
Desde sexta feira o evento já começou movimentado, pois a visita do dia não poderia ser mais especial: Kihachiro Uemura e Walter Jones, dois atores consagrados no mundo dos tokusatsus e de sólida carreira dividiram o palco principal com a mediação do cantor Ricardo Cruz, do Jam Project, que há pouco havia feito um dueto com o cantor Kauã Okamoto.
Walter Jones no Rio Matsuri 2020
Depois de muita espera, os atores que interpretaram, respectivamente, o Green Flash (Flashman) e o Ranger Preto (Mighty Morphin Power Rangers) foram recebidos com aplausos de pé por um público misto nas idades e igualmente ansioso em ver seus ídolos ao vivo pela primeira vez. Eles falaram sobre como começaram a se tornarem heróis na TV, os detalhes do processo de seleção em cada programa e como cada um reagiu com o design dos monstros pela primeira vez.
Grosso modo, o processo de seleção era parecido tanto para a produção japonesa quanto a americana: 1) selecionava-se um currículo com foto, 2) ocorria uma entrevista, 3) outro teste verificava a capacidade de atuação/interpretação, 4) havia um teste de performance em ação e por fim, havia um último teste que misturava uma cena de ação com várias falas.
Walter Jones acrescentou apenas uma série de reuniões com a equipe de produção. Ele salientou sua surpresa ao ver os monstros e principalmente as roupas dos Rangers, já que até o momento de botar a mão na massa com os outros atores, tudo o que ele conhecia dos tokusatsus estava em seus script. Ao ver o traje do Ranger Preto, antes mesmo de saber que este seria o seu traje, Jones já brincava: “Olha só! Eu vou querer esse daí!”.
Quando Ricardo Cruz perguntou se eles assistiam os episódios após as gravações, ficou nítido a diferença de ritmo para cada produção. No Japão, os episódios de Flashman eram semanais (e até hoje é assim na maioria das produções, como é o caso do atual Kamen Rider Zero-One); toda semana havia uma première com os demais atores onde era transmitido o novo episódio de Flashman. Já em Power Rangers, o ritmo de trabalho era muito mais pesado, com dois ou até três episódios estreando por semana. Assim, Walter Jones dependia da sorte de algum amigo gravar os episódios numa fita VHS (e de não estar muito cansado em seu tempo livre, óbvio).
Kihachiro Uemura no Rio Matsuri 2020
Houve no painel uma seleção de melhores momentos de cada ator em sua respectiva série. A paixão dos fãs superior ao fiasco da falha técnica no som (a primeira de algumas tantas durante os dias do evento); as palmas e as ovações quebraram qualquer silêncio durante a transmissão do vídeo. Ainda mais quando a parte sem som era justamente da série que teve maior público, que foi Power Rangers. Walter Jones contou como foi incorporar o estilo de um personagem dançarino numa série de super-heróis. O raciocínio é parecido com o de um dos protagonistas de Samurai Champloo, Mugen, que misturava breakdancing com luta de espada: a imprevisibilidade de seus movimentos era a chave de seu estilo contra os inimigos. Bem versado em artes marciais e em dança, Jones explicava enquanto experimentava alguns movimentos para a plateia.
Enquanto que o ator americano já era um visitante recorrente ao Brasil, participando de congressos de dança, Kihachiro Uemura se mostrou bastante realizado em visitar o país pela primeira vez e ansioso de experimentar as coisas pelas quais o país é conhecido, principalmente a tal da caipirinha! Uemura ainda admirou ao falar da frequência com que gravou cenas com o traje do Green Flash e de como sentia medo de gravar cenas com explosões, feitas em época sem muitos efeitos digitais e assim, com maiores riscos de se queimar durante as gravações.
Enfim, não faltou papo para a sexta-feira. E mesmo sendo no primeiro dia do evento e em dia útil, as pessoas não perderam a chance de sextar no Rio Matsuri, estando as cadeiras para o público do palco principal bastante ocupadas. Muitas dessas pessoas sendo fãs de coração, fato esse notável pelo tanto de pessoas que se emocionavam fortemente ao falarem com os atores ao microfone. Cena tão linda quanto a interação dos dois atores com o público!
