MAPPA se pronuncia sobre acusações de más condições trabalhistas

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Imagem Divulgação: MAPPA
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Há algumas semanas atrás veio a tona na internet as supostas condições precárias de trabalho em um dos maiores estúdios de anime japoneses. Alguns dos animadores relataram as más condições que tinham de suportar, e finalmente o Estúdio MAPPA se manifestou a respeito.

Tudo começou quando o animador MUSHIYO, freelancer que fez parte da equipe de produção de Attack on Titan, revelou em seu Twitter o motivo pelo qual estava se afastando da empresa. De acordo com o comunicado, os animadores possuem uma rotina insana de trabalho, que por várias semanas seguidas eles não conseguem terminar o que precisam fazer até o sol nascer. Ele também diz que precisam se atentar a coisas pequenas, como por exemplo, “detalhes em botões”. MUSHIYO complementa que não sabe por que trabalhou tanto para conseguir entrar para a empresa, e que até onde saiba, 80% dos funcionários se sentem da mesma forma.

Então, no dia 1º de junho, o animador Ippei Ichi, que também trabalha para o estúdio, se pronunciou:

Aparentemente, um produtor que trabalha em um anime da Netflix feito pelo MAPPA sugeriu pagar 3,800 ienes (cerca de R$181,00) por corte. O orçamento para uma série de TV é entre 3,800 a 7,000 ienes (cerca de R$181,00 a R$334,00), então se você aceitar essa oferta, o preço unitário dos animadores diminuirá. Atenção: se você perguntar, eu acho melhor negociar por 15,000 ienes (cerca de R$717,00) ou mais.

No dia seguinte, ele complementou que para evitar desentendimento, o problema dele é com a Netflix, pois se eles recebem um lucro exorbitante, é um problema que ofereçam taxas tão baixas, que podem ser ainda menores do que as de séries de TV.

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Outro animador freelancer respondeu Ippei Ichi, falando que os costumeiros 4,500 ienes (cerca de R$215,00) por corte já é muito ruim, então “o que a Netflix estaria pensando pagando menos do que isso?”.

Então, em meio ao alvoroço causado nas redes sociais por conta das acusações de jornadas de trabalho abusivas e baixos salários, o Estúdio MAPPA por fim se pronunciou. Através do seu site oficial, o Estúdio emitiu uma nota na tarde desta quarta-feira (7), onde diz que as discussões abordadas deram espaços a mal-entendidos e informações distorcidas.

Na nota, MAPPA afirma que nunca ofereceu compensações não razoáveis para os criadores (como são chamados os encarregados de um anime, inclusive os animadores), mas que ofereceu taxas justas em relação ao orçamento de cada projeto, tanto em atuais ou passados. Ele também diz que nunca forçou ou coagiu qualquer criador a trabalhar.

A respeito da afirmação de Ippei Ichi, MAPPA fala que o anime não foi um projeto pedido pela “plataforma principal”, mas que era um trabalho já planejado em cima de uma série de TV existente. Após a confirmação da venda para a “plataforma principal”, é que o pedido de produção foi feito, e que o orçamento do anime é definido com base no valor de venda dele.

Para finalizar, o Estúdio diz que seu objetivo é produzir o melhor dentro do custo de produção definido para cada projeto, e que continuará a fazer esforços para melhorar o ambiente de trabalho.

Além da nota oficial do MAPPA, foram divulgadas fotos do novo estúdio da empresa, que de acordo com os arquitetos, o material das mesas e os espaços amplos foram planejados com “a intenção de melhorar o espaço de trabalho”.

No tweet, Ryu Nakayama diz “Chainsaw Man é feito aqui”, e encoraja os novatos da profissão.


Então, o lar de vários animes queridos e aclamados pelo público aparentemente não é um lugar tão legal assim. E você, o que achou dos comentários dos animadores e da defesa do Estúdio? Fala aqui pra gente!

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