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Conexão global e essência utaite | Entrevista exclusiva com o fenômeno japonês Ado

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Em 2025, escrevemos duas matérias sobre esse ícone mundial que é a Ado. Em julho pudemos assistir uma apresentação sem igual nos cinemas e em agosto foi a vez do Brasil receber a gyaru de todos nós pela primeira vez, numa turnê mundial que marcou um ponto crítico na história de sua carreira.

Agora, chegou a vez do Suco de Mangá trocar uma ideia com a própria Ado! Quem a acompanha vê que, mesmo sendo um talento vocal extraordinário, seu charme como artista vem justamente do fato dela ser gente como a gente. Ela tem seu vlog, faz uma live ou outra cantando Uma Musume no Minecraft ou entregando o peak do entretenimento com Silent Hill f, rendendo vários registros de ouro pela comunidade.

E essa proximidade beira o desconcertante! Ado é ao mesmo tempo um dos maiores talentos da última década, uma monstruosidade nos palcos… e uma pessoa tão comum quanto é qualquer amigo otaku nosso. Com seus trejeitos, suas inseguranças e suas esperanças num mundo incerto, onde a magia do entretenimento se apresenta como uma salvação para sobreviver ao dia seguinte.

Cientes disso e das conquistas mais recentes de sua carreira, trocamos estas perguntas e respostas com a Ado, que você confere a partir de agora!


SUCO: É uma honra imensa poder falar com você! Pode nos contar um pouco sobre a experiência de ter tocado no Zipangu Festival, na Califórnia?

Ado: Dessa vez tive a oportunidade de performar num festival chamado “Zipangu” em Pasadena, na Califórnia. Foi minha primeira vez num festival exclusivo com artistas de j-pop e fiquei muito feliz de ver tanta gente comparecendo! Também me senti muito grata por poder ter a honra de encerrar o festival. A visão do público vista do palco foi tão comovente que até agora mesmo agora eu continuo sem palavras… quero muito ver como o Zipangu Festival vai crescer e seguir no futuro.

SUCO: Seu gosto pelos hambúrgueres do In-N-Out já é um fato bem famoso. Mas e quanto as redes japonesas? Quais lanchonetes do Japão moram no seu coração?

Ado: Kura Sushi. Pode ser um exagero, mas quase dá pra dizer que metade da minha vida foi salva pelo Kura Sushi. Toda hora que eu me sinto mal, eu vou em um Kura Sushi, relaxo, aproveito… e ainda faço isso aos 23 anos. Espero mesmo que todos possam ir no Kura Sushi sempre que puderem. Uma das melhores coisas daquele lugar é poder experimentar tudo quanto é tipo diferente de sushi.

Aliás, acho que muita gente quer provar ramen quando chega no Japão, mas se você pegar uma tigela cheia de ramen, só isso te deixa cheia. Lá no Kura Sushi você tem porções de ramen na medida certa, com caldo de shoyu, frutos do mar e miso. Dá pra curtir um ramen com sushi e as sobremesas são deliciosas, então eu realmente recomendo a qualquer um! Eu sinto que tenho que falar desse lugar sempre que posso. A loja deles em Los Angeles me salvou demais, muito obrigada.

SUCO: Ao mesmo tempo que você tem um lado pessimista, a energia que você exala ao longo de sua carreira dá a impressão completamente oposta para qualquer um que te vê ao vivo. Como você descreveria esse contraste?

Ado: Tendo a ficar pessimista porque sempre estou me comparando a outras pessoas, ou sinto que a pessoa que quero ser está longe daquilo que sou, a tal ponto que fico deprimida e penso “Por que sou assim?”.

Mas quando estou no palco, eu me sinto livre. É o único momento onde sinto que consigo ser a pessoa que quero ser. Acho que é exatamente isso que me dá energia nos shows.

SUCO: Sobre o livro “Vivarium: Ado e Eu”. Qual é a sensação de ter a história de sua vida publicada em livro?

Ado: Quando paro e penso, acho fascinante saber que minha vida viraria um livro. Não acho que alguma vez eu tenha tentado esconder quem sou, mas para falar de um evento, você tem que contar o que aconteceu antes que levou a isso e assim por diante. Acaba virando algo complicado e acho que é até natural, já que a vida em si é complicada. Para mim, todas essas coisas são parte importante que fizeram de mim o que sou hoje. Ao compartilhá-las, espero poder dar a oportunidade das pessoas entenderem minha identidade com mais profundidade.

Vivarium: Ado e Eu
Capa / Vivarium: Ado e Eu

SUCO: E sobre a música lançada para o livro, a “Vivarium”, a experiência de compor uma música foi tranquila ou as auto-críticas pesaram o processo?

Ado: Meus conflitos internos tiveram um peso enorme no processo criativo.

Eu sou um tanto perfeccionista, mas ao mesmo tempo, se eu me atrapalho no começo, caio rapidinho num ciclo de pensar “Ah, esquece” ou “Não levo jeito”. Posso ser um tanto difícil nessa parte. Por causa disso, eu me pressiono demais pensando “Eu tenho que compor uma boa música!”.

O livro já estava feito, e como sou uma cantora, queria expressar quem eu sou pela música e não apenas na forma de livro. Foquei tanto em achar um jeito de transformar meus sentimentos numa boa música que quase exagerei em fazer de mim algo mais sofisticada que sou, ou tentar coisas as quais não estava acostumada.

Teve vezes em que usei palavras ou frases indiretas que eu não usaria normalmente. Tentei escrever uma letra que soasse como eu, mas ao mesmo tempo, me senti na obrigação de fazer essa letra soar bonita. Tive muitos problemas com esses conflitos dentro de mim.

SUCO: Em agosto, os fãs latino americanos tiveram a oportunidade e o prazer de ver seu show pela primeira vez! Visto do seu ponto de vista, como você descreveria essa experiência?

Ado: Fiquei muito feliz! Haviam tantos, tantos fãs cheios de paixão na América Latina. E é tão longe do Japão que, pra ser sincera, jamais achei que teria a chance de visitar o continente. Poder conhecer pessoalmente a cultura latino-americana me deixou apaixonada e saí de lá com a certeza de que a América Latina é um lugar maravilhoso.

SUCO: O novo single “Monstruo” fará parte de um filme baseado em um mangá de futebol. Por favor, nos conte um pouco sobre essa música.

Ado: Essa música é tema de um filme baseado em BLUE LOCK e a primeira coisa que eu comentaria é a forte influência latina. Já cantei outras músicas com elementos latinos antes, mas não no nível dessa música, que abraça bem a sonoridade latina. Essa também foi a primeira vez que usei o espanhol nas letras. O próprio título, “Monstruo” é em espanhol. Espero que o pessoal da América Latina fique feliz em ouvir palavras familiares a eles na música.

Uma das ideias centrais para a história original é ser “egoísta”. Geralmente essa palavra não é usada de maneira positiva, mas em BLUE LOCL, ser egoísta significa perseguir o seu ego, vendo até seus colegas de time como rivais, com esses estudantes dando tudo de si contra tudo e todos para virar o melhor atacante do mundo.

É uma situação e um mindset que não se associa normalmente com o futebol, mas acho que tem algo nisso muito bacana em usar essa motivação egoísta para irem além dos próprios limites e correr em busca de seus sonhos.

Essa ideia egoísta de despertar o monstro dentro de si para realizar seus sonhos é algo que está na nova canção “Monstruo”.

SUCO: Por último, sua paixão pela cultura pop japonesa é algo realmente admirável. Como você mesma toca no assunto, surge uma dúvida fundamental: o que cultura significa para você?

Ado: Eu acho que cultura é algo que expressa o que há de distinto em um país. Não dá pra entender a fundo um país apenas pela língua ou pelas pessoas. A Coreia tem o k-pop, França tem sua cultura e o Brasil tem sua própria cultura. Ao experimentar essas culturas, as pessoas descobrem coisas que as fazem pensar, “Então é esse tipo de cultura que esse país tem”, e isso desenvolve um interesse pelo país.

Acho que quando os japoneses e seus artistas continuam a explorar e desenvolver nossa própria cultura, eles contribuem para a melhora do seu país. Ao valorizar e focar na nossa cultura, aspectos novos e interessantes do Japão podem emergir, dando mais motivos para as pessoas ao redor do mundo se interessarem pelo Japão.

Para mim, a cultura vocaloid, a cultura de cantores nascidos na internet conhecidos como utaite e a cultura construída pelos seus criadores na internet são extremamente importantes. Tem muita coisa interessante esperando para ser descoberta nessas culturas. É por isso que quero continuar dando apoio e carinho a eles.

ado monstruo capa
Ado / Monstruo

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O Suco de Mangá agradece imensamente à Ado pelo seu tempo e pelas respostas valiosíssimas nesta entrevista!

Eriki
Eriki
Olá, sou o Eriki, redator do Suco de Mangá desde 2018, ex apresentador do Gole Otaku, programa semanal do Suco de Mangá sobre as estreias de animes da temporada, formado em História pela UFRJ e guitarrista da Matina Cafe, banda que se inspira no som do visual kei.

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