Tal qual como todo matsuri, os festivais japoneses contam com espaços de vendas das mais diversas. Umas mais reconhecíveis para frequentadores de eventos de anime, outras nem tanto. O Rio Nippon Matsuri acaba sendo uma oportunidade para quem não tem como ir até São Paulo e encontrar os mesmos utensílios que são fáceis de se achar no bairro da Liberdade ou numa Daisô. Nesse particular, falo como uma pessoa fissurada em culinária: os quatro dias de evento são A oportunidade de ouro para repor o estoque de shoyus, sake, karê dos mais suaves aos mais apimentados e todo tipo de macarrão: yakisoba, udon ou bifun. Quem não tem interesse de cozinhar, pode acabar se interessando pelo menos nas chaleiras e demais cerâmicas que no mínimo bem decoram qualquer casa só pelas suas estampas.
Também acaba sendo uma oportunidade de experimentar todo o tipo de lanche que não se vê todo dia no Rio. Desde os salgadinhos de camarão aos sorvetes melona e Mupys, a praça de alimentação também recebe juntas de comunidades nikkei de várias partes do país. Não só vem grupos de Niterói, como paulistas e mato-grossenses atraem filas de pessoas para provar ramen, gyudon, okonomiyaki e os set’s de sushis mais familiares para o brasileiro médio.
Uma grata novidade foram algumas barracas de acessórios para o dia-a-dia. Você pode pensar nisso como uma “lojinha de 1,99”, não no sentido de preço, mas na variedade de coisas que se vendiam e que acabam sendo uma mão na roda. Pessoalmente, as canetas para touchscreen impressionaram e fizeram sentir falta de lojas mais especializadas fora do evento. Mais motivo para aguardar o ano que vem com expectativas…
A Filó no estande da Crunchyroll foi um dos destaques do evento!
AGITANDO O CORPO AO SOM DE ANISONG: DJ SUNAMORI ESTREANDO NA CIDADE MARAVILHOSA
Se por um lado a organização do evento continua insistindo na tradicionalidade do enka e desperdiçando a recente popularidade do city pop (mas longe de mim querer maldizer um estilo tão prezado), o Nippon Rio Matsuri convidou o DJ Sunamori para agitar a cidade maravilhosa e não deixar ninguém parado!
Era certamente uma novidade ter alguém incentivando um público normalmente tímido a dançar ao som de aberturas de anime. Sunamori já visitou algumas vezes o Brasil, em São Paulo, mas o jeito como ele convidava o público a dançar e curtir o som era a atitude nítida de um DJ habituado a criar ambientes festivos. E para isso ele veio preparado: com One Punch Man, One Piece, Jojo, Attack on Titan e hits mais recentes como as aberturas de Dororo, Demon Slayer e Keep Your Hands Off Eizouken, Sunamori pouco a pouco atraía para perto de si uma garotada que ia se descontraindo a ponto de formar trenzinhos e rolar corridas ninjas ao som de Naruto, puxadas pelo próprio DJ, contagiado com a energia brasileira!
Mesmo tendo tocado em eventos grandes no exterior, Sunamori provou nesse Rio Matsuri que pra ele não existe palco grande ou pequeno: onde ele estiver podendo soltar um som e chamar gente pra se divertir, assim ele o fará na maior autenticidade. E assim foi o tom de suas performances de sexta até domingo, no Palco Otaku e no palco principal.
Como de praxe, cosplayers foram uma atração própria de um evento dedicado à cultura japonesa. Dessa vez eles não vinham só de fora, como de dentro: o estande da Crunchyroll se empenhou em trazer cosplayers de Shield Hero e Overlord para o seu estande, com direito a uma carroça guiada pela Filo, onde pessoas formavam fila para tirar fotos.
Mas além do espaço de modelos profissionais, cosplayers visitantes tanto de animes, tokusatsus e quadrinhos enfeitaram ricamente o evento. Nesses dias, foi possível confirmar a febre de Demon Slayer presente no Rio: grupos e mais grupos de Tanjiro e companhia compareciam ao evento, confirmando mais um sucesso recente da Aniplex.
