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No último dia 21, chegou ao fim mais um sucesso da gigantesca produtora GMMTV. Bad Buddy, que começou com uma audiência modesta na TV aberta da Tailândia, logo se tornou um fenômeno nas redes sociais.

As proporções alcançadas pela popularidade do BL, fez com que ele garantisse uma recepção internacional bastante calorosa, batendo recordes de visualizações e figurando o topo de assuntos mais comentados no Twitter de diversos países, incluindo o Brasil. E após 12 semanas, o desfecho de uma história que tinha tudo para perpetuar os clichês do gênero, acabou surpreendendo até mesmo quem desacreditava de um final positivo.

Adaptado da novel Behind The Scenes (หลังม่าน), Bad Buddy surge da história clássica de um romance proibido. Pran (Nanon Korapat) e Pat (Ohm Pawat), são vizinhos, mas devido à rivalidade entre seus pais, são proibidos de terem qualquer tipo de relação. Da infância à juventude, diversos eventos fazem com que eles ora se aproximem, ora se afastem um do outro. Esse vaivém, acaba revelando um certo acontecimento do qual irá unir os dois, e como já é de se esperar, a intervenção familiar no relacionamento deles trará à tona coisas do passado e problemas que ambos terão de enfrentar no futuro.

À primeira vista, Bad Buddy soa como uma produção nos moldes técnicos em que maioria das adaptações BLs se encontram na Tailândia: com poucas ressalvas para fotografia e edição.

Dois aspectos marcados pela simplicidade e acessibilidade de um drama centrado no desenvolvimento dos personagens. E quanto a isso, não há o que reclamar, pois, o que vemos aqui, é uma verdadeira aula de como tornar uma narrativa bastante arriscada devido aos acontecimentos intensos da novel, em algo extremamente satisfatório e pertinente ao sentido pelo qual caminham os personagens. Exemplo disso são as tomadas que favorecem os personagens secundários, os quais são cuidadosamente explorados para agregar sentido ao arco principal. Como é o caso de Wai (Jimmy Jitaraphol), melhor amigo de Pran e que exerce seu companheirismo tóxico ao ponto de levar a crer que ele é o grande antagonista da história. O mesmo quase acontece com Korn (Drake Sattabut), melhor amigo de Pat e que consegue surpreender a todos em um determinado momento do BL.

Nessa linha narrativa que envolve os amigos dos protagonistas, temos o primeiro debate levantado pela série: as amizades tóxicas. Além disso, o drama familiar também se mostra um debate necessário sendo lembrado em todos os episódios de maneira fundamental.

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E como é de costume nas adaptações BLs, o casal secundário também se faz presente ao longo do drama, porém, diferente da maioria, em Bad Buddy, somos apresentados a um romance afetivo entre duas garotas, o que acaba abrindo espaço para outro debate: a representação feminina nesse tipo de obra. Pois, como sabemos, muitos títulos costumam tratar garotas como vilãs ou encaixá-las em papéis extremamente irritantes, o que felizmente, não acontece aqui. Outra quebra na estrutura dos dramas BLs que podemos observar em Bad Buddy, é a forma em que a relação dos personagens principais é representada, com respeito a isso, os papéis não dependem do estereótipo seme/uke, em outras palavras, Pran e Pat não precisam mostrar quem é o “protetor” e quem é o “protegido” da relação. Eles apenas vivem um relacionamento de forma igual, transmitindo suas emoções sem se apoiar em artifícios datados.

Ainda sobre os protagonistas, é possível notar uma dedicação extremamente assertiva por parte da química explorada por eles, cortesia da ótima atuação de Ohm e Nanon, amigos de longa data e que souberam usar a intimidade entre si para dar vida a personagens que parecem se amar perdidamente. Sendo assim, é impossível não ser fisgado pelo carisma deles em cenas de derreter o coração.

Por fim, a grande sacada de Bad Buddy fica por conta do diretor Aof Noppharnach Chaiwimol, que esteve à frente dos emblemáticos Dark Blue Kiss (2019), 2Gether (2020) e 1000 Stars (2021), três dos seus melhores trabalhos e que agora somam juntos a trajetória de mudanças estilísticas das quais ele vem apostando nesse novo projeto. Do tratamento extremamente positivo aos personagens e suas nuances, passando pela forma única de adaptar a dar sentido a diferentes pontos da história, muito do que ele já trabalhou em outros dramas, reflete perfeitamente em Bad Buddy. E ao abordar questões importantes de uma forma tão saudável e enriquecedora, Aof e toda sua equipe parece ter reunido os piores aspectos de um BL tradicional e jogado no lixo. Fazendo de Bad Buddy, um exemplo a ser seguido.

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REVIEW
Bad Buddy
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Cinéfilo e extremamente apaixonado por dramas asiáticos, em especial os Boys Love, aos 21 anos minha personalidade é passar horas assistindo e comentando sobre tudo que posso.
Bad Buddy é uma série de televisão tailandesa de drama e comédia romântica de 2021 estrelada por Korapat Kirdpan e Pawat Chittsawangdee. Baseado no romance Behind The Scenes de Afterday e -West-, conta a história de dois meninos que vieram de famílias em guerra, vizinhas que se viram competindo por quase tudo.bad-buddy-review