Anúncio

O Suco de Mangá teve a oportunidade de entrevistar um dos principais diretores da atualidade na indústria de jogos eletrônicos, Yoan Fanise, conhecido pelo seu exímio trabalho em Valiant Hearts: The Great War, e seu estúdio DigixArt estão próximos de lançar a terceira produção, o game Road 96.

O início de Yoan Fanise

A carreira de Yoan na indústria começou com o trabalho de design de som para a série Beyond Good & Evil, dois jogos marcantes durante a sexta geração de consoles. Após, trabalhou como líder de design de som para o game de King Kong, baseado na terceira versão do clássico.

Em 2010 criou o departamento de áudio da Ubisoft Singapore construindo dois estúdios e em sequência participou da produção de Assassin’s Creed III trabalhando no conceito e e produção das batalhas navais.

Valiant Hearts, BAFTAs e DigixArt

Ainda na Ubisoft, Yoan dirigiu o consagrado Valiant Hearts: The Great War, game que ganhou em duas categorias no TGA 2014 sendo elas Games for Impact e Melhor Narrativa. O diretor ainda ganhou o BAFTA por Melhor Propriedade Original em games e no mesmo ano fundou o estúdio DigixArt que já lançou 11-11 Memories Retold e agora caminha para o lançamento de Road 96.

“Inventamos este país chamado Petria, que é uma mistura estranha dos EUA nos anos 90 com os países comunistas orientais por trás da cortina de ferro.”


Você é uma pessoa que gosta de trabalhar enredos sobre o ser humano em situações estressantes, principalmente conflitos armados. O que te atrai sobre esse assunto e qual o seu preparo para recriar isso em um ambiente virtual?

Estou muito interessado em histórias em que pessoas normais são jogadas em situações incomuns, a Primeira Guerra Mundial foi exatamente isso, e um país com pessoas no exílio é o mesmo. Mas desta vez optamos por inventar um país distópico para ser mais livre e fundir diferentes influências, sendo capaz de dizer mais coisas. As séries como Fargo ou Breaking Bad também são baseadas nesses paradoxos. Com essas histórias, você pode se projetar e se perguntar: o que eu faria se algo assim acontecesse comigo?

Estamos vivendo uma época em que os games estão entrando no foco de discussões políticas/sociais. Foi assim com Death Stranding, mais recentemente The Last of Us e existem outros títulos que se encaixam. Qual a importância que os games têm nessa discussão na sociedade atual e como Road 96 pode contribuir para isso?

Road 96 tem lados, como o filme Parasite, um é muito engraçado, com personagens e situações malucas, e o outro é mais sério e pode se tornar dramático dependendo das ações do jogador. O aspecto político não está muito presente no início e se você não se preocupa pode pular totalmente, há muita liberdade no jogo. Mas se você gosta de assuntos políticos, você pode cavar nos diálogos e ainda mais expressando suas opiniões através de muitos mecanismos, como fazer marcas nas paredes ou os cartazes eleitorais, por exemplo. O bom é que terá um impacto mostrando o efeito borboleta de suas ações.

A geração procedural é o avanço natural da mídia tornando a experiência mais íntima para cada player, sendo usada em games como No Man’s Sky. Road 96 não é um jogo com a mesma escala, mas podemos esperar o próximo avanço narrativo com uso dessa técnica nos games?

Desde o início, queríamos fazer com que o jogador realmente sentisse a aleatoriedade e a liberdade de estar na estrada. Então, centralizamos todo o desenvolvimento em torno desse mantra: “O caminho de ninguém será o mesmo”. Isso nos levou a muitos protótipos para encontrar uma estrutura que permite um fluxo narrativo coerente e atraente em uma geração procedural. Pesquisamos muito durante mais de um ano, com uma mistura de sequências de texto e algumas cenas 3D para sentir o jogo e torná-lo testável. Nosso programador Bastien também fez uma ferramenta de simulação muito inteligente que “jogava” o jogo 1.000.000 vezes à noite com comportamentos diferentes e nos dava muitas estatísticas para analisar no dia seguinte. Isso foi fundamental para desenhar uma ótima receita e ver os limites de cada estrutura. Uma vez que todos os limites do sistema fossem conhecidos, poderíamos finalmente iniciar realmente o processo de escrita do enredo.

Quais inspirações do mundo real foram usadas para criar o universo no qual se passa o enredo da produção?

Inventamos este país chamado Petria, que é uma mistura estranha dos EUA nos anos 90 com os países comunistas orientais por trás da cortina de ferro. As situações e lutas da sociedade combinadas com uma economia autoritária e capitalista em colapso, porque nenhum outro país quer comprar seu petróleo, criam um ambiente muito interessante. A fronteira é inspirada na Coreia do Norte, você não pode sair, exceto se se alistar para se tornar um trabalhador offshore em condições muito rigorosas e ameaçadoras. Visualmente queria sentir a imensidão, o calor do deserto durante o verão, a poeira, o declínio de um país que era rico antes de suas lutas. Parece um pouco com o Arizona ou o México, mas é um país fictício com sua influência da arquitetura brutalista, em ressonância com o governo autoritário em vigor. Parece um pouco como “e se os Estados Unidos tivessem se transformado em comunismo nos anos 70? e 20 anos depois há apenas vestígios dessa glória”.

Em questão de mercado, o game terá uma colaboração com o Google Stadia. Enquanto o serviço de streaming é a tendência em diferentes setores o Stadia ocupa pouquíssimos países em escala global. Por que a escolha de colaboração com o Google?

Road 96 estará em muitas plataformas, incluindo Steam e Stadia, o Google foi muito legal conosco e nos ajudou a desenvolver o jogo. Eu acredito fortemente em streaming no futuro, isso mudará tudo quando a largura de banda da rede permitir, então estou feliz em preparar o estúdio para o futuro. Também desenvolvemos recursos muito exclusivos que os recursos do Stadia permitem, como a participação do público, a qualquer momento no jogo um streamer pode deixar sua comunidade fazer uma escolha no chat. E estávamos desenvolvendo outros recursos dos quais não posso falar ainda. O HP Omen também apoia muito os indies e eles nos ajudam no lado do marketing por meio de sua enorme comunidade Omen, seus valores são muito próximos aos nossos e sua visão de progresso nos jogos é muito empolgante.

O SUCO agradece Yoan Fanise pela atenção e por ter aceito esse convite para um Suco Entrevista tão especial. Acompanhe mais sobre Road 96 no SITE OFICIAL.