Talvez pela importância da ocasião, o desfile cosplay ficou um pouco ofuscado e posto de escanteio para a segunda-feira. No domingo, houve a final carioca da WCS, a World Cosplay Summit, a maior competição cosplay do mundo. Quatro duplas se apresentaram, cada qual com uma atuação ímpar que deixaram os jurados numa sinuca: Final Fantasy VII, Naruto, Kingdom Hearts e Demon Slayer foram os temas. No final, a escolha para representar o Rio de Janeiro na final nacional a ser realizada em maio na Anime Nation foi a dupla de Kingdom Hearts, com uma apresentação de Sora e Kairi lutando contra Xenmas no portal para o Reino da Luz.
Como sempre, o Belga mostrou pelos cliques de sua câmera uma visão dos cosplayers melhor do que os nossos poderiam ver! Nossa galeria estará linkada aqui para quem quiser relembrar aquele cosplay excelente do evento.
TSUBASA IMAMURA, MPB E A ALMA DO MATSURI NO BON-ODORI
Visitando o evento no Rio Centro pela primeira vez e esbanjando fofura na voz e no jeito de falar como chegou no país, Tsubasa Imamura passeou pela cidade e tomou milk-shake no Bob’s *risos*, e infelizmente também sofreu do mesmo fiasco no som que houve durante o painel de Jones-Uemura. Mas é nessa hora que a malandragem brilha e a plateia começou a puxar palmas para acompanhar as canções da Tsubasa à capela.
Na segunda-feira, com o som melhor revisado, a cantora pôde se apresentar 100% ausente de problemas e complicações, com direito a uma participação especial durante Pegasus Phantasy, onde um amigo desenhou um retrato do Cavaleiro de Pégasus ao vivo durante a música.
Confira nossa cobertura completa da Tsubasa Imamura AQUI.
Para fechar esse relato que está se alongando, devemos atestar, com muita alegria, a presença do pedestal que dá forma a um matsuri, onde se dança o bon-odori ao seu redor. Os festivais japoneses acontecem em várias ocasiões durante o ano e cada região tem uma história particular que vira motivo de matsuri; para o caso desta reconexão dos nikkeis nipo-brasileiros com os hábitos de seus ancestrais, o bon-odori é a dança pela qual se honra a memória de seus antecessores.
Awaodori Represa no Rio Matsuri 2020
Esta foi a primeira edição onde a dança típica japonesa era bem realizada ao redor de um monumento que lhe dá característica. Se é impossível realiza-lo a céu aberto como é de costume e mesmo a queima de fogos que virou pano de fundo de tantos momentos românticos, dessa vez o Nippon Rio Matsuri deu um passo a mais em direção a uma maior autenticidade.
Wakadaiko no Rio Matsuri 2020
As cadeiras do palco principal foram empilhadas e removidas numa velocidade de honrar qualquer pit-stop de Fórmula 1. E as pessoas, uma vez em pé, eram logo convidadas a se juntarem às damas que conduziam o bon-odori e, de passos lentos em passos lentos, numa dança fácil de memorizar, brasileiros e nipo-brasileiros se juntaram numa belíssima confraternização.
Passamos das duas mil palavras e se seguíssemos a comentar dos grupos de taiko, danças e artes marciais que se apresentaram e arrancaram fortes palmas, passaríamos das três mil e tantas. Para isso vale o ditado: “uma imagem vale por mil palavras”. A assiduidade das pessoas nos quatro dias de evento, a escassez de produtos logo no começo do último dia e as crescentes filas na praça de alimentação provam que o Nippon Rio Matsuri é um evento que não para de crescer e se ajustar à medida que cresce.
Passada essa pré-homenagem às Olimpíadas de Tokyo, só resta desejar o maior sucesso para o anfitrião desta edição dos jogos olímpicos. E que 2021 traga mais uma proveitosa edição desse que é um dos maiores e mais aguardados eventos anuais do Rio de Janeiro!