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Sekkou Boys
LIDENFILMS
Comédia – Musical
Janeiro – Março, 2016
12 Episódios (curta duração)

Olá, Chell aqui! Venho hoje trazer a #REVIEW desse anime curtinho, com 12 episódios de 10 minutos de duração, que chamou a atenção de muita gente desde o momento em que saiu a sinopse, por tratar de um tema… diferente. Vamos falar sobre Sekkou Boys, essa série que tem como premissa contar a história de uma agente de idols fazendo o trabalho de treinar quatro bustos de circa século XV?

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A história dos bustos que viraram idols

Sekkou Boys, como eu já postei anteriormente na seção Primeiro Gole, tem uma premissa radicalmente diferente de tudo. É um anime de idols? Sim, é um anime de idols. É um anime de idols apenas sendo fofinhas? Não exatamente, é daqueles um pouco mais raros que falam da produção de idols. Já virou um tanto comum séries que tratam da produção de animes e mangás, como Bakuman e Shirobako, mas séries que tratam da produção de idols são um pouco mais raras: uma delas é Shounen Hollywood, que tem uma pegada mais séria do que, por exemplo, Love Live! ou Idolm@ster. O fato é que Sekkou Boys é uma série que fala da produção de idols.

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Sekkou Boys (Imagem Divulgação)

“Idols mulheres ou homens?”, pergunta o leitor mais desavisado. Então, idols… estátuas. Estátuas greco-romanas do século XV. “Que?” Por que não? Afinal, a moça produz estátuas. A questão é que essas estátuas – na verdade, para ser mais exata, são bustos – falam. E são incrivelmente carismáticas e cheias de uma cultura de 15 séculos atrás, supostamente. Eles conhecem seus pintores, suas histórias, tem personalidades apenas vagamente baseadas em fatos reais, e, enfim, por que não criar um grupo de idols com elas, foi o que uma produtora pensou. Super realista, faz todo o sentido. Então, o que nós temos é uma garota formada em artes com uma aversão louca a tudo que é estátua, por ter treinado demais a pintura com estátuas em seu atelier, e que de repente se vê tendo que treinar um grupo de estátuas falantes. E, claro, não podemos esquecer que as estátuas são dubladas por Jun Fukuyama, Ono Daisuke e Tomokazu Sugita, o que já é o bastante para fazer nós, fangirls de seiyuu, pirarmos, né?

O anime tem um formato de 7 minutos por episódio, e como comentei anteriormente, a premissa aparentemente “bobinha” revelou um primeiro episódio hilário, com referências ao estudo de arte extremamente entediante da protagonista. Miki Ishimoto é o nome da jovem produtora, mais nova funcionária da empresa Holbein Entertainment inc., que treina esse grupo de idols. Ela chega na empresa super motivada, fica empolgada com a perspectiva de treinar um grupo de idols, só para se decepcionar. E para quem já estudou desenho, artes ou anatomia, tipo eu, é verdade: é realmente muito irritante ficar copiando estátuas. E aí as ilusões dela, de ser ryca e phyna agenciando idols na indústria do entretenimento, simplesmente se esvaem e se transformam em um verdadeiro surto.

Paródia, homenagem ou humor descompromissado?

sekkou boys poster 2
Sekkou Boys (Imagem Divulgação)

Já no primeiro episódio somos apresentados a uma das grandes graças da comédia do anime: uma apresentação digna de Uta no Prince-Sama, claramente parodiando esse estilo de série – tipo essa ou Idolish 7, com idols mega-fabulosos e coloridos brilhando e espectadoras fangirls indo ao delírio. Pois bem. Em Sekkou Boys, o que temos é um grupo masculino de bustos de personalidades greco-romanas falantes em uma apresentação nesse estilo. O que, bem, faz muito sentido, eles são definitivamente bishounen no sentido estrito. Assim começa o primeiro episódio de Sekkou Boys, e as coisas prometem ir daí para baixo.

A bem da verdade, no entanto, apesar de uma premissa loucamente criativa, Sekkou Boys não tem um desenvolvimento muito diferente do esperado de qualquer comédia/paródia de anime de idols. O que eu quero dizer é que ele acaba indo muito além, na sua exposição e temas, do que a proposta original apresentava, mas e nesse sentido não rompe com os padrões de séries de idols. Mas sim, continua sendo inegavelmente uma paródia; vide, por exemplo, as estátuas indianas que surgem como “competição” para o grupo de estátuas greco-romanas, ou a apresentação final. Por outro lado, personagens como Mira-chan são uma paródia tão escrachada que não chegam a ter graça como paródia; a relação que temos com eles chega a ser afetuosa, porque não é propriamente ironizando o universo dos idols. Acaba sendo mais uma “homenagem” do que realmente uma “paródia”.

O humor oscila entre um humor bobo, baseado no fato de estátuas estarem vivendo e se relacionando com humanos, até um humor – mais raro e ocasional – mais baseado na cultura das figuras que as estátuas representam, por exemplo, ou em fatos históricos, ou ainda em referências à indústria real dos idols – por exemplo, o personagem “Abicii”, que aparece no episódio 10, parodiando o Avicii; e também sobre as dificuldades da indústria de idols, e nesse sentido, não tem muita diferença de outras séries sobre a produção nesse universo, como Shounen Hollywood.

Em síntese…

O fato é que, na maior parte do tempo, o encerramento do anime representa bem o que ele é: peripécias de personagens, economia na não-animação de estátuas que às vezes eu achava assustadoras, confesso, e uma proposta que não cumpre exatamente aquilo que poderia ser.

Sekkou Boys é bem mais convencional na sua apresentação do que o episódio 1 prometia, acredito, e tem um quê de slice-of-life, o que não é de forma nenhuma ruim. Com todos os clichês, Sekkou Boys é um anime muito refrescante e original, no sentido de ter um humor e um feeling diferentes de muitas séries. Sendo uma série de 7 minutos por episódio, eu definitivamente recomendaria para quem gosta de paródias de idols, cultura inútil (ou não?) e músicas divertidas. Mas diria: vá preparado para o humor que às vezes chega a ser infame, e para as estátuas inanimadas que definitivamente ficam enfadonhas depois de um tempo. Dito isso, divirta-se!